Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,45)

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19 de Novembro de 2018

“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,45)

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19/08/2018 00:00

“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,45) 0

19/08/2018 00:00

A liturgia de hoje nos convida a estar “atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da Sua glória”[1], da glória do Senhor Onipotente. O Domingo é o dia no qual, ao nos dirigirmos para a Igreja, a fim de celebrarmos o culto divino, vamos ao encontro das “coisas do alto”. Por isso, o domingo é o dia modelar, o dia que nos ensina a viver na amizade com Deus. É o dia da escuta da Palavra por excelência, o dia da assembleia de culto, o dia do nosso louvor e ação de graças pelo Cristo que se dá a nós na dupla mesa da Palavra e da Eucaristia, que antecipa gloriosamente o banquete celeste que o mesmo Cristo Senhor nos preparou.

Hoje celebra-se a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, transferida da última quarta-feira. Esta Solenidade nos faz recordar que Maria, a primeira redimida pelo Cristo em vista da sua divina missão,[2] foi também a primeira glorificada em corpo e alma nos céus.

Esta é uma antiquíssima solenidade, celebrada desde os primórdios, sobretudo pelos cristãos orientais que a chamavam de “Dormitio Virginis Mariae”, ou seja, “Dormição da Virgem Maria”.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora, proclamado pelo Papa Pio XII em 1950,[3] afirma, citando um texto atribuído (provavelmente) a São Modesto de Jerusalém (Sécs. VI/VII), que "A gloriosíssima Mãe de Cristo, Deus e Salvador nosso, dador da vida e da imortalidade, foi glorificada e revestida do corpo na eterna incorruptibilidade, por aquele mesmo que a ressuscitou do sepulcro e a chamou a si duma forma que só ele sabe".[4]

No n. 38, o mesmo documento afirma que tal verdade de fé encontra apoio na Escritura porque, nela, Maria aparece sempre estreitamente unida a seu Filho. Foi por isso que alguns dos Santos Padres, a partir do século II, começaram a apresentar Maria como Nova Eva, uma vez que a Escritura apresenta o Cristo como o Novo Adão, como é o caso da segunda leitura desta Solenidade.

São Justino foi o primeiro a fazê-lo. No Diálogo com Trifão, cap. 100, ele afirma: “ele (o Cristo) tornou-se homem por meio da Virgem, a fim de que a desobediência que procedeu da serpente pudesse receber sua destruição do mesmo modo pelo qual teve sua origem. Pois Eva, que era virgem e imaculada, tendo recebido a palavra da serpente, trouxe desobediência e morte. Mas a Virgem Maria recebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel anunciou-lhe as boas-novas de que o Espírito viria sobre ela e o poder do Altíssimo a cobriria com sua sombra: por isso, também, o Santo gerado por ela é o Filho de Deus; e ela respondeu: ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’. E por ela nasceu Ele, a quem provamos que muitas Escrituras se referem, e por quem Deus destrói tanto a serpente como aqueles anjos e homens que são como ele; mas garante a libertação da morte para aqueles que se arrependem de sua iniquidade e crêem n’Ele.”

Maria experimentou antecipadamente aquilo o que é o destino de todo cristão, por isso sua Assunção é sinal de esperança para nós. Nós sabemos que também morreremos, porém, diferentemente da Virgem Imaculada, experimentaremos a corrupção do sepulcro, e só na Parusia a nossa alma será novamente unida ao corpo glorioso que Cristo vai nos restituir. É o que nos afirma, também, a segunda leitura de hoje: “Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo por ocasião da sua vinda.” (1Cor 15,22-23)

O que nós experimentaremos por ocasião da Parusia do Senhor, Maria já experimentou e, por isso, já está unida em corpo e alma a Cristo nas alturas. É isto o que nos afirma, em suma, o dogma da Assunção de Nossa Senhora.

Celebrar a Solenidade de Maria Santíssima é contemplar na vida da Virgem aquilo o que a Igreja espera ser. Maria é modelo da Igreja, uma imagem na qual os fiéis devem se espelhar.

A primeira leitura desta Solenidade pode ser interpretada tanto em referência à Igreja quanto em referência à Maria Santíssima. Maria é a mulher vestida de sol, que gera o fruto bendito, o Cristo Senhor, que “veio para governar todas as nações com cetro de ferro” e que foi elevado para junto do Pai, onde sempre esteve antes da sua Encarnação. A Igreja também é esta mulher que gera no mundo o Cristo, através da pregação da Palavra, do testemunho dos cristãos e dos sacramentos. A Igreja é esta que está fugitiva no deserto do mundo, mas sempre protegida por Deus.

Voltando-nos para o relato evangélico nos vemos diante do encontro de Maria e Isabel. Mal acaba de receber da boca do anjo o anúncio de que será a Mãe do Salvador, Maria sai ao encontro de Isabel, que se encontra no sexto mês de gravidez, a fim de prestar-lhe auxílio. Quando Maria encontra Isabel a criança pula de alegria no ventre da anciã e Isabel fica cheia do Espírito Santo.

Maria é a portadora do Espírito e um Pentecostes acontece na vida de Isabel e João Batista, como já havia acontecido na vida da Virgem que trazia em seu seio o Salvador do Mundo. João Batista presente a chegada do Messias e “salta de alegria” no ventre de sua mãe. A alegria, em Lucas, é sinal da chegada da era messiânica. Não é por acaso que o anjo saúda Maria com um Kaire, ou seja, Alegra-te...

Isabel, então, movida pelo Espírito Santo, exulta também de alegria, e proclama verdades magníficas: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! (...) Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.”

Maria é a mulher bendita, no seio da qual é gerado o Salvador. Maria é a mulher bendita, nova Arca da Aliança, que guarda em si o Verbo que fez Carne (cf. Jo 1,14)! Maria é bem-aventurada porque acreditou; e, porque acreditou, será realizado nela conforme a Palavra do Senhor. A Palavra do Senhor é eficaz, conforme nos diz o Salmo 33,9: “Porque ele diz e a coisa acontece, ele ordena e ela se firma”.

Unindo-se ao louvor de Isabel Maria canta o magnificat, este canto permeado de passagens do Antigo Testamento, onde Maria canta a glória do Senhor que realizou “grandes coisas” em seu favor.

Ao contemplar a vida da Virgem, desejemos imitá-la. Sejamos também bem-aventurados, porque acreditamos no que o Senhor prometeu. Sejamos, como Maria, homens e mulheres de fé. Guardemos em nós a Palavra a fim de que em nós também o Cristo seja gerado. Proclamemos que o Senhor “fez em nós maravilhas”!

Exultemos de alegria no Senhor que elevou aos céus em corpo e alma a Virgem Santíssima e que um dia também nos glorificará, dando-nos um corpo glorioso no Reino que Ele preparou para nós.

Contemplemos a Virgem e vejamos aquilo o que a Igreja espera ser. Contemplemos a vida da Virgem e a imitemos, a fim de sermos discípulos “bem-aventurados”, porque guardamos em nós as promessas do Senhor.

 



[1] Cf. Coleta da Missa do Dia da Assunção de Nossa Senhora.

[2] Ineffabilis Deus, 41.

[3] Pelo Constituição Apostólica Munificentissimus Deus.

[4] Minificentissimus Deus, 22.

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“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.” (Lc 1,45)

19/08/2018 00:00

A liturgia de hoje nos convida a estar “atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da Sua glória”[1], da glória do Senhor Onipotente. O Domingo é o dia no qual, ao nos dirigirmos para a Igreja, a fim de celebrarmos o culto divino, vamos ao encontro das “coisas do alto”. Por isso, o domingo é o dia modelar, o dia que nos ensina a viver na amizade com Deus. É o dia da escuta da Palavra por excelência, o dia da assembleia de culto, o dia do nosso louvor e ação de graças pelo Cristo que se dá a nós na dupla mesa da Palavra e da Eucaristia, que antecipa gloriosamente o banquete celeste que o mesmo Cristo Senhor nos preparou.

Hoje celebra-se a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, transferida da última quarta-feira. Esta Solenidade nos faz recordar que Maria, a primeira redimida pelo Cristo em vista da sua divina missão,[2] foi também a primeira glorificada em corpo e alma nos céus.

Esta é uma antiquíssima solenidade, celebrada desde os primórdios, sobretudo pelos cristãos orientais que a chamavam de “Dormitio Virginis Mariae”, ou seja, “Dormição da Virgem Maria”.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora, proclamado pelo Papa Pio XII em 1950,[3] afirma, citando um texto atribuído (provavelmente) a São Modesto de Jerusalém (Sécs. VI/VII), que "A gloriosíssima Mãe de Cristo, Deus e Salvador nosso, dador da vida e da imortalidade, foi glorificada e revestida do corpo na eterna incorruptibilidade, por aquele mesmo que a ressuscitou do sepulcro e a chamou a si duma forma que só ele sabe".[4]

No n. 38, o mesmo documento afirma que tal verdade de fé encontra apoio na Escritura porque, nela, Maria aparece sempre estreitamente unida a seu Filho. Foi por isso que alguns dos Santos Padres, a partir do século II, começaram a apresentar Maria como Nova Eva, uma vez que a Escritura apresenta o Cristo como o Novo Adão, como é o caso da segunda leitura desta Solenidade.

São Justino foi o primeiro a fazê-lo. No Diálogo com Trifão, cap. 100, ele afirma: “ele (o Cristo) tornou-se homem por meio da Virgem, a fim de que a desobediência que procedeu da serpente pudesse receber sua destruição do mesmo modo pelo qual teve sua origem. Pois Eva, que era virgem e imaculada, tendo recebido a palavra da serpente, trouxe desobediência e morte. Mas a Virgem Maria recebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel anunciou-lhe as boas-novas de que o Espírito viria sobre ela e o poder do Altíssimo a cobriria com sua sombra: por isso, também, o Santo gerado por ela é o Filho de Deus; e ela respondeu: ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’. E por ela nasceu Ele, a quem provamos que muitas Escrituras se referem, e por quem Deus destrói tanto a serpente como aqueles anjos e homens que são como ele; mas garante a libertação da morte para aqueles que se arrependem de sua iniquidade e crêem n’Ele.”

Maria experimentou antecipadamente aquilo o que é o destino de todo cristão, por isso sua Assunção é sinal de esperança para nós. Nós sabemos que também morreremos, porém, diferentemente da Virgem Imaculada, experimentaremos a corrupção do sepulcro, e só na Parusia a nossa alma será novamente unida ao corpo glorioso que Cristo vai nos restituir. É o que nos afirma, também, a segunda leitura de hoje: “Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo por ocasião da sua vinda.” (1Cor 15,22-23)

O que nós experimentaremos por ocasião da Parusia do Senhor, Maria já experimentou e, por isso, já está unida em corpo e alma a Cristo nas alturas. É isto o que nos afirma, em suma, o dogma da Assunção de Nossa Senhora.

Celebrar a Solenidade de Maria Santíssima é contemplar na vida da Virgem aquilo o que a Igreja espera ser. Maria é modelo da Igreja, uma imagem na qual os fiéis devem se espelhar.

A primeira leitura desta Solenidade pode ser interpretada tanto em referência à Igreja quanto em referência à Maria Santíssima. Maria é a mulher vestida de sol, que gera o fruto bendito, o Cristo Senhor, que “veio para governar todas as nações com cetro de ferro” e que foi elevado para junto do Pai, onde sempre esteve antes da sua Encarnação. A Igreja também é esta mulher que gera no mundo o Cristo, através da pregação da Palavra, do testemunho dos cristãos e dos sacramentos. A Igreja é esta que está fugitiva no deserto do mundo, mas sempre protegida por Deus.

Voltando-nos para o relato evangélico nos vemos diante do encontro de Maria e Isabel. Mal acaba de receber da boca do anjo o anúncio de que será a Mãe do Salvador, Maria sai ao encontro de Isabel, que se encontra no sexto mês de gravidez, a fim de prestar-lhe auxílio. Quando Maria encontra Isabel a criança pula de alegria no ventre da anciã e Isabel fica cheia do Espírito Santo.

Maria é a portadora do Espírito e um Pentecostes acontece na vida de Isabel e João Batista, como já havia acontecido na vida da Virgem que trazia em seu seio o Salvador do Mundo. João Batista presente a chegada do Messias e “salta de alegria” no ventre de sua mãe. A alegria, em Lucas, é sinal da chegada da era messiânica. Não é por acaso que o anjo saúda Maria com um Kaire, ou seja, Alegra-te...

Isabel, então, movida pelo Espírito Santo, exulta também de alegria, e proclama verdades magníficas: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! (...) Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu.”

Maria é a mulher bendita, no seio da qual é gerado o Salvador. Maria é a mulher bendita, nova Arca da Aliança, que guarda em si o Verbo que fez Carne (cf. Jo 1,14)! Maria é bem-aventurada porque acreditou; e, porque acreditou, será realizado nela conforme a Palavra do Senhor. A Palavra do Senhor é eficaz, conforme nos diz o Salmo 33,9: “Porque ele diz e a coisa acontece, ele ordena e ela se firma”.

Unindo-se ao louvor de Isabel Maria canta o magnificat, este canto permeado de passagens do Antigo Testamento, onde Maria canta a glória do Senhor que realizou “grandes coisas” em seu favor.

Ao contemplar a vida da Virgem, desejemos imitá-la. Sejamos também bem-aventurados, porque acreditamos no que o Senhor prometeu. Sejamos, como Maria, homens e mulheres de fé. Guardemos em nós a Palavra a fim de que em nós também o Cristo seja gerado. Proclamemos que o Senhor “fez em nós maravilhas”!

Exultemos de alegria no Senhor que elevou aos céus em corpo e alma a Virgem Santíssima e que um dia também nos glorificará, dando-nos um corpo glorioso no Reino que Ele preparou para nós.

Contemplemos a Virgem e vejamos aquilo o que a Igreja espera ser. Contemplemos a vida da Virgem e a imitemos, a fim de sermos discípulos “bem-aventurados”, porque guardamos em nós as promessas do Senhor.

 



[1] Cf. Coleta da Missa do Dia da Assunção de Nossa Senhora.

[2] Ineffabilis Deus, 41.

[3] Pelo Constituição Apostólica Munificentissimus Deus.

[4] Minificentissimus Deus, 22.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida