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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (54)

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21 de Outubro de 2018

Livros do Antigo Testamento (54)

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18/05/2018 14:54 - Atualizado em 18/05/2018 14:56

Livros do Antigo Testamento (54) 0

18/05/2018 14:54 - Atualizado em 18/05/2018 14:56

Neste artigo trataremos do código de pureza de novo à tona para completar alguns aspectos que orientam este código. A vida sexual, a ética, o comportamento entre homens e mulheres, a procriação, entre outros temas, são cobertos pela ação purificadora de Deus. Trata-se dos capítulos 12 e 15 do Levítico.

Código da pureza ritual

A purificação da mulher que dá à luz (12)

A impureza sexual (15).

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: 2.quando uma mulher der à luz um menino será impura durante sete dias, como nos dias de sua menstruação. 3.No oitavo dia far-se-á a circuncisão do menino. 4.Ela ficará ainda 33 dias no sangue de sua purificação; não tocará coisa alguma santa, e não irá ao santuário até que se acabem os dias de sua purificação. 5.Se ela der á luz uma menina, será impura durante duas semanas, como nos dias de sua menstruação, e ficará 66 dias no sangue de sua purificação. 6.Cumpridos esses dias, por um filho ou por uma filha, apresentará ao sacerdote, à entrada da tenda de reunião, um cordeiro de um ano em holocausto, e um pombinho ou uma rola em sacrifícios pelo pecado. 7.O sacerdote os oferecerá ao Senhor, e fará a expiação por ela, que será purificada do fluxo de seu sangue. Tal é a lei relativa à mulher que dá à luz um menino ou uma menina. 8.Se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará duas rolas ou dois pombinhos, uma para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado. O sacerdote fará por ela a expiação, e será purificada” (Lv 12, 1-8).

Este capítulo é relativamente breve. Apenas oito versículos. Neles observamos todas as indicações referentes ao nascimento, ao ‘resguardo’, à apresentação das crianças e das mulheres à sociedade.

De nosso ponto de vista, através de uma leitura rápida, tratar-se-ia somente de uma legislação ‘machista’, na qual mulheres são proibidas de ir ao culto e devem ser isoladas por causa de fluxos menstruais. Mas, seria anacronismo inútil tentar ler no passado longínquo de Israel nossas conquistas e idiossincrasias contemporâneas, não é verdade?

O que teríamos então diante de nós?

De um lado, recordar que estes textos estão sendo elaborados e veicularão a partir do contexto do pós-exílio da Babilônia1, em torno do século VI. Acaba de ocorrer um período relativamente longo de contato entre a forte cultura pagã da Babilônia (dominante) e a frágil cultura religiosa de Israel (dominada). O retorno à casa suporia muito mais que a liberação por Ciro (edito)2.

Era preciso um verdadeiro processo de ‘conversão social’ pela reafirmação da Lei de Deus, no decálogo, que reconquistasse corações e mentes de novo para Deus, uma forja profunda da identidade nacional de Israel.

Do outro, e por isso mesmo, o Levítico, livro fundado nas origens religiosas de Israel, com os temas do deserto, traz de volta aquele esquema, no qual, corpo e alma, cultura material imaterial, pertencem a Deus e estão subjugados ao domínio divino da Aliança.

Ser purificado! Esta é questão para todos os cidadãos de Israel.

Neste povo Deus inicia o processo de purificação, isto é, de Salvação e Redenção da Humanidade. Uma legislação que interdita o uso do corpo em autonomia total da Lei ou do Domínio de Deus sobre suas criaturas. Algo muito difícil para os nossos dias.

É assim que ajudareis os israelitas a se purificarem de suas imundícies, para que não morram por ter contaminado o meu tabernáculo que está no meio deles (Lev 15, 31).

1 ‘O Cativeiro Babilónico (português europeu) ou Babilônico (português brasileiro), também chamado de Exílio ou Cativeiro na Babilónia (português europeu) ou na Babilônia (português brasileiro), é o nome geralmente usado para designar o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilónia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 609 a.C.. Em 598 a.C., Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim ( Jeconias ou Conias) rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilónia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em 587 a.C., houve uma nova rebelião no Reino de Judá, ocorre a terceira deportação e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cativeiro_Babil%C3%B3nico

2 ‘Em 539 a.C. Ciro conquistou a Babilônia. Os registros bíblicos informam que Ciro teria recebido uma mensagem divina que o ordenava a enviar de volta à Judeia todos os Judeus cativos naquela cidade. De qualquer forma, foi o autor de famosa declaração que em 537 a.C. autorizava os judeus a regressar à Judeia, pondo fim ao período do Cativeiro Babilónico. Em uma noite de 5/6 de outubro de 539 A.C., Ciro acampou em volta de Babilônia com seu exército. Enquanto os babilônicos festejavam, engenhosamente Ciro desviava as águas do Rio Eufrates para um lago artificial. Eles puderam atravessar o rio com a água na altura da cintura e entraram sem lutar, visto que os portões estavam abertos. A Judeia, com posição estratégica nas rotas comerciais do Egito, ficou guarnecida por um povo agradecido ao xá aquemênida e pronta para defendê-lo. A queda da Babilônia ainda lhe rendeu a lealdade dos Fenícios, cuja habilidade naval era admirada pelo mundo conhecido, e que consistiria na base da marinha persa, anos depois, responsável pelas conquistas na Trácia e as guerras contra os gregos’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_II

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Livros do Antigo Testamento (54)

18/05/2018 14:54 - Atualizado em 18/05/2018 14:56

Neste artigo trataremos do código de pureza de novo à tona para completar alguns aspectos que orientam este código. A vida sexual, a ética, o comportamento entre homens e mulheres, a procriação, entre outros temas, são cobertos pela ação purificadora de Deus. Trata-se dos capítulos 12 e 15 do Levítico.

Código da pureza ritual

A purificação da mulher que dá à luz (12)

A impureza sexual (15).

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: 2.quando uma mulher der à luz um menino será impura durante sete dias, como nos dias de sua menstruação. 3.No oitavo dia far-se-á a circuncisão do menino. 4.Ela ficará ainda 33 dias no sangue de sua purificação; não tocará coisa alguma santa, e não irá ao santuário até que se acabem os dias de sua purificação. 5.Se ela der á luz uma menina, será impura durante duas semanas, como nos dias de sua menstruação, e ficará 66 dias no sangue de sua purificação. 6.Cumpridos esses dias, por um filho ou por uma filha, apresentará ao sacerdote, à entrada da tenda de reunião, um cordeiro de um ano em holocausto, e um pombinho ou uma rola em sacrifícios pelo pecado. 7.O sacerdote os oferecerá ao Senhor, e fará a expiação por ela, que será purificada do fluxo de seu sangue. Tal é a lei relativa à mulher que dá à luz um menino ou uma menina. 8.Se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará duas rolas ou dois pombinhos, uma para o holocausto e outro para o sacrifício pelo pecado. O sacerdote fará por ela a expiação, e será purificada” (Lv 12, 1-8).

Este capítulo é relativamente breve. Apenas oito versículos. Neles observamos todas as indicações referentes ao nascimento, ao ‘resguardo’, à apresentação das crianças e das mulheres à sociedade.

De nosso ponto de vista, através de uma leitura rápida, tratar-se-ia somente de uma legislação ‘machista’, na qual mulheres são proibidas de ir ao culto e devem ser isoladas por causa de fluxos menstruais. Mas, seria anacronismo inútil tentar ler no passado longínquo de Israel nossas conquistas e idiossincrasias contemporâneas, não é verdade?

O que teríamos então diante de nós?

De um lado, recordar que estes textos estão sendo elaborados e veicularão a partir do contexto do pós-exílio da Babilônia1, em torno do século VI. Acaba de ocorrer um período relativamente longo de contato entre a forte cultura pagã da Babilônia (dominante) e a frágil cultura religiosa de Israel (dominada). O retorno à casa suporia muito mais que a liberação por Ciro (edito)2.

Era preciso um verdadeiro processo de ‘conversão social’ pela reafirmação da Lei de Deus, no decálogo, que reconquistasse corações e mentes de novo para Deus, uma forja profunda da identidade nacional de Israel.

Do outro, e por isso mesmo, o Levítico, livro fundado nas origens religiosas de Israel, com os temas do deserto, traz de volta aquele esquema, no qual, corpo e alma, cultura material imaterial, pertencem a Deus e estão subjugados ao domínio divino da Aliança.

Ser purificado! Esta é questão para todos os cidadãos de Israel.

Neste povo Deus inicia o processo de purificação, isto é, de Salvação e Redenção da Humanidade. Uma legislação que interdita o uso do corpo em autonomia total da Lei ou do Domínio de Deus sobre suas criaturas. Algo muito difícil para os nossos dias.

É assim que ajudareis os israelitas a se purificarem de suas imundícies, para que não morram por ter contaminado o meu tabernáculo que está no meio deles (Lev 15, 31).

1 ‘O Cativeiro Babilónico (português europeu) ou Babilônico (português brasileiro), também chamado de Exílio ou Cativeiro na Babilónia (português europeu) ou na Babilônia (português brasileiro), é o nome geralmente usado para designar o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilónia por Nabucodonosor II. Este período histórico foi marcado pela atividade dos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel. A primeira deportação teve início em 609 a.C.. Em 598 a.C., Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim ( Jeconias ou Conias) rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilónia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em 587 a.C., houve uma nova rebelião no Reino de Judá, ocorre a terceira deportação e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cativeiro_Babil%C3%B3nico

2 ‘Em 539 a.C. Ciro conquistou a Babilônia. Os registros bíblicos informam que Ciro teria recebido uma mensagem divina que o ordenava a enviar de volta à Judeia todos os Judeus cativos naquela cidade. De qualquer forma, foi o autor de famosa declaração que em 537 a.C. autorizava os judeus a regressar à Judeia, pondo fim ao período do Cativeiro Babilónico. Em uma noite de 5/6 de outubro de 539 A.C., Ciro acampou em volta de Babilônia com seu exército. Enquanto os babilônicos festejavam, engenhosamente Ciro desviava as águas do Rio Eufrates para um lago artificial. Eles puderam atravessar o rio com a água na altura da cintura e entraram sem lutar, visto que os portões estavam abertos. A Judeia, com posição estratégica nas rotas comerciais do Egito, ficou guarnecida por um povo agradecido ao xá aquemênida e pronta para defendê-lo. A queda da Babilônia ainda lhe rendeu a lealdade dos Fenícios, cuja habilidade naval era admirada pelo mundo conhecido, e que consistiria na base da marinha persa, anos depois, responsável pelas conquistas na Trácia e as guerras contra os gregos’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciro_II

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica