Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/10/2018

19 de Outubro de 2018

Todos somos chamados a colaborar para a santificação do mundo

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Todos somos chamados a colaborar para a santificação do mundo 0

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No Brasil, como já é do conhecimento de muitos, celebra-se o Ano do Laicato, ou seja, uma iniciativa que busca promover o conhecimento por parte dos leigos do seu papel como “povo de Deus” dentro deste corpo de Cristo que é a Igreja. Os cristãos leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja; e devem ter uma consciência clara, não somente de pertencerem à Igreja, mas de “serem e sentirem com a Igreja”, isto é, a comunidade dos fiéis na terra em unidade com o Santo Padre, o Papa, e em comunhão com seus bispos. Juntos, como a Igreja.1

Primeiro se faz necessária a explicação primária do que é o leigo, pois a grande maioria de leigos concebe esta terminologia como uma pessoa desconhecedora de um determinado assunto. Laicato é um conjunto de leigos, que em tese são todos os fiéis de uma religião que não pertencem ao clero. O termo leigo deriva do grego λαϊκός (laikós, um do povo), com a raiz λαός (laós – povo). Resumindo, no catolicismo romano a terminologia ‘leigos’ indica pessoas que não fazem parte do “clero”, ou seja, não foram ordenadas diáconos, padres ou bispos.

Na História da Idade Média, se falava às vezes da participação dos leigos na vida da Igreja, mas com esta expressão se fazia referência à influência, mais ou menos forte, que as autoridades seculares (príncipes, condes, prefeitos, o Sacro Romano Imperador etc) podia exercitar sobre algumas atividades eclesiásticas. Ainda na Idade Média, em todos os momentos, existiam formas organizadas de vida cristã tipicamente laical, como as “terceiras ordens”, os movimentos de “beghini e begards” (são os nomes que, a partir do século XIII, foram usados para indicar membros de associações religiosas formadas fora da estrutura hierárquica da Igreja Católica, com o objetivo de um renascimento espiritual da pessoa através de uma vida monástica sem votos), as irmandades (formas de cristianismo leigo que durou muitos séculos) e hoje semelhantes às diversas associações e movimentos católicos.

Com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica repensou a vocação específica dos leigos e o seu chamado no mundo. Os leigos têm a vocação própria de buscar o Reino de Deus, ou seja, direcionar  a sua vida cotidiana, as suas realidades, para Deus. A principal missão é de viver no mundo, ou seja, nas ocupações e atividades terrenas, em suas vocações específicas e ordinárias da vida familiar e social. Os leigos são chamados para viverem aí, exercendo o seu trabalho, dando testemunhos guiados pelo espírito cristão, colaborando para a santificação do mundo a partir de dentro, “como fermento”, manifestando com a própria vida Cristo aos outros. (Cf. Lumen Gentium).

Hoje se deve considerar superada a visão que colocava os leigos em condições de inferioridade – como se fosse uma massa de destinatários e clientes de ações pastorais – favorecida daquelas formas históricas e culturais de “clericalismo” que impregnaram o rosto da Igreja Católica, sobretudo na fase do tardio-tridentino, em reação às constantes críticas da “Reforma Protestante” e do “Iluminismo”. A resposta reativa de definir os leigos em oposição ao clero e aos religiosos, acentuando a específica autonomia, levou, na primeira fase depois do Concílio, a conceber e atuar os seus protagonismos como busca e redistribuição de espaços, direitos e poderes, dando lugar a não poucas tensões, contestações e conflitos no seio da estrutura eclesial. Não foi uma boa tradução dos ensinamentos conciliares, nem das suas fiéis atuações, nem das tendências que levaram a uma “secularização dos clérigos” e a uma “clericalização dos leigos”. Enfim, foi também enganosa, longe da realidade, até mesmo a ideia de uma “promoção dos leigos” que reduziu a importância do sacerdócio ministerial e levou a considerar mais a responsabilidade dos leigos em preencher as lacunas causadas pela escassez de padres, como se fosse uma mera troca de funções.

É fundamental, porém, que tendo como fundo a pertença batismal comum de todos os christifideles, em que comum é a dignidade dos membros (...), comum à graça dos filhos, comum à vocação a perfeição, uma só salvação, uma só esperança e inseparável à caridade, se tenha clareza, seja a nível teológico que na prática pastoral, a diferença entre sacerdócio universal dos fiéis e sacerdócio ministerial, tantos radicados no único sacerdócio da nova e eterna aliança, ou seja, no sacerdócio de Cristo, mas com modalidades essencialmente diversas. Eles são “ordenados uns aos outros” (cf. LG) na comunidade orgânica e hierárquica que é a Igreja, fundada e sempre renovada nos dons sacramentais e carismáticos coessenciais, enriquecidos por diferentes ministérios, estados de vida e tarefas.

Na vida da Igreja e para que a evangelização seja sempre mais fecunda, sem divisões, concorrências e medos, os fiéis devem sentir vivamente o desejo de santos pastores e, que por sua vez, necessita da oração e do apoio dos fiéis leigos para um eclesial e verdadeiro testemunho, ressaltando a variedade admirável dos membros desta Igreja, na qual todos estamos inseridos por meio do Batismo. Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (cfr. 2 Ped. 1,1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo. (Lumen Gentium)

1 Cardeal Orani João Tempesta;

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10/06/2018 00:00

No Brasil, como já é do conhecimento de muitos, celebra-se o Ano do Laicato, ou seja, uma iniciativa que busca promover o conhecimento por parte dos leigos do seu papel como “povo de Deus” dentro deste corpo de Cristo que é a Igreja. Os cristãos leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja; e devem ter uma consciência clara, não somente de pertencerem à Igreja, mas de “serem e sentirem com a Igreja”, isto é, a comunidade dos fiéis na terra em unidade com o Santo Padre, o Papa, e em comunhão com seus bispos. Juntos, como a Igreja.1

Primeiro se faz necessária a explicação primária do que é o leigo, pois a grande maioria de leigos concebe esta terminologia como uma pessoa desconhecedora de um determinado assunto. Laicato é um conjunto de leigos, que em tese são todos os fiéis de uma religião que não pertencem ao clero. O termo leigo deriva do grego λαϊκός (laikós, um do povo), com a raiz λαός (laós – povo). Resumindo, no catolicismo romano a terminologia ‘leigos’ indica pessoas que não fazem parte do “clero”, ou seja, não foram ordenadas diáconos, padres ou bispos.

Na História da Idade Média, se falava às vezes da participação dos leigos na vida da Igreja, mas com esta expressão se fazia referência à influência, mais ou menos forte, que as autoridades seculares (príncipes, condes, prefeitos, o Sacro Romano Imperador etc) podia exercitar sobre algumas atividades eclesiásticas. Ainda na Idade Média, em todos os momentos, existiam formas organizadas de vida cristã tipicamente laical, como as “terceiras ordens”, os movimentos de “beghini e begards” (são os nomes que, a partir do século XIII, foram usados para indicar membros de associações religiosas formadas fora da estrutura hierárquica da Igreja Católica, com o objetivo de um renascimento espiritual da pessoa através de uma vida monástica sem votos), as irmandades (formas de cristianismo leigo que durou muitos séculos) e hoje semelhantes às diversas associações e movimentos católicos.

Com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica repensou a vocação específica dos leigos e o seu chamado no mundo. Os leigos têm a vocação própria de buscar o Reino de Deus, ou seja, direcionar  a sua vida cotidiana, as suas realidades, para Deus. A principal missão é de viver no mundo, ou seja, nas ocupações e atividades terrenas, em suas vocações específicas e ordinárias da vida familiar e social. Os leigos são chamados para viverem aí, exercendo o seu trabalho, dando testemunhos guiados pelo espírito cristão, colaborando para a santificação do mundo a partir de dentro, “como fermento”, manifestando com a própria vida Cristo aos outros. (Cf. Lumen Gentium).

Hoje se deve considerar superada a visão que colocava os leigos em condições de inferioridade – como se fosse uma massa de destinatários e clientes de ações pastorais – favorecida daquelas formas históricas e culturais de “clericalismo” que impregnaram o rosto da Igreja Católica, sobretudo na fase do tardio-tridentino, em reação às constantes críticas da “Reforma Protestante” e do “Iluminismo”. A resposta reativa de definir os leigos em oposição ao clero e aos religiosos, acentuando a específica autonomia, levou, na primeira fase depois do Concílio, a conceber e atuar os seus protagonismos como busca e redistribuição de espaços, direitos e poderes, dando lugar a não poucas tensões, contestações e conflitos no seio da estrutura eclesial. Não foi uma boa tradução dos ensinamentos conciliares, nem das suas fiéis atuações, nem das tendências que levaram a uma “secularização dos clérigos” e a uma “clericalização dos leigos”. Enfim, foi também enganosa, longe da realidade, até mesmo a ideia de uma “promoção dos leigos” que reduziu a importância do sacerdócio ministerial e levou a considerar mais a responsabilidade dos leigos em preencher as lacunas causadas pela escassez de padres, como se fosse uma mera troca de funções.

É fundamental, porém, que tendo como fundo a pertença batismal comum de todos os christifideles, em que comum é a dignidade dos membros (...), comum à graça dos filhos, comum à vocação a perfeição, uma só salvação, uma só esperança e inseparável à caridade, se tenha clareza, seja a nível teológico que na prática pastoral, a diferença entre sacerdócio universal dos fiéis e sacerdócio ministerial, tantos radicados no único sacerdócio da nova e eterna aliança, ou seja, no sacerdócio de Cristo, mas com modalidades essencialmente diversas. Eles são “ordenados uns aos outros” (cf. LG) na comunidade orgânica e hierárquica que é a Igreja, fundada e sempre renovada nos dons sacramentais e carismáticos coessenciais, enriquecidos por diferentes ministérios, estados de vida e tarefas.

Na vida da Igreja e para que a evangelização seja sempre mais fecunda, sem divisões, concorrências e medos, os fiéis devem sentir vivamente o desejo de santos pastores e, que por sua vez, necessita da oração e do apoio dos fiéis leigos para um eclesial e verdadeiro testemunho, ressaltando a variedade admirável dos membros desta Igreja, na qual todos estamos inseridos por meio do Batismo. Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (cfr. 2 Ped. 1,1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo. (Lumen Gentium)

1 Cardeal Orani João Tempesta;

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé