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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

Pedro e Paulo e seus sucessores

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Pedro e Paulo e seus sucessores

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01/07/2018 00:00

Pedro e Paulo e seus sucessores 0

01/07/2018 00:00

Nesta última sexta-feira, 29 de junho, a Igreja celebrou a festa de São Pedro e São Paulo, considerados duas grandes colunas do Cristianismo. Pedro e os demais apóstolos são os que receberam do Espírito Santo o poder de perdoar os pecados. Receberam do próprio Cristo esta autoridade. Pedro foi quem, por muitas vezes, não compreendeu as palavras do Mestre – “Afasta-te de mim, Satanás! Tu me serves de pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens” (Mt 16,23). O discípulo que negou três vezes o Senhor, mas também por três vezes confirmou seu amor por Jesus – “Simão, filho de João, tu me amas? (...) e lhe disse: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17).

Paulo se autodeterminou: “Em último lugar, apareceu também a mim como um abortivo” (1Cor 15,8). Passou de perseguidor a perseguido, e com sua inteligência, oratória, obediência a Pedro e ardente amor pelos ensinamentos de Cristo, andou pelo mundo a pregar o Evangelho. Como em muitas de suas cartas, nos ensinou que devemos aprender a entender a vontade de Deus, para que isso molde nossa vontade. De modo que nós mesmos possamos querer o que Deus quer, porque assim reconheceremos que o que Deus quer é o belo e o bom. É, portanto, um ponto de virada em nossa orientação espiritual básica. Deus deve entrar no horizonte do nosso pensamento: o que Ele quer e o modo como Ele concebeu o mundo e eu. Precisamos aprender a participar do pensamento e da vontade de Jesus Cristo. É então que seremos novos homens em quem emerge um novo mundo.

Quando olhamos a Igreja, vemos uma comunidade de seres não perfeitos, mas de pecadores que se reconhecem necessitados do amor de Deus, necessitados de serem purificados por meio da Cruz de Jesus Cristo. Por isso as Palavras de Jesus sobre a autoridade de Pedro e dos Apóstolos deixam transparecer precisamente que o poder de Deus é o amor: o amor que irradia a sua luz a partir da sua paixão vivida no Calvário”. Celebrar a festa destes santos é celebrar esta continuidade, esta tradição, esta missão de ajudar as pessoas a compreenderem o amor de Deus por cada um de nós. Anunciar Cristo e a sua presença no meio de nós, fazer as pessoas entenderem que não estamos sós neste mundo, mas que temos um Deus que nos guia e nos quer bem.

O papa é o sucessor de Pedro, os bispos são os sucessores dos apóstolos. Quando se entra na Basílica de São Pedro em Roma, onde está o corpo de São Pedro, venerado pelos peregrinos do mundo inteiro, vemos um grande mosaico na entrada, retratando a famosa passagem do Evangelho em que Jesus aparece aos apóstolos no meio da tempestade – “Ele dirigiu-se a eles, caminhando sobre o mar” (Mt 14,25). Ali além da cena de medo dos apóstolos, de Pedro que foi salvo de afundar, de Cristo que dá a autoridade aos apóstolos de perdoarem os pecados, vemos também no canto esquerdo um simples pescador que tranquilamente exerce o seu ofício – de madrugada e no mar tempestuoso. O que isso significa? Significa que o papa e os bispos, onde quer que estejam, mesmo em grandes tempestades, devem recordar que possuem a mesma missão dos apóstolos: serem pescadores de almas e confirmar na fé os seus irmãos.

Nesta missa da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo é tradicional também a entrega dos pálios aos novos bispos metropolitas. O pálio (derivado do latim pallium, manto de lã) é uma vestimenta litúrgica usada na Igreja Católica, consistindo de uma faixa de pano de lã branca posta sobre os ombros do arcebispo metropolita. Segundo algumas interpretações, o pálio representa – por sua forma e materiais – o cordeiro usado nos ombros, como um símbolo do bispo como Bom Pastor; as duas tiras terminais de seda preta simbolizam os cascos da ovelha e, juntos, o cordeiro crucificado para a salvação da humanidade perdida. Isso também explicaria o uso de lã, e as seis cruzes decorativas perfuradas por três gemas de broches, que representariam os três pregos da cruz de Cristo. O pálio é o símbolo de uma ligação especial com o Papa e também expressa o poder que, em comunhão com a Igreja de Roma, o metropolita adquire por direito na sua jurisdição: “Sinal litúrgico da comunhão que une a Sé de Pedro e seu sucessor para os metropolitanos e, através deles, para os outros bispos do mundo”.

Nesta grande festa, de sexta-feira passada, em que se comemoraram os grandes Apóstolos Pedro e Paulo e em que se entregaram os pálios aos novos bispos metropolitas, o Papa também criou 14 novos cardeais para a Igreja de Cristo. Homens de diversos continentes, seus colaboradores mais próximos que, a exemplo dos apóstolos, estão em plena comunhão com o sucessor de Pedro, o Papa, na condução desta grande Barca que é a Igreja.

Peçamos sempre, em nossas orações, a intercessão dos santos apóstolos pelo Papa e nossos bispos. Pois como disse o Papa Emérito Bento XVI: “Mediante a sucessão apostólica é Cristo que nos alcança: na palavra dos Apóstolos e dos seus sucessores é Ele quem nos fala; mediante as suas mãos é Ele quem age nos sacramentos; no olhar deles é o seu olhar que nos envolve e nos faz sentir amados, acolhidos no coração de Deus. E também hoje, como no início, o próprio Cristo é o verdadeiro pastor e guarda das nossas almas, que nós seguimos com grande confiança, gratidão e alegria”.

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Pedro e Paulo e seus sucessores

01/07/2018 00:00

Nesta última sexta-feira, 29 de junho, a Igreja celebrou a festa de São Pedro e São Paulo, considerados duas grandes colunas do Cristianismo. Pedro e os demais apóstolos são os que receberam do Espírito Santo o poder de perdoar os pecados. Receberam do próprio Cristo esta autoridade. Pedro foi quem, por muitas vezes, não compreendeu as palavras do Mestre – “Afasta-te de mim, Satanás! Tu me serves de pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens” (Mt 16,23). O discípulo que negou três vezes o Senhor, mas também por três vezes confirmou seu amor por Jesus – “Simão, filho de João, tu me amas? (...) e lhe disse: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17).

Paulo se autodeterminou: “Em último lugar, apareceu também a mim como um abortivo” (1Cor 15,8). Passou de perseguidor a perseguido, e com sua inteligência, oratória, obediência a Pedro e ardente amor pelos ensinamentos de Cristo, andou pelo mundo a pregar o Evangelho. Como em muitas de suas cartas, nos ensinou que devemos aprender a entender a vontade de Deus, para que isso molde nossa vontade. De modo que nós mesmos possamos querer o que Deus quer, porque assim reconheceremos que o que Deus quer é o belo e o bom. É, portanto, um ponto de virada em nossa orientação espiritual básica. Deus deve entrar no horizonte do nosso pensamento: o que Ele quer e o modo como Ele concebeu o mundo e eu. Precisamos aprender a participar do pensamento e da vontade de Jesus Cristo. É então que seremos novos homens em quem emerge um novo mundo.

Quando olhamos a Igreja, vemos uma comunidade de seres não perfeitos, mas de pecadores que se reconhecem necessitados do amor de Deus, necessitados de serem purificados por meio da Cruz de Jesus Cristo. Por isso as Palavras de Jesus sobre a autoridade de Pedro e dos Apóstolos deixam transparecer precisamente que o poder de Deus é o amor: o amor que irradia a sua luz a partir da sua paixão vivida no Calvário”. Celebrar a festa destes santos é celebrar esta continuidade, esta tradição, esta missão de ajudar as pessoas a compreenderem o amor de Deus por cada um de nós. Anunciar Cristo e a sua presença no meio de nós, fazer as pessoas entenderem que não estamos sós neste mundo, mas que temos um Deus que nos guia e nos quer bem.

O papa é o sucessor de Pedro, os bispos são os sucessores dos apóstolos. Quando se entra na Basílica de São Pedro em Roma, onde está o corpo de São Pedro, venerado pelos peregrinos do mundo inteiro, vemos um grande mosaico na entrada, retratando a famosa passagem do Evangelho em que Jesus aparece aos apóstolos no meio da tempestade – “Ele dirigiu-se a eles, caminhando sobre o mar” (Mt 14,25). Ali além da cena de medo dos apóstolos, de Pedro que foi salvo de afundar, de Cristo que dá a autoridade aos apóstolos de perdoarem os pecados, vemos também no canto esquerdo um simples pescador que tranquilamente exerce o seu ofício – de madrugada e no mar tempestuoso. O que isso significa? Significa que o papa e os bispos, onde quer que estejam, mesmo em grandes tempestades, devem recordar que possuem a mesma missão dos apóstolos: serem pescadores de almas e confirmar na fé os seus irmãos.

Nesta missa da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo é tradicional também a entrega dos pálios aos novos bispos metropolitas. O pálio (derivado do latim pallium, manto de lã) é uma vestimenta litúrgica usada na Igreja Católica, consistindo de uma faixa de pano de lã branca posta sobre os ombros do arcebispo metropolita. Segundo algumas interpretações, o pálio representa – por sua forma e materiais – o cordeiro usado nos ombros, como um símbolo do bispo como Bom Pastor; as duas tiras terminais de seda preta simbolizam os cascos da ovelha e, juntos, o cordeiro crucificado para a salvação da humanidade perdida. Isso também explicaria o uso de lã, e as seis cruzes decorativas perfuradas por três gemas de broches, que representariam os três pregos da cruz de Cristo. O pálio é o símbolo de uma ligação especial com o Papa e também expressa o poder que, em comunhão com a Igreja de Roma, o metropolita adquire por direito na sua jurisdição: “Sinal litúrgico da comunhão que une a Sé de Pedro e seu sucessor para os metropolitanos e, através deles, para os outros bispos do mundo”.

Nesta grande festa, de sexta-feira passada, em que se comemoraram os grandes Apóstolos Pedro e Paulo e em que se entregaram os pálios aos novos bispos metropolitas, o Papa também criou 14 novos cardeais para a Igreja de Cristo. Homens de diversos continentes, seus colaboradores mais próximos que, a exemplo dos apóstolos, estão em plena comunhão com o sucessor de Pedro, o Papa, na condução desta grande Barca que é a Igreja.

Peçamos sempre, em nossas orações, a intercessão dos santos apóstolos pelo Papa e nossos bispos. Pois como disse o Papa Emérito Bento XVI: “Mediante a sucessão apostólica é Cristo que nos alcança: na palavra dos Apóstolos e dos seus sucessores é Ele quem nos fala; mediante as suas mãos é Ele quem age nos sacramentos; no olhar deles é o seu olhar que nos envolve e nos faz sentir amados, acolhidos no coração de Deus. E também hoje, como no início, o próprio Cristo é o verdadeiro pastor e guarda das nossas almas, que nós seguimos com grande confiança, gratidão e alegria”.

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé