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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2018

18 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (68)

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18 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (68)

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24/08/2018 14:26 - Atualizado em 24/08/2018 14:27

Livros do Antigo Testamento (68) 0

24/08/2018 14:26 - Atualizado em 24/08/2018 14:27

Este artigo prolonga as reflexões sobre os aspectos teológicos do Livro do Deuteronômio, entre eles aquele do compromisso mútuo entre Deus e o seu povo.

1. Compromisso mútuo entre Deus e Israel: 26,16-19

Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido, tomarás as primícias de todos os frutos do solo, que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome. Apresentar-te-ás diante do sacerdote que estiver em serviço naquele momento, e lhe dirás: reconheço hoje, diante do Senhor, meu Deus, que entrei na terra que o Senhor tinha jurado a nossos pais nos dar. O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão, depô-lo-á diante do altar do Senhor, teu Deus. Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e Ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço, operando prodígios e portentosos milagres. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite e mel. Por isso trago agora as primícias dos frutos do solo que me destes, ó Senhor. Dito isto, deporás o cesto diante do Senhor, teu Deus, prostrando-te em sua presença (Dt 26, 1-10).

Esta unidade inicial do Cap. 26 exprime os dois elementos que caracterizam a teologia da aliança no livro do Deuteronômio: de um lado, a ação divina, na memória da Páscoa, do outro, a reação de gratidão e de fidelidade diante de Deus!

a) A terra prometida como dom de Deus:

Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido, tomarás as primícias de todos os frutos do

solo que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome

A terra prometida é um dom de Deus. Não é fruto da conquista e da bravura militar de Israel. Não há mérito em tomar posse desta terra; esta representa a ação redentora de Deus, que assume um povo escravo e o liberta, promovendo-o!

Por isso, ‘tomarás as primícias de todos os frutos do solo’. As primícias da colheita na terra prometida serão entregues a Deus em sinal da gratidão e do reconhecimento pela sua intervenção favorável a Israel. Esta terra não pertence ao povo, mas a Deus.

Esta liturgia, como gesto ‘protosacramental’ de Israel, que deve entregar as suas primícias a Deus, pela mediação do sacerdote, indica um gesto oficial e ritual que representa uma forma de consciência ético-religiosa: ‘O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão, depô-lo-á diante do altar do Senhor, teu Deus.

b) A Liturgia Pascal é memorial da gratidão ao Deus Salvador!

Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço, operando prodígios e portentosos milagres. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite e mel.

Esta prece, proferida diante do altar de Deus, após as entregas das ofertas, diante dos sacerdotes, sintetiza dois elementos arcaicos da memória de Israel.

De um lado a saga dos pais: ‘meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso’.

Abraão e a saga dos pais devem ser evocados com profunda gratidão, pois como pagãos foram escolhidos na pessoa de Abraão (arameu errante) para realizarem o Plano de Deus. Ele, em sua obstinada vontade de servir e obedecer às suas determinações, representa um estágio avançado de perfeição que se torna oferenda e realização.

Do outro, a passagem mosaica da saída do Egito, em que Deus resgatara seu povo dos tormentos do Egito, o segundo filão da fé de Israel. O presente ritual remete-se aos prodígios de Deus. A terra prometida decorre das mãos generosas e salvíficas de Deus em favor de Israel.

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Livros do Antigo Testamento (68)

24/08/2018 14:26 - Atualizado em 24/08/2018 14:27

Este artigo prolonga as reflexões sobre os aspectos teológicos do Livro do Deuteronômio, entre eles aquele do compromisso mútuo entre Deus e o seu povo.

1. Compromisso mútuo entre Deus e Israel: 26,16-19

Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido, tomarás as primícias de todos os frutos do solo, que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome. Apresentar-te-ás diante do sacerdote que estiver em serviço naquele momento, e lhe dirás: reconheço hoje, diante do Senhor, meu Deus, que entrei na terra que o Senhor tinha jurado a nossos pais nos dar. O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão, depô-lo-á diante do altar do Senhor, teu Deus. Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e Ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço, operando prodígios e portentosos milagres. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite e mel. Por isso trago agora as primícias dos frutos do solo que me destes, ó Senhor. Dito isto, deporás o cesto diante do Senhor, teu Deus, prostrando-te em sua presença (Dt 26, 1-10).

Esta unidade inicial do Cap. 26 exprime os dois elementos que caracterizam a teologia da aliança no livro do Deuteronômio: de um lado, a ação divina, na memória da Páscoa, do outro, a reação de gratidão e de fidelidade diante de Deus!

a) A terra prometida como dom de Deus:

Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido, tomarás as primícias de todos os frutos do

solo que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome

A terra prometida é um dom de Deus. Não é fruto da conquista e da bravura militar de Israel. Não há mérito em tomar posse desta terra; esta representa a ação redentora de Deus, que assume um povo escravo e o liberta, promovendo-o!

Por isso, ‘tomarás as primícias de todos os frutos do solo’. As primícias da colheita na terra prometida serão entregues a Deus em sinal da gratidão e do reconhecimento pela sua intervenção favorável a Israel. Esta terra não pertence ao povo, mas a Deus.

Esta liturgia, como gesto ‘protosacramental’ de Israel, que deve entregar as suas primícias a Deus, pela mediação do sacerdote, indica um gesto oficial e ritual que representa uma forma de consciência ético-religiosa: ‘O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão, depô-lo-á diante do altar do Senhor, teu Deus.

b) A Liturgia Pascal é memorial da gratidão ao Deus Salvador!

Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço, operando prodígios e portentosos milagres. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite e mel.

Esta prece, proferida diante do altar de Deus, após as entregas das ofertas, diante dos sacerdotes, sintetiza dois elementos arcaicos da memória de Israel.

De um lado a saga dos pais: ‘meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso’.

Abraão e a saga dos pais devem ser evocados com profunda gratidão, pois como pagãos foram escolhidos na pessoa de Abraão (arameu errante) para realizarem o Plano de Deus. Ele, em sua obstinada vontade de servir e obedecer às suas determinações, representa um estágio avançado de perfeição que se torna oferenda e realização.

Do outro, a passagem mosaica da saída do Egito, em que Deus resgatara seu povo dos tormentos do Egito, o segundo filão da fé de Israel. O presente ritual remete-se aos prodígios de Deus. A terra prometida decorre das mãos generosas e salvíficas de Deus em favor de Israel.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica