Arquidiocese do Rio de Janeiro

30º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

O Regional Leste 1 acolhe Dom Gilson

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

21 de Setembro de 2018

O Regional Leste 1 acolhe Dom Gilson

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

01/09/2018 13:59 - Atualizado em 01/09/2018 14:00

O Regional Leste 1 acolhe Dom Gilson 0

01/09/2018 13:59 - Atualizado em 01/09/2018 14:00

A posse de um Bispo é sempre propícia à reflexão a cada um de nós Bispos e a todo o Povo de Deus, pois ele é quem toma posse do Bispo como o seu primeiro servidor e não o contrário, como se poderia pensar em alguém autoritário que vem para comandar. No Reino de Deus, o maior é aquele que serve.

Ao celebrar a posse como Bispo Coadjutor de Nova Iguaçu, D. Gilson, é uma oportunidade de nos unirmos ainda mais a toda a Igreja nessa missão evangelizadora e catequética rezando pelos seus pastores. Assim, lemos no parágrafo 861 do Catecismo da Igreja Católica a propósito dos Apóstolos: “Para que a missão que lhes fora confiada pudesse ser continuada depois da sua morte, os Apóstolos, como que por testamento, mandaram os seus cooperadores imediatos para levarem a cabo a sua tarefa e consolidarem a obra por eles começada, encomendando-lhes a guarda do rebanho em que o Espírito Santo os tinha instituído para apascentar a Igreja de Deus. Assim, instituíram homens nestas condições e tudo dispuseram para que, após a sua morte, outros homens provados tomassem conta do seu ministério” (Lumen Gentium 20, citando São Clemente de Roma in Cor 42,44).

E continua o mesmo Catecismo a dizer, no n. 862, que “Do mesmo modo que o encargo confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, e destinado a ser transmitido aos seus sucessores, é um múnus permanente, assim também é permanente o múnus confiado aos Apóstolos de serem pastores da Igreja, múnus cuja perenidade a ordem sagrada dos bispos deve garantir”. Por isso, a Igreja ensina que, “em virtude da sua instituição divina, os bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja, de modo que quem os ouve, ouve a Cristo e quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo” (Lumen Gentium 20).

Aí está expresso, em suma, tudo aquilo que a Igreja expressa a respeito do Bispo enquanto legítimo sucessor dos Apóstolos e sinal da unidade em uma Igreja Particular. Embora com a colaboração de todos os homens e mulheres no santo Batismo, é em torno do Bispo que a Igreja particular vive porque ele é chamado a bem servir a cada um, inclusive aos não católicos, na caridade.

Daí, escrever Santo Inácio de Antioquia, falecido no ano 107, ao povo o que segue: “Segui ao bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. Segui ao presbítero como aos apóstolos. Respeitai os diáconos como ao preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só se tenha a eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja católica. Sem a união do bispo não é lícito batizar nem celebrar a eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes” (Cirilo Folch Gomes, OSB. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Paulinas, 1979, p. 43-44).

Importa deixar muito claro o seguinte: Bispo é Bispo, seja ele auxiliar, coadjutor ou diocesano. O que muda é a função no como o ministério episcopal é exercido. Enquanto o diocesano tem responsabilidade diretiva no serviço ao Povo de Deus a ele confiado, o auxiliar o ajuda nesse serviço em plena, fiel e irrestrita comunhão com ele. Deve-lhe colaboração no trabalho exercido: a distinção canônica apenas divide funções, mas não regula a sucessão apostólica, que é de fé. O bispo coadjutor também é também um auxiliar, porém com direito à sucessão quando o diocesano pede, por alguma razão justa, a renúncia.

Em quaisquer dos casos, o Bispo é, antes de tudo chamado imitar o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas e as busca longe, livra-as dos lobos e as traz, de volta, para o redil. Nosso bom e sofrido povo espera, sempre, um Pastor, segundo o coração de Cristo.

Coração este abrasado de amor por toda a humanidade, especialmente os mais sofredores e indefesos de seus membros tais como os pobres, encarcerados, abandonados, famílias dilaceradas, desempregados, irmãos e irmãs espiritualmente desorientados, jovens, idosos, crianças já nascidas e aquelas por nascer, mas já ameaçadas de morte no ventre materno pela tentativa de legalização do aborto etc. Tudo isso não pode ser esquecido ou descuidado pelo Bispo. Somos uma Igreja em saída, não apenas porque o Papa Francisco quer, mas porque o próprio Evangelho manda ir pelo mundo e pregar o Evangelho.

Nesta sua missão confiada por Cristo por meio da Igreja conta o Bispo com auxílio dos sacerdotes a quem deve ouvir, orientar e ajudar a bem cumprirem a sua vocação e cumprindo-a bem, ajude os religiosos, religiosas e leigos a bem atuarem nas diversas pastorais e movimentos da Igreja, com zelo e ardor missionário, exercendo não o proselitismo, mas a atração por meio de seu santo exemplo. Tenhamos muitos homens e mulheres santos estimulados pelo Bispo, o primeiro servidor.

Acolher é algo que nosso povo pede, mas nem sempre é atendido, pois corremos o risco de nos burocratizar em vez de sermos pastores próximos dos irmãos e irmãs, dos seminaristas, dos vocacionados, começando pelos que mais precisam da mão estendida de Cristo por meio das nossas. Uma bênção, um aceno, um carinho..., mas não por mero populismo ou diplomacia, mas, sim, por amor de Deus. Quem ama a Deus, ama o próximo.

Nosso bem maior – embora não nos descuidemos da administração da Diocese a nós confiada – é o povo de Deus. Por ele demos a vida, se preciso for. Afinal, ninguém tem maior prova de amor que dar a vida pelo irmão. A quem mais é dado, mais será cobrado, nos diz Jesus. A vida do Bispo é sacrifício e renúncia pelo bem do Povo de Deus a ele confiado. É tomar a cruz com o Senhor e seguir adiante. A recompensa do consolo divino é grande já neste mundo e na eternidade, conforme promete o próprio Evangelho.

Desejo, portanto, a Sua Excelência Reverendíssima Dom Gilson Andrade da Silva, que inicia hoje o seu ministério episcopal como Bispo Coadjutor da Diocese de Nova Iguaçu, RJ, dentro da Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro, que estas palavras que servem de reflexão, antes de tudo para mim, toquem fundo o seu coração e o faça zeloso e perseverante. Irmão de seus pares no Episcopado, obediente e reverente ao Santo Padre, o Papa, legítimo sucessor de Pedro, e, repito, verdadeiro pai aos seus sacerdotes, que hão de honrá-lo como tal, e luz para cada irmão e irmã que o Pai celeste colocar em seu caminho. Deus o abençoe e guarde, assim como a todo este bom povo que aqui está para acolher aquele que foi enviado para apascentar, no amor, esta Igreja particular junto a Dom Gilson Andrade da Silva, que tanto se dedica com esmero à sua missão. Amém.


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

O Regional Leste 1 acolhe Dom Gilson

01/09/2018 13:59 - Atualizado em 01/09/2018 14:00

A posse de um Bispo é sempre propícia à reflexão a cada um de nós Bispos e a todo o Povo de Deus, pois ele é quem toma posse do Bispo como o seu primeiro servidor e não o contrário, como se poderia pensar em alguém autoritário que vem para comandar. No Reino de Deus, o maior é aquele que serve.

Ao celebrar a posse como Bispo Coadjutor de Nova Iguaçu, D. Gilson, é uma oportunidade de nos unirmos ainda mais a toda a Igreja nessa missão evangelizadora e catequética rezando pelos seus pastores. Assim, lemos no parágrafo 861 do Catecismo da Igreja Católica a propósito dos Apóstolos: “Para que a missão que lhes fora confiada pudesse ser continuada depois da sua morte, os Apóstolos, como que por testamento, mandaram os seus cooperadores imediatos para levarem a cabo a sua tarefa e consolidarem a obra por eles começada, encomendando-lhes a guarda do rebanho em que o Espírito Santo os tinha instituído para apascentar a Igreja de Deus. Assim, instituíram homens nestas condições e tudo dispuseram para que, após a sua morte, outros homens provados tomassem conta do seu ministério” (Lumen Gentium 20, citando São Clemente de Roma in Cor 42,44).

E continua o mesmo Catecismo a dizer, no n. 862, que “Do mesmo modo que o encargo confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, e destinado a ser transmitido aos seus sucessores, é um múnus permanente, assim também é permanente o múnus confiado aos Apóstolos de serem pastores da Igreja, múnus cuja perenidade a ordem sagrada dos bispos deve garantir”. Por isso, a Igreja ensina que, “em virtude da sua instituição divina, os bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja, de modo que quem os ouve, ouve a Cristo e quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo” (Lumen Gentium 20).

Aí está expresso, em suma, tudo aquilo que a Igreja expressa a respeito do Bispo enquanto legítimo sucessor dos Apóstolos e sinal da unidade em uma Igreja Particular. Embora com a colaboração de todos os homens e mulheres no santo Batismo, é em torno do Bispo que a Igreja particular vive porque ele é chamado a bem servir a cada um, inclusive aos não católicos, na caridade.

Daí, escrever Santo Inácio de Antioquia, falecido no ano 107, ao povo o que segue: “Segui ao bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. Segui ao presbítero como aos apóstolos. Respeitai os diáconos como ao preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só se tenha a eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja católica. Sem a união do bispo não é lícito batizar nem celebrar a eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizerdes” (Cirilo Folch Gomes, OSB. Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Paulinas, 1979, p. 43-44).

Importa deixar muito claro o seguinte: Bispo é Bispo, seja ele auxiliar, coadjutor ou diocesano. O que muda é a função no como o ministério episcopal é exercido. Enquanto o diocesano tem responsabilidade diretiva no serviço ao Povo de Deus a ele confiado, o auxiliar o ajuda nesse serviço em plena, fiel e irrestrita comunhão com ele. Deve-lhe colaboração no trabalho exercido: a distinção canônica apenas divide funções, mas não regula a sucessão apostólica, que é de fé. O bispo coadjutor também é também um auxiliar, porém com direito à sucessão quando o diocesano pede, por alguma razão justa, a renúncia.

Em quaisquer dos casos, o Bispo é, antes de tudo chamado imitar o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas e as busca longe, livra-as dos lobos e as traz, de volta, para o redil. Nosso bom e sofrido povo espera, sempre, um Pastor, segundo o coração de Cristo.

Coração este abrasado de amor por toda a humanidade, especialmente os mais sofredores e indefesos de seus membros tais como os pobres, encarcerados, abandonados, famílias dilaceradas, desempregados, irmãos e irmãs espiritualmente desorientados, jovens, idosos, crianças já nascidas e aquelas por nascer, mas já ameaçadas de morte no ventre materno pela tentativa de legalização do aborto etc. Tudo isso não pode ser esquecido ou descuidado pelo Bispo. Somos uma Igreja em saída, não apenas porque o Papa Francisco quer, mas porque o próprio Evangelho manda ir pelo mundo e pregar o Evangelho.

Nesta sua missão confiada por Cristo por meio da Igreja conta o Bispo com auxílio dos sacerdotes a quem deve ouvir, orientar e ajudar a bem cumprirem a sua vocação e cumprindo-a bem, ajude os religiosos, religiosas e leigos a bem atuarem nas diversas pastorais e movimentos da Igreja, com zelo e ardor missionário, exercendo não o proselitismo, mas a atração por meio de seu santo exemplo. Tenhamos muitos homens e mulheres santos estimulados pelo Bispo, o primeiro servidor.

Acolher é algo que nosso povo pede, mas nem sempre é atendido, pois corremos o risco de nos burocratizar em vez de sermos pastores próximos dos irmãos e irmãs, dos seminaristas, dos vocacionados, começando pelos que mais precisam da mão estendida de Cristo por meio das nossas. Uma bênção, um aceno, um carinho..., mas não por mero populismo ou diplomacia, mas, sim, por amor de Deus. Quem ama a Deus, ama o próximo.

Nosso bem maior – embora não nos descuidemos da administração da Diocese a nós confiada – é o povo de Deus. Por ele demos a vida, se preciso for. Afinal, ninguém tem maior prova de amor que dar a vida pelo irmão. A quem mais é dado, mais será cobrado, nos diz Jesus. A vida do Bispo é sacrifício e renúncia pelo bem do Povo de Deus a ele confiado. É tomar a cruz com o Senhor e seguir adiante. A recompensa do consolo divino é grande já neste mundo e na eternidade, conforme promete o próprio Evangelho.

Desejo, portanto, a Sua Excelência Reverendíssima Dom Gilson Andrade da Silva, que inicia hoje o seu ministério episcopal como Bispo Coadjutor da Diocese de Nova Iguaçu, RJ, dentro da Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro, que estas palavras que servem de reflexão, antes de tudo para mim, toquem fundo o seu coração e o faça zeloso e perseverante. Irmão de seus pares no Episcopado, obediente e reverente ao Santo Padre, o Papa, legítimo sucessor de Pedro, e, repito, verdadeiro pai aos seus sacerdotes, que hão de honrá-lo como tal, e luz para cada irmão e irmã que o Pai celeste colocar em seu caminho. Deus o abençoe e guarde, assim como a todo este bom povo que aqui está para acolher aquele que foi enviado para apascentar, no amor, esta Igreja particular junto a Dom Gilson Andrade da Silva, que tanto se dedica com esmero à sua missão. Amém.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro