Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/11/2018

21 de Novembro de 2018

A Bíblia, Tradição e Magistério

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21 de Novembro de 2018

A Bíblia, Tradição e Magistério

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21/09/2018 00:00 - Atualizado em 21/09/2018 17:52

A Bíblia, Tradição e Magistério 0

21/09/2018 00:00 - Atualizado em 21/09/2018 17:52

Estamos, uma vez mais, no mês de setembro, tempo em que a Igreja no Brasil se dedica, de uma forma muito especial, à Bíblia Sagrada. Neste ano, o tema proposto pela CNBB é “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e o lema “A sabedoria é um espírito amigo do ser humano”, com base no estudo do Livro da Sabedoria (1,1-6,21).

Tendo como pano de fundo o livro da Sabedoria e o método da leitura orante da Bíblia, será interessante também conhecer um pouco sobre o cânon bíblico e a inter-relação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Ensina o Catecismo da Igreja Católica, em seu n. 120: “Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados. Esta lista integral é chamada ‘Cânon’ das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27: Para o Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias; Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Atos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filemon: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse”.

O cânon bíblico é importante, pois foi definido pela Igreja, por ação do Espírito Santo, ao longo do tempo e à luz da Tradição oral. Antes de ser registrada por escrito a Palavra de Deus era pregada de viva voz às comunidades nascentes.

Vê-se, pois, que não é sábio nem correto – como, infelizmente, fazem alguns – julgar a Igreja com a Bíblia na mão, dado que a Igreja foi quem, por graça divina, organizou a Escritura, não o contrário. Portanto, ninguém segue “só a Bíblia”, pois ela mesma não define seu cânon, mas depende de uma Tradição oral que o faça, a Tradição Divino-apostólica.

A Constituição Dogmática Dei Verbum (A Palavra de Deus), do Concílio Vaticano II, no tocante ao entendimento do Antigo e do Novo Testamento nos ajuda a entrar nessa compreensão.

A história da salvação consignada nos livros do Antigo Testamento: “14. Deus amantíssimo, desejando e preparando com solicitude a salvação de todo o gênero humano, escolheu por especial providência um povo a quem confiar as suas promessas. Tendo estabelecido aliança com Abraão (cf. Gn. 15,18), e com o povo de Israel por meio de Moisés (cf. Êx. 24,8), revelou-se ao Povo escolhido como único Deus verdadeiro e vivo, em palavras e obras, de tal modo que Israel pudesse conhecer por experiência os planos de Deus sobre os homens, os compreendesse cada vez mais profunda e claramente, ouvindo o mesmo Deus falar pela boca dos profetas, e os difundisse mais amplamente entre os homens (cf. Sl 21,28-29; 95,1-3; Is 2,1-4; Jer 3,17). A ‘economia’ da salvação de antemão anunciada, narrada e explicada pelos autores sagrados, encontra-se nos livros do Antigo Testamento como verdadeira palavra de Deus. Por isso, estes livros divinamente inspirados conservam um valor perene: ‘Tudo quanto está escrito, para nossa instrução está escrito, para que, por meio da paciência e consolação que nos vem da Escritura, tenhamos esperança’ (Rom. 15,4)”.

A Importância do Antigo Testamento para os cristãos: “15. A ‘economia’ do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profeticamente (cf. Lc 24,44; Jo 5,39; 1Pd. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cf. 1 Cor 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do gênero humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina. Por isso, os fiéis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação”.

A Unidade de ambos ao Testamentos: “16. Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado a nova Aliança no seu sangue (cf. Lc 22,20; 1Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento (cf. Mt 5,17; Lc 24,27; Rom 16, 25-26; 2Cor. 3, 14.16), que por sua vez iluminam e explicam”.

A Excelência do Novo Testamento: “17. A palavra de Deus, que é virtude de Deus para a salvação de todos os que creem (cf. Rom. 1,16), apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos (cf. Gl. 4,4), o Verbo fez-se carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade (cf. Jo. 1,14). Cristo estabeleceu o reino de Deus na terra, manifestou com obras e palavras o Pai e a Si mesmo, e levou a cabo a Sua obra com a Sua morte, ressurreição, e gloriosa ascensão, e com o envio do Espírito Santo. Sendo levantado da terra, atrai todos a si (cf. Jo 12,32), Ele que é o único que tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6,68). Este mistério, porém, não foi descoberto a outras gerações como foi agora revelado aos seus santos Apóstolos e aos profetas no Espírito Santo (cf. Ef 3,46) para que pregassem o Evangelho, e despertassem a fé em Jesus Cristo e Senhor, e congregassem a Igreja. Os escritos do Novo Testamento são um testemunho perene e divino de todas estas coisas”.

A Origem apostólica dos Evangelhos: “18. Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador. A Igreja defendeu e defende sempre e em toda a parte a origem apostólica dos quatro Evangelhos. Com efeito, aquelas coisas que os Apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram, foram depois, por inspiração do Espírito Santo, transmitidas por escrito por eles mesmos e por varões apostólicos como fundamento da fé, ou seja, o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João”.

O carácter histórico dos Evangelhos: “19. A santa mãe Igreja defendeu e defende firme e constantemente que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, durante a sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu (cf. At. 1,1-2). Na verdade, após a ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que eles, instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade gozavam, as coisas que Ele tinha dito e feito. Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo algumas coisas entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das igrejas, conservando, finalmente, o caráter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas autênticas e verdadeiras acerca de Jesus. Com efeito, quer relatassem aquilo de que se lembravam e recordavam, quer se baseassem no testemunho daqueles ‘que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra’, fizeram-no sempre com intenção de que conheçamos a ‘verdade’ das coisas a respeito das quais fomos instruídos (cf. Lc 1,2-4).

Os restantes escritos do Novo Testamento: “20. O cânon do Novo Testamento contém igualmente além dos quatro Evangelhos, as Epístolas de S. Paulo e outros escritos apostólicos redigidos por inspiração do Espírito Santo, com os quais, segundo o plano da sabedoria divina, é confirmado o que diz respeito a Cristo Senhor, é explicada mais e mais a sua genuína doutrina, é pregada a virtude salvadora da obra divina de Cristo, são narrados os começos da Igreja e a sua admirável difusão, e é anunciada a sua consumação gloriosa. Com efeito, o Senhor Jesus assistiu os seus Apóstolos como tinha prometido (cf. Mt 28,20) e enviou-lhes o Espírito consolador que os devia introduzir na plenitude da verdade (cf. Jo 16,13)”.

Assim iluminados pelo documento conciliar, vejamos à luz do Catecismo da Igreja Católica, a relação que há entre Escritura, Tradição e Magistério da Igreja. Com efeito, a Palavra de Deus é uma só, mas a nós transmitida por dois canais, a Escritura e a Tradição. Daí ensina o Catecismo que à Igreja, “a quem está confiada a transmissão e interpretação da Revelação, não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência” (n. 82). Esse rico patrimônio da Palavra de Deus foi confiado à Igreja que jamais pode deturpá-lo, mas há, sim, de guardá-lo e interpretá-lo com fidelidade à sua missão divino-humana.

Sobre isso diz o Catecismo: 85. “O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo, isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. 86. Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado”.

Em nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, além de três Cursos por Correspondência da Escola Mater Ecclesiae (Bíblico, Parábolas e Antigo Testamento), temos lições bíblicas publicadas, semanalmente, no nosso jornal Testemunho de Fé e no site da Arquidiocese, além de tantas iniciativas paroquiais e comunitárias que quem desejar poderá se valer a fim de mais e melhor conhecer a Palavra de Deus escrita. Que o mês de setembro lhe seja esse tempo favorável para início, aprofundamento ou retomada de seus estudos bíblicos. O Espírito Santo nos inspire sempre!

 

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A Bíblia, Tradição e Magistério

21/09/2018 00:00 - Atualizado em 21/09/2018 17:52

Estamos, uma vez mais, no mês de setembro, tempo em que a Igreja no Brasil se dedica, de uma forma muito especial, à Bíblia Sagrada. Neste ano, o tema proposto pela CNBB é “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” e o lema “A sabedoria é um espírito amigo do ser humano”, com base no estudo do Livro da Sabedoria (1,1-6,21).

Tendo como pano de fundo o livro da Sabedoria e o método da leitura orante da Bíblia, será interessante também conhecer um pouco sobre o cânon bíblico e a inter-relação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Ensina o Catecismo da Igreja Católica, em seu n. 120: “Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos que deviam ser contados na lista dos livros sagrados. Esta lista integral é chamada ‘Cânon’ das Escrituras. Comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se se contar Jeremias e as Lamentações como um só) escritos, e, para o Novo, 27: Para o Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coelet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias; Para o Novo Testamento: Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João; os Atos dos Apóstolos; as epístolas de São Paulo: aos Romanos, primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, primeira e segunda aos Tessalonicenses, primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filemon: a Epístola aos Hebreus; a Epístola de Tiago, a primeira e segunda de Pedro, as três epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse”.

O cânon bíblico é importante, pois foi definido pela Igreja, por ação do Espírito Santo, ao longo do tempo e à luz da Tradição oral. Antes de ser registrada por escrito a Palavra de Deus era pregada de viva voz às comunidades nascentes.

Vê-se, pois, que não é sábio nem correto – como, infelizmente, fazem alguns – julgar a Igreja com a Bíblia na mão, dado que a Igreja foi quem, por graça divina, organizou a Escritura, não o contrário. Portanto, ninguém segue “só a Bíblia”, pois ela mesma não define seu cânon, mas depende de uma Tradição oral que o faça, a Tradição Divino-apostólica.

A Constituição Dogmática Dei Verbum (A Palavra de Deus), do Concílio Vaticano II, no tocante ao entendimento do Antigo e do Novo Testamento nos ajuda a entrar nessa compreensão.

A história da salvação consignada nos livros do Antigo Testamento: “14. Deus amantíssimo, desejando e preparando com solicitude a salvação de todo o gênero humano, escolheu por especial providência um povo a quem confiar as suas promessas. Tendo estabelecido aliança com Abraão (cf. Gn. 15,18), e com o povo de Israel por meio de Moisés (cf. Êx. 24,8), revelou-se ao Povo escolhido como único Deus verdadeiro e vivo, em palavras e obras, de tal modo que Israel pudesse conhecer por experiência os planos de Deus sobre os homens, os compreendesse cada vez mais profunda e claramente, ouvindo o mesmo Deus falar pela boca dos profetas, e os difundisse mais amplamente entre os homens (cf. Sl 21,28-29; 95,1-3; Is 2,1-4; Jer 3,17). A ‘economia’ da salvação de antemão anunciada, narrada e explicada pelos autores sagrados, encontra-se nos livros do Antigo Testamento como verdadeira palavra de Deus. Por isso, estes livros divinamente inspirados conservam um valor perene: ‘Tudo quanto está escrito, para nossa instrução está escrito, para que, por meio da paciência e consolação que nos vem da Escritura, tenhamos esperança’ (Rom. 15,4)”.

A Importância do Antigo Testamento para os cristãos: “15. A ‘economia’ do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profeticamente (cf. Lc 24,44; Jo 5,39; 1Pd. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cf. 1 Cor 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do gênero humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina. Por isso, os fiéis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação”.

A Unidade de ambos ao Testamentos: “16. Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado a nova Aliança no seu sangue (cf. Lc 22,20; 1Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento (cf. Mt 5,17; Lc 24,27; Rom 16, 25-26; 2Cor. 3, 14.16), que por sua vez iluminam e explicam”.

A Excelência do Novo Testamento: “17. A palavra de Deus, que é virtude de Deus para a salvação de todos os que creem (cf. Rom. 1,16), apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos (cf. Gl. 4,4), o Verbo fez-se carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade (cf. Jo. 1,14). Cristo estabeleceu o reino de Deus na terra, manifestou com obras e palavras o Pai e a Si mesmo, e levou a cabo a Sua obra com a Sua morte, ressurreição, e gloriosa ascensão, e com o envio do Espírito Santo. Sendo levantado da terra, atrai todos a si (cf. Jo 12,32), Ele que é o único que tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6,68). Este mistério, porém, não foi descoberto a outras gerações como foi agora revelado aos seus santos Apóstolos e aos profetas no Espírito Santo (cf. Ef 3,46) para que pregassem o Evangelho, e despertassem a fé em Jesus Cristo e Senhor, e congregassem a Igreja. Os escritos do Novo Testamento são um testemunho perene e divino de todas estas coisas”.

A Origem apostólica dos Evangelhos: “18. Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador. A Igreja defendeu e defende sempre e em toda a parte a origem apostólica dos quatro Evangelhos. Com efeito, aquelas coisas que os Apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram, foram depois, por inspiração do Espírito Santo, transmitidas por escrito por eles mesmos e por varões apostólicos como fundamento da fé, ou seja, o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João”.

O carácter histórico dos Evangelhos: “19. A santa mãe Igreja defendeu e defende firme e constantemente que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, durante a sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu (cf. At. 1,1-2). Na verdade, após a ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que eles, instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade gozavam, as coisas que Ele tinha dito e feito. Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo algumas coisas entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das igrejas, conservando, finalmente, o caráter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas autênticas e verdadeiras acerca de Jesus. Com efeito, quer relatassem aquilo de que se lembravam e recordavam, quer se baseassem no testemunho daqueles ‘que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra’, fizeram-no sempre com intenção de que conheçamos a ‘verdade’ das coisas a respeito das quais fomos instruídos (cf. Lc 1,2-4).

Os restantes escritos do Novo Testamento: “20. O cânon do Novo Testamento contém igualmente além dos quatro Evangelhos, as Epístolas de S. Paulo e outros escritos apostólicos redigidos por inspiração do Espírito Santo, com os quais, segundo o plano da sabedoria divina, é confirmado o que diz respeito a Cristo Senhor, é explicada mais e mais a sua genuína doutrina, é pregada a virtude salvadora da obra divina de Cristo, são narrados os começos da Igreja e a sua admirável difusão, e é anunciada a sua consumação gloriosa. Com efeito, o Senhor Jesus assistiu os seus Apóstolos como tinha prometido (cf. Mt 28,20) e enviou-lhes o Espírito consolador que os devia introduzir na plenitude da verdade (cf. Jo 16,13)”.

Assim iluminados pelo documento conciliar, vejamos à luz do Catecismo da Igreja Católica, a relação que há entre Escritura, Tradição e Magistério da Igreja. Com efeito, a Palavra de Deus é uma só, mas a nós transmitida por dois canais, a Escritura e a Tradição. Daí ensina o Catecismo que à Igreja, “a quem está confiada a transmissão e interpretação da Revelação, não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência” (n. 82). Esse rico patrimônio da Palavra de Deus foi confiado à Igreja que jamais pode deturpá-lo, mas há, sim, de guardá-lo e interpretá-lo com fidelidade à sua missão divino-humana.

Sobre isso diz o Catecismo: 85. “O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo, isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. 86. Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado”.

Em nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, além de três Cursos por Correspondência da Escola Mater Ecclesiae (Bíblico, Parábolas e Antigo Testamento), temos lições bíblicas publicadas, semanalmente, no nosso jornal Testemunho de Fé e no site da Arquidiocese, além de tantas iniciativas paroquiais e comunitárias que quem desejar poderá se valer a fim de mais e melhor conhecer a Palavra de Deus escrita. Que o mês de setembro lhe seja esse tempo favorável para início, aprofundamento ou retomada de seus estudos bíblicos. O Espírito Santo nos inspire sempre!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro