Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2018

18 de Novembro de 2018

Venha o Seu Reino

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

18 de Novembro de 2018

Venha o Seu Reino

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

16/06/2018 00:00

Venha o Seu Reino 0

16/06/2018 00:00

O evangelho do 11º. Domingo do Tempo Comum (Mc 4,26-34) nos faz contemplar o mistério do Reino de modo simples, doce e tão cheio de sabedoria! O Senhor nos fala do Reino de Deus, Reino que começa aqui, experimentado quando nós abrimos para o anúncio de Jesus; Reino que será pleno na glória, quando cada um de nós e toda a humanidade, com a sua história, entrar, um dia, na plenitude do coração da Trindade santa. 

O Senhor nos diz que o Reino de Deus não é daquelas coisas vistosas, midiáticas, de sucesso humano. O Reino vem de modo humilde e se manifesta nas coisas pequenas. Pequenas como um grãozinho jogado na terra, como uma semente de mostarda, como um brotinho frágil e sem aparente valor. O Reino é como o próprio Jesus: aquele brotinho, retirado da ponta da grande árvore da dinastia de Davi (Ez 17, 22-24), aquele brotinho pobre, da carpintaria de Nazaré. Os modos de Deus, a lógica de Deus, o jeito de Deus! 

Outra lição deste domingo: o Reino vem aos poucos. Inaugurado e plantado definitivamente no chão deste mundo pelo nosso Jesus, ele irá crescendo como a semente, como o grão de mostarda, aos poucos. Somos impacientes e gostaríamos que Deus respeitasse nossos prazos. Os pensamentos do Senhor não são os nossos, tampouco seus tempos são iguais aos da gente! Atentos, irmãos, porque somente perseverará na paciência aquele que souber adequar-se aos tempos de Deus. Assim vai o Reino, brotando humildemente na história e no coração do mundo, de um modo que somente quem reza e contempla pode perceber.

Ainda uma outra lição do Senhor: Nós, filhos de um mundo tão pragmático e auto-suficiente, temos tanta dificuldade em perceber a ação de Deus. Pensamos que nós é que fazemos, que nós é que somos os sujeitos últimos do mundo e da história! É Deus quem, humilde, forte e fielmente, faz o Reino desenvolver-se na potência do Espírito. “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece!” Nós, com a graça de Deus, vamos plantando o Reino que Cristo trouxe. Plantamos quando nós abrimos à graça, plantamos com nosso exemplo, plantamos com nossa palavra, plantamos com nossa ação. Porém é o próprio Deus, com a energia do Santo Espírito, quem faz o Reino crescer: é obra dele, não nossa. São Paulo nos diz: um é o que planta, outro, o que rega, mas é Deus quem faz crescer. É assim, caríssimos, que, num mundo aparentemente esquecido por Deus, Ele vai agindo, tomando nossas pobres sementes e fazendo-as desabrochar no seu Reino, vigor, paciência e suavidade.

Um dia, diz Jesus, chegará o momento da colheita. Haverá um fim na história humana, e, então, “todos deveremos comparecer às claras ante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo - do que tiver feito na sua vida corporal” (2Cor 5, 6-10).  Aqui estamos de passagem, vamos semeando o Reino que Jesus trouxe e que Deus mesmo faz crescer; mas, a colheita definitiva não será nesta vida, pois o Reino que começa no tempo e haverá de espraiar-se na eternidade; o Reino que deve fecundar a história somente será pleno e definitivo na glória. Seríamos mais livres, equilibrados, seremos, se recordássemos essa realidade. Teríamos o cuidado de viver de tal modo, que não perdêssemos o Reino pois é possível ficar fora do Reino! Não entrará no Reino quem não permitir que o Reino entre em si. Em certo sentido, não somos nós quem entramos no Reino, mas o Reino que entra em nós! Abrir-se para o Reino, é abrir-se para o Cristo Jesus! Abramo-nos para ele e ele nos abrirá o seu Reino!

Uma última lição de Jesus para nós, hoje: o seu sonho é que todos entrem no seu Reino, naquela casa do Pai, na qual há muitas moradas! É por isso que, na primeira leitura, pousarão todos os pássaros à sombra da ramagem da árvore que é o Messias, e as aves aí farão ninhos. O mesmo Jesus diz do Reino, comparado ao pequeno grão de mostarda que germina e se torna arvora frondosa. Se dermos ouvidos ao Senhor, se aprendermos o compasso do seu coração, experimentaremos a alegria do Reino já nesta vida, com provações, e, um dia, haveremos de saboreá-lo por toda a eternidade!

Senhor Jesus, dá-nos, pois, a graça de abrir as portas do nosso coração e do coração do mundo para o Reino do Pai que anunciaste e inauguraste! Venha o Reino na potência do teu Espírito que habita em nós e no coração da Igreja! E que através de nós, ele se faça sempre mais presente no mundo. Amém.


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Venha o Seu Reino

16/06/2018 00:00

O evangelho do 11º. Domingo do Tempo Comum (Mc 4,26-34) nos faz contemplar o mistério do Reino de modo simples, doce e tão cheio de sabedoria! O Senhor nos fala do Reino de Deus, Reino que começa aqui, experimentado quando nós abrimos para o anúncio de Jesus; Reino que será pleno na glória, quando cada um de nós e toda a humanidade, com a sua história, entrar, um dia, na plenitude do coração da Trindade santa. 

O Senhor nos diz que o Reino de Deus não é daquelas coisas vistosas, midiáticas, de sucesso humano. O Reino vem de modo humilde e se manifesta nas coisas pequenas. Pequenas como um grãozinho jogado na terra, como uma semente de mostarda, como um brotinho frágil e sem aparente valor. O Reino é como o próprio Jesus: aquele brotinho, retirado da ponta da grande árvore da dinastia de Davi (Ez 17, 22-24), aquele brotinho pobre, da carpintaria de Nazaré. Os modos de Deus, a lógica de Deus, o jeito de Deus! 

Outra lição deste domingo: o Reino vem aos poucos. Inaugurado e plantado definitivamente no chão deste mundo pelo nosso Jesus, ele irá crescendo como a semente, como o grão de mostarda, aos poucos. Somos impacientes e gostaríamos que Deus respeitasse nossos prazos. Os pensamentos do Senhor não são os nossos, tampouco seus tempos são iguais aos da gente! Atentos, irmãos, porque somente perseverará na paciência aquele que souber adequar-se aos tempos de Deus. Assim vai o Reino, brotando humildemente na história e no coração do mundo, de um modo que somente quem reza e contempla pode perceber.

Ainda uma outra lição do Senhor: Nós, filhos de um mundo tão pragmático e auto-suficiente, temos tanta dificuldade em perceber a ação de Deus. Pensamos que nós é que fazemos, que nós é que somos os sujeitos últimos do mundo e da história! É Deus quem, humilde, forte e fielmente, faz o Reino desenvolver-se na potência do Espírito. “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece!” Nós, com a graça de Deus, vamos plantando o Reino que Cristo trouxe. Plantamos quando nós abrimos à graça, plantamos com nosso exemplo, plantamos com nossa palavra, plantamos com nossa ação. Porém é o próprio Deus, com a energia do Santo Espírito, quem faz o Reino crescer: é obra dele, não nossa. São Paulo nos diz: um é o que planta, outro, o que rega, mas é Deus quem faz crescer. É assim, caríssimos, que, num mundo aparentemente esquecido por Deus, Ele vai agindo, tomando nossas pobres sementes e fazendo-as desabrochar no seu Reino, vigor, paciência e suavidade.

Um dia, diz Jesus, chegará o momento da colheita. Haverá um fim na história humana, e, então, “todos deveremos comparecer às claras ante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo - do que tiver feito na sua vida corporal” (2Cor 5, 6-10).  Aqui estamos de passagem, vamos semeando o Reino que Jesus trouxe e que Deus mesmo faz crescer; mas, a colheita definitiva não será nesta vida, pois o Reino que começa no tempo e haverá de espraiar-se na eternidade; o Reino que deve fecundar a história somente será pleno e definitivo na glória. Seríamos mais livres, equilibrados, seremos, se recordássemos essa realidade. Teríamos o cuidado de viver de tal modo, que não perdêssemos o Reino pois é possível ficar fora do Reino! Não entrará no Reino quem não permitir que o Reino entre em si. Em certo sentido, não somos nós quem entramos no Reino, mas o Reino que entra em nós! Abrir-se para o Reino, é abrir-se para o Cristo Jesus! Abramo-nos para ele e ele nos abrirá o seu Reino!

Uma última lição de Jesus para nós, hoje: o seu sonho é que todos entrem no seu Reino, naquela casa do Pai, na qual há muitas moradas! É por isso que, na primeira leitura, pousarão todos os pássaros à sombra da ramagem da árvore que é o Messias, e as aves aí farão ninhos. O mesmo Jesus diz do Reino, comparado ao pequeno grão de mostarda que germina e se torna arvora frondosa. Se dermos ouvidos ao Senhor, se aprendermos o compasso do seu coração, experimentaremos a alegria do Reino já nesta vida, com provações, e, um dia, haveremos de saboreá-lo por toda a eternidade!

Senhor Jesus, dá-nos, pois, a graça de abrir as portas do nosso coração e do coração do mundo para o Reino do Pai que anunciaste e inauguraste! Venha o Reino na potência do teu Espírito que habita em nós e no coração da Igreja! E que através de nós, ele se faça sempre mais presente no mundo. Amém.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro