Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/08/2018

14 de Agosto de 2018

Dia do Senhor

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14 de Agosto de 2018

Dia do Senhor

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02/06/2018 00:00 - Atualizado em 04/06/2018 09:57

Dia do Senhor 0

02/06/2018 00:00 - Atualizado em 04/06/2018 09:57

Estamos vivendo neste final de semana o nono domingo do tempo comum. A liturgia fala que Jesus torna visível a face do Deus criador e libertador, ápice da fé de Israel e da experiência religiosa daquele povo. Essa experiência tão profunda era celebrada e revivida a cada sábado. Mas, com o passar do tempo, o descanso sabático ficou marcado pelo ritualismo e legalismo. Então Jesus veio dar o verdadeiro sentido ao dia de descanso e demonstrar que Ele é maior que o sábado.

A primeira leitura (Dt 5,12-15) mostra que o Sábado é dia de descanso e de estar com o Senhor que libertou o seu povo da escravidão e quer alimentar nossa vida de filhos adotivos de Deus. É dia de ação de graças pela semana que passou! Na leitura, vemos que o sábado é o elo entre eternidade e tempo, porque, voltando-se totalmente para Deus no louvor sabático, o israelita dava um sentido de eternidade a toda ação temporal. No sábado se santificava tudo que estava dentro do tempo. No sábado a humanidade aproximava a criação inteira do seu Criador. O ser humano, consciência da criação, representava todas as obras de Deus e, em nome delas, louvava o Criador. O sábado era uma liberdade para o culto e para um novo modo de relações sociais e ecológicas. No sábado o servo descansava igual ao patrão, o animal igual ao ser humano. E este entrava no repouso de Deus, na intimidade com o Criador-libertador, ambos como sujeitos livres, numa relação de amor, a qual somente é possível entre iguais, entre sujeitos livres. Por isso Deus o libertou, para que pudessem relacionar-se face a face, livremente, dando e recebendo amor.

Na segunda leitura (2Cor 4,6-11) demonstra que o sofrimento é fruto do pecado, mas Jesus nos quer parceiros de sua Cruz para a salvação do mundo. Pela Cruz, Jesus chegou à glória. Este é o caminho. Sabemos que sem as luzes de Deus vindas por intermédio do Cristo, o ser humano frágil jamais conseguiria suportar semelhante pressão, uma vida como a acima, descrita com termos tão fortes. Por isso o apóstolo reconhece a própria fragilidade, que é uma situação existencial humana da qual todos são partícipes, e ele não é uma exceção. Somos vasos de barro, somos frágeis. Mas as luzes de Deus em nós nos tornam capazes de participar da cruz de Cristo para sermos realmente livres como ressuscitados. Livres de toda dor, de todo sofrimento, do pecado e da morte. “Pois para a liberdade Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

O Evangelho (Mc 2,23-3,6)  ressalta que no sábado, o povo de Israel recordava que Deus havia posto um fim à escravidão do Egito. Era tempo de celebrar a libertação. O povo de Israel havia recebido a liberdade para a renovação social e ecológica, pois todos descansavam (ricos e pobres, escravos e livres, ser humano e natureza). Mas, principalmente, liberdade para o culto. Para Jesus, a libertação e liberdade celebradas no descanso sabático são sinais da ressurreição e do mundo futuro; por isso, ele restaura a saúde e a dignidade das pessoas em dia de sábado.

O sábado tem sentido de descanso semanal, no qual refazemos nossas forças físicas e espirituais. Moisés reivindica o descanso semanal para um povo escravo e explorado no Egito, invocando a justificativa que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O descanso semanal não é apenas descanso físico; é, prioritariamente, um descanso espiritual: agradecer e louvar a Deus que libertou o Povo de Israel da escravidão egípcia e a nós, da escravidão moderna! O Sábado, para os cristãos é o primeiro dia da semana, ou seja, o Domingo, quando Jesus Ressuscitou e começou o oitavo dia nesse “Dia do Senhor e para o Senhor!”.

O Sábado é para o homem e não o contrário. Os judeus cercaram o sábado de mil leis protetoras, escravizando o homem que nem podia preparar sua própria refeição sabática ou dominical! E nem mesmo se podia praticar o bem em favor de um necessitado! Jesus, porém, cura em dia de sábado, perdoa em dia de sábado e enche de alegria o coração dos pobres enfermos e paralíticos socorridos em suas enfermidades em dia de sábado!

Contudo, em algumas das vezes o homem moderno não sabe o que fazer no dia de descanso dominical; por isso, enche a geladeira de bebida e frequenta lugares nada santos para se divertir! O domingo é dia de participar da missa, de rezar com a comunidade e a família, de descansar no Senhor. Infelizmente o dia do Senhor tem perdido sua importância! Quando a fé desaparece, a alma morre à míngua! O pecado escraviza; mas a virtude enriquece e liberta! As comunidades cristãs transferiram o dia do Senhor para o primeiro dia da semana porque foi neste dia que Jesus ressuscitou. A ressurreição de Jesus realiza o propósito desejado do sábado. Nela nos tornamos livres do pecado e da morte.

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Dia do Senhor

02/06/2018 00:00 - Atualizado em 04/06/2018 09:57

Estamos vivendo neste final de semana o nono domingo do tempo comum. A liturgia fala que Jesus torna visível a face do Deus criador e libertador, ápice da fé de Israel e da experiência religiosa daquele povo. Essa experiência tão profunda era celebrada e revivida a cada sábado. Mas, com o passar do tempo, o descanso sabático ficou marcado pelo ritualismo e legalismo. Então Jesus veio dar o verdadeiro sentido ao dia de descanso e demonstrar que Ele é maior que o sábado.

A primeira leitura (Dt 5,12-15) mostra que o Sábado é dia de descanso e de estar com o Senhor que libertou o seu povo da escravidão e quer alimentar nossa vida de filhos adotivos de Deus. É dia de ação de graças pela semana que passou! Na leitura, vemos que o sábado é o elo entre eternidade e tempo, porque, voltando-se totalmente para Deus no louvor sabático, o israelita dava um sentido de eternidade a toda ação temporal. No sábado se santificava tudo que estava dentro do tempo. No sábado a humanidade aproximava a criação inteira do seu Criador. O ser humano, consciência da criação, representava todas as obras de Deus e, em nome delas, louvava o Criador. O sábado era uma liberdade para o culto e para um novo modo de relações sociais e ecológicas. No sábado o servo descansava igual ao patrão, o animal igual ao ser humano. E este entrava no repouso de Deus, na intimidade com o Criador-libertador, ambos como sujeitos livres, numa relação de amor, a qual somente é possível entre iguais, entre sujeitos livres. Por isso Deus o libertou, para que pudessem relacionar-se face a face, livremente, dando e recebendo amor.

Na segunda leitura (2Cor 4,6-11) demonstra que o sofrimento é fruto do pecado, mas Jesus nos quer parceiros de sua Cruz para a salvação do mundo. Pela Cruz, Jesus chegou à glória. Este é o caminho. Sabemos que sem as luzes de Deus vindas por intermédio do Cristo, o ser humano frágil jamais conseguiria suportar semelhante pressão, uma vida como a acima, descrita com termos tão fortes. Por isso o apóstolo reconhece a própria fragilidade, que é uma situação existencial humana da qual todos são partícipes, e ele não é uma exceção. Somos vasos de barro, somos frágeis. Mas as luzes de Deus em nós nos tornam capazes de participar da cruz de Cristo para sermos realmente livres como ressuscitados. Livres de toda dor, de todo sofrimento, do pecado e da morte. “Pois para a liberdade Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

O Evangelho (Mc 2,23-3,6)  ressalta que no sábado, o povo de Israel recordava que Deus havia posto um fim à escravidão do Egito. Era tempo de celebrar a libertação. O povo de Israel havia recebido a liberdade para a renovação social e ecológica, pois todos descansavam (ricos e pobres, escravos e livres, ser humano e natureza). Mas, principalmente, liberdade para o culto. Para Jesus, a libertação e liberdade celebradas no descanso sabático são sinais da ressurreição e do mundo futuro; por isso, ele restaura a saúde e a dignidade das pessoas em dia de sábado.

O sábado tem sentido de descanso semanal, no qual refazemos nossas forças físicas e espirituais. Moisés reivindica o descanso semanal para um povo escravo e explorado no Egito, invocando a justificativa que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O descanso semanal não é apenas descanso físico; é, prioritariamente, um descanso espiritual: agradecer e louvar a Deus que libertou o Povo de Israel da escravidão egípcia e a nós, da escravidão moderna! O Sábado, para os cristãos é o primeiro dia da semana, ou seja, o Domingo, quando Jesus Ressuscitou e começou o oitavo dia nesse “Dia do Senhor e para o Senhor!”.

O Sábado é para o homem e não o contrário. Os judeus cercaram o sábado de mil leis protetoras, escravizando o homem que nem podia preparar sua própria refeição sabática ou dominical! E nem mesmo se podia praticar o bem em favor de um necessitado! Jesus, porém, cura em dia de sábado, perdoa em dia de sábado e enche de alegria o coração dos pobres enfermos e paralíticos socorridos em suas enfermidades em dia de sábado!

Contudo, em algumas das vezes o homem moderno não sabe o que fazer no dia de descanso dominical; por isso, enche a geladeira de bebida e frequenta lugares nada santos para se divertir! O domingo é dia de participar da missa, de rezar com a comunidade e a família, de descansar no Senhor. Infelizmente o dia do Senhor tem perdido sua importância! Quando a fé desaparece, a alma morre à míngua! O pecado escraviza; mas a virtude enriquece e liberta! As comunidades cristãs transferiram o dia do Senhor para o primeiro dia da semana porque foi neste dia que Jesus ressuscitou. A ressurreição de Jesus realiza o propósito desejado do sábado. Nela nos tornamos livres do pecado e da morte.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro