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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2018

18 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (70)

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18 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (70)

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07/09/2018 10:57 - Atualizado em 07/09/2018 10:58

Livros do Antigo Testamento (70) 0

07/09/2018 10:57 - Atualizado em 07/09/2018 10:58

Neste artigo iniciamos a leitura panorâmica dos chamados Livros Históricos, ou como os judeus os denominam, Os Escritos. Trata-se de um longo percurso de narrativas, desde o assentamento em Canaã até a criação da Monarquia, com a reunião definitiva das 12 tribos num só Reino. Passa pelos desastres da Monarquia, dos exílios e reconstruções sucessivas. Mas tudo começa com Josué, discípulo e sucessor de Moisés. Queremos introduzir-vos neste espaço histórico tão extenso da vida e do desenvolvimento da Revelação e da existência do povo de Deus.

1. Livros Históricos

A sequência dos livros da Bíblia tem vários traços de uma longa parábola histórica, e o interesse pela História já estava bastante presente nos livros do Pentateuco. Mas é costume chamar Livros Históricos a um conjunto que vem depois do Pentateuco.

Na verdade, só se consegue fazer uma História de Israel em sentido atual a partir da instalação do povo em Canaã. E esse fato da atual historiografia coincide com a classificação tradicional do referido conjunto, que inclui os seguintes livros:

Josué, que apresenta a entrada dos hebreus na terra de Canaã, como quem vai tomar solenemente posse de uma herança que lhe fora atribuída.

É uma construção simbólica, não representando inteiramente os acontecimentos históricos reais, como se pode ver no livro dos juízes.

Os juízes, de fato, mostram-nos uma entrada bastante mais dispersa das tribos em Canaã, e dominando muito mais lentamente o conjunto do território. Por outro lado, descreve-nos as vicissitudes e a insegurança da vida levada por essas tribos, numa época ainda distante do tempo da Monarquia.

“Rute” é um romance histórico situado na época dos juízes, mas, sobretudo um livro contra a xenofobia que marcou épocas mais tardias do judaísmo.

A mais representativa e formal sequência historiográfica deste período, que já começara com Josué e juízes, integra, ainda, o grande conjunto de 1o e 2o de Samuel e 1o e 2o dos Reis.

A sua redação final parece ter-se inspirado já claramente na mentalidade deuteronomista; por isso, costuma chamar-se a “Historiografia deuteronomista”. Com ela pretendeu-se fazer o exame de consciência da História nacional, após o desastre do fim da monarquia.

Mais tarde, os livros 1o e 2o das crônicas retomam toda a História de Israel desde as origens, ou por meio de genealogias e sínteses históricas, ou relembrando alguns episódios coincidentes e outros complementares aos assuntos que tinham aparecido narrados na História deuteronomista.

Esdras e Neemias contam alguns episódios relativos à restauração do povo de Israel e da cidade de Jerusalém, depois do regresso da Babilônia. No entanto, a historiografia sobre esta época, marcada pelo domínio persa, ficou bastante aquém da sua importância no aparecimento da Bíblia.

Tobias oferece-nos, com um quadro familiar notável, as dificuldades de viver a piedade em condições sociais e políticas adversas.

Ester descreve um drama de colorido algo semelhante, mas alargado à experiência de todo o povo, que se vê ameaçado de destruição e consegue, no fim, cantar vitória.

Judite é um romance histórico; simboliza a capacidade de resistência aos inimigos, na época da luta contra os Selêucidas (séc. II a.C.).

O 1o e 2o Livro dos Macabeus espelham, por meio de uma historiografia muito ao gosto da época helenista, a luta dos judeus para conseguirem libertar-se da política opressora dos Selêucidas. É o último bloco historiográfico dentro da Bíblia.

2. Sumários da História da Salvação

Ao começar a ler a Bíblia pela primeira vez, alguém pode sentir-se um pouco perdido neste emaranhado de livros, personagens e acontecimentos diferentes, como quem chega pela primeira vez a uma grande cidade.

E assim como é útil, para se orientar nas grandes cidades, ter a referência dos monumentos mais altos e das principais ruas e avenidas, também é bom um leitor da Bíblia começar a reter e relacionar entre si os principais fatos e protagonistas da História da Salvação.

Por isso, apresentamos aqui alguns sumários. Convém ler devagar estes textos, sublinhar com cores diferentes os fatos, os nomes das pessoas e os nomes dos lugares.

Pouco a pouco, veremos que vários deles se repetem e se vão tornando cada vez mais familiares.

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Livros do Antigo Testamento (70)

07/09/2018 10:57 - Atualizado em 07/09/2018 10:58

Neste artigo iniciamos a leitura panorâmica dos chamados Livros Históricos, ou como os judeus os denominam, Os Escritos. Trata-se de um longo percurso de narrativas, desde o assentamento em Canaã até a criação da Monarquia, com a reunião definitiva das 12 tribos num só Reino. Passa pelos desastres da Monarquia, dos exílios e reconstruções sucessivas. Mas tudo começa com Josué, discípulo e sucessor de Moisés. Queremos introduzir-vos neste espaço histórico tão extenso da vida e do desenvolvimento da Revelação e da existência do povo de Deus.

1. Livros Históricos

A sequência dos livros da Bíblia tem vários traços de uma longa parábola histórica, e o interesse pela História já estava bastante presente nos livros do Pentateuco. Mas é costume chamar Livros Históricos a um conjunto que vem depois do Pentateuco.

Na verdade, só se consegue fazer uma História de Israel em sentido atual a partir da instalação do povo em Canaã. E esse fato da atual historiografia coincide com a classificação tradicional do referido conjunto, que inclui os seguintes livros:

Josué, que apresenta a entrada dos hebreus na terra de Canaã, como quem vai tomar solenemente posse de uma herança que lhe fora atribuída.

É uma construção simbólica, não representando inteiramente os acontecimentos históricos reais, como se pode ver no livro dos juízes.

Os juízes, de fato, mostram-nos uma entrada bastante mais dispersa das tribos em Canaã, e dominando muito mais lentamente o conjunto do território. Por outro lado, descreve-nos as vicissitudes e a insegurança da vida levada por essas tribos, numa época ainda distante do tempo da Monarquia.

“Rute” é um romance histórico situado na época dos juízes, mas, sobretudo um livro contra a xenofobia que marcou épocas mais tardias do judaísmo.

A mais representativa e formal sequência historiográfica deste período, que já começara com Josué e juízes, integra, ainda, o grande conjunto de 1o e 2o de Samuel e 1o e 2o dos Reis.

A sua redação final parece ter-se inspirado já claramente na mentalidade deuteronomista; por isso, costuma chamar-se a “Historiografia deuteronomista”. Com ela pretendeu-se fazer o exame de consciência da História nacional, após o desastre do fim da monarquia.

Mais tarde, os livros 1o e 2o das crônicas retomam toda a História de Israel desde as origens, ou por meio de genealogias e sínteses históricas, ou relembrando alguns episódios coincidentes e outros complementares aos assuntos que tinham aparecido narrados na História deuteronomista.

Esdras e Neemias contam alguns episódios relativos à restauração do povo de Israel e da cidade de Jerusalém, depois do regresso da Babilônia. No entanto, a historiografia sobre esta época, marcada pelo domínio persa, ficou bastante aquém da sua importância no aparecimento da Bíblia.

Tobias oferece-nos, com um quadro familiar notável, as dificuldades de viver a piedade em condições sociais e políticas adversas.

Ester descreve um drama de colorido algo semelhante, mas alargado à experiência de todo o povo, que se vê ameaçado de destruição e consegue, no fim, cantar vitória.

Judite é um romance histórico; simboliza a capacidade de resistência aos inimigos, na época da luta contra os Selêucidas (séc. II a.C.).

O 1o e 2o Livro dos Macabeus espelham, por meio de uma historiografia muito ao gosto da época helenista, a luta dos judeus para conseguirem libertar-se da política opressora dos Selêucidas. É o último bloco historiográfico dentro da Bíblia.

2. Sumários da História da Salvação

Ao começar a ler a Bíblia pela primeira vez, alguém pode sentir-se um pouco perdido neste emaranhado de livros, personagens e acontecimentos diferentes, como quem chega pela primeira vez a uma grande cidade.

E assim como é útil, para se orientar nas grandes cidades, ter a referência dos monumentos mais altos e das principais ruas e avenidas, também é bom um leitor da Bíblia começar a reter e relacionar entre si os principais fatos e protagonistas da História da Salvação.

Por isso, apresentamos aqui alguns sumários. Convém ler devagar estes textos, sublinhar com cores diferentes os fatos, os nomes das pessoas e os nomes dos lugares.

Pouco a pouco, veremos que vários deles se repetem e se vão tornando cada vez mais familiares.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica