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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/10/2018

15 de Outubro de 2018

Já se passaram cinco anos da JMJ no Rio

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15 de Outubro de 2018

Já se passaram cinco anos da JMJ no Rio

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“Quis Deus, na sua amorosa providência, que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso entrar pela porta do seu imenso coração. Por isso, permitam-me que, nesta hora, eu possa bater delicadamente a esta porta. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo.”

Com estas palavras, o Papa Francisco inaugurou, cinco anos atrás, uma série de viagens apostólicas por todo o mundo e, também, com ela marcou uma das maiores Jornadas Mundiais da Juventude. Uma novidade: um latino-americano que voltava ao seu continente como Papa, como o líder da Igreja Católica, e que naquela semana se encontraria com quase quatro milhões de jovens vindos de todo o mundo.

A Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, completou esta semana o seu quinto aniversário de realização. Recordemos os muitos eventos que marcaram a cidade do Rio de Janeiro e todos os seus moradores. Dos grandes eventos, chamados centrais, destacamos a acolhida dos jovens na Praia de Copacabana, a Via-Sacra na sexta-feira, a adoração ao Santíssimo no sábado, e a missa de envio no domingo, na qual um dos grandes momentos vividos foi o silêncio que se experimentou no momento de ação de graças após a comunhão. O único som era o das ondas que vinham à margem da praia para render também o seu louvor, como parte da criação, a Deus.

Outros momentos importantes com o Papa Francisco foram os eventos específicos que não reuniram a grande multidão, mas que marcaram a vida de muitas pessoas envolvidas. O primeiro foi a visita ao Santuário Nacional de Aparecida, onde celebrou a missa e entregou a realização da JMJ a Santa Mãe de Deus: “Hoje, eu quis vir aqui para suplicar a Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano”. Em seguida, voltando de Aparecida, o Papa se encontrou com os jovens de um centro de recuperação de dependentes químicos, no Hospital São Francisco de Assis, no Rio. Um outro momento marcante da visita do Papa foi a sua ida à comunidade de Varginha, em Manguinhos, onde falou à comunidade, abraçou, abençoou e até mesmo entrou em uma das casas dos moradores.  No quarto dia de sua visita ao Rio, encontrou-se com cinco jovens para atender suas confissões; em seguida, com oito jovens infratores, no qual recebeu, como presente, uma cruz com o nome dos jovens mortos na Chacina da Candelária. No quinto dia, celebrou a missa com os bispos, padres e religiosos de todo o Brasil na Catedral, refletindo sobre as vocações. No mesmo dia, entre os percursos que fazia pela cidade no papamóvel,  foi ao Teatro Municipal para o encontro com a sociedade, a fim de falar da importância do diálogo com a cultura.

A Jornada Mundial da Juventude teve, obviamente, o seu ponto alto com a presença do Papa. Isso é, sem dúvida, o mais esperado pelos peregrinos e pelos que a organizaram. Porém, a Jornada não aconteceu somente durante a semana do evento. A Jornada no Rio começou a acontecer na vida de muitas pessoas, dois anos antes quando anunciada como próxima edição na Jornada de 2011 em Madri.  Durante todo o percurso de preparação, no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade do mundo, muitas foram as belas experiências vividas nesta preparação. Não podemos imaginar a proporção do impacto causado por este evento nos quatro cantos do mundo. Jovens, famílias, vocações, sociedade, economia, cultura, tantas realidades da Humanidade que se envolveram neste fenômeno provocado por este movimento do Espírito Santo.

Quantas jovens optaram pela vida consagrada depois da Jornada? Quantos jovens retornaram nas edições posteriores da JMJ casados e com filhos? Alguns inclusive frutos da própria Jornada. Quantas conversões ao catolicismo depois de uma JMJ? Quantos pré-conceitos destruídos depois de uma JMJ? Quanto economicamente foi bom para lojas, restaurantes e outros comércios? São números que não conseguimos saber precisamente e matematicamente, pois é impossível a olhos humanos ver todos os frutos desta grande graça de Deus que é a Jornada Mundial da Juventude.

Recordo-me, no período, da chegada dos jovens à cidade: duas peregrinas se perderam e não conseguiam chegar ao seu ponto de acolhida. Estavam dentro de um ônibus. O motorista e o cobrador, ao perceberem o acontecido, acalmaram as jovens, conduziram todos os passageiros e, no final, rodaram por todo o bairro com o ônibus, procurando a paróquia onde elas deveriam estar hospedadas. Surpresa foi do pároco ao ver parado na frente da sua paróquia um ônibus, com o motorista, cobrador e duas peregrinas eternamente agradecidas aqueles dois voluntários indiretos da JMJ. Parece um gesto muito simples, mas este era o espírito da cidade cinco anos atrás, de vontade de ajudar e colaborar com alguma coisa. Querer ser um voluntário na vida de alguém. Seria muito bom se este espírito estivesse sempre vivo no meio da sociedade.

Muitos outros relatos poderiam ser contados, mas talvez permanecerão no anonimato, crescendo escondidos aos nossos olhos. Porém, eles não passarão despercebidos no coração daqueles que viveram estes singulares momentos. Houve desafios? Sim, muitos. Houve dúvidas? Sim, muitas. Houve choros? Muitos. Houve divergências de opiniões? Sim, algumas. Mas em tudo Deus agiu e continua a agir, mostrando que a Jornada Mundial da Juventude não é uma obra humana, mas uma obra de Deus que escolhe contar com a nossa frágil ajuda. Ao lembrar de cada dia da Jornada, faço minha as palavras do Papa Francisco em sua despedida: “Nesse momento, já começo a sentir saudades”.

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Já se passaram cinco anos da JMJ no Rio

29/07/2018 00:00

“Quis Deus, na sua amorosa providência, que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina, precisamente ao Brasil, nação que se gloria de seus sólidos laços com a Sé Apostólica e dos profundos sentimentos de fé e amizade que sempre a uniram de modo singular ao Sucessor de Pedro. Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso entrar pela porta do seu imenso coração. Por isso, permitam-me que, nesta hora, eu possa bater delicadamente a esta porta. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo.”

Com estas palavras, o Papa Francisco inaugurou, cinco anos atrás, uma série de viagens apostólicas por todo o mundo e, também, com ela marcou uma das maiores Jornadas Mundiais da Juventude. Uma novidade: um latino-americano que voltava ao seu continente como Papa, como o líder da Igreja Católica, e que naquela semana se encontraria com quase quatro milhões de jovens vindos de todo o mundo.

A Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, completou esta semana o seu quinto aniversário de realização. Recordemos os muitos eventos que marcaram a cidade do Rio de Janeiro e todos os seus moradores. Dos grandes eventos, chamados centrais, destacamos a acolhida dos jovens na Praia de Copacabana, a Via-Sacra na sexta-feira, a adoração ao Santíssimo no sábado, e a missa de envio no domingo, na qual um dos grandes momentos vividos foi o silêncio que se experimentou no momento de ação de graças após a comunhão. O único som era o das ondas que vinham à margem da praia para render também o seu louvor, como parte da criação, a Deus.

Outros momentos importantes com o Papa Francisco foram os eventos específicos que não reuniram a grande multidão, mas que marcaram a vida de muitas pessoas envolvidas. O primeiro foi a visita ao Santuário Nacional de Aparecida, onde celebrou a missa e entregou a realização da JMJ a Santa Mãe de Deus: “Hoje, eu quis vir aqui para suplicar a Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano”. Em seguida, voltando de Aparecida, o Papa se encontrou com os jovens de um centro de recuperação de dependentes químicos, no Hospital São Francisco de Assis, no Rio. Um outro momento marcante da visita do Papa foi a sua ida à comunidade de Varginha, em Manguinhos, onde falou à comunidade, abraçou, abençoou e até mesmo entrou em uma das casas dos moradores.  No quarto dia de sua visita ao Rio, encontrou-se com cinco jovens para atender suas confissões; em seguida, com oito jovens infratores, no qual recebeu, como presente, uma cruz com o nome dos jovens mortos na Chacina da Candelária. No quinto dia, celebrou a missa com os bispos, padres e religiosos de todo o Brasil na Catedral, refletindo sobre as vocações. No mesmo dia, entre os percursos que fazia pela cidade no papamóvel,  foi ao Teatro Municipal para o encontro com a sociedade, a fim de falar da importância do diálogo com a cultura.

A Jornada Mundial da Juventude teve, obviamente, o seu ponto alto com a presença do Papa. Isso é, sem dúvida, o mais esperado pelos peregrinos e pelos que a organizaram. Porém, a Jornada não aconteceu somente durante a semana do evento. A Jornada no Rio começou a acontecer na vida de muitas pessoas, dois anos antes quando anunciada como próxima edição na Jornada de 2011 em Madri.  Durante todo o percurso de preparação, no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade do mundo, muitas foram as belas experiências vividas nesta preparação. Não podemos imaginar a proporção do impacto causado por este evento nos quatro cantos do mundo. Jovens, famílias, vocações, sociedade, economia, cultura, tantas realidades da Humanidade que se envolveram neste fenômeno provocado por este movimento do Espírito Santo.

Quantas jovens optaram pela vida consagrada depois da Jornada? Quantos jovens retornaram nas edições posteriores da JMJ casados e com filhos? Alguns inclusive frutos da própria Jornada. Quantas conversões ao catolicismo depois de uma JMJ? Quantos pré-conceitos destruídos depois de uma JMJ? Quanto economicamente foi bom para lojas, restaurantes e outros comércios? São números que não conseguimos saber precisamente e matematicamente, pois é impossível a olhos humanos ver todos os frutos desta grande graça de Deus que é a Jornada Mundial da Juventude.

Recordo-me, no período, da chegada dos jovens à cidade: duas peregrinas se perderam e não conseguiam chegar ao seu ponto de acolhida. Estavam dentro de um ônibus. O motorista e o cobrador, ao perceberem o acontecido, acalmaram as jovens, conduziram todos os passageiros e, no final, rodaram por todo o bairro com o ônibus, procurando a paróquia onde elas deveriam estar hospedadas. Surpresa foi do pároco ao ver parado na frente da sua paróquia um ônibus, com o motorista, cobrador e duas peregrinas eternamente agradecidas aqueles dois voluntários indiretos da JMJ. Parece um gesto muito simples, mas este era o espírito da cidade cinco anos atrás, de vontade de ajudar e colaborar com alguma coisa. Querer ser um voluntário na vida de alguém. Seria muito bom se este espírito estivesse sempre vivo no meio da sociedade.

Muitos outros relatos poderiam ser contados, mas talvez permanecerão no anonimato, crescendo escondidos aos nossos olhos. Porém, eles não passarão despercebidos no coração daqueles que viveram estes singulares momentos. Houve desafios? Sim, muitos. Houve dúvidas? Sim, muitas. Houve choros? Muitos. Houve divergências de opiniões? Sim, algumas. Mas em tudo Deus agiu e continua a agir, mostrando que a Jornada Mundial da Juventude não é uma obra humana, mas uma obra de Deus que escolhe contar com a nossa frágil ajuda. Ao lembrar de cada dia da Jornada, faço minha as palavras do Papa Francisco em sua despedida: “Nesse momento, já começo a sentir saudades”.

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé