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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2018

20 de Outubro de 2018

O milagre da fé

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O milagre da fé

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11/10/2013 17:19 - Atualizado em 11/10/2013 17:22

O milagre da fé 0

11/10/2013 17:19 - Atualizado em 11/10/2013 17:22

O milagre da fé / Arqrio

“O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.” Sl 97, 2.3a.3b.

Que alegria podermos cantar com o salmista que o Senhor “fez conhecer a salvação” e que Ele revelou às nações “sua justiça”. A “salvação de Deus”, a sua “justiça” nos foi sumamente revelada e oferecida em Cristo. Ele é a nossa salvação, a nossa justiça e, por Ele, estamos aqui. É para celebrar a sua Páscoa que nós nos reunimos nesta Casa de Deus e fazemos aqui aquela experiência de Jacó que viu em sonho uma escada pela qual subiam e desciam os anjos de Deus. Jacó, ao despertar, chamou àquele lugar Betel, porque, dizia o patriarca, esta é uma “Casa de Deus” e uma “Porta do Céu”. Este Templo é a Casa de Deus e se torna pelos mistérios que nele se celebram uma “Porta do Céu”. O céu se abre sobre nós que aqui nos reunimos para celebrar a Páscoa do Cristo e nós nos alimentamos de dons celestes. Deus nos prepara neste que é o seu dia, o “Dia do Senhor”, uma farta mesa: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Não é pouco que Deus nos fale irmãos, e, hoje, o apóstolo nos recorda que “a palavra de Deus não está algemada” (cf. segunda leitura), mas ao contrário, ela está livre e vem hoje ao nosso encontro, viva e eficaz, no seu lugar próprio que é a liturgia, para nos fazer entrar no mistério que celebramos.

Hoje, a Palavra de Deus, em íntima continuidade com os textos que ouvimos no domingo passado, vem para nos dar o sentido dessa nossa celebração. Nós estamos na Eucaristia Cristã, dando graças ao Pai, por Cristo, na força do Espírito. A palavra que hoje ouvimos nos relata essa atitude fundamental: a fé que se faz Eucaristia; a fé que produz no coração de quem a recebe uma atitude de ação de graças.

Duas curas, dois pagãos, duas conversões à fé. Na primeira leitura a figura do sírio Naamã, curado da lepra pelo profeta Eliseu, depois de mergulhar sete vezes no Jordão. O quadro é muito semelhante ao que vamos ver no evangelho. Primeiro Naamã demonstra uma certa incredulidade diante da ordem de Eliseu para que ele mergulhasse sete vezes no Jordão. Depois Naamã passa a um certo nível de fé, ainda pagão, onde ele acredita que não tem nada a perder obedecendo ao homem de Deus. Por fim, depois de receber o milagre, Naamã se converte à fé israelita e pede a Eliseu para que leve um pouco da terra de Israel, a fim de poder, na Síria, prestar culto ao Deus dos israelitas. O milagre suscita a fé genuína no coração deste pagão e ele volta para agradecer e faz, diante do profeta, a sua profissão de fé: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel!” O milagre faz Naamã acreditar no Deus único.

No Evangelho, Lucas nos relata a cura de dez leprosos. A lepra era em Israel não somente uma doença, mas uma impureza legal. O leproso deveria morar fora do acampamento e estava excluído da vida social e religiosa do povo. Ninguém poderia entrar em contato com eles. Eles viviam em pequenas colônias e cuidavam uns dos outros, sem que ninguém pudesse deles se aproximar. A lei era dura a respeito dessas pessoas e tinha como objetivo evitar a contaminação de outros. Os leprosos sabem de sua condição e, por isso, ficam de longe, não se aproximam de Jesus. É à distância que eles gritam: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Eleison, ’emas! Eles imploram a compaixão de Cristo como nós fazemos no início de cada Eucaristia: Kyrie, eleison! Jesus, tem misericórdia de nós! E, de fato, eles clamaram à pessoa certa. Jesus não somente “tem misericórdia”, mas Jesus “é a misericórdia”. Em Cristo, a misericórdia não é meramente um sentimento, mas é a sua própria vida. Zacarias, no seu canto de louvor a Deus descrito em Lucas 1,68-79, diz: “Pelas entranhas de misericórdia do nosso Deus, o sol nascente nos veio visitar”. Deus tem entranhas de misericórdia. O sol nascente é o Cristo, que veio para nós das entranhas do Pai. O Cristo é a misericórdia feita carne para nossa salvação. E ele tem profunda misericórdia dos leprosos. Como se tratava de uma impureza ritual Jesus diz: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Eram os sacerdotes que deveriam julgar se o leproso já estava ou não puro. Enquanto caminhavam, nos diz Lucas, eles ficaram curados. Dez ficaram curados, mas um só voltou, glorificando (doxázon) a Deus e colocou o seu rosto nos pés de Jesus, nos diz o texto grego, e fez uma eucaristia, e bendisse a Deus pela cura recebida. E esse que voltou era um samaritano. Interessante como os quadros são semelhantes: o da primeira leitura e o do evangelho. Também aqui os leprosos têm um certo gênero de fé, uma fé assemelhada àquela dos pagãos, porque também estes últimos acreditavam que as suas divindades poderiam lhes oferecer cura e bem-estar nesta vida. Todavia, este pagão, este samaritano (povo rejeitado por Israel, por ter se contaminado com crenças pagãs) volta. Ele volta não somente para agradecer o bem recebido, mas ele volta porque o milagre suscitou no seu coração a fé. Vejamos bem a atitude dele: ele volta fazendo em voz alta uma doxologia ao Pai e reconhece Jesus como Deus, porque Lucas afirma que ele se prostrou com o rosto em terra aos pés de Jesus e ali fez a sua ação de graças. É nesse ato de fé que nós devemos nos centrar. Aliás as três perguntas de Jesus realçam este ato de fé: “Não foram dez os curados? E os outro nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E ainda o final do evangelho: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.” Todos foram curados, mas somente o samaritano foi salvo.

Esta palavra meus irmãos nos leva a refletir sobre qual o lugar do milagre na revelação cristã. O milagre acontece para suscitar a fé, senão Deus seria injusto. Muitas vezes nos perguntamos porque Deus não cura a todos, não elimina a todas as doenças da face da terra e assim extingue o nosso sofrimento. De fato, Cristo não veio somente para nos garantir uma vida tranqüila no plano intra-mundano. Cristo veio nos oferecer muito mais. Cristo veio nos oferecer a vida bem-aventurada na Jerusalém Celeste. A sua entrada no mundo foi para operar este gênero novo e inusitado de salvação. Algo que nós não podíamos imaginar. Porque, então, o milagre? O milagre acontece, para que possamos crer no poder de Deus. Deus intervém na ordem natural das coisas para que possamos entrever a sua grande intervenção na ordem sobrenatural. O milagre acontece para suscitar a nossa fé e a fé se torna, então, o maior milagre. O grande milagre aqui não foi a cura do sírio Naamã. O grande portento não foi a cura dos dez leprosos. O grande milagre foi que Naamã acreditou que só existe um Deus, Senhor de toda a terra. O grande milagre foi que o leproso aprendeu que somente ao Senhor podemos oferecer o nosso louvor e a nossa ação de graças, porque Ele é o único e verdadeiro Deus. A fé é o grande milagre. Fé que aponta para aquilo o que Deus tem reservado para nós, como nos recorda o apóstolo na segunda leitura: “Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos.”

Se a fé é o grande milagre, a ação de graças é a atitude por excelência do homem de fé. É por isso que a Eucaristia é o centro da nossa vida. Tudo brota dela e tudo converge para ela. A Eucaristia é essa fonte e ao mesmo tempo o ponto de convergência de toda a nossa vida cristã. O homem de fé faz a Deus a sua ação de graças, porque teve os seus olhos abertos para reconhecer o grande milagre: Deus ofereceu a sua salvação a todos os homens. A cura de dois pagãos quer nos mostrar também esse aspecto da salvação que nos é oferecida em Cristo: ela é para todos, para os judeus e também para os pagãos. O homem de fé faz a sua ação de graças, porque reconhece que a palavra do salmo cantada nessa liturgia se realizou, ou seja, em Cristo, o Pai “fez conhecer a salvação” e revelou “às nações, sua justiça”. Em Cristo, os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Cristo é a salvação de Deus, a misericórdia de Deus, feita carne.

Também nós hoje, conscientes da nossa impureza, paramos à distância e clamamos a Jesus: “Mestre, tem compaixão de nós!” “Jesus, tem misericórdia de nós!” Ele ouve o nosso grito, porque ele não somente “tem misericórdia”, mas ele “é a misericórdia” do Pai revelada a nós, feita carne, para que nós a pudéssemos visualizar. E Ele nos manda caminhar, e enquanto caminhamos, Ele nos cura, nos purifica. A alguns Ele cura fisicamente, mas a todos Ele cura espiritualmente, porque foi para realizar uma cura sobrenatural que Ele veio: a cura de nossas almas; a cura da ferida original; a cura da nossa incredulidade; a cura da nossa cegueira espiritual. Essa é a grande e verdadeira cura que Ele veio operar. As outras, são sacramentos dessa cura fundamental. Que diante dessa grande cura de Deus para nós possamos ter o coração agradecido, possamos fazer ao Pai a nossa “doxologia”, possamos com Cristo fazer ao Pai a nossa Eucaristia, porque Ele nos fez conhecer a sua salvação.

13.10.2013 – 28º Domingo do Tempo Comum

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O milagre da fé

11/10/2013 17:19 - Atualizado em 11/10/2013 17:22

“O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.” Sl 97, 2.3a.3b.

Que alegria podermos cantar com o salmista que o Senhor “fez conhecer a salvação” e que Ele revelou às nações “sua justiça”. A “salvação de Deus”, a sua “justiça” nos foi sumamente revelada e oferecida em Cristo. Ele é a nossa salvação, a nossa justiça e, por Ele, estamos aqui. É para celebrar a sua Páscoa que nós nos reunimos nesta Casa de Deus e fazemos aqui aquela experiência de Jacó que viu em sonho uma escada pela qual subiam e desciam os anjos de Deus. Jacó, ao despertar, chamou àquele lugar Betel, porque, dizia o patriarca, esta é uma “Casa de Deus” e uma “Porta do Céu”. Este Templo é a Casa de Deus e se torna pelos mistérios que nele se celebram uma “Porta do Céu”. O céu se abre sobre nós que aqui nos reunimos para celebrar a Páscoa do Cristo e nós nos alimentamos de dons celestes. Deus nos prepara neste que é o seu dia, o “Dia do Senhor”, uma farta mesa: a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Não é pouco que Deus nos fale irmãos, e, hoje, o apóstolo nos recorda que “a palavra de Deus não está algemada” (cf. segunda leitura), mas ao contrário, ela está livre e vem hoje ao nosso encontro, viva e eficaz, no seu lugar próprio que é a liturgia, para nos fazer entrar no mistério que celebramos.

Hoje, a Palavra de Deus, em íntima continuidade com os textos que ouvimos no domingo passado, vem para nos dar o sentido dessa nossa celebração. Nós estamos na Eucaristia Cristã, dando graças ao Pai, por Cristo, na força do Espírito. A palavra que hoje ouvimos nos relata essa atitude fundamental: a fé que se faz Eucaristia; a fé que produz no coração de quem a recebe uma atitude de ação de graças.

Duas curas, dois pagãos, duas conversões à fé. Na primeira leitura a figura do sírio Naamã, curado da lepra pelo profeta Eliseu, depois de mergulhar sete vezes no Jordão. O quadro é muito semelhante ao que vamos ver no evangelho. Primeiro Naamã demonstra uma certa incredulidade diante da ordem de Eliseu para que ele mergulhasse sete vezes no Jordão. Depois Naamã passa a um certo nível de fé, ainda pagão, onde ele acredita que não tem nada a perder obedecendo ao homem de Deus. Por fim, depois de receber o milagre, Naamã se converte à fé israelita e pede a Eliseu para que leve um pouco da terra de Israel, a fim de poder, na Síria, prestar culto ao Deus dos israelitas. O milagre suscita a fé genuína no coração deste pagão e ele volta para agradecer e faz, diante do profeta, a sua profissão de fé: “Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel!” O milagre faz Naamã acreditar no Deus único.

No Evangelho, Lucas nos relata a cura de dez leprosos. A lepra era em Israel não somente uma doença, mas uma impureza legal. O leproso deveria morar fora do acampamento e estava excluído da vida social e religiosa do povo. Ninguém poderia entrar em contato com eles. Eles viviam em pequenas colônias e cuidavam uns dos outros, sem que ninguém pudesse deles se aproximar. A lei era dura a respeito dessas pessoas e tinha como objetivo evitar a contaminação de outros. Os leprosos sabem de sua condição e, por isso, ficam de longe, não se aproximam de Jesus. É à distância que eles gritam: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Eleison, ’emas! Eles imploram a compaixão de Cristo como nós fazemos no início de cada Eucaristia: Kyrie, eleison! Jesus, tem misericórdia de nós! E, de fato, eles clamaram à pessoa certa. Jesus não somente “tem misericórdia”, mas Jesus “é a misericórdia”. Em Cristo, a misericórdia não é meramente um sentimento, mas é a sua própria vida. Zacarias, no seu canto de louvor a Deus descrito em Lucas 1,68-79, diz: “Pelas entranhas de misericórdia do nosso Deus, o sol nascente nos veio visitar”. Deus tem entranhas de misericórdia. O sol nascente é o Cristo, que veio para nós das entranhas do Pai. O Cristo é a misericórdia feita carne para nossa salvação. E ele tem profunda misericórdia dos leprosos. Como se tratava de uma impureza ritual Jesus diz: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Eram os sacerdotes que deveriam julgar se o leproso já estava ou não puro. Enquanto caminhavam, nos diz Lucas, eles ficaram curados. Dez ficaram curados, mas um só voltou, glorificando (doxázon) a Deus e colocou o seu rosto nos pés de Jesus, nos diz o texto grego, e fez uma eucaristia, e bendisse a Deus pela cura recebida. E esse que voltou era um samaritano. Interessante como os quadros são semelhantes: o da primeira leitura e o do evangelho. Também aqui os leprosos têm um certo gênero de fé, uma fé assemelhada àquela dos pagãos, porque também estes últimos acreditavam que as suas divindades poderiam lhes oferecer cura e bem-estar nesta vida. Todavia, este pagão, este samaritano (povo rejeitado por Israel, por ter se contaminado com crenças pagãs) volta. Ele volta não somente para agradecer o bem recebido, mas ele volta porque o milagre suscitou no seu coração a fé. Vejamos bem a atitude dele: ele volta fazendo em voz alta uma doxologia ao Pai e reconhece Jesus como Deus, porque Lucas afirma que ele se prostrou com o rosto em terra aos pés de Jesus e ali fez a sua ação de graças. É nesse ato de fé que nós devemos nos centrar. Aliás as três perguntas de Jesus realçam este ato de fé: “Não foram dez os curados? E os outro nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E ainda o final do evangelho: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.” Todos foram curados, mas somente o samaritano foi salvo.

Esta palavra meus irmãos nos leva a refletir sobre qual o lugar do milagre na revelação cristã. O milagre acontece para suscitar a fé, senão Deus seria injusto. Muitas vezes nos perguntamos porque Deus não cura a todos, não elimina a todas as doenças da face da terra e assim extingue o nosso sofrimento. De fato, Cristo não veio somente para nos garantir uma vida tranqüila no plano intra-mundano. Cristo veio nos oferecer muito mais. Cristo veio nos oferecer a vida bem-aventurada na Jerusalém Celeste. A sua entrada no mundo foi para operar este gênero novo e inusitado de salvação. Algo que nós não podíamos imaginar. Porque, então, o milagre? O milagre acontece, para que possamos crer no poder de Deus. Deus intervém na ordem natural das coisas para que possamos entrever a sua grande intervenção na ordem sobrenatural. O milagre acontece para suscitar a nossa fé e a fé se torna, então, o maior milagre. O grande milagre aqui não foi a cura do sírio Naamã. O grande portento não foi a cura dos dez leprosos. O grande milagre foi que Naamã acreditou que só existe um Deus, Senhor de toda a terra. O grande milagre foi que o leproso aprendeu que somente ao Senhor podemos oferecer o nosso louvor e a nossa ação de graças, porque Ele é o único e verdadeiro Deus. A fé é o grande milagre. Fé que aponta para aquilo o que Deus tem reservado para nós, como nos recorda o apóstolo na segunda leitura: “Se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos.”

Se a fé é o grande milagre, a ação de graças é a atitude por excelência do homem de fé. É por isso que a Eucaristia é o centro da nossa vida. Tudo brota dela e tudo converge para ela. A Eucaristia é essa fonte e ao mesmo tempo o ponto de convergência de toda a nossa vida cristã. O homem de fé faz a Deus a sua ação de graças, porque teve os seus olhos abertos para reconhecer o grande milagre: Deus ofereceu a sua salvação a todos os homens. A cura de dois pagãos quer nos mostrar também esse aspecto da salvação que nos é oferecida em Cristo: ela é para todos, para os judeus e também para os pagãos. O homem de fé faz a sua ação de graças, porque reconhece que a palavra do salmo cantada nessa liturgia se realizou, ou seja, em Cristo, o Pai “fez conhecer a salvação” e revelou “às nações, sua justiça”. Em Cristo, os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Cristo é a salvação de Deus, a misericórdia de Deus, feita carne.

Também nós hoje, conscientes da nossa impureza, paramos à distância e clamamos a Jesus: “Mestre, tem compaixão de nós!” “Jesus, tem misericórdia de nós!” Ele ouve o nosso grito, porque ele não somente “tem misericórdia”, mas ele “é a misericórdia” do Pai revelada a nós, feita carne, para que nós a pudéssemos visualizar. E Ele nos manda caminhar, e enquanto caminhamos, Ele nos cura, nos purifica. A alguns Ele cura fisicamente, mas a todos Ele cura espiritualmente, porque foi para realizar uma cura sobrenatural que Ele veio: a cura de nossas almas; a cura da ferida original; a cura da nossa incredulidade; a cura da nossa cegueira espiritual. Essa é a grande e verdadeira cura que Ele veio operar. As outras, são sacramentos dessa cura fundamental. Que diante dessa grande cura de Deus para nós possamos ter o coração agradecido, possamos fazer ao Pai a nossa “doxologia”, possamos com Cristo fazer ao Pai a nossa Eucaristia, porque Ele nos fez conhecer a sua salvação.

13.10.2013 – 28º Domingo do Tempo Comum

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida