Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/08/2018

14 de Agosto de 2018

Livros do Antigo Testamento (57)

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14 de Agosto de 2018

Livros do Antigo Testamento (57)

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08/06/2018 15:20 - Atualizado em 08/06/2018 15:20

Livros do Antigo Testamento (57) 0

08/06/2018 15:20 - Atualizado em 08/06/2018 15:20

Neste artigo iniciamos o quarto livro do Pentateuco. Trata-se do Livro dos Números. Uma literatura da saga do povo de Deus pelo deserto. Uma visão de conjunto da comunidade escolhida por Deus para a salvação.

Introdução

No primeiro dia do segundo mês, no segundo ano depois da saída do Egito, o Senhor disse a Moisés no deserto do Sinai, na tenda de reunião: Fazei o recenseamento de toda a assembleia dos filhos de Israel segundo suas famílias, suas casas patriarcais, contando nominalmente por cabeça todos os varões da idade de 20 anos para cima, todos os israelitas aptos para o serviço das armas: fareis o recenseamento deles segundo os seus grupos, tu e Aarão. Assistir-vos-á um homem de cada tribo, um chefe da casa de seu pai (Nm 1,1-4).

Integrado no grande bloco da Torá ou Pentateuco, o Livro dos Números recebeu este nome na tradução grega dos Setenta, por abrir com os números do recenseamento do povo hebraico e, depois, apresentar outros recenseamentos ao longo da narrativa (cap. 1-4 e 26).

1. Relacionados com este título podem estar ainda os números das ofertas dos chefes (cap. 7):

Tendo Moisés acabado de levantar o tabernáculo, de ungi-lo e consagrá-lo com todos os seus utensílios, bem como o altar e todos os seus utensílios, que também ungiu e consagrou, os príncipes de Israel, chefes de suas casas patriarcais, os príncipes das tribos que haviam presidido ao recenseamento, apresentaram sua oferta. Levaram-na diante do Senhor: seis carros cobertos e 12 bois, ou seja, um carro para dois príncipes e um boi para cada um; e os ofereceram diante do tabernáculo. Então, o Senhor disse a Moisés: “Recebe-os deles para que sejam empregados no serviço da tenda de reunião, e entrega-os aos levitas segundo as funções de cada um” (Nm 7,1-5).

2. Das ofertas, libações e sacrifícios a oferecer pelo povo (cap. 15 e 28-29):

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: quando entrardes na terra de vossa habitação, que eu vos hei de dar, e oferecerdes ao Senhor algum sacrifício pelo fogo, seja holocausto, seja um simples sacrifício, quer em cumprimento de um voto, quer como oferta espontânea, ou por ocasião de uma festa, para apresentar uma oferta de agradável odor ao Senhor, com vossos bois ou vossas ovelhas, aquele que fizer essa oferta apresentará ao Senhor em oblação um décimo de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo. E, para a libação, acrescentará um quarto de hin de vinho ao holocausto ou ao sacrifício de cada cordeiro. Para um carneiro oferecerás dois décimos de flor de farinha amassada com um terço de hin de óleo, ajuntando uma libação de um terço de hin de vinho, como oferta de agradável odor ao Senhor. Quando ofereceres um touro em holocausto ou em sacrifício, para o cumprimento de um voto ou em sacrifício pacífico ao Senhor, darás com o touro uma oblação de três décimos de flor de farinha amassada com meio hin de óleo (Nm 15, 1-9).

Trata-se, porém, de um livro narrativo com alguns trechos legislativos, que se enlaça com o Êxodo, do qual está literariamente separado pelo código legislativo do Levítico.

2. CONTEÚDO E DIVISÃO

O conteúdo deste livro abrange as peripécias ou vicissitudes da caminhada pelo deserto, desde o Sinai até às margens do rio Jordão, fronteira oriental da Terra Prometida.

No aspecto histórico, a narrativa pode dividir-se em três grandes sequências literárias:

I. No deserto do Sinai (1,1-10,10).

Nos vossos dias de alegria, vossas festas e vossas luas novas, tocareis as trombetas, oferecendo os holocaustos e os sacrifícios pacíficos, e elas vos lembrarão à memória de vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus (Nm 10,10).

Referem-se às ordens de Deus para a caminhada através do deserto com a disposição do acampamento das tribos, os deveres dos levitas e outras leis de carácter ritual.

II. Do Sinai a Moab (10,11-21,35).

Partiram do monte Hor na direção do Mar Vermelho, para contornar a terra de Edom. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento” (Nm 25, 4-5).

Os acontecimentos mais importantes desta segunda parte estão marcados por etapas geográficas, algumas das quais são difíceis de identificar.

Descreve-se a caminhada direta para Cadés-Barnea, mesmo na fronteira sul de Canaã e, depois, a inflexão para oriente e a errância penosa durante 40 anos através do deserto até à chegada a Moab, já na fronteira da Terra Prometida.

No próximo número continuaremos as descrições gerais do Livro dos Números.

1Durante o reinado de Nabucodonosor (1), as Escrituras Sagradas hebraicas foram perdidas, por ocasião do cativeiro imposto ao povo judeu, que em aproximadamente 587 a.C., foi deportado de Jerusalém para a Babilônia. As Escrituras foram novamente constituídas no tempo do Profeta Esdras, durante o reinado de Artaxerxes (cf. Esd 9,38-41). O conjunto de manuscritos hebraicos mais antigos que chegaram até nosso tempo, é conhecido como Texto Massorético. Nesta compilação das Escrituras, o texto foi transcrito com a omissão das vogais. Com origem no séc. VI, o Texto Massorético possui este nome por ter sido desenvolvido por um grupo de judeus conhecidos como Massoretas; que deste então se tornaram os responsáveis em conservar e transmitir o texto bíblico hebraico. Bem anterior ao Texto Massorético, se conservou até nosso tempo, a versão Grega das Escrituras Hebraicas conhecida como Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). Vertida, aproximadamente no séc. III a.C. para grego a partir dos mais antigos manuscritos hebraicos (hoje não mais disponíveis), o valor histórico da Septuaginta é inestimável e de profunda importância para a identificação do Cânon Bíblico Cristão. Cf. http://cleofas.com.br/a-septuaginta-ou-versao-dos-setenta-lxx/

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Livros do Antigo Testamento (57)

08/06/2018 15:20 - Atualizado em 08/06/2018 15:20

Neste artigo iniciamos o quarto livro do Pentateuco. Trata-se do Livro dos Números. Uma literatura da saga do povo de Deus pelo deserto. Uma visão de conjunto da comunidade escolhida por Deus para a salvação.

Introdução

No primeiro dia do segundo mês, no segundo ano depois da saída do Egito, o Senhor disse a Moisés no deserto do Sinai, na tenda de reunião: Fazei o recenseamento de toda a assembleia dos filhos de Israel segundo suas famílias, suas casas patriarcais, contando nominalmente por cabeça todos os varões da idade de 20 anos para cima, todos os israelitas aptos para o serviço das armas: fareis o recenseamento deles segundo os seus grupos, tu e Aarão. Assistir-vos-á um homem de cada tribo, um chefe da casa de seu pai (Nm 1,1-4).

Integrado no grande bloco da Torá ou Pentateuco, o Livro dos Números recebeu este nome na tradução grega dos Setenta, por abrir com os números do recenseamento do povo hebraico e, depois, apresentar outros recenseamentos ao longo da narrativa (cap. 1-4 e 26).

1. Relacionados com este título podem estar ainda os números das ofertas dos chefes (cap. 7):

Tendo Moisés acabado de levantar o tabernáculo, de ungi-lo e consagrá-lo com todos os seus utensílios, bem como o altar e todos os seus utensílios, que também ungiu e consagrou, os príncipes de Israel, chefes de suas casas patriarcais, os príncipes das tribos que haviam presidido ao recenseamento, apresentaram sua oferta. Levaram-na diante do Senhor: seis carros cobertos e 12 bois, ou seja, um carro para dois príncipes e um boi para cada um; e os ofereceram diante do tabernáculo. Então, o Senhor disse a Moisés: “Recebe-os deles para que sejam empregados no serviço da tenda de reunião, e entrega-os aos levitas segundo as funções de cada um” (Nm 7,1-5).

2. Das ofertas, libações e sacrifícios a oferecer pelo povo (cap. 15 e 28-29):

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: quando entrardes na terra de vossa habitação, que eu vos hei de dar, e oferecerdes ao Senhor algum sacrifício pelo fogo, seja holocausto, seja um simples sacrifício, quer em cumprimento de um voto, quer como oferta espontânea, ou por ocasião de uma festa, para apresentar uma oferta de agradável odor ao Senhor, com vossos bois ou vossas ovelhas, aquele que fizer essa oferta apresentará ao Senhor em oblação um décimo de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo. E, para a libação, acrescentará um quarto de hin de vinho ao holocausto ou ao sacrifício de cada cordeiro. Para um carneiro oferecerás dois décimos de flor de farinha amassada com um terço de hin de óleo, ajuntando uma libação de um terço de hin de vinho, como oferta de agradável odor ao Senhor. Quando ofereceres um touro em holocausto ou em sacrifício, para o cumprimento de um voto ou em sacrifício pacífico ao Senhor, darás com o touro uma oblação de três décimos de flor de farinha amassada com meio hin de óleo (Nm 15, 1-9).

Trata-se, porém, de um livro narrativo com alguns trechos legislativos, que se enlaça com o Êxodo, do qual está literariamente separado pelo código legislativo do Levítico.

2. CONTEÚDO E DIVISÃO

O conteúdo deste livro abrange as peripécias ou vicissitudes da caminhada pelo deserto, desde o Sinai até às margens do rio Jordão, fronteira oriental da Terra Prometida.

No aspecto histórico, a narrativa pode dividir-se em três grandes sequências literárias:

I. No deserto do Sinai (1,1-10,10).

Nos vossos dias de alegria, vossas festas e vossas luas novas, tocareis as trombetas, oferecendo os holocaustos e os sacrifícios pacíficos, e elas vos lembrarão à memória de vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus (Nm 10,10).

Referem-se às ordens de Deus para a caminhada através do deserto com a disposição do acampamento das tribos, os deveres dos levitas e outras leis de carácter ritual.

II. Do Sinai a Moab (10,11-21,35).

Partiram do monte Hor na direção do Mar Vermelho, para contornar a terra de Edom. Mas o povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: “Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento” (Nm 25, 4-5).

Os acontecimentos mais importantes desta segunda parte estão marcados por etapas geográficas, algumas das quais são difíceis de identificar.

Descreve-se a caminhada direta para Cadés-Barnea, mesmo na fronteira sul de Canaã e, depois, a inflexão para oriente e a errância penosa durante 40 anos através do deserto até à chegada a Moab, já na fronteira da Terra Prometida.

No próximo número continuaremos as descrições gerais do Livro dos Números.

1Durante o reinado de Nabucodonosor (1), as Escrituras Sagradas hebraicas foram perdidas, por ocasião do cativeiro imposto ao povo judeu, que em aproximadamente 587 a.C., foi deportado de Jerusalém para a Babilônia. As Escrituras foram novamente constituídas no tempo do Profeta Esdras, durante o reinado de Artaxerxes (cf. Esd 9,38-41). O conjunto de manuscritos hebraicos mais antigos que chegaram até nosso tempo, é conhecido como Texto Massorético. Nesta compilação das Escrituras, o texto foi transcrito com a omissão das vogais. Com origem no séc. VI, o Texto Massorético possui este nome por ter sido desenvolvido por um grupo de judeus conhecidos como Massoretas; que deste então se tornaram os responsáveis em conservar e transmitir o texto bíblico hebraico. Bem anterior ao Texto Massorético, se conservou até nosso tempo, a versão Grega das Escrituras Hebraicas conhecida como Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX). Vertida, aproximadamente no séc. III a.C. para grego a partir dos mais antigos manuscritos hebraicos (hoje não mais disponíveis), o valor histórico da Septuaginta é inestimável e de profunda importância para a identificação do Cânon Bíblico Cristão. Cf. http://cleofas.com.br/a-septuaginta-ou-versao-dos-setenta-lxx/

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica