Arquidiocese do Rio de Janeiro

30º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1, 14)

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21 de Setembro de 2018

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1, 14)

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07/09/2018 07:38 - Atualizado em 07/09/2018 07:38

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1, 14) 0

07/09/2018 07:38 - Atualizado em 07/09/2018 07:38

O próximo fato social de importante e relevo social é o da Independência do Brasil, o qual se deu no dia 07 de setembro de 1822, em relação ao então Reino de Portugal. Como dissemos há algum tempo, em outra reflexão sobre esta mesma data, esta data que é contada com tanta glória na visão de uma historiografia mais tradicional e que é tão belamente representada no quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo, o qual se encontra, atualmente, localizado no Museu Paulista da USP, merecem um pouco mais de nossa atenção e, sobretudo um aprofundamento sua análise.

Dentre vários motivos, podemos mostrar que a tão contada e recontada independência do Brasil não foi tão cheia de honra e pompa, assim como nos querem fazer parecer. Na parte da historiografia, podemos demonstrar isto pelo simples fato de que, ao contrário de outros países que conquistaram sua independência de forma gratuita, o Brasil teve de pagar tipo uma indenização ao Reino de Portugal, para que pudesse ter a sua “independência” galgada. Para tanto, teve o Brasil de pegar empréstimo, e, em tese, para muitos seria este o início da dívida externa brasileira. Na questão da representação artística, hoje, tranquilamente pode-se afirmar que a ostentação do belíssimo quadro nunca se deu como ali representado. Ao se afirmar isso, jamais se perde de vista a importância o fato da liberdade artística, afinal, como diria o velho brocardo latino, à natureza e ao poeta tudo é lícito.

De toda sorte, é preciso que se faça uma análise da situação social que assola o Brasil e que nos leva a pensar sobre o quanto já caminhamos e sobre o quanto ainda precisamos caminhar. Naquele momento, pensávamos que os fortes agitos e turbulência pelos quais passavam a política nacional em âmbito, sobretudo localizado em Brasília, era um fator pontual e que, com o passar de mais algum tempo, a crise, naturalmente, se extinguiria.

Sem qualquer tipo de viés partidário-ideológico em específico, mas ao mesmo tempo procurando fazer uma reflexão à luz do Evangelho sobre fatos e não sobre pessoas, é importante para a missão da Igreja que as presentes linhas consistam numa perspectiva de procura de ajuda de construção de uma sociedade cada vez mais solidária e justa. Isto é a missão da Igreja e a missão de cada um dos batizados.

Para muitos, qualquer tipo de comentário sobre situações objetivamente colocadas não consiste em missão da Igreja, a qual, para os defensores desta forma de pensar, deveria ficar reclusas à sacristia das Igrejas e aos momentos devocionais e desligados da realidade social na qual a Igreja se encontra. Entretanto, para estes que querem, de alguma forma, calarem a voz profética da Igreja temos de lembrar o treco que inaugura o presente texto. A partir de sua Encarnação no Seio da Virgem, Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou um conosco, em tudo igual, menos no pecado, assim como diz a carta paulina. Mas, com a Encarnação, o Senhor armou sua Tenda entre nós e passou a conhecer cada nuance da existência humana.

Durante vários trechos do Evangelho, podemos notar que o Senhor Jesus teve momentos tensos e chegando ao clímax da conversa entre Jesus e Pilatos (Evangelho de João 19, 1-6), pois depois de mandar açoitar Jesus, Pilatos o apresenta simplesmente como “o humano” (v. 5). Há certo desprezo na palavra de Pilatos. Tal atitude parece ser uma manobra do evangelista com duplo propósito: Pilatos constata a humanidade de Jesus e a comunidade de fé a professa como realização da salvação. Colocada no discurso dos adversários (ironia joanina), a afirmação de que Jesus se fez filho de Deus (v. 7), é a proclamação de fé no “homem Jesus” como enviado e revelador do Pai. Jesus como o Verbo divino vem e nos liberta de toda forma de escravidão.

O termo “humano” na boca de Pilatos tem o sentido depreciativo de “acusado”, com acentuação na sua fraqueza e impossibilidade de fazer o mal. Porém, para o evangelista evoca o título de “Filho do Homem”, que no Quarto Evangelho exprime o mistério cristão. Há, possivelmente, um desejo do evangelista de afirmar a humanidade de Jesus como lugar único de manifestação do sagrado. Para a comunidade cristã, o dito “Eis o humano” (v. 5) soa como sinônimo de “o Logos fez-se carne”.

Na pessoa de Jesus, despojado de toda a “realeza do mundo”, vislumbra-se o verdadeiro ser humano, aquele que é livre para se entregar até o fim num gesto pleno de amor. Novamente, o que está em jogo não é uma dificuldade em se aceitar a humanidade de Jesus. Pelo contrário, ela é um dado plenamente aceito e inequívoco. O Cristo joanino é o Verbo que se fez carne, feito nosso irmão, em tudo semelhante a nós. O que importa não é pregar a humanidade sofrida do “Jesus-carne”, mas sim o êxito final de sua missão que se dará pela entrega na cruz.

Nosso Senhor teve um momento histórico e num determinado espaço, nos quais, cumpriu a missão para a qual veio, e a qual conhecia desde toda eternidade, ou seja, de Redenção de toda a humanidade, para que todos pudessem chegar ao pleno conhecimento de Deus e sua Misericórdia.

Desta forma, a Igreja, como fiel seguidora do Seu Divino Mestre e Senhor, não pode deixar de se imiscuir nas mais diversas realidades sociais nas quais se encontra e em todos os tempos.

Aliás, muito antes da Igreja como a conhecemos hoje, temos a história do povo de Deus, a qual já mostra como os israelitas sempre trouxeram as suas experiências de fé como fonte e fundamento de sua caminhada social. Como prefiguração da missão da Igreja, por todo Antigo Testamento, já se vê que a política sempre, como ato comum a favor de todos, sempre sofreu a influência através de reis ou profetas. Devido ao fato do Deus de Israel ser um Deus pessoal, fruto de uma experiência libertadora, exige compromisso com o bem comum e com a realidade. Dentre vários profetas do Antigo Testamento, sem cairmos em minúcias que não são o foco de uma leitura bíblica mais apurada, podemos pegar como exemplo o Profeta Oséias, o qual sempre denunciou as várias injustiças pelas quais o Povo de Deus passava. Apesar de todas as limitações, sempre teve como fundamento primeiro e fim último fazer com que o povo de Deus voltasse à fidelidade do primeiro testemunho. Outros vários e fartos exemplos podemos encontrar pelo livro de Isaías e em diversos Salmos.

Em A Trindade, o Bispo Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja, diz também qual o sentido da encarnação, acentuando novamente a condição pecadora da humanidade: E a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam (Jo 1,5). As trevas são as mentes dos homens insensatos, cegadas pelas más concupiscências e pela infidelidade. Foi para as curar e sarar que o Verbo pelo qual tudo foi feito, se fez carne e habitou entre nós (Jo1,14). Pois nossa iluminação é uma participação no Verbo, isto é, àquela vida que é a luz dos homens. A imundície de nossos pecados tornava-nos menos idôneos ou totalmente inábeis a essa participação. Devíamos, portanto, ser purificados.[1]

Nesta mesma linha de análise de João 1, 14, sobre como o Verbo fez morada entre nós e por isto conhecedor de nossa realidade, é importante lembrarmos do teólogo Karl Rahner, SJ, o qual captou em profundidade os apelos do homem moderno em relação à fé, percebendo-os num quadro mais amplo que o meramente eclesial e religioso, abrindo-se para a antropologia. Isso se deu pela sua percepção do mal-estar em que os cristãos viviam diante de um mundo onde as ciências evoluíram, onde o mundo em si evoluiu, e as verdades da fé permaneciam acrisoladas em formulações dogmáticas repetidas, mas incompreendidas.

Jesus, Deus-homem, é, para Rahner, o portador Absoluto de Salvação. Sendo assim, compreendeu ser urgente uma investida da teologia no diálogo com outras áreas e a formulação de uma teologia de cunho ontológico, significando não só uma mudança na linguagem em relação à teologia de concepções ônticas, mas, acima de tudo, uma variante na forma de olhar e de dizer a fé no mundo, a partir do humano.[2]

O humano, espírito e matéria que é, não é capaz de uma visão beatífica já neste mundo. Portanto, a possível revelação de Deus deve dar-se no lugar histórico. É nele somente que a humanidade poderá conhecer, pois o conhecimento humano será a pré-captação do infinito no finito de sua existência. A história é o espaço no qual a palavra de Deus deve dar-se a conhecer. Tal revelação na história rompe com os esquemas antagônicos em que Deus, o Absoluto, não se envolve com o mundo. Na história e na “carne” é que Deus pode se comunicar. Assim sendo, como nos primeiros Santos Padres, é nítido que toda a história é em si marcada pela graça, sendo uma realidade permanente do humano, e não um adicional divino que pode lhe ser acrescentado.

Ainda no mesmo sentido de tudo que expusemos acima, antes de adentrarmos na questão da atual conjectura nacional, para mostrarmos a importância do cristão estar engajado na vida social, trazemos a citação do n. 62, da Encíclica “Laudato Si”[3] do Santo Padre o Papa Francisco:

“Por que motivo incluir, neste documento dirigido a todas as pessoas de boa vontade, um capítulo referido às convicções de fé? Não ignoro que alguns, no campo da política e do pensamento, rejeitam decididamente a ideia de um Criador ou consideram-na irrelevante, chegando ao ponto de relegar para o reino do irracional a riqueza que as religiões possam oferecer para uma ecologia integral e o pleno desenvolvimento do género humano; outras vezes, supõe-se que elas constituam uma subcultura, que se deve simplesmente tolerar. Todavia a ciência e a religião, que fornecem diferentes abordagens da realidade, podem entrar num diálogo intenso e frutuoso para ambas.”

Feita esta mais longa e pormenorizada introdução, é necessário que se entre numa análise sintética dos problemas que a nós todos como cidadãos estamos enfrentando. Posto isto, é importante frisarmos que este ano – em 05 de outubro de 2018 – fazemos 30 anos da Constituição da República Federativa do Brasil e que esta é um marco social, político, político, jurídico, dentre outros fatores, muito importante. Pelo fato de ser um marco de divisão extremamente marcante, é que vamos fazer usar como suporte da situação atual a Constituição de 1988.

Após 24 anos de um período de exceção, no qual não estamos para acusar ou desculpar erros de quem quer que seja, podemos afirmar de forma peremptória que o estabelecimento de uma democracia política protegida por diversos mecanismos a garantir, pela primeira vez, algum acesso mínimo de todos os brasileiros e brasileiras a processos de decisão e informação coletivas.

Na caminhada constante do crescimento da democracia, sempre é importante lembrarmos que o Brasil tem um processo de democratização cheio de sobressaltos e, ainda hoje, bastante precário. Teoricamente, é problemático se ter um “ideal de democracia”. A democracia é uma forma dinâmica de tomada de decisões coletivas que pode se organizar de formas diversas.

Indo ao encontro do processo de fiscalização e fortalecimento das instituições de controle, não há como deixar de citar as ações do Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, que distribuindo a ação jurisdicional, com seus acertos e erros, mostrou-nos que a corrupção é um fator que perpassa por, praticamente, todos os vieses de todos os partidos e que está perpetrada na vida privada e na vida pública. Com seus belos discursos, preparados por seus profissionais do marketing, o Senhor os chamaria de “sepulcro caiado”, não porque são belas formas de ludibriar a realidade, mas também porque são formas de desvincular a fala da realidade.

Nessa crise de constitucionalização da sociedade brasileira, não se pode ser reducionista e simplista, ao querer se fazer o antigo esquema de direita e esquerda, eles contra nós, em síntese, como se fosse uma questão binária, maniqueísta, dual. Não, isto é não se adentrar no problema de forma horizontal e incisiva. Não se pode recorrer ao discurso do ódio. Isto prega contra o Evangelho, que não é pacifista, mas sim pacificador e de entrega por Amor e no Amor.

A Igreja deve e pode ajudar na construção da sociedade brasileira mais justa, solidária e sempre fincada nos milenares valores que nasceram do Cristo na Cruz e, posteriormente, do nascimento dela em Pentecostes. Para colaborar com este pensamento social brasileiro, à frente, trazemos algumas reflexões sobre como ainda estamos muito longe e distantes de conseguirmos cumprir a promessa de um país melhor e extinguirmos de vez a pobreza e o subdesenvolvimento.

Uma primeira questão que toca o subdesenvolvimento é a baixíssima aplicação em Educação formal. Ainda há poucos dias saiu uma pesquisa a qual, de forma vergonhosa, informou o que já se sabe há muito tempo, a falta de respeito com a educação e formação daqueles que nos sucederão. Em informações livres, foi dito que, no mínimo, 70% dos alunos não sabe interpretar um texto básico ou ter conhecimento de uma fórmula matemática de complexidade média. Ora sem uma educação de qualidade estamos fazendo um reforço para baixo e constante do subdesenvolvimento, uma vez que se as pessoas não podem ter uma formação melhor elas têm de procurar outras formas de subdesenvolvimento, seja na miséria de um subemprego ou na criminalidade. Esta forma de violência e agressão contra a população é muito mais grave do que a de um indivíduo que furta algo de pequena monta. Não se pode justificar um erro com outro, mas os desvios de verbas públicas causam muito mais repercussão na vida do cidadão comum.

Por falar em índices de criminalidade, quando a mulher ou o homem sem qualificação para o mercado se veem desesperados pela sua própria sobrevivência ou de sua família, premido pela necessidade, acabam se enfronhando no submundo do crime. Ao fazerem isto, em boa parte das vezes, estas pessoas mais iletradas são processadas e julgadas em âmbito criminal e fazendo inchar ainda mais o sistema carcerário brasileiro, o qual já é um dos maiores do mundo.

Em números formais, temos, aproximadamente, 14 milhões de desempregados, mas, certamente, o número supera e muito a isto. Temos um verdadeiro exército de indigentes.

Não é por falta de cadeias e número de pessoas presas que o Brasil não resolve seus problemas, pois, a gestão pela punição continua no âmbito do encarceramento em massa continua elevado no Brasil. Em 2010, o Brasil tinha 496 mil presos. Uma média de 253 detentos para cada 100 mil habitantes. Em 2016, o país encarcerava em suas masmorras 607 mil pessoas. E saltava em 20% a média. 301 presos para cada 100 mil habitantes.

Trabalho precarizado no Brasil e da gestão da sua questão social. E fim que hoje destina hoje aos seus milhões de trabalhadores radicaliza e retro-alimenta suas tendências dominantes hoje no mercado de trabalho, quais sejam, o desemprego que desvaloriza ainda mais a força de trabalho e o punitivismo como forma de seleção natural.

Ainda como reflexo da nossa sociedade caótica, como reflexo da desigualdade social, falta de uma educação de qualidade e de políticas públicas, temos de nos lembrar do sistema de saúde.

O policial, em boa parte das vezes, tão sub-valorizado também, como qualquer pessoa, sente a necessidade de um salário digno. Durante os anos, temos vários exemplos de violência. São ruídos incômodos o suficiente para demonstrar a falta de paz. Bem como aumento explosivo da violência em Recife, em Porto Alegre, nas rebeliões cada vez mais sanguinárias e das guerras de facções nos presídios, são apenas o aspecto mais visível destes conflitos. Nas ruas dos centros velhos das grandes cidades, onde o medo é constante, pessoas contra pessoas, e de pessoas contra a polícia, passando pelas brigas no trânsito, até no almoço de família da classe média, chegando, finalmente, à redes sociais e comunidades de “haters”, a desintegração social avança.

Poder-se-ia ainda citar outros fatores para sempre pensados como a possibilidade de terceirização do trabalho, do consumo enquanto instrumento de distinção social, da desconfiança selvagem em relação aos políticos e partidos, da supervalorização do privado sobre o público, da ideologia do mérito jogou para escanteio o programa democrático-popular e, com isto, as noções de identidade de classe, de associativismo e de direitos universais em nome do empreendedorismo etc.

Sei bem que as reflexões acima são fortes e incisivas, mas o nosso único intuito é de provocar um certo desconforto nas pessoas, para que possamos juntos procurar saídas e alternativas para fortalecer a nossa novel democracia, ainda incipiente e que precisa da colaboração de todas e todas para que seja fortalecida. E esta democracia só pode ser fortalecida com mais democracia, isto é, criando-se mecanismos nos quais os que não representam a vontade popular de progresso e melhoria social sejam definitivamente excluídos. Não é se omitindo informações e fazendo como se nada houvesse que o problema vai ser resolvido, mas sim se enfrentando o problema de frente e procurando solução. Assim é que é feito em países como a Finlândia.

Enquanto vivermos neste mundo teremos desafios, por isto a presente mensagem é de encorajamento de todos que visam seguir o Senhor Jesus, lembrar que seguir o Mestre, em tempo algum e em lugar foi missão fácil, tanto assim que nos primeiros 4 séculos de cristianismo, os que nos precederam na fé foram perseguidos e mortos. Mas, como se diz no Livro dos Atos dos Apóstolos, o sangue dos mártires era semente de novos cristãos. E isto muito antes de viés político-partidário que temos nos dias atuais. Nosso Senhor diz: “Somente em mim tereis a paz” (João 16,33). Assim sendo, busquemos como Igreja, como filhos de Deus no único batismo, chegar mais próximo ao sonho de Deus para um mundo melhor.

Rezemos com o Papa Francisco, em “Laudato Si”, no n. 244: Na expectativa da vida eterna, unimo-nos para tomar a nosso cargo esta casa que nos foi confiada, sabendo que aquilo de bom que há nela será assumido na festa do Céu. Juntamente com todas as criaturas, caminhamos nesta terra à procura de Deus, porque, “se o mundo tem um princípio e foi criado, procura quem o criou, procura quem lhe deu início, aquele que é o seu Criador”. Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança.



[1] AGOSTINHO, Santo. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994 (Patrística)

[2] Cf. RAHNER, Karl. Teologia e antropologia. São Paulo: Paulinas, 1969. p.162-163.

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"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1, 14)

07/09/2018 07:38 - Atualizado em 07/09/2018 07:38

O próximo fato social de importante e relevo social é o da Independência do Brasil, o qual se deu no dia 07 de setembro de 1822, em relação ao então Reino de Portugal. Como dissemos há algum tempo, em outra reflexão sobre esta mesma data, esta data que é contada com tanta glória na visão de uma historiografia mais tradicional e que é tão belamente representada no quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo, o qual se encontra, atualmente, localizado no Museu Paulista da USP, merecem um pouco mais de nossa atenção e, sobretudo um aprofundamento sua análise.

Dentre vários motivos, podemos mostrar que a tão contada e recontada independência do Brasil não foi tão cheia de honra e pompa, assim como nos querem fazer parecer. Na parte da historiografia, podemos demonstrar isto pelo simples fato de que, ao contrário de outros países que conquistaram sua independência de forma gratuita, o Brasil teve de pagar tipo uma indenização ao Reino de Portugal, para que pudesse ter a sua “independência” galgada. Para tanto, teve o Brasil de pegar empréstimo, e, em tese, para muitos seria este o início da dívida externa brasileira. Na questão da representação artística, hoje, tranquilamente pode-se afirmar que a ostentação do belíssimo quadro nunca se deu como ali representado. Ao se afirmar isso, jamais se perde de vista a importância o fato da liberdade artística, afinal, como diria o velho brocardo latino, à natureza e ao poeta tudo é lícito.

De toda sorte, é preciso que se faça uma análise da situação social que assola o Brasil e que nos leva a pensar sobre o quanto já caminhamos e sobre o quanto ainda precisamos caminhar. Naquele momento, pensávamos que os fortes agitos e turbulência pelos quais passavam a política nacional em âmbito, sobretudo localizado em Brasília, era um fator pontual e que, com o passar de mais algum tempo, a crise, naturalmente, se extinguiria.

Sem qualquer tipo de viés partidário-ideológico em específico, mas ao mesmo tempo procurando fazer uma reflexão à luz do Evangelho sobre fatos e não sobre pessoas, é importante para a missão da Igreja que as presentes linhas consistam numa perspectiva de procura de ajuda de construção de uma sociedade cada vez mais solidária e justa. Isto é a missão da Igreja e a missão de cada um dos batizados.

Para muitos, qualquer tipo de comentário sobre situações objetivamente colocadas não consiste em missão da Igreja, a qual, para os defensores desta forma de pensar, deveria ficar reclusas à sacristia das Igrejas e aos momentos devocionais e desligados da realidade social na qual a Igreja se encontra. Entretanto, para estes que querem, de alguma forma, calarem a voz profética da Igreja temos de lembrar o treco que inaugura o presente texto. A partir de sua Encarnação no Seio da Virgem, Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou um conosco, em tudo igual, menos no pecado, assim como diz a carta paulina. Mas, com a Encarnação, o Senhor armou sua Tenda entre nós e passou a conhecer cada nuance da existência humana.

Durante vários trechos do Evangelho, podemos notar que o Senhor Jesus teve momentos tensos e chegando ao clímax da conversa entre Jesus e Pilatos (Evangelho de João 19, 1-6), pois depois de mandar açoitar Jesus, Pilatos o apresenta simplesmente como “o humano” (v. 5). Há certo desprezo na palavra de Pilatos. Tal atitude parece ser uma manobra do evangelista com duplo propósito: Pilatos constata a humanidade de Jesus e a comunidade de fé a professa como realização da salvação. Colocada no discurso dos adversários (ironia joanina), a afirmação de que Jesus se fez filho de Deus (v. 7), é a proclamação de fé no “homem Jesus” como enviado e revelador do Pai. Jesus como o Verbo divino vem e nos liberta de toda forma de escravidão.

O termo “humano” na boca de Pilatos tem o sentido depreciativo de “acusado”, com acentuação na sua fraqueza e impossibilidade de fazer o mal. Porém, para o evangelista evoca o título de “Filho do Homem”, que no Quarto Evangelho exprime o mistério cristão. Há, possivelmente, um desejo do evangelista de afirmar a humanidade de Jesus como lugar único de manifestação do sagrado. Para a comunidade cristã, o dito “Eis o humano” (v. 5) soa como sinônimo de “o Logos fez-se carne”.

Na pessoa de Jesus, despojado de toda a “realeza do mundo”, vislumbra-se o verdadeiro ser humano, aquele que é livre para se entregar até o fim num gesto pleno de amor. Novamente, o que está em jogo não é uma dificuldade em se aceitar a humanidade de Jesus. Pelo contrário, ela é um dado plenamente aceito e inequívoco. O Cristo joanino é o Verbo que se fez carne, feito nosso irmão, em tudo semelhante a nós. O que importa não é pregar a humanidade sofrida do “Jesus-carne”, mas sim o êxito final de sua missão que se dará pela entrega na cruz.

Nosso Senhor teve um momento histórico e num determinado espaço, nos quais, cumpriu a missão para a qual veio, e a qual conhecia desde toda eternidade, ou seja, de Redenção de toda a humanidade, para que todos pudessem chegar ao pleno conhecimento de Deus e sua Misericórdia.

Desta forma, a Igreja, como fiel seguidora do Seu Divino Mestre e Senhor, não pode deixar de se imiscuir nas mais diversas realidades sociais nas quais se encontra e em todos os tempos.

Aliás, muito antes da Igreja como a conhecemos hoje, temos a história do povo de Deus, a qual já mostra como os israelitas sempre trouxeram as suas experiências de fé como fonte e fundamento de sua caminhada social. Como prefiguração da missão da Igreja, por todo Antigo Testamento, já se vê que a política sempre, como ato comum a favor de todos, sempre sofreu a influência através de reis ou profetas. Devido ao fato do Deus de Israel ser um Deus pessoal, fruto de uma experiência libertadora, exige compromisso com o bem comum e com a realidade. Dentre vários profetas do Antigo Testamento, sem cairmos em minúcias que não são o foco de uma leitura bíblica mais apurada, podemos pegar como exemplo o Profeta Oséias, o qual sempre denunciou as várias injustiças pelas quais o Povo de Deus passava. Apesar de todas as limitações, sempre teve como fundamento primeiro e fim último fazer com que o povo de Deus voltasse à fidelidade do primeiro testemunho. Outros vários e fartos exemplos podemos encontrar pelo livro de Isaías e em diversos Salmos.

Em A Trindade, o Bispo Santo Agostinho de Hipona, Doutor da Igreja, diz também qual o sentido da encarnação, acentuando novamente a condição pecadora da humanidade: E a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam (Jo 1,5). As trevas são as mentes dos homens insensatos, cegadas pelas más concupiscências e pela infidelidade. Foi para as curar e sarar que o Verbo pelo qual tudo foi feito, se fez carne e habitou entre nós (Jo1,14). Pois nossa iluminação é uma participação no Verbo, isto é, àquela vida que é a luz dos homens. A imundície de nossos pecados tornava-nos menos idôneos ou totalmente inábeis a essa participação. Devíamos, portanto, ser purificados.[1]

Nesta mesma linha de análise de João 1, 14, sobre como o Verbo fez morada entre nós e por isto conhecedor de nossa realidade, é importante lembrarmos do teólogo Karl Rahner, SJ, o qual captou em profundidade os apelos do homem moderno em relação à fé, percebendo-os num quadro mais amplo que o meramente eclesial e religioso, abrindo-se para a antropologia. Isso se deu pela sua percepção do mal-estar em que os cristãos viviam diante de um mundo onde as ciências evoluíram, onde o mundo em si evoluiu, e as verdades da fé permaneciam acrisoladas em formulações dogmáticas repetidas, mas incompreendidas.

Jesus, Deus-homem, é, para Rahner, o portador Absoluto de Salvação. Sendo assim, compreendeu ser urgente uma investida da teologia no diálogo com outras áreas e a formulação de uma teologia de cunho ontológico, significando não só uma mudança na linguagem em relação à teologia de concepções ônticas, mas, acima de tudo, uma variante na forma de olhar e de dizer a fé no mundo, a partir do humano.[2]

O humano, espírito e matéria que é, não é capaz de uma visão beatífica já neste mundo. Portanto, a possível revelação de Deus deve dar-se no lugar histórico. É nele somente que a humanidade poderá conhecer, pois o conhecimento humano será a pré-captação do infinito no finito de sua existência. A história é o espaço no qual a palavra de Deus deve dar-se a conhecer. Tal revelação na história rompe com os esquemas antagônicos em que Deus, o Absoluto, não se envolve com o mundo. Na história e na “carne” é que Deus pode se comunicar. Assim sendo, como nos primeiros Santos Padres, é nítido que toda a história é em si marcada pela graça, sendo uma realidade permanente do humano, e não um adicional divino que pode lhe ser acrescentado.

Ainda no mesmo sentido de tudo que expusemos acima, antes de adentrarmos na questão da atual conjectura nacional, para mostrarmos a importância do cristão estar engajado na vida social, trazemos a citação do n. 62, da Encíclica “Laudato Si”[3] do Santo Padre o Papa Francisco:

“Por que motivo incluir, neste documento dirigido a todas as pessoas de boa vontade, um capítulo referido às convicções de fé? Não ignoro que alguns, no campo da política e do pensamento, rejeitam decididamente a ideia de um Criador ou consideram-na irrelevante, chegando ao ponto de relegar para o reino do irracional a riqueza que as religiões possam oferecer para uma ecologia integral e o pleno desenvolvimento do género humano; outras vezes, supõe-se que elas constituam uma subcultura, que se deve simplesmente tolerar. Todavia a ciência e a religião, que fornecem diferentes abordagens da realidade, podem entrar num diálogo intenso e frutuoso para ambas.”

Feita esta mais longa e pormenorizada introdução, é necessário que se entre numa análise sintética dos problemas que a nós todos como cidadãos estamos enfrentando. Posto isto, é importante frisarmos que este ano – em 05 de outubro de 2018 – fazemos 30 anos da Constituição da República Federativa do Brasil e que esta é um marco social, político, político, jurídico, dentre outros fatores, muito importante. Pelo fato de ser um marco de divisão extremamente marcante, é que vamos fazer usar como suporte da situação atual a Constituição de 1988.

Após 24 anos de um período de exceção, no qual não estamos para acusar ou desculpar erros de quem quer que seja, podemos afirmar de forma peremptória que o estabelecimento de uma democracia política protegida por diversos mecanismos a garantir, pela primeira vez, algum acesso mínimo de todos os brasileiros e brasileiras a processos de decisão e informação coletivas.

Na caminhada constante do crescimento da democracia, sempre é importante lembrarmos que o Brasil tem um processo de democratização cheio de sobressaltos e, ainda hoje, bastante precário. Teoricamente, é problemático se ter um “ideal de democracia”. A democracia é uma forma dinâmica de tomada de decisões coletivas que pode se organizar de formas diversas.

Indo ao encontro do processo de fiscalização e fortalecimento das instituições de controle, não há como deixar de citar as ações do Poder Judiciário, em todas as suas instâncias, que distribuindo a ação jurisdicional, com seus acertos e erros, mostrou-nos que a corrupção é um fator que perpassa por, praticamente, todos os vieses de todos os partidos e que está perpetrada na vida privada e na vida pública. Com seus belos discursos, preparados por seus profissionais do marketing, o Senhor os chamaria de “sepulcro caiado”, não porque são belas formas de ludibriar a realidade, mas também porque são formas de desvincular a fala da realidade.

Nessa crise de constitucionalização da sociedade brasileira, não se pode ser reducionista e simplista, ao querer se fazer o antigo esquema de direita e esquerda, eles contra nós, em síntese, como se fosse uma questão binária, maniqueísta, dual. Não, isto é não se adentrar no problema de forma horizontal e incisiva. Não se pode recorrer ao discurso do ódio. Isto prega contra o Evangelho, que não é pacifista, mas sim pacificador e de entrega por Amor e no Amor.

A Igreja deve e pode ajudar na construção da sociedade brasileira mais justa, solidária e sempre fincada nos milenares valores que nasceram do Cristo na Cruz e, posteriormente, do nascimento dela em Pentecostes. Para colaborar com este pensamento social brasileiro, à frente, trazemos algumas reflexões sobre como ainda estamos muito longe e distantes de conseguirmos cumprir a promessa de um país melhor e extinguirmos de vez a pobreza e o subdesenvolvimento.

Uma primeira questão que toca o subdesenvolvimento é a baixíssima aplicação em Educação formal. Ainda há poucos dias saiu uma pesquisa a qual, de forma vergonhosa, informou o que já se sabe há muito tempo, a falta de respeito com a educação e formação daqueles que nos sucederão. Em informações livres, foi dito que, no mínimo, 70% dos alunos não sabe interpretar um texto básico ou ter conhecimento de uma fórmula matemática de complexidade média. Ora sem uma educação de qualidade estamos fazendo um reforço para baixo e constante do subdesenvolvimento, uma vez que se as pessoas não podem ter uma formação melhor elas têm de procurar outras formas de subdesenvolvimento, seja na miséria de um subemprego ou na criminalidade. Esta forma de violência e agressão contra a população é muito mais grave do que a de um indivíduo que furta algo de pequena monta. Não se pode justificar um erro com outro, mas os desvios de verbas públicas causam muito mais repercussão na vida do cidadão comum.

Por falar em índices de criminalidade, quando a mulher ou o homem sem qualificação para o mercado se veem desesperados pela sua própria sobrevivência ou de sua família, premido pela necessidade, acabam se enfronhando no submundo do crime. Ao fazerem isto, em boa parte das vezes, estas pessoas mais iletradas são processadas e julgadas em âmbito criminal e fazendo inchar ainda mais o sistema carcerário brasileiro, o qual já é um dos maiores do mundo.

Em números formais, temos, aproximadamente, 14 milhões de desempregados, mas, certamente, o número supera e muito a isto. Temos um verdadeiro exército de indigentes.

Não é por falta de cadeias e número de pessoas presas que o Brasil não resolve seus problemas, pois, a gestão pela punição continua no âmbito do encarceramento em massa continua elevado no Brasil. Em 2010, o Brasil tinha 496 mil presos. Uma média de 253 detentos para cada 100 mil habitantes. Em 2016, o país encarcerava em suas masmorras 607 mil pessoas. E saltava em 20% a média. 301 presos para cada 100 mil habitantes.

Trabalho precarizado no Brasil e da gestão da sua questão social. E fim que hoje destina hoje aos seus milhões de trabalhadores radicaliza e retro-alimenta suas tendências dominantes hoje no mercado de trabalho, quais sejam, o desemprego que desvaloriza ainda mais a força de trabalho e o punitivismo como forma de seleção natural.

Ainda como reflexo da nossa sociedade caótica, como reflexo da desigualdade social, falta de uma educação de qualidade e de políticas públicas, temos de nos lembrar do sistema de saúde.

O policial, em boa parte das vezes, tão sub-valorizado também, como qualquer pessoa, sente a necessidade de um salário digno. Durante os anos, temos vários exemplos de violência. São ruídos incômodos o suficiente para demonstrar a falta de paz. Bem como aumento explosivo da violência em Recife, em Porto Alegre, nas rebeliões cada vez mais sanguinárias e das guerras de facções nos presídios, são apenas o aspecto mais visível destes conflitos. Nas ruas dos centros velhos das grandes cidades, onde o medo é constante, pessoas contra pessoas, e de pessoas contra a polícia, passando pelas brigas no trânsito, até no almoço de família da classe média, chegando, finalmente, à redes sociais e comunidades de “haters”, a desintegração social avança.

Poder-se-ia ainda citar outros fatores para sempre pensados como a possibilidade de terceirização do trabalho, do consumo enquanto instrumento de distinção social, da desconfiança selvagem em relação aos políticos e partidos, da supervalorização do privado sobre o público, da ideologia do mérito jogou para escanteio o programa democrático-popular e, com isto, as noções de identidade de classe, de associativismo e de direitos universais em nome do empreendedorismo etc.

Sei bem que as reflexões acima são fortes e incisivas, mas o nosso único intuito é de provocar um certo desconforto nas pessoas, para que possamos juntos procurar saídas e alternativas para fortalecer a nossa novel democracia, ainda incipiente e que precisa da colaboração de todas e todas para que seja fortalecida. E esta democracia só pode ser fortalecida com mais democracia, isto é, criando-se mecanismos nos quais os que não representam a vontade popular de progresso e melhoria social sejam definitivamente excluídos. Não é se omitindo informações e fazendo como se nada houvesse que o problema vai ser resolvido, mas sim se enfrentando o problema de frente e procurando solução. Assim é que é feito em países como a Finlândia.

Enquanto vivermos neste mundo teremos desafios, por isto a presente mensagem é de encorajamento de todos que visam seguir o Senhor Jesus, lembrar que seguir o Mestre, em tempo algum e em lugar foi missão fácil, tanto assim que nos primeiros 4 séculos de cristianismo, os que nos precederam na fé foram perseguidos e mortos. Mas, como se diz no Livro dos Atos dos Apóstolos, o sangue dos mártires era semente de novos cristãos. E isto muito antes de viés político-partidário que temos nos dias atuais. Nosso Senhor diz: “Somente em mim tereis a paz” (João 16,33). Assim sendo, busquemos como Igreja, como filhos de Deus no único batismo, chegar mais próximo ao sonho de Deus para um mundo melhor.

Rezemos com o Papa Francisco, em “Laudato Si”, no n. 244: Na expectativa da vida eterna, unimo-nos para tomar a nosso cargo esta casa que nos foi confiada, sabendo que aquilo de bom que há nela será assumido na festa do Céu. Juntamente com todas as criaturas, caminhamos nesta terra à procura de Deus, porque, “se o mundo tem um princípio e foi criado, procura quem o criou, procura quem lhe deu início, aquele que é o seu Criador”. Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança.



[1] AGOSTINHO, Santo. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994 (Patrística)

[2] Cf. RAHNER, Karl. Teologia e antropologia. São Paulo: Paulinas, 1969. p.162-163.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro