Arquidiocese do Rio de Janeiro

23º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

Eu sou o pão da vida

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21 de Outubro de 2018

Eu sou o pão da vida

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04/08/2018 14:32 - Atualizado em 04/08/2018 14:32

Eu sou o pão da vida 0

04/08/2018 14:32 - Atualizado em 04/08/2018 14:32

Nos domingos comuns deste ano do ciclo litúrgico B, fora dos tempos festivos, a liturgia nos oferece a leitura contínua do evangelho de Marcos. Devido ao tamanho do texto, durante um mês o texto de Jo 6 é lido em continuidade com a questão da multidão que queria ouvir Jesus. Escrito algumas décadas depois do evangelho de Marcos, oferece-nos um exemplo de meditação eclesial sobre o tema do pão que já desenvolvido na “seção dos pães”.

A liturgia interrompe, por isso, a leitura de Marcos e, no ponto onde Marcos traz a multiplicação dos pães, nos faz ouvir a versão de João deste evento e “o discurso do Pão da vida” do evangelho de João, como os biblistas chamam o conjunto das palavras de Jesus sobre o significado do dom do pão, em Jo 6,25-59. Sabemos que os evangelhos são um grande anúncio de uma feliz notícia anunciando Jesus, de seus gestos e de suas palavras. Os evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc) são aprofundados com o evangelista João que medita as palavras de Jesus sobre o dom do pão, em forma de uma discussão de Jesus com seus conterrâneos, na sinagoga de Cafarnaum (Jo 6,59).

O pão e comunhão em torno da mesa eram símbolos centrais da primeira comunidade cristã. Na Igreja, vivia fortemente a lembrança da comunhão de mesa com Jesus, o Messias. As lembranças mais vezes narradas da vida de Jesus, nos Evangelhos e nas cartas de Paulo, são a multiplicação dos pães e a Última Ceia. Nas reuniões de banquete fraterno, chamadas ágape, eram com a certeza de fé que o Senhor mesmo estava presente ressuscitado no meio deles. Presença real! A lembrança do banquete messiânico à beira do lago, em Genesaré, se revestia de atualidade sempre nova. Em nenhum escrito do Novo Testamento aparecem tão claramente as ressonâncias mais profundas dessa memória como no evangelho de João.

Começamos a seguir neste final de semana o texto de João a partir da volta de Jesus a Carfanaum, depois da multiplicação dos pães (Jo 6,24). Os conterrâneos procuram Jesus, querem saber como de repente ele está de volta em Cafarnaum, se não embarcou com os discípulos na noite anterior. Jesus lhes faz sentir que, apesar de terem presenciado o milagre do pão, não enxergaram neste um sinal daquilo que ele representa e é: a realidade de Deus oferecida ao mundo.

Jesus diz que a única obra que Deus espera deles é que acreditem naquele que ele enviou (6, 29). Percebendo que Jesus está falando de si mesmo, pedem suas credenciais, como condição para onde nele acreditarem. Comparam com Moisés que no deserto, os “pais” comeram o maná, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu de comer” (6,31). Jesus responde que não foi Moisés que deu o pão do céu: aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Jesus alimentou a multidão, mas seus interpelantes não reconhecem esse “sinal”. Ficam raciocinando no trilho do pão material: “Dá-nos sempre esse pão”. Então, Jesus diz abertamente o que significava a sua palavra e o sinal que ele realizou no dia anterior: o pão, aquele que desce do céu, é ele mesmo! Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6, 35).

Quem conhece as Escrituras reconhece nestas palavras a proclamação de um discípulo de Isaías, que escreveu no tempo do Exílio babilônico a segunda parte do livro que leva o nome do grande profeta. Em meio à idolatria da Babilônia, esse discípulo dirige o coração dos exilados judeus para o único Senhor, que vale muito mais que o sistema babilônico com seus deuses e vãs ilusões. Mas quem escuta a voz do Senhor recebe a sabedoria da vida, a Aliança duradoura com Deus, o cumprimento de suas promessas (Is 55,1-3). É isso que Jesus lembra quando fala que ele é o pão da vida e que não sofrerá sede nem fome quem se dirigir a ele.

Ao celebramos este Décimo Oitavo (18º) Domingo do Tempo Comum queremos meditar sobre o valor da Eucaristia e nossas vidas. Hoje também nos alegramos, pois, celebramos o primeiro domingo que agosto. Agosto é o mês das vocações. Neste primeiro domingo de agosto recordamos a vocação sacerdotal. Que Jesus Nosso Senhor envie mais operários para sua messe! E ilumine também todos os padres de nossa Arquidiocese e do mundo inteiro. Agradeço a todos pela unidade no último dia 2 de Agosto, dia do perdão de Assis, com as horas santas, vigílias e os toques dos sinos sinalizando o grave momento que vive o nosso país. Meu agradecimento sincero pela dedicação e zelo pastoral. Deus os abençoe. Rezo por todos vocês e por vossas famílias! Rezem para que o Senhor da Messe e Pastor do Rebanho mande santas vocações sacerdotais para o Rio de Janeiro, Amém!

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Eu sou o pão da vida

04/08/2018 14:32 - Atualizado em 04/08/2018 14:32

Nos domingos comuns deste ano do ciclo litúrgico B, fora dos tempos festivos, a liturgia nos oferece a leitura contínua do evangelho de Marcos. Devido ao tamanho do texto, durante um mês o texto de Jo 6 é lido em continuidade com a questão da multidão que queria ouvir Jesus. Escrito algumas décadas depois do evangelho de Marcos, oferece-nos um exemplo de meditação eclesial sobre o tema do pão que já desenvolvido na “seção dos pães”.

A liturgia interrompe, por isso, a leitura de Marcos e, no ponto onde Marcos traz a multiplicação dos pães, nos faz ouvir a versão de João deste evento e “o discurso do Pão da vida” do evangelho de João, como os biblistas chamam o conjunto das palavras de Jesus sobre o significado do dom do pão, em Jo 6,25-59. Sabemos que os evangelhos são um grande anúncio de uma feliz notícia anunciando Jesus, de seus gestos e de suas palavras. Os evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc) são aprofundados com o evangelista João que medita as palavras de Jesus sobre o dom do pão, em forma de uma discussão de Jesus com seus conterrâneos, na sinagoga de Cafarnaum (Jo 6,59).

O pão e comunhão em torno da mesa eram símbolos centrais da primeira comunidade cristã. Na Igreja, vivia fortemente a lembrança da comunhão de mesa com Jesus, o Messias. As lembranças mais vezes narradas da vida de Jesus, nos Evangelhos e nas cartas de Paulo, são a multiplicação dos pães e a Última Ceia. Nas reuniões de banquete fraterno, chamadas ágape, eram com a certeza de fé que o Senhor mesmo estava presente ressuscitado no meio deles. Presença real! A lembrança do banquete messiânico à beira do lago, em Genesaré, se revestia de atualidade sempre nova. Em nenhum escrito do Novo Testamento aparecem tão claramente as ressonâncias mais profundas dessa memória como no evangelho de João.

Começamos a seguir neste final de semana o texto de João a partir da volta de Jesus a Carfanaum, depois da multiplicação dos pães (Jo 6,24). Os conterrâneos procuram Jesus, querem saber como de repente ele está de volta em Cafarnaum, se não embarcou com os discípulos na noite anterior. Jesus lhes faz sentir que, apesar de terem presenciado o milagre do pão, não enxergaram neste um sinal daquilo que ele representa e é: a realidade de Deus oferecida ao mundo.

Jesus diz que a única obra que Deus espera deles é que acreditem naquele que ele enviou (6, 29). Percebendo que Jesus está falando de si mesmo, pedem suas credenciais, como condição para onde nele acreditarem. Comparam com Moisés que no deserto, os “pais” comeram o maná, como está escrito: “Deu-lhes pão do céu de comer” (6,31). Jesus responde que não foi Moisés que deu o pão do céu: aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Jesus alimentou a multidão, mas seus interpelantes não reconhecem esse “sinal”. Ficam raciocinando no trilho do pão material: “Dá-nos sempre esse pão”. Então, Jesus diz abertamente o que significava a sua palavra e o sinal que ele realizou no dia anterior: o pão, aquele que desce do céu, é ele mesmo! Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (6, 35).

Quem conhece as Escrituras reconhece nestas palavras a proclamação de um discípulo de Isaías, que escreveu no tempo do Exílio babilônico a segunda parte do livro que leva o nome do grande profeta. Em meio à idolatria da Babilônia, esse discípulo dirige o coração dos exilados judeus para o único Senhor, que vale muito mais que o sistema babilônico com seus deuses e vãs ilusões. Mas quem escuta a voz do Senhor recebe a sabedoria da vida, a Aliança duradoura com Deus, o cumprimento de suas promessas (Is 55,1-3). É isso que Jesus lembra quando fala que ele é o pão da vida e que não sofrerá sede nem fome quem se dirigir a ele.

Ao celebramos este Décimo Oitavo (18º) Domingo do Tempo Comum queremos meditar sobre o valor da Eucaristia e nossas vidas. Hoje também nos alegramos, pois, celebramos o primeiro domingo que agosto. Agosto é o mês das vocações. Neste primeiro domingo de agosto recordamos a vocação sacerdotal. Que Jesus Nosso Senhor envie mais operários para sua messe! E ilumine também todos os padres de nossa Arquidiocese e do mundo inteiro. Agradeço a todos pela unidade no último dia 2 de Agosto, dia do perdão de Assis, com as horas santas, vigílias e os toques dos sinos sinalizando o grave momento que vive o nosso país. Meu agradecimento sincero pela dedicação e zelo pastoral. Deus os abençoe. Rezo por todos vocês e por vossas famílias! Rezem para que o Senhor da Messe e Pastor do Rebanho mande santas vocações sacerdotais para o Rio de Janeiro, Amém!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro