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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 11/12/2018

11 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (63)

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11 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (63)

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19/07/2018 13:59 - Atualizado em 19/07/2018 14:01

Livros do Antigo Testamento (63) 0

19/07/2018 13:59 - Atualizado em 19/07/2018 14:01

Neste artigo iniciamos nossas reflexões sobre o último livro do Pentateuco, o livro do Deuteronômio.

INTRODUÇÃO

Das cinco narrativas históricas que integram o Pentateuco, o Deuteronômio constitui a unidade literária mais heterogênea e diferenciada.

Com razão, os exegetas falam de uma nova tradição ou fonte documental, que se distingue das outras fontes do Pentateuco por motivos de estilo e de teologia e se prolonga até ao fim do 2o Livro dos Reis, formando a “Fonte ou História Deuteronomista”.

1) O termo ‘Deuteronômio’

Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel além do Jordão, no deserto, na planície defronte do Mar Vermelho, entre Parã e Tôfel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe (Dt 1,1).

Significa “segunda Lei”.

Foi o nome dado a este livro nas traduções grega e latina, porque se apresenta como a reedição ou síntese dos textos legislativos anteriores, enquadrada por um estilo diferente.

Na tradição hebraica, chama-se apenas “Debarim” (Palavras), pelo modo como o texto começa: “Estas são as Palavras”.

Mas a designação greco-latina sintetiza bem o conteúdo deste livro, o qual, mais do que um final do Pentateuco, parece representar, sobretudo, o começo de uma nova maneira de escrever a História do Povo Eleito.

2) O Contexto do Deuteronômio

O texto deste livro teve uma história complicada.

A sua origem é geralmente colocada no Reino do Norte, antes da conquista da Samaria, em 722, por ocasião da invasão dos assírios.

Na bagagem dos levitas do Norte terá vindo uma primeira redação do Deuteronômio, que teria como esquema base uma celebração litúrgica da Aliança.

Depois reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém; e chamou os anciãos de Israel, e os seus cabeças, e os seus juízes, e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus. Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses. Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão dalém do rio e o fiz andar por toda a terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência e dei-lhe a Isaque (Js 24:1-3).

Curiosamente, um século mais tarde, foi encontrado no templo de Jerusalém o “Livro da Lei do Senhor” ou “Livro da Aliança” (2 Rs 22,8.11; 23,2.21).

O rei Josias começou imediatamente a pôr esta Lei em prática, fazendo uma reforma do culto (2 Rs 23,3-20).

A relação entre esta reforma e o Deuteronômio encontra-se na insistência da centralização do culto em Jerusalém e na destruição dos cultos idolátricos.

Mas a Lei encontrada no templo poderá ter sido uma redação posterior ao “esquema da aliança” que veio do Norte, onde a temática da Palavra, do profeta, da Aliança e do Sinai-Horeb se sobrepunham à temática do culto e do sacerdócio, que prevaleciam - como era natural - em Jerusalém.

No Sul, deve ter sido feita uma primeira redação elaborada depois da falhada reforma de Ezequias, ou seja, a meados do séc. VII a.C.

A última redação deve ter acontecido quando da redação final do Pentateuco: séc. V-IV a.C. Tudo isto denota um contexto posterior e uma finalidade catequética.

É no contexto destas diferentes etapas da redação do Deuteronômio que deve entender-se o constante vaivém do ‘tu’ e do ‘vós’ no discurso de Moisés, quando se dirige ao povo de Israel (ver 6,1-3)!

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Livros do Antigo Testamento (63)

19/07/2018 13:59 - Atualizado em 19/07/2018 14:01

Neste artigo iniciamos nossas reflexões sobre o último livro do Pentateuco, o livro do Deuteronômio.

INTRODUÇÃO

Das cinco narrativas históricas que integram o Pentateuco, o Deuteronômio constitui a unidade literária mais heterogênea e diferenciada.

Com razão, os exegetas falam de uma nova tradição ou fonte documental, que se distingue das outras fontes do Pentateuco por motivos de estilo e de teologia e se prolonga até ao fim do 2o Livro dos Reis, formando a “Fonte ou História Deuteronomista”.

1) O termo ‘Deuteronômio’

Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel além do Jordão, no deserto, na planície defronte do Mar Vermelho, entre Parã e Tôfel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe (Dt 1,1).

Significa “segunda Lei”.

Foi o nome dado a este livro nas traduções grega e latina, porque se apresenta como a reedição ou síntese dos textos legislativos anteriores, enquadrada por um estilo diferente.

Na tradição hebraica, chama-se apenas “Debarim” (Palavras), pelo modo como o texto começa: “Estas são as Palavras”.

Mas a designação greco-latina sintetiza bem o conteúdo deste livro, o qual, mais do que um final do Pentateuco, parece representar, sobretudo, o começo de uma nova maneira de escrever a História do Povo Eleito.

2) O Contexto do Deuteronômio

O texto deste livro teve uma história complicada.

A sua origem é geralmente colocada no Reino do Norte, antes da conquista da Samaria, em 722, por ocasião da invasão dos assírios.

Na bagagem dos levitas do Norte terá vindo uma primeira redação do Deuteronômio, que teria como esquema base uma celebração litúrgica da Aliança.

Depois reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém; e chamou os anciãos de Israel, e os seus cabeças, e os seus juízes, e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus. Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses. Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão dalém do rio e o fiz andar por toda a terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência e dei-lhe a Isaque (Js 24:1-3).

Curiosamente, um século mais tarde, foi encontrado no templo de Jerusalém o “Livro da Lei do Senhor” ou “Livro da Aliança” (2 Rs 22,8.11; 23,2.21).

O rei Josias começou imediatamente a pôr esta Lei em prática, fazendo uma reforma do culto (2 Rs 23,3-20).

A relação entre esta reforma e o Deuteronômio encontra-se na insistência da centralização do culto em Jerusalém e na destruição dos cultos idolátricos.

Mas a Lei encontrada no templo poderá ter sido uma redação posterior ao “esquema da aliança” que veio do Norte, onde a temática da Palavra, do profeta, da Aliança e do Sinai-Horeb se sobrepunham à temática do culto e do sacerdócio, que prevaleciam - como era natural - em Jerusalém.

No Sul, deve ter sido feita uma primeira redação elaborada depois da falhada reforma de Ezequias, ou seja, a meados do séc. VII a.C.

A última redação deve ter acontecido quando da redação final do Pentateuco: séc. V-IV a.C. Tudo isto denota um contexto posterior e uma finalidade catequética.

É no contexto destas diferentes etapas da redação do Deuteronômio que deve entender-se o constante vaivém do ‘tu’ e do ‘vós’ no discurso de Moisés, quando se dirige ao povo de Israel (ver 6,1-3)!

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica