Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 14º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/08/2018

14 de Agosto de 2018

Alimentados por Cristo, caminhemos

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Alimentados por Cristo, caminhemos

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31/05/2018 00:00

Alimentados por Cristo, caminhemos 0

31/05/2018 00:00

A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

Em nossa Arquidiocese a grande festa é precedida pela Semana Eucarística há 92 anos, sempre celebrada no Santuário de Adoração Eucaristica, a Igreja Matriz da Paróquia de Santana (co-padroeira da Arquidiocese) no Centro da Cidade. Durante a semana as pastorais, os movimentos, o clero, o seminário, os grupos de serviços, enfim, todos de nossa arquidiocese se sucedem na hora santa eucarística nesse Santuário preparando a grande festa da Eucaristia e rezando nas intenções da Igreja. Cada ano um tema norteia a reflexão e a oração. Neste ano foi escolhido o tema: “Com a força deste alimento, caminhemos” (1Reis 19.8), recordando a necessidade prosseguirmos adiante em nossa caminhada mesmo com as dificuldades inerentes dos tempos atuais, porém, alimentado por Jesus Cristo Eucarístico.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liége, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que inspirada em uma revelação particular, anunciou que Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.  Antes da morte de Santa Juliana, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liége, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica,

Outro fato aconteceu nesse mesmo século quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, diante da relíquia eucarística teria pronunciado as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Na liturgia da Missa temos uma bela sequência que merece ser não só cantada, como meditada profundamente. O Papa era um arcediago de Liége e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”.  Essa festa foi difundida por todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é aquela que o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em nossa Arquidiocese essa procissão sairá, após a oração das 15hs na Igreja da Candelária, rumo à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Para ela conto com a participação de todo o povo católico de nossa Arquidiocese unindo-nos nesta grande festa de unidade em torno a Cristo Eucarístico que marcha conosco. Será uma importante manifestação da Igreja no centro histórico dessa cidade que tanto necessita de boas notícias.

Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. É o símbolo de nossas vidas que devem estar prontas para acolher e levar Jesus Cristo pelas ruas de nossas cidades.

Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece a procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Jesus, naquela noite, sai e se entrega a morte e, precisamente assim, vence a noite, vence as trevas do mal. O dom da Eucaristia, instituída no Cenáculo, encontra assim o seu cumprimento: Jesus entrega o seu corpo e o seu sangue. Atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos. A carne torna-se pão de vida.

Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja, orante, sente um desejo profundo de vigiar com Jesus durante a noite como ocorre em nossas igrejas.

Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. O Senhor ressuscitou e precedeu-nos. A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à “via crucis”. A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações. Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade.

O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo na Eucaristia pelas ruas de nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias esteja penetrada da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida, em especial a certeza de um tempo novo de paz, unidade e fraternidade, tão importante e necessário nestes tempos sombrios. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo o raio da sua bênção abranja todos nós!


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31/05/2018 00:00

A Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

Em nossa Arquidiocese a grande festa é precedida pela Semana Eucarística há 92 anos, sempre celebrada no Santuário de Adoração Eucaristica, a Igreja Matriz da Paróquia de Santana (co-padroeira da Arquidiocese) no Centro da Cidade. Durante a semana as pastorais, os movimentos, o clero, o seminário, os grupos de serviços, enfim, todos de nossa arquidiocese se sucedem na hora santa eucarística nesse Santuário preparando a grande festa da Eucaristia e rezando nas intenções da Igreja. Cada ano um tema norteia a reflexão e a oração. Neste ano foi escolhido o tema: “Com a força deste alimento, caminhemos” (1Reis 19.8), recordando a necessidade prosseguirmos adiante em nossa caminhada mesmo com as dificuldades inerentes dos tempos atuais, porém, alimentado por Jesus Cristo Eucarístico.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liége, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que inspirada em uma revelação particular, anunciou que Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.  Antes da morte de Santa Juliana, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liége, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica,

Outro fato aconteceu nesse mesmo século quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia São Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, diante da relíquia eucarística teria pronunciado as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Na liturgia da Missa temos uma bela sequência que merece ser não só cantada, como meditada profundamente. O Papa era um arcediago de Liége e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”.  Essa festa foi difundida por todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é aquela que o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em nossa Arquidiocese essa procissão sairá, após a oração das 15hs na Igreja da Candelária, rumo à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Para ela conto com a participação de todo o povo católico de nossa Arquidiocese unindo-nos nesta grande festa de unidade em torno a Cristo Eucarístico que marcha conosco. Será uma importante manifestação da Igreja no centro histórico dessa cidade que tanto necessita de boas notícias.

Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. É o símbolo de nossas vidas que devem estar prontas para acolher e levar Jesus Cristo pelas ruas de nossas cidades.

Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece a procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Jesus, naquela noite, sai e se entrega a morte e, precisamente assim, vence a noite, vence as trevas do mal. O dom da Eucaristia, instituída no Cenáculo, encontra assim o seu cumprimento: Jesus entrega o seu corpo e o seu sangue. Atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos. A carne torna-se pão de vida.

Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja, orante, sente um desejo profundo de vigiar com Jesus durante a noite como ocorre em nossas igrejas.

Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. O Senhor ressuscitou e precedeu-nos. A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à “via crucis”. A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações. Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade.

O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo na Eucaristia pelas ruas de nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias esteja penetrada da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida, em especial a certeza de um tempo novo de paz, unidade e fraternidade, tão importante e necessário nestes tempos sombrios. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo o raio da sua bênção abranja todos nós!


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro