Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

De todos os temores me livrou o Senhor Deus

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19 de Novembro de 2018

De todos os temores me livrou o Senhor Deus

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De todos os temores me livrou o Senhor Deus 0

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Neste Domingo, Dia do Senhor, a Igreja nos convida a celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, transferida do dia 29 de junho.

Como Salmo Responsorial desta liturgia temos o Salmo 33(34). O v. 5, que serve como refrão para o Salmo, afirma “Procurei YHWH e ele me respondeu. E de todos os meus temores me livrou”. Sem dúvida, ao olharmos para a primeira e para a segunda leitura, percebemos o quanto este Salmo exprime a fé dos Apóstolos cuja Solenidade hoje celebramos. Pedro e Paulo procuraram o Senhor continuamente, e foram libertados, por Ele, de todos os temores.

Na primeira leitura vemos a libertação milagrosa de Pedro do cativeiro. Um anjo do Senhor vem libertá-lo. O Apóstolo entra numa espécie de êxtase e, quando está fora da prisão, cai em si mesmo e exclama: Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes (cf. At 12,11). Do mesmo modo Paulo, na segunda leitura, ao escrever para Timóteo o seu “testamento espiritual”, exprime o seu reconhecimento de que Deus nunca o havia deixado só, mas o havia libertado de “todos os temores”: Mas o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão (cf. 2Tm 4,17). Ao final do texto, Paulo exprime sua convicção de que há uma libertação num nível qualitativamente mais elevado, ao afirmar sua fé na ressurreição e na vida eterna: O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste (cf. 2Tm 4,18).

Dois Apóstolos, dois mártires, duas grandes testemunhas. Neles, a Palavra do Senhor se manifesta como verdadeira, pois afinal, “de todos os temores o Senhor os livrou”, inclusive do temor da morte, pois eles não hesitaram em dar sua vida por causa do Cristo e do seu Evangelho.

O Evangelho da liturgia de hoje, nos faz olhar de modo muito particular para a figura de Pedro. Jesus está em Cesareia de Filipe e quer saber o que dizem a respeito dele “os homens”, as pessoas em geral. Mateus afirma que os discípulos, sem destacar nenhum deles em especial (cf. v. 14), responderam: Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas.

Essas respostas têm em comum o fato de serem todas inadequadas para expressar quem é Jesus. O povo pensa que Jesus pode ser um dos antigos profetas que retornou. De fato, havia no mundo judaico a expectativa da volta de Elias, para preparar os caminhos do Messias. Isso está claramente expresso em Ml 3,23. Também em Mt 14,2 se fala que Herodes, ao ouvir falar de Jesus, pensou que se tratasse de João Batista que havia ressuscitado dos mortos. Permanece obscura a menção à figura de Jeremias. Não se conhece a origem desta ideia de que Jeremias deveria voltar dos mortos. Alguns autores acreditam que, como Jeremias anuncia a humilhação e o fim de Jerusalém, a identificação de Jesus com Jeremias seria uma forma de interpretar Jesus como um profeta que anuncia a desgraça. Esta seria uma opinião errônea a respeito do Cristo.[1]

Em síntese, podemos dizer que, no entender do povo, a compreensão a respeito de quem era Jesus estava muito confusa. As pessoas o conectam com o mundo da profecia, mas suas concepções estão distante da realidade e da verdade a respeito de quem seja Jesus.

No v. 15, Mateus nos afirma que Jesus retoma a questão, mas agora ele quer saber o que dizem a respeito dele os “discípulos”: E vós, quem dizeis que eu sou?

A resposta, agora, não é dada pelo “coletivo” dos discípulos, mas nomeadamente por “Simão Pedro”: Tu és o Cristo [Messias], o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16). O “Filho do Homem” (cf. Mt 16,13), ou seja, aquele que deve sofrer na cruz e morrer, é também o Cristo, o Messias, o Filho do Deus Vivo, aquele que foi constituído como “nosso Salvador”.

Jesus responde a Pedro com um “macarismo”, ou seja, uma bem-aventurança: Bem-aventurado és tu, Simão, Filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

Duas coisas chamam nossa atenção na resposta de Jesus. A primeira delas é que, diferente do texto de Mt 5,1-12, o famoso discurso das “bem-aventuranças”, Pedro não é dito bem-aventurado porque demonstra “ser” alguma coisa, mas porque “recebeu” alguma coisa. Ele recebeu de Deus uma “revelação”. E aí chegamos ao segundo elemento que nos chama atenção: a revelação que Pedro recebeu a respeito de Cristo não provém de um conhecimento puramente humano, não lhe foi revelado pela “carne e pelo sangue” como diz o texto grego, mas pelo (meu – de Jesus) Pai “que está nos céus”. “A revelação, o desvelamento da realidade divina, é sempre e somente um dom de Deus.”[2]

Nos vv. 18-19 Jesus institui Simão como fundamento da Igreja. Ao mudar o seu nome para Pedro, Jesus o constitui como a “pedra”, a “rocha”, o “fundamento” sobre o qual a sua “Igreja” está construída. E esta “Igreja” está protegida por Cristo. As “portas do Inferno”[3] não prevalecerão contra ela.

Pedro, recebe, ainda, o poder das chaves. Essa imagem nos relembra Is 22,22. Neste texto, o profeta fala de Eliacim, e afirma: Pôr-lhe-ei sobre os ombros a chave da casa de Davi: quando abrir, ninguém fechará; quando fechar, ninguém abrirá. A imagem evoca autoridade. Pedro é investido, pelo próprio Cristo, de tal autoridade. “Pedro, então, juntamente com as chaves, recebe plena autoridade sobre o Reino dos Céus. Ele, contudo, exercita tal autoridade sobre a terra, não na função de um porteiro do céu, como é comumente representado. Mas na qualidade de transmissor e garante da doutrina e dos mandamentos de Jesus, cuja observância abre ao homem o Reino dos Céus”.[4]

A Igreja sempre compreendeu que, esta autoridade com a qual Cristo investiu Pedro, não estava restrita somente a Pedro. Quando Pedro morre, a Igreja vai reconhecer nos seus sucessores aqueles que continuam a exercer, sobre a terra, tal autoridade, em nome de Cristo. Por isso, dizemos que o Papa é o sucessor de Pedro, e o garante da doutrina, a fim de que caminhando por esta doutrina, possamos chegar ao Reino dos Céus.

Peçamos hoje, em nossas assembleias dominicais, que o Senhor derrame sua graça sobre o Santo Padre. Que Deus faça dele uma autêntica “testemunha” e um “ouvinte” por excelência da Palavra, a fim de que possa conduzir a “barca de Pedro”, que é a Igreja, com firmeza e com ternura, pelo mar tempestuoso da nossa existência hodierna. Peçamos, também, por nós: que sejamos boas ovelhas, que acolhem a voz do Pastor com docilidade e bom coração.



[1] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 93.

[2] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 96.

[3] O lecionário traduz a expressão “portas do Hades”, como se encontra no Grego, por “poder do Inferno”.

[4] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 102.

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De todos os temores me livrou o Senhor Deus

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Neste Domingo, Dia do Senhor, a Igreja nos convida a celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, transferida do dia 29 de junho.

Como Salmo Responsorial desta liturgia temos o Salmo 33(34). O v. 5, que serve como refrão para o Salmo, afirma “Procurei YHWH e ele me respondeu. E de todos os meus temores me livrou”. Sem dúvida, ao olharmos para a primeira e para a segunda leitura, percebemos o quanto este Salmo exprime a fé dos Apóstolos cuja Solenidade hoje celebramos. Pedro e Paulo procuraram o Senhor continuamente, e foram libertados, por Ele, de todos os temores.

Na primeira leitura vemos a libertação milagrosa de Pedro do cativeiro. Um anjo do Senhor vem libertá-lo. O Apóstolo entra numa espécie de êxtase e, quando está fora da prisão, cai em si mesmo e exclama: Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes (cf. At 12,11). Do mesmo modo Paulo, na segunda leitura, ao escrever para Timóteo o seu “testamento espiritual”, exprime o seu reconhecimento de que Deus nunca o havia deixado só, mas o havia libertado de “todos os temores”: Mas o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão (cf. 2Tm 4,17). Ao final do texto, Paulo exprime sua convicção de que há uma libertação num nível qualitativamente mais elevado, ao afirmar sua fé na ressurreição e na vida eterna: O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste (cf. 2Tm 4,18).

Dois Apóstolos, dois mártires, duas grandes testemunhas. Neles, a Palavra do Senhor se manifesta como verdadeira, pois afinal, “de todos os temores o Senhor os livrou”, inclusive do temor da morte, pois eles não hesitaram em dar sua vida por causa do Cristo e do seu Evangelho.

O Evangelho da liturgia de hoje, nos faz olhar de modo muito particular para a figura de Pedro. Jesus está em Cesareia de Filipe e quer saber o que dizem a respeito dele “os homens”, as pessoas em geral. Mateus afirma que os discípulos, sem destacar nenhum deles em especial (cf. v. 14), responderam: Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas.

Essas respostas têm em comum o fato de serem todas inadequadas para expressar quem é Jesus. O povo pensa que Jesus pode ser um dos antigos profetas que retornou. De fato, havia no mundo judaico a expectativa da volta de Elias, para preparar os caminhos do Messias. Isso está claramente expresso em Ml 3,23. Também em Mt 14,2 se fala que Herodes, ao ouvir falar de Jesus, pensou que se tratasse de João Batista que havia ressuscitado dos mortos. Permanece obscura a menção à figura de Jeremias. Não se conhece a origem desta ideia de que Jeremias deveria voltar dos mortos. Alguns autores acreditam que, como Jeremias anuncia a humilhação e o fim de Jerusalém, a identificação de Jesus com Jeremias seria uma forma de interpretar Jesus como um profeta que anuncia a desgraça. Esta seria uma opinião errônea a respeito do Cristo.[1]

Em síntese, podemos dizer que, no entender do povo, a compreensão a respeito de quem era Jesus estava muito confusa. As pessoas o conectam com o mundo da profecia, mas suas concepções estão distante da realidade e da verdade a respeito de quem seja Jesus.

No v. 15, Mateus nos afirma que Jesus retoma a questão, mas agora ele quer saber o que dizem a respeito dele os “discípulos”: E vós, quem dizeis que eu sou?

A resposta, agora, não é dada pelo “coletivo” dos discípulos, mas nomeadamente por “Simão Pedro”: Tu és o Cristo [Messias], o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16). O “Filho do Homem” (cf. Mt 16,13), ou seja, aquele que deve sofrer na cruz e morrer, é também o Cristo, o Messias, o Filho do Deus Vivo, aquele que foi constituído como “nosso Salvador”.

Jesus responde a Pedro com um “macarismo”, ou seja, uma bem-aventurança: Bem-aventurado és tu, Simão, Filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.

Duas coisas chamam nossa atenção na resposta de Jesus. A primeira delas é que, diferente do texto de Mt 5,1-12, o famoso discurso das “bem-aventuranças”, Pedro não é dito bem-aventurado porque demonstra “ser” alguma coisa, mas porque “recebeu” alguma coisa. Ele recebeu de Deus uma “revelação”. E aí chegamos ao segundo elemento que nos chama atenção: a revelação que Pedro recebeu a respeito de Cristo não provém de um conhecimento puramente humano, não lhe foi revelado pela “carne e pelo sangue” como diz o texto grego, mas pelo (meu – de Jesus) Pai “que está nos céus”. “A revelação, o desvelamento da realidade divina, é sempre e somente um dom de Deus.”[2]

Nos vv. 18-19 Jesus institui Simão como fundamento da Igreja. Ao mudar o seu nome para Pedro, Jesus o constitui como a “pedra”, a “rocha”, o “fundamento” sobre o qual a sua “Igreja” está construída. E esta “Igreja” está protegida por Cristo. As “portas do Inferno”[3] não prevalecerão contra ela.

Pedro, recebe, ainda, o poder das chaves. Essa imagem nos relembra Is 22,22. Neste texto, o profeta fala de Eliacim, e afirma: Pôr-lhe-ei sobre os ombros a chave da casa de Davi: quando abrir, ninguém fechará; quando fechar, ninguém abrirá. A imagem evoca autoridade. Pedro é investido, pelo próprio Cristo, de tal autoridade. “Pedro, então, juntamente com as chaves, recebe plena autoridade sobre o Reino dos Céus. Ele, contudo, exercita tal autoridade sobre a terra, não na função de um porteiro do céu, como é comumente representado. Mas na qualidade de transmissor e garante da doutrina e dos mandamentos de Jesus, cuja observância abre ao homem o Reino dos Céus”.[4]

A Igreja sempre compreendeu que, esta autoridade com a qual Cristo investiu Pedro, não estava restrita somente a Pedro. Quando Pedro morre, a Igreja vai reconhecer nos seus sucessores aqueles que continuam a exercer, sobre a terra, tal autoridade, em nome de Cristo. Por isso, dizemos que o Papa é o sucessor de Pedro, e o garante da doutrina, a fim de que caminhando por esta doutrina, possamos chegar ao Reino dos Céus.

Peçamos hoje, em nossas assembleias dominicais, que o Senhor derrame sua graça sobre o Santo Padre. Que Deus faça dele uma autêntica “testemunha” e um “ouvinte” por excelência da Palavra, a fim de que possa conduzir a “barca de Pedro”, que é a Igreja, com firmeza e com ternura, pelo mar tempestuoso da nossa existência hodierna. Peçamos, também, por nós: que sejamos boas ovelhas, que acolhem a voz do Pastor com docilidade e bom coração.



[1] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 93.

[2] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 96.

[3] O lecionário traduz a expressão “portas do Hades”, como se encontra no Grego, por “poder do Inferno”.

[4] Cf. Gnilka. Il Vangelo di Matteo. Vol. II, p. 102.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida