Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/09/2018

20 de Setembro de 2018

O que sai do homem, isso é o que o torna impuro

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O que sai do homem, isso é o que o torna impuro 0

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Na primeira leitura de hoje, vimos como a Lei do Senhor, os seus mandamentos, são valiosos. O livro do Deuteronômio afirma que as nações, ao virem Israel cumprindo os mandamentos, dirão: “É sábia e inteligente essa grande nação” (cf. Dt 4,6). A Lei de Deus é tão perfeita, que nada devia ser a ela acrescentado. Ela devia ser praticada com amor e guardada por todo israelita. O Salmo 14(15), Salmo Responsorial desta liturgia da Palavra, mostra como é necessário “praticar a Lei do Senhor” para poder entrar e habitar na casa de Deus. O Salmo não fala diretamente da Lei, mas canta as virtudes daqueles que a praticam: andam “com integridade, praticam a justiça, falam a verdade, não deixam a língua correr”, ou seja, “não difamam, não emprestam seu dinheiro com usura”, etc. O que é isso, senão praticar a Lei de Deus?

Os fariseus e os escribas foram movidos por um sincero desejo de praticar a Lei de Deus. Nesse desejo, a princípio sincero, criaram uma espécie de “código legislativo” próprio. Seu objetivo era fazer com a Torah fosse escrupulosamente observada. Esse compêndio de normas elaborado pelos escribas e fariseus foi se tornando tão importante, que acabou sendo, por muitos, equiparado à própria Torah. Rabi Aquiba[1] o considera como uma espécie de “cerca da lei” e um provérbio judaico afirmava “Aquele que perfura a cerca (a tradição dos escribas), a este a cobra morde”.[2] Contudo, parece que esqueceram-se do que a primeira leitura de hoje nos apresenta: “nada acrescenteis, nada tireis, à palavra que vos digo” (Cf. Dt 4,2). A intenção pode ter sido boa, no início. Mas, com o tempo, a “lei dos homens” acabou por suplantar a Lei de Deus. É o que vemos na cena que o Evangelho hoje nos propõe, onde Jesus tem um embate com os fariseus e os escribas por causa da sua interpretação da lei sobre o puro e o impuro.

São-nos apresentados três excertos da primeira parte do capítulo 7 do Evangelho de Marcos, cuja leitura está sendo retomada, depois da longa pausa em que ouvimos Jo 6. Na primeira parte do capítulo 7 do seu Evangelho, mais precisamente nos vv. 1-23, Marcos nos apresenta a disputa de Jesus com os “fariseus” e “alguns escribas” a respeito do puro e do impuro.

Esta longa seção pode ser dividida em duas grandes partes: os vv. 1-13, onde Jesus é instado pelos escribas e fariseus e lhes responde com a máxima do v. 8: Abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens. A partir de então, Jesus lhes mostra a partir de um exemplo prático, a lei do corban, como eles “invalidam” a Palavra de Deus com a sua “tradição”. Na segunda parte, Jesus reúne a multidão, fará também em 8,34, e lhes transmite um ensinamento novo: o que realmente torna impuro o homem é o que sai de dentro do seu coração. Por fim, Jesus aparece em casa, com os seus discípulos, e lhes explica o sentido do seu ensinamento.

A liturgia nos propõe três grupos de versículos que nos colocam em contato com as duas grandes partes desta seção.

Nos vv. 1-8 nos é apresentada a cena onde os fariseus e os escribas questionam Jesus sobre o modo de comportar-se dos seus discípulos: eles comem sem lavar as mãos. Pode parecer-nos um gesto simples e corriqueiro, esse de lavar as mãos, ou mesmo um simples hábito de higiene, mas, de fato, não era assim que os judeus que questionam Jesus veem tal gesto. Ele tem um sentido religioso. Muitas situações deixavam o homem impuro e um dos modos de se purificar era a “ablução”: banho ritual ou lavagem rigorosa das mãos. Esse modo de proceder que tinha em vista, como podemos ver no livro do Levítico, fazer com que Israel compreende-se que deveria ser um povo “Santo”, separado, porque “Deus é Santo”, podia levar à uma falsa ou parcial compreensão a respeito da pureza. A pureza ou a impureza poderiam ser consideradas, e de fato parece que o estavam sendo, como algo meramente exterior ao homem, sem nenhuma referência ao seu interior.

Jesus critica duramente os seus interlocutores, mostrando que a sua religião e o seu conceito de pureza é meramente exterior, aplicando a eles a profecia de Is 29,18: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto. A “tradição dos antigos”[3], evocada duas vezes na períocope (vv. 3.5) é chamada por Jesus de “tradição dos homens” (v. 8), que leva os fariseus e os escribas, bem como aos seus seguidores, a “abandonar” o mandamento de Deus. Jesus vai esclarecer em que consiste esse “abandonar” o mandamento de Deus com a menção da lei do corban, nos vv. 9-13, que não são proclamados na liturgia deste domingo. Nesse sentido, Jesus é que se coloca como o verdadeiro cumpridor daquilo que prescreve o Deuteronômio: ele é contra que se acrescente algo à Lei de Deus e Ele mesmo não veio suprimí-la em nenhum detalhe, mas levá-la ao seu pleno cumprimento (Mt 5,17-18).

Esta cena inicial nos lembra as duras palavras de Jesus para os fariseus em sua excessiva preocupação com o exterior que encontrarmos em Mateus e Lucas: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estais cheios de rapina e de intemperança!” (Cf. Mt 23,25); “O Senhor, porém, lhe disse: “Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade!  Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai o que tendes em esmola e tudo ficará puro para vós!” (Cf. Lc 11,39-41).

Jesus aproveita a situação para transmitir à multidão o que realmente torna impuro o homem. No v. 14 Jesus convoca essa multidão, como também vai acontecer em Mc 8,34, e afirma que não é o que entra no homem a partir do exterior que o torna impuro, mas sim o que sai do homem. Com isso, Jesus mostra não somente que as antigas leis dietéticas e tantas outras sobre o puro e o impuro haviam cumprido sua função, como também faz voltar a atenção dos discípulos para o interior. É de dentro do coração do homem que sai o que é mal, por isso o discípulo deve vigiar a “pureza do seu coração” (cf. Mt 5,8).

Nos vv. 17-23, onde Jesus está na casa, reunido agora somente com os seus discípulos, ele explica pormenorizadamente o sentido do seu ensinamento. O que o homem come vai da boca para o ventre e daí para fossa (vv. 18-19). Contudo, dentro do coração do homem, por causa do pecado, habitam grandes males. Estes, se não forem dominados, podem tomar conta do homem, sair de dentro dele em direção ao próximo, e aí sim, o homem fica impuro, bem como pode tornar impuros, por causa da sua maldade, aqueles que o cercam.

Nos vv. 21-23 encontramos uma lista das “coisas más” que saem de dentro do homem. Alguns enumeram treze elementos, outros doze, dependendo do modo como entendem o texto grego. Parece possível entender que Jesus enumera doze “intenções malignas” (em grego: oi dialogismoi oi kakoi)[4] que habitam dentro do coração do homem, dividindo-as em dois grupos de seis: as seis primeiras aparecem no plural, as seis últimas no singular. São elas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas (avarezas), maldades; depois: malícia, devassidão, inveja (literalmente, em grego, “olho mau”), blasfêmia (o termo também pode ser entendido como “difamação”), orgulho, falta de juízo.

Com esta lista, Jesus indica a totalidade das “coisas más” que saem de dentro do homem e que podem torná-lo impuro.

O evangelho nos apresenta, assim, a necessidade de ter um novo olhar sobre o que é puro ou impuro. Não se pode cuidar da pureza exterior, aparente, e descuidar do coração. Esse é que deve ser olhado de modo muito sincero. Não há problema em reconhecer essas “intenções malignas” em nós. Jesus disse que elas estão em nós, que elas habitam em nosso coração. O que pode ser muito perigoso é desconsiderar a existência delas, não olhá-las com sinceridade, não deixar que o Senhorio de Cristo se realize também sobre essas intenções maldosas. Se assim o fizermos, num momento inesperado “a cobra pode nos morder” e pode morder também os que nos cercam, espalhando uma corrente de maldade que não tem mais fim. Se, à luz do Espírito Santo, nos confrontarmos sinceramente com o que há de sombrio em nosso interior, o mesmo Espírito Santo de Deus lançará luz sobre as nossas trevas, pois não há trevas para Deus (cf. Sl 138[139],11-12).

Vigiemos, portanto, sobre nós mesmos, com a ajuda do Senhor, que se entregou a si mesmo por nós, para nos purificar das obras mortas do pecado (cf. Tt 2,13-14; Hb 9,13-14). Ouçamos hoje a Palavra de Deus e a coloquemos em prática, para que não estejamos enganando-nos a nós mesmos como afirma Tiago, na segunda leitura de hoje.

 



[1] Rabi Aquiba foi um grande mestre judeu que viveu entre os anos 50-135 d.C.

[2] Gnilka. Marcos. Vol. I, p. 328.

[3] A expressão grega significa, literalmente: tradição dos anciãos (presbyteroi).

[4] A expressão é a única da lista com artigo definido e, diferentemente das outras, precede o verbo. A expressão pode servir como espécie de resumo para a longa lista que virá a seguir.

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Na primeira leitura de hoje, vimos como a Lei do Senhor, os seus mandamentos, são valiosos. O livro do Deuteronômio afirma que as nações, ao virem Israel cumprindo os mandamentos, dirão: “É sábia e inteligente essa grande nação” (cf. Dt 4,6). A Lei de Deus é tão perfeita, que nada devia ser a ela acrescentado. Ela devia ser praticada com amor e guardada por todo israelita. O Salmo 14(15), Salmo Responsorial desta liturgia da Palavra, mostra como é necessário “praticar a Lei do Senhor” para poder entrar e habitar na casa de Deus. O Salmo não fala diretamente da Lei, mas canta as virtudes daqueles que a praticam: andam “com integridade, praticam a justiça, falam a verdade, não deixam a língua correr”, ou seja, “não difamam, não emprestam seu dinheiro com usura”, etc. O que é isso, senão praticar a Lei de Deus?

Os fariseus e os escribas foram movidos por um sincero desejo de praticar a Lei de Deus. Nesse desejo, a princípio sincero, criaram uma espécie de “código legislativo” próprio. Seu objetivo era fazer com a Torah fosse escrupulosamente observada. Esse compêndio de normas elaborado pelos escribas e fariseus foi se tornando tão importante, que acabou sendo, por muitos, equiparado à própria Torah. Rabi Aquiba[1] o considera como uma espécie de “cerca da lei” e um provérbio judaico afirmava “Aquele que perfura a cerca (a tradição dos escribas), a este a cobra morde”.[2] Contudo, parece que esqueceram-se do que a primeira leitura de hoje nos apresenta: “nada acrescenteis, nada tireis, à palavra que vos digo” (Cf. Dt 4,2). A intenção pode ter sido boa, no início. Mas, com o tempo, a “lei dos homens” acabou por suplantar a Lei de Deus. É o que vemos na cena que o Evangelho hoje nos propõe, onde Jesus tem um embate com os fariseus e os escribas por causa da sua interpretação da lei sobre o puro e o impuro.

São-nos apresentados três excertos da primeira parte do capítulo 7 do Evangelho de Marcos, cuja leitura está sendo retomada, depois da longa pausa em que ouvimos Jo 6. Na primeira parte do capítulo 7 do seu Evangelho, mais precisamente nos vv. 1-23, Marcos nos apresenta a disputa de Jesus com os “fariseus” e “alguns escribas” a respeito do puro e do impuro.

Esta longa seção pode ser dividida em duas grandes partes: os vv. 1-13, onde Jesus é instado pelos escribas e fariseus e lhes responde com a máxima do v. 8: Abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens. A partir de então, Jesus lhes mostra a partir de um exemplo prático, a lei do corban, como eles “invalidam” a Palavra de Deus com a sua “tradição”. Na segunda parte, Jesus reúne a multidão, fará também em 8,34, e lhes transmite um ensinamento novo: o que realmente torna impuro o homem é o que sai de dentro do seu coração. Por fim, Jesus aparece em casa, com os seus discípulos, e lhes explica o sentido do seu ensinamento.

A liturgia nos propõe três grupos de versículos que nos colocam em contato com as duas grandes partes desta seção.

Nos vv. 1-8 nos é apresentada a cena onde os fariseus e os escribas questionam Jesus sobre o modo de comportar-se dos seus discípulos: eles comem sem lavar as mãos. Pode parecer-nos um gesto simples e corriqueiro, esse de lavar as mãos, ou mesmo um simples hábito de higiene, mas, de fato, não era assim que os judeus que questionam Jesus veem tal gesto. Ele tem um sentido religioso. Muitas situações deixavam o homem impuro e um dos modos de se purificar era a “ablução”: banho ritual ou lavagem rigorosa das mãos. Esse modo de proceder que tinha em vista, como podemos ver no livro do Levítico, fazer com que Israel compreende-se que deveria ser um povo “Santo”, separado, porque “Deus é Santo”, podia levar à uma falsa ou parcial compreensão a respeito da pureza. A pureza ou a impureza poderiam ser consideradas, e de fato parece que o estavam sendo, como algo meramente exterior ao homem, sem nenhuma referência ao seu interior.

Jesus critica duramente os seus interlocutores, mostrando que a sua religião e o seu conceito de pureza é meramente exterior, aplicando a eles a profecia de Is 29,18: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto. A “tradição dos antigos”[3], evocada duas vezes na períocope (vv. 3.5) é chamada por Jesus de “tradição dos homens” (v. 8), que leva os fariseus e os escribas, bem como aos seus seguidores, a “abandonar” o mandamento de Deus. Jesus vai esclarecer em que consiste esse “abandonar” o mandamento de Deus com a menção da lei do corban, nos vv. 9-13, que não são proclamados na liturgia deste domingo. Nesse sentido, Jesus é que se coloca como o verdadeiro cumpridor daquilo que prescreve o Deuteronômio: ele é contra que se acrescente algo à Lei de Deus e Ele mesmo não veio suprimí-la em nenhum detalhe, mas levá-la ao seu pleno cumprimento (Mt 5,17-18).

Esta cena inicial nos lembra as duras palavras de Jesus para os fariseus em sua excessiva preocupação com o exterior que encontrarmos em Mateus e Lucas: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estais cheios de rapina e de intemperança!” (Cf. Mt 23,25); “O Senhor, porém, lhe disse: “Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade!  Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai o que tendes em esmola e tudo ficará puro para vós!” (Cf. Lc 11,39-41).

Jesus aproveita a situação para transmitir à multidão o que realmente torna impuro o homem. No v. 14 Jesus convoca essa multidão, como também vai acontecer em Mc 8,34, e afirma que não é o que entra no homem a partir do exterior que o torna impuro, mas sim o que sai do homem. Com isso, Jesus mostra não somente que as antigas leis dietéticas e tantas outras sobre o puro e o impuro haviam cumprido sua função, como também faz voltar a atenção dos discípulos para o interior. É de dentro do coração do homem que sai o que é mal, por isso o discípulo deve vigiar a “pureza do seu coração” (cf. Mt 5,8).

Nos vv. 17-23, onde Jesus está na casa, reunido agora somente com os seus discípulos, ele explica pormenorizadamente o sentido do seu ensinamento. O que o homem come vai da boca para o ventre e daí para fossa (vv. 18-19). Contudo, dentro do coração do homem, por causa do pecado, habitam grandes males. Estes, se não forem dominados, podem tomar conta do homem, sair de dentro dele em direção ao próximo, e aí sim, o homem fica impuro, bem como pode tornar impuros, por causa da sua maldade, aqueles que o cercam.

Nos vv. 21-23 encontramos uma lista das “coisas más” que saem de dentro do homem. Alguns enumeram treze elementos, outros doze, dependendo do modo como entendem o texto grego. Parece possível entender que Jesus enumera doze “intenções malignas” (em grego: oi dialogismoi oi kakoi)[4] que habitam dentro do coração do homem, dividindo-as em dois grupos de seis: as seis primeiras aparecem no plural, as seis últimas no singular. São elas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas (avarezas), maldades; depois: malícia, devassidão, inveja (literalmente, em grego, “olho mau”), blasfêmia (o termo também pode ser entendido como “difamação”), orgulho, falta de juízo.

Com esta lista, Jesus indica a totalidade das “coisas más” que saem de dentro do homem e que podem torná-lo impuro.

O evangelho nos apresenta, assim, a necessidade de ter um novo olhar sobre o que é puro ou impuro. Não se pode cuidar da pureza exterior, aparente, e descuidar do coração. Esse é que deve ser olhado de modo muito sincero. Não há problema em reconhecer essas “intenções malignas” em nós. Jesus disse que elas estão em nós, que elas habitam em nosso coração. O que pode ser muito perigoso é desconsiderar a existência delas, não olhá-las com sinceridade, não deixar que o Senhorio de Cristo se realize também sobre essas intenções maldosas. Se assim o fizermos, num momento inesperado “a cobra pode nos morder” e pode morder também os que nos cercam, espalhando uma corrente de maldade que não tem mais fim. Se, à luz do Espírito Santo, nos confrontarmos sinceramente com o que há de sombrio em nosso interior, o mesmo Espírito Santo de Deus lançará luz sobre as nossas trevas, pois não há trevas para Deus (cf. Sl 138[139],11-12).

Vigiemos, portanto, sobre nós mesmos, com a ajuda do Senhor, que se entregou a si mesmo por nós, para nos purificar das obras mortas do pecado (cf. Tt 2,13-14; Hb 9,13-14). Ouçamos hoje a Palavra de Deus e a coloquemos em prática, para que não estejamos enganando-nos a nós mesmos como afirma Tiago, na segunda leitura de hoje.

 



[1] Rabi Aquiba foi um grande mestre judeu que viveu entre os anos 50-135 d.C.

[2] Gnilka. Marcos. Vol. I, p. 328.

[3] A expressão grega significa, literalmente: tradição dos anciãos (presbyteroi).

[4] A expressão é a única da lista com artigo definido e, diferentemente das outras, precede o verbo. A expressão pode servir como espécie de resumo para a longa lista que virá a seguir.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida