Arquidiocese do Rio de Janeiro

35º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/09/2018

24 de Setembro de 2018

“Braços abertos sem medo de acolher”

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24 de Setembro de 2018

“Braços abertos sem medo de acolher”

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23/06/2018 12:51 - Atualizado em 23/06/2018 12:51

“Braços abertos sem medo de acolher” 0

23/06/2018 12:51 - Atualizado em 23/06/2018 12:51

“A vida é feita de encontros”: este é o tema da 33ª Semana do Migrante, articulada pelo serviço Pastoral do Migrante da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e aconteceu de 18 a 24 de junho de 2018. Para nós é uma semana que engloba tanto a questão da migração em geral como também, em especial nestes tempos, a dos refugiados. O tema desta semana é um convite ao encontro de irmãos e irmãs num único abraço fraterno, é um chamamento à conversão que impulsiona a vocação fraterna no convívio humano. Seu lema braços abertos para acolher, remete-nos ao espírito da caridade e da solidariedade e nos inspira à luz do Evangelho a viver o essencial da vida que é o amor.

Recordamos que a Campanha da Caritas Internacional com relação aos refugiados aqui no Brasil foi aberta aos pés do Cristo Redentor, para que o “Compartilhar a viagem” fosse ligada ao tema do acolhimento de braços abertos.

O chamado de Deus a todos os batizados é sempre um convite ao amor solidário, este que acolhe o estrangeiro, o pobre, o órfão e a viúva. Já no tempo dos profetas e depois com Jesus Cristo nova e eterna aliança, estes personagens bíblicos são evocados para recordar que o outro a quem devemos amar é sempre o mais próximo de nós, próximo aqui não se limita aos parâmetros geográficos de localização de espaço e tempo, mais, significa irmão, o outro é nosso irmão, não é estrangeiro forasteiro, ou um estranho a nós, Deus mesmo nos criou com amor e por amor a fim de que pudéssemos viver configurados a este mesmo amor na caridade e do encontro fraterno.

Celebrar a semana do Migrante e Refugiado é renovar o amor sem fronteiras, capaz de ir ao encontro do outro que chora, que sente frio, fome e sede de pão e de justiça, então descobriremos que todos somos irmãos em Jesus Cristo, vivendo o amor que ele mesmo viveu e nos chama a viver na vida, feita de encontros e de braços abertos para acolher. Neste tempo de tanta discórdia, ódio e exclusão social especialmente para com os irmãos refugiados, devemos investir no amor que acolhe e cuida do outro como imagem e semelhança de Deus, perceber no rosto de quem chora, no olhar entristecido dos refugiados e abandonados nas ruas de nossa cidade e de nosso País que ali se esconde também o rosto do Senhor que clama por amor, pão e aconchego.

Quem ama jamais ignora, excluir, menospreza quem quer que seja, pois o amor não conhece limites, barreiras, ele é incondicional, abraça o outro como irmão, não é exclusivista, amplia os horizontes da comunhão e da unidade na diversidade, é amor simplesmente amor, sua  dimensão é universal, jamais vamos explicar o sentido do amor fraterno, mais podemos  viver e sentir em nossas vidas, também na comunidade, na igreja e na sociedade, onde estivermos  inseridos, o amor é incondicional e rompe todos os grilhões do egoísmo da ganância e do preconceito.

Vale lembrar sempre as premissas do Evangelho da caridade, a Igreja sempre contemplou nos migrantes a imagem de Cristo, que disse:   “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. ” (Mateus 25,35-45).

Queridos irmãos e irmãs, deixemo-nos envolver cada vez mais por estas palavras de Jesus,  assim iluminados e inspirados pelo Evangelho do amor possamos viver esta semana do Migrante  conscientes de que nós também somos migrantes neste mundo, peregrinos que caminhamos ao encontro do Senhor, nossa vida só tem sentido quando  a colocamos a serviço do outro, indo ao encontro e com braços abertos acolher, não como estranho mais, como próximos de nós , irmãos da mesma família, nascidos pela fé e da fé em Jesus Cristo que nos impulsiona a viver a fraternidade no meio do Mundo, numa dimensão de comunhão e amor sem fronteiras.

O Papa Francisco ensina que: “Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor.[1] Esta solicitude deve expressar-se, de maneira concreta, nas várias etapas da experiência migratória: desde a partida e a travessia até à chegada e ao regresso. Trata-se de uma grande responsabilidade que a Igreja deseja partilhar com todos os crentes e os homens e mulheres de boa vontade, que são chamados a dar resposta aos numerosos desafios colocados pelas migrações contemporâneas com generosidade, prontidão, sabedoria e clarividência, cada qual segundo as suas possibilidades”. (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html, último acesso em 15 de junho de 2018)

No hemisfério norte o dia do migrante e refugiado ocorre em janeiro, e para esse dia o Papa Francisco enviou sua mensagem conjugando alguns verbos que nos devem remeter a ações concretas para os migrantes e refugiados: “Acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”. Aqui no Brasil a Pastoral do migrante escolheu em especial o verbo “acolher” para vivermos de modo especial este momento.

E como seria belo e gratificante se nesta semana do Migrante recordássemos dos irmãos refugiados como o mais próximo de nós, o irmão que vêm ao nosso encontro e nós o acolhemos sem reservas e sem discórdia, assim descobriríamos nossa missão na igreja e no mundo como fez um dia São Francisco de Assis ao perceber no rosto do outro o olhar de Deus que convidava a reconstruir a Igreja em tempos tão difíceis, não mediu esforços e foi capaz de reconstruir com tanto zelo e dedicação.  

Em nossa arquidiocese esses trabalhos se desenvolvem em duas vertentes: de um lado um trabalho já antigo que a Caritas Arquidiocesana faz com os refugiados desde a década de 60 e que hoje tem um belo testemunho de excelência nessa missão; e de outro lado pela pastoral do migrante que procura conscientizar a necessidade de uma mudança de mentalidade para que sejamos sempre mais “irmãos uns dos outros” acolhendo a todos.

Hoje somos motivados pelo testemunho do Papa Francisco que no mais eloquente testemunho de vida profética ensina-nos a lição e o exemplo concreto da caridade fraterna quando em seu ministério pastoral sai ao encontro dos irmãos e irmãs excluídos com os braços abertos acolhe através do encontro animando-os na esperança. 

Será que este não é tempo privilegiado para navegarmos na graça e no espírito da fraternidade, é um chamamento ao amor incondicional vocação que remete a irmandade com tudo e todos, lembremos das palavras de São Francisco “E depois que o Senhor me deu Irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia Viver segundo a forma do santo Evangelho. ” (Testamento de São Francisco de Assis). Assim somos nós hoje desafiados a acolher, viver e reconhecer no rosto dos irmãos migrantes e refugiados, o rosto do Senhor que clama por pão, agua e justiça.  Caros irmãos e irmãs com o coração aberto, e na alegria da fraternidade, vamos acolher os novos irmãos que o Senhor nos enviar.

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“Braços abertos sem medo de acolher”

23/06/2018 12:51 - Atualizado em 23/06/2018 12:51

“A vida é feita de encontros”: este é o tema da 33ª Semana do Migrante, articulada pelo serviço Pastoral do Migrante da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e aconteceu de 18 a 24 de junho de 2018. Para nós é uma semana que engloba tanto a questão da migração em geral como também, em especial nestes tempos, a dos refugiados. O tema desta semana é um convite ao encontro de irmãos e irmãs num único abraço fraterno, é um chamamento à conversão que impulsiona a vocação fraterna no convívio humano. Seu lema braços abertos para acolher, remete-nos ao espírito da caridade e da solidariedade e nos inspira à luz do Evangelho a viver o essencial da vida que é o amor.

Recordamos que a Campanha da Caritas Internacional com relação aos refugiados aqui no Brasil foi aberta aos pés do Cristo Redentor, para que o “Compartilhar a viagem” fosse ligada ao tema do acolhimento de braços abertos.

O chamado de Deus a todos os batizados é sempre um convite ao amor solidário, este que acolhe o estrangeiro, o pobre, o órfão e a viúva. Já no tempo dos profetas e depois com Jesus Cristo nova e eterna aliança, estes personagens bíblicos são evocados para recordar que o outro a quem devemos amar é sempre o mais próximo de nós, próximo aqui não se limita aos parâmetros geográficos de localização de espaço e tempo, mais, significa irmão, o outro é nosso irmão, não é estrangeiro forasteiro, ou um estranho a nós, Deus mesmo nos criou com amor e por amor a fim de que pudéssemos viver configurados a este mesmo amor na caridade e do encontro fraterno.

Celebrar a semana do Migrante e Refugiado é renovar o amor sem fronteiras, capaz de ir ao encontro do outro que chora, que sente frio, fome e sede de pão e de justiça, então descobriremos que todos somos irmãos em Jesus Cristo, vivendo o amor que ele mesmo viveu e nos chama a viver na vida, feita de encontros e de braços abertos para acolher. Neste tempo de tanta discórdia, ódio e exclusão social especialmente para com os irmãos refugiados, devemos investir no amor que acolhe e cuida do outro como imagem e semelhança de Deus, perceber no rosto de quem chora, no olhar entristecido dos refugiados e abandonados nas ruas de nossa cidade e de nosso País que ali se esconde também o rosto do Senhor que clama por amor, pão e aconchego.

Quem ama jamais ignora, excluir, menospreza quem quer que seja, pois o amor não conhece limites, barreiras, ele é incondicional, abraça o outro como irmão, não é exclusivista, amplia os horizontes da comunhão e da unidade na diversidade, é amor simplesmente amor, sua  dimensão é universal, jamais vamos explicar o sentido do amor fraterno, mais podemos  viver e sentir em nossas vidas, também na comunidade, na igreja e na sociedade, onde estivermos  inseridos, o amor é incondicional e rompe todos os grilhões do egoísmo da ganância e do preconceito.

Vale lembrar sempre as premissas do Evangelho da caridade, a Igreja sempre contemplou nos migrantes a imagem de Cristo, que disse:   “Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. ” (Mateus 25,35-45).

Queridos irmãos e irmãs, deixemo-nos envolver cada vez mais por estas palavras de Jesus,  assim iluminados e inspirados pelo Evangelho do amor possamos viver esta semana do Migrante  conscientes de que nós também somos migrantes neste mundo, peregrinos que caminhamos ao encontro do Senhor, nossa vida só tem sentido quando  a colocamos a serviço do outro, indo ao encontro e com braços abertos acolher, não como estranho mais, como próximos de nós , irmãos da mesma família, nascidos pela fé e da fé em Jesus Cristo que nos impulsiona a viver a fraternidade no meio do Mundo, numa dimensão de comunhão e amor sem fronteiras.

O Papa Francisco ensina que: “Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor.[1] Esta solicitude deve expressar-se, de maneira concreta, nas várias etapas da experiência migratória: desde a partida e a travessia até à chegada e ao regresso. Trata-se de uma grande responsabilidade que a Igreja deseja partilhar com todos os crentes e os homens e mulheres de boa vontade, que são chamados a dar resposta aos numerosos desafios colocados pelas migrações contemporâneas com generosidade, prontidão, sabedoria e clarividência, cada qual segundo as suas possibilidades”. (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/migration/documents/papa-francesco_20170815_world-migrants-day-2018.html, último acesso em 15 de junho de 2018)

No hemisfério norte o dia do migrante e refugiado ocorre em janeiro, e para esse dia o Papa Francisco enviou sua mensagem conjugando alguns verbos que nos devem remeter a ações concretas para os migrantes e refugiados: “Acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e os refugiados”. Aqui no Brasil a Pastoral do migrante escolheu em especial o verbo “acolher” para vivermos de modo especial este momento.

E como seria belo e gratificante se nesta semana do Migrante recordássemos dos irmãos refugiados como o mais próximo de nós, o irmão que vêm ao nosso encontro e nós o acolhemos sem reservas e sem discórdia, assim descobriríamos nossa missão na igreja e no mundo como fez um dia São Francisco de Assis ao perceber no rosto do outro o olhar de Deus que convidava a reconstruir a Igreja em tempos tão difíceis, não mediu esforços e foi capaz de reconstruir com tanto zelo e dedicação.  

Em nossa arquidiocese esses trabalhos se desenvolvem em duas vertentes: de um lado um trabalho já antigo que a Caritas Arquidiocesana faz com os refugiados desde a década de 60 e que hoje tem um belo testemunho de excelência nessa missão; e de outro lado pela pastoral do migrante que procura conscientizar a necessidade de uma mudança de mentalidade para que sejamos sempre mais “irmãos uns dos outros” acolhendo a todos.

Hoje somos motivados pelo testemunho do Papa Francisco que no mais eloquente testemunho de vida profética ensina-nos a lição e o exemplo concreto da caridade fraterna quando em seu ministério pastoral sai ao encontro dos irmãos e irmãs excluídos com os braços abertos acolhe através do encontro animando-os na esperança. 

Será que este não é tempo privilegiado para navegarmos na graça e no espírito da fraternidade, é um chamamento ao amor incondicional vocação que remete a irmandade com tudo e todos, lembremos das palavras de São Francisco “E depois que o Senhor me deu Irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia Viver segundo a forma do santo Evangelho. ” (Testamento de São Francisco de Assis). Assim somos nós hoje desafiados a acolher, viver e reconhecer no rosto dos irmãos migrantes e refugiados, o rosto do Senhor que clama por pão, agua e justiça.  Caros irmãos e irmãs com o coração aberto, e na alegria da fraternidade, vamos acolher os novos irmãos que o Senhor nos enviar.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro