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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/06/2018

21 de Junho de 2018

Corpus Christi

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27/05/2018 00:00

A Itália é um país que conserva grandes preciosidades históricas, artísticas e religiosas. Nas menores cidades desta nação pode ser encontrado um grande relato de algum fato importante que tenha marcada a história da Humanidade, um grande tesouro artístico de valor inestimável e não menos importante, fatos religiosos que ajudam a reviver e fortalecer a fé cristã. Quantos artistas renomados como Michelangelo, Rembrandt, Leonardo da Vinci, Bernini e outros. Quantos santos sepultados neste país. Quantas ruas e praças serviram de cenários para momentos únicos para o cristianismo. Quantas catedrais e igrejas nos recordam do sagrado a quase cada esquina. Esta é a Itália, um patrimônio artístico, histórico e religioso.

Dentre todas as belezas deste país, quero destacar aqui a Catedral de Orvieto. É uma das mais belas catedrais da Itália e do mundo. A sua construção teve início em 1290 e foi fortemente desejada, seja pela Igreja, seja pela prefeitura da cidade. Ela se apresenta como uma magnífica construção que junta diversos estilos arquitetônicos. Em particular se pode definir um maravilhoso equilíbrio de estilos góticos e românicos.

Este editorial não é sobre as belezas italianas, mesmo que sejam muitas, mas de um fato histórico que aconteceu em 1263 próximo a Orvieto. Falamos do milagre eucarístico de Bolsena, que deu origem a Festa de Corpus Domini (Corpo do Senhor), ou como conhecemos Corpus Christi.

A história nos conta que um sacerdote, em uma peregrinação em direção a Roma, parou em Bolsena para rezar a missa, e no momento da Consagração Eucarística, no momento de partir a hóstia, foi invadido de uma dúvida se realmente naquele pão estaria verdadeiramente o Corpo de Cristo. Para dissipar as suas dúvidas, da hóstia caíram algumas gotas de sangue que mancharam o branco corporal de linho (que atualmente está conservado na belíssima capela do corporal na Catedral de Orvieto) e algumas pedras do altar (guardadas em preciosas custódias na Basílica de Santa Cristina).

Quando o Papa Urbano IV soube do acontecido, instituiu a Festa de Corpus Christi, estendendo a toda cristandade. A data da sua celebração foi fixada na quinta-feira seguinte ao primeiro domingo depois de Pentecostes (60 dias depois da Páscoa). Assim, no dia 11 de agosto de 1264, o Papa promulgou a Bula “Transiturus”, que instituiu para a toda a cristandade a Festa de Corpus Christi. Mas e a procissão? Como surgiu? Algumas semanas antes de promulgar este importante ato, no dia 19 de junho, o mesmo Papa participou, junto a numerosos cardeais, bispos, sacerdotes de diversas partes e uma multidão de fiéis, de uma solene procissão com a qual o Sagrado Corporal manchado do Sangue de Cristo tinha ido pelas ruas da cidade. Desde então, todos os anos em Orvieto, o domingo depois do feriado de Corpus Christi, o Corporal do Milagre de Bolsena, fechado em um precioso relicário, é levado solenemente em uma procissão pelas ruas da cidade, seguindo um percurso que passa por todos os quarteirões e todos os lugares mais significativos do lugar.

O Corpus Christi é celebrado às quintas-feiras após a Festa da Santíssima Trindade. Em Orvieto, onde foi estabelecida, e em Roma, onde é presidida pelo Papa, a celebração acontece na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade. Em Roma, a celebração começa na Catedral de São João de Latrão, e depois termina com a tradicional procissão até a Basílica de Santa Maria Maior; o Santo Padre preside como bispo de Roma. Na mesma data é celebrado nos países onde a solenidade é também um feriado civil, como na Suíça, na Espanha, na Alemanha, Irlanda, Croácia, Polônia, Portugal, Brasil, Áustria e San Marino. No Rio de Janeiro a procissão se concentra, tradicionalmente, às 15h, na Igreja da Candelária, no centro da cidade. Após a Oração das Vésperas, o arcebispo, junto aos bispos auxiliares, sacerdotes, religiosos e todos os fiéis, seguem em procissão até a Catedral de São Sebastião, onde se recebe a bênção do Santíssimo.

Celebrar esta festa é mergulhar no Mistério da nossa Salvação, é agradecer a Deus pelo sustento da Eucaristia em nossas jornadas diárias. Cristo não é somente um evento histórico, mas a resposta de todos os nossos anseios. Ele é quem nos mostra a nossa estrada e, ao mesmo tempo, caminha conosco. Um caminho que não se faz só, mas na Igreja e com a Igreja, neste mundo repleto de desafios, bem como nos recordou Dom Orani no Corpus Christi do ano de 2017: “Esse é o alimento dado pelo Senhor para caminharmos no deserto da vida. Celebramos o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição a cada missa, a qual somos chamados a mergulhar e viver. Porém, participar do Corpo e Sangue de Cristo é também se preocupar com os demais irmãos que sofrem, principalmente neste atual momento do país. Portanto, ao rezar pelo Brasil, rezemos também por todos os nossos irmãos”.

Hoje mais do que nunca é necessário o testemunho da nossa vivência de fé. Não basta somente dizer “sim Senhor eu creio”, mas é preciso participar e peregrinar, juntos com os que neste dia, em todas as partes do mundo, renderão glórias e louvores a Cristo presente na Eucaristia, lutando com esta mesma Graça contra todo tipo de mal que tenta perder os filhos de Deus. Coragem, “com a força deste alimento, caminhemos” (1Reis 19,8).

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Corpus Christi

27/05/2018 00:00

A Itália é um país que conserva grandes preciosidades históricas, artísticas e religiosas. Nas menores cidades desta nação pode ser encontrado um grande relato de algum fato importante que tenha marcada a história da Humanidade, um grande tesouro artístico de valor inestimável e não menos importante, fatos religiosos que ajudam a reviver e fortalecer a fé cristã. Quantos artistas renomados como Michelangelo, Rembrandt, Leonardo da Vinci, Bernini e outros. Quantos santos sepultados neste país. Quantas ruas e praças serviram de cenários para momentos únicos para o cristianismo. Quantas catedrais e igrejas nos recordam do sagrado a quase cada esquina. Esta é a Itália, um patrimônio artístico, histórico e religioso.

Dentre todas as belezas deste país, quero destacar aqui a Catedral de Orvieto. É uma das mais belas catedrais da Itália e do mundo. A sua construção teve início em 1290 e foi fortemente desejada, seja pela Igreja, seja pela prefeitura da cidade. Ela se apresenta como uma magnífica construção que junta diversos estilos arquitetônicos. Em particular se pode definir um maravilhoso equilíbrio de estilos góticos e românicos.

Este editorial não é sobre as belezas italianas, mesmo que sejam muitas, mas de um fato histórico que aconteceu em 1263 próximo a Orvieto. Falamos do milagre eucarístico de Bolsena, que deu origem a Festa de Corpus Domini (Corpo do Senhor), ou como conhecemos Corpus Christi.

A história nos conta que um sacerdote, em uma peregrinação em direção a Roma, parou em Bolsena para rezar a missa, e no momento da Consagração Eucarística, no momento de partir a hóstia, foi invadido de uma dúvida se realmente naquele pão estaria verdadeiramente o Corpo de Cristo. Para dissipar as suas dúvidas, da hóstia caíram algumas gotas de sangue que mancharam o branco corporal de linho (que atualmente está conservado na belíssima capela do corporal na Catedral de Orvieto) e algumas pedras do altar (guardadas em preciosas custódias na Basílica de Santa Cristina).

Quando o Papa Urbano IV soube do acontecido, instituiu a Festa de Corpus Christi, estendendo a toda cristandade. A data da sua celebração foi fixada na quinta-feira seguinte ao primeiro domingo depois de Pentecostes (60 dias depois da Páscoa). Assim, no dia 11 de agosto de 1264, o Papa promulgou a Bula “Transiturus”, que instituiu para a toda a cristandade a Festa de Corpus Christi. Mas e a procissão? Como surgiu? Algumas semanas antes de promulgar este importante ato, no dia 19 de junho, o mesmo Papa participou, junto a numerosos cardeais, bispos, sacerdotes de diversas partes e uma multidão de fiéis, de uma solene procissão com a qual o Sagrado Corporal manchado do Sangue de Cristo tinha ido pelas ruas da cidade. Desde então, todos os anos em Orvieto, o domingo depois do feriado de Corpus Christi, o Corporal do Milagre de Bolsena, fechado em um precioso relicário, é levado solenemente em uma procissão pelas ruas da cidade, seguindo um percurso que passa por todos os quarteirões e todos os lugares mais significativos do lugar.

O Corpus Christi é celebrado às quintas-feiras após a Festa da Santíssima Trindade. Em Orvieto, onde foi estabelecida, e em Roma, onde é presidida pelo Papa, a celebração acontece na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade. Em Roma, a celebração começa na Catedral de São João de Latrão, e depois termina com a tradicional procissão até a Basílica de Santa Maria Maior; o Santo Padre preside como bispo de Roma. Na mesma data é celebrado nos países onde a solenidade é também um feriado civil, como na Suíça, na Espanha, na Alemanha, Irlanda, Croácia, Polônia, Portugal, Brasil, Áustria e San Marino. No Rio de Janeiro a procissão se concentra, tradicionalmente, às 15h, na Igreja da Candelária, no centro da cidade. Após a Oração das Vésperas, o arcebispo, junto aos bispos auxiliares, sacerdotes, religiosos e todos os fiéis, seguem em procissão até a Catedral de São Sebastião, onde se recebe a bênção do Santíssimo.

Celebrar esta festa é mergulhar no Mistério da nossa Salvação, é agradecer a Deus pelo sustento da Eucaristia em nossas jornadas diárias. Cristo não é somente um evento histórico, mas a resposta de todos os nossos anseios. Ele é quem nos mostra a nossa estrada e, ao mesmo tempo, caminha conosco. Um caminho que não se faz só, mas na Igreja e com a Igreja, neste mundo repleto de desafios, bem como nos recordou Dom Orani no Corpus Christi do ano de 2017: “Esse é o alimento dado pelo Senhor para caminharmos no deserto da vida. Celebramos o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição a cada missa, a qual somos chamados a mergulhar e viver. Porém, participar do Corpo e Sangue de Cristo é também se preocupar com os demais irmãos que sofrem, principalmente neste atual momento do país. Portanto, ao rezar pelo Brasil, rezemos também por todos os nossos irmãos”.

Hoje mais do que nunca é necessário o testemunho da nossa vivência de fé. Não basta somente dizer “sim Senhor eu creio”, mas é preciso participar e peregrinar, juntos com os que neste dia, em todas as partes do mundo, renderão glórias e louvores a Cristo presente na Eucaristia, lutando com esta mesma Graça contra todo tipo de mal que tenta perder os filhos de Deus. Coragem, “com a força deste alimento, caminhemos” (1Reis 19,8).

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé