Arquidiocese do Rio de Janeiro

35º 21º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/09/2018

24 de Setembro de 2018

Fazei tudo o que Ele vos disser

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Fazei tudo o que Ele vos disser 0

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Com esse tema mariano “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5) e com o lema do ano do laicato “Que Maria acompanhe os Congregados Marianos a serem “sal da terra e Luz do mundo” (Mt 5. 13-14), os Congregados Marianos de nossa arquidiocese comemoram no terceiro domingo de maio, o seu dia, neste ano coincidente com a grande solenidade de Pentecostes. Aconselhados por Maria a seguirem a Jesus estão unidos a igreja do Brasil como leigos e leigas dessa igreja em saída tão necessitada de homens e mulheres que vivam o seu amor à Igreja, “sentindo com ela” e vendo em Maria o grande sinal colocado no horizonte de nossa vida.

Cresci em meu tempo de adolescente admirando o trabalho missionário e entusiasta dos Congregados Marianos em minha terra natal. Depois na Diocese e Arquidiocese que servi a presença deles também foi marcante. A espiritualidade mariana marca a vida desse povo animado em ser Igreja na obediência como Maria.

Agora, aqui em nossa capital carioca sempre mais acompanho e admiro a vida e a missão dessa espiritualidade que, apesar de tantos percalços na história, continuam levando adiante a missão e vida testemunhada.

Ao me unir a essa querida congregação mariana neste maio de um ano cheio de tantas dificuldades peço que o Senhor, pelo Seu Espírito, os fortaleça e conduza para continuarem animado na missão de serem a igreja em saída, com o testemunho de sal da terra e luz do mundo.

Consultando artigos publicados em revistas, textos de livros e partilhas de alguns irmãos bispos e arcebispos, além da memória que guardo de tantas passagens desse povo que do “do Prata ao Amazonas, do mar às cordilheiras”, esses “soldados do Senhor” missionários, por Cristo convidados, construindo o Reino de Cristo, Maria os irmana a todos sob a bandeira da esperança para ser nesse mundo sedento de paz e de unidade a alegria de um novo povo em torno a Cristo, centro da história.

Lendo a história relembro que “em 1563, em Roma, o jesuíta belga Jean Leunis fundou a primeira Congregação Mariana, para fomentar a devoção à Virgem Maria e incentivar seus membros a buscar a proteção dela”. Ora, já, em 1583, elas chegavam ao Brasil, mais especificamente, no Colégio dos Jesuítas da Bahia, em Salvador, sob a direção do grande apóstolo do Brasil São José de Anchieta. Em 1584, o Papa Gregório XIII concedia às Congregações Marianas a aprovação pontifícia. Tal aprovação, sem dúvida, muito estimulou a expansão desse movimento pelo mundo afora.

Existem algumas estatísticas que são de domínio público na internet: as Congregações Marianas, escolas de piedade e vida cristã, deram à Igreja, até o presente, pelo menos 62 santos canonizados e 46 bem-aventurados, 22 fundadores de Institutos Religiosos, inúmeros mártires e missionários e uma multidão de leigos de vida cristã exemplar. Desde a fundação da Congregação Mariana contam-se 25 Papas que foram congregados marianos, inclusive São João Paulo II que, aos 14 anos, foi membro-fundador de uma Congregação Mariana em sua cidade natal, e Bento XVI, que pertenceu à Congregação de Regensburg. Interessante: em março de 2013, quando as Congregações Marianas celebravam os 450 anos de sua fundação, foi eleito Sumo Pontífice o congregado mariano e jesuíta Papa Francisco (Congregações Marianas: 450 anos de história, 15 de out. de 2013. Portal A12.com).

Em meados do século XX, no Brasil “Milhares e milhares de jovens dos dois sexos, engrossaram as fileiras das Congregações Marianas e das Pias Uniões das Filhas de Maria. Muitas não sobreviveram. Mas na década de 40 para 50, tiveram seu grande momento na vida católica brasileira. Os que já vivíamos nesses anos, certamente, nos lembramos das grandiosas concentrações de Congregados e de Filhas de Maria. Estas de vestido branco e laço azul, lembrando a Mãe de Deus e, eles, com a sua fita azul no peito. Liderados entre outros pelo jesuíta Pe. Cursino de Moura, até 10 mil congregados marianos participavam de Retiros Espirituais, somente na cidade de São Paulo. Na Quarta-feira de Cinzas, concentravam-se coesos e vibrantes na Praça da Sé, coração da Pauliceia”.

“Das Congregações Marianas saíram líderes católicos de grande prestígio em todo Brasil. Lembrarei pelo menos os nomes dos jurista Ataliba Nogueira e do professor universitário Plinio Corrêa de Oliveira. Ambos militaram na vida pública, tornando-se deputados da Assembleia Constituinte do ano de 1934, tão decisiva para a inclusão, na nova Constituição, do nome de Deus em seu Preâmbulo, de reivindicações como o ensino religioso nas escolas públicas, a assistência religiosa às Forças Armadas e os efeitos civis para o casamento religioso. Foram eleitos pela Liga Eleitoral Católica, LEC, e distinguiram-se entre os maiores constituintes de 1934” (D. Amaury Castanho, Presença da Igreja no Brasil. 1900-2000. Jundiaí: Ed. do Autor, 1998, p. 63).

Como já tive oportunidade de dizer também sou testemunha em meus tempos de coroinha, quando acompanhei o trabalho missionário dos marianos nas capelas rurais da paróquia e a alegria com que trabalhavam nessa missão. Depois mais tarde pelas dioceses por onde passei pude constar a presença, participação e espiritualidade marianas dessas pessoas que se tornaram sinais de “Jesus, o centro da história”, seguindo a escola da “Virgem soberana”. Também agora nesta missão carioca constato a luta, o ânimo, a coragem desses irmãos e irmãs que levam adiante com “entusiasmo e alegria a fidelidade por toda a vida”.

Colocado isso, de modo bastante recortado ante o grande trabalho dos marianos, resta-me voltar aos fundamentos da profunda devoção à Nossa Senhora entre nós Povo de Deus, peregrino neste mundo, em demanda da Jerusalém do alto. Sim, o lema ou a divisa é “As Congregações Marianas buscam levar seus membros a uma doação solene e irrevogável à Santíssima Virgem”. Como entender isso se o Senhor Jesus é o centro de nossa vida de fé? – Não é difícil se levarmos em conta que doar-se a Maria é estar com Jesus, uma vez que Ela não é fim, mas é meio ou caminho seguro para se chegar ao Seu Filho e nosso único e verdadeiro Salvador.

No documento sobre a Igreja, a Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II (1962-1965), n. 65, que nos fala da importância de Nossa Senhora na condução de cada um de nós a Nosso Senhor: “ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef 5,27), os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo. Pois Maria, que entrou intimamente na história da salvação, e, por assim dizer, reúne em si e reflete os imperativos mais altos da nossa fé, ao ser exaltada e venerada, atrai os fiéis ao Filho, ao Seu sacrifício e ao amor do Pai. Por sua parte, a Igreja, procurando a glória de Cristo, torna-se mais semelhante àquela que é seu tipo e sublime figura, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade, e buscando e fazendo em tudo a vontade divina. Daqui vem igualmente que, na sua ação apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a Cristo, o qual foi concebido por ação do Espírito Santo e nasceu da Virgem precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens”.

No mesmo Documento conciliar, n. 61, diz: “A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça”.

Comenta a propósito D. Estevão Bettencourt, OSB, grande teólogo brasileiro, o que segue: “Toda a cooperação de Maria é subordinada a Cristo. Maria só tem valor no plano do Pai por causa de Cristo. Nunca a veneraríamos se não fosse em vista de Cristo; só conhecemos Maria através de Cristo. Por isso, pode-se formular a autêntica piedade mariana nos seguintes termos: ‘O cristão deve procurar ser, para Maria, um outro Jesus’. Isto quer dizer: o objetivo primeiro do cristão é configurar-se a Cristo, o primogênito entre muitos irmãos, como diz S. Paulo em Rm 8,29. Todavia, quanto mais o cristão se configura a Cristo, tanto mais ele se deve saber filho de Maria, devotado a Maria como filho, à semelhança do irmão mais velho, que era todo filho do Pai (como Deus) e Filho de Maria (como homem). Com outras palavras: o cristão chega a Maria através de Jesus e em função de Jesus; para o cristão nada é anterior a Cristo. Estes dizeres, se de um lado, relegam a devoção a Maria para um plano subordinado a Cristo, de outro lado, mostram que é, de certo modo, obrigatória; não é uma devoção entre outras, a critério do fiel, mas é a grande Devoção, que decorre necessariamente do ser configurado a Cristo, que é o ser de todo cristão” (Curso de Mariologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1997, p. 92).

Possam os Congregados Mariano se imbuírem cada vez mais desta verdade e se fazerem seu arauto pelo Brasil afora. Hoje, além do Santo Terço que rezamos pela paz e pelas vocações de maneira especial, a espiritualidade mariana com seus aprofundamentos teológicos deve nortear nossa ação evangelizadora anunciando Aquele que é o centro da história: Jesus Cristo.

Deus seja louvado por tantos filhos e filhas que reencontram o caminho do Céu por meio de Nossa Senhora, via segura até seu Filho e nosso Salvador Jesus Cristo. “Olhai para a estrela, invocai Maria” (São Bernardo)! A Cristo por Maria! A Igreja eterna no tempo avança Congregados Marianos, cerremos as fileiras, leigos e leigas anunciando o Reino nessa Igreja em saída, não deixem arrefecer o vigor!

 

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Com esse tema mariano “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5) e com o lema do ano do laicato “Que Maria acompanhe os Congregados Marianos a serem “sal da terra e Luz do mundo” (Mt 5. 13-14), os Congregados Marianos de nossa arquidiocese comemoram no terceiro domingo de maio, o seu dia, neste ano coincidente com a grande solenidade de Pentecostes. Aconselhados por Maria a seguirem a Jesus estão unidos a igreja do Brasil como leigos e leigas dessa igreja em saída tão necessitada de homens e mulheres que vivam o seu amor à Igreja, “sentindo com ela” e vendo em Maria o grande sinal colocado no horizonte de nossa vida.

Cresci em meu tempo de adolescente admirando o trabalho missionário e entusiasta dos Congregados Marianos em minha terra natal. Depois na Diocese e Arquidiocese que servi a presença deles também foi marcante. A espiritualidade mariana marca a vida desse povo animado em ser Igreja na obediência como Maria.

Agora, aqui em nossa capital carioca sempre mais acompanho e admiro a vida e a missão dessa espiritualidade que, apesar de tantos percalços na história, continuam levando adiante a missão e vida testemunhada.

Ao me unir a essa querida congregação mariana neste maio de um ano cheio de tantas dificuldades peço que o Senhor, pelo Seu Espírito, os fortaleça e conduza para continuarem animado na missão de serem a igreja em saída, com o testemunho de sal da terra e luz do mundo.

Consultando artigos publicados em revistas, textos de livros e partilhas de alguns irmãos bispos e arcebispos, além da memória que guardo de tantas passagens desse povo que do “do Prata ao Amazonas, do mar às cordilheiras”, esses “soldados do Senhor” missionários, por Cristo convidados, construindo o Reino de Cristo, Maria os irmana a todos sob a bandeira da esperança para ser nesse mundo sedento de paz e de unidade a alegria de um novo povo em torno a Cristo, centro da história.

Lendo a história relembro que “em 1563, em Roma, o jesuíta belga Jean Leunis fundou a primeira Congregação Mariana, para fomentar a devoção à Virgem Maria e incentivar seus membros a buscar a proteção dela”. Ora, já, em 1583, elas chegavam ao Brasil, mais especificamente, no Colégio dos Jesuítas da Bahia, em Salvador, sob a direção do grande apóstolo do Brasil São José de Anchieta. Em 1584, o Papa Gregório XIII concedia às Congregações Marianas a aprovação pontifícia. Tal aprovação, sem dúvida, muito estimulou a expansão desse movimento pelo mundo afora.

Existem algumas estatísticas que são de domínio público na internet: as Congregações Marianas, escolas de piedade e vida cristã, deram à Igreja, até o presente, pelo menos 62 santos canonizados e 46 bem-aventurados, 22 fundadores de Institutos Religiosos, inúmeros mártires e missionários e uma multidão de leigos de vida cristã exemplar. Desde a fundação da Congregação Mariana contam-se 25 Papas que foram congregados marianos, inclusive São João Paulo II que, aos 14 anos, foi membro-fundador de uma Congregação Mariana em sua cidade natal, e Bento XVI, que pertenceu à Congregação de Regensburg. Interessante: em março de 2013, quando as Congregações Marianas celebravam os 450 anos de sua fundação, foi eleito Sumo Pontífice o congregado mariano e jesuíta Papa Francisco (Congregações Marianas: 450 anos de história, 15 de out. de 2013. Portal A12.com).

Em meados do século XX, no Brasil “Milhares e milhares de jovens dos dois sexos, engrossaram as fileiras das Congregações Marianas e das Pias Uniões das Filhas de Maria. Muitas não sobreviveram. Mas na década de 40 para 50, tiveram seu grande momento na vida católica brasileira. Os que já vivíamos nesses anos, certamente, nos lembramos das grandiosas concentrações de Congregados e de Filhas de Maria. Estas de vestido branco e laço azul, lembrando a Mãe de Deus e, eles, com a sua fita azul no peito. Liderados entre outros pelo jesuíta Pe. Cursino de Moura, até 10 mil congregados marianos participavam de Retiros Espirituais, somente na cidade de São Paulo. Na Quarta-feira de Cinzas, concentravam-se coesos e vibrantes na Praça da Sé, coração da Pauliceia”.

“Das Congregações Marianas saíram líderes católicos de grande prestígio em todo Brasil. Lembrarei pelo menos os nomes dos jurista Ataliba Nogueira e do professor universitário Plinio Corrêa de Oliveira. Ambos militaram na vida pública, tornando-se deputados da Assembleia Constituinte do ano de 1934, tão decisiva para a inclusão, na nova Constituição, do nome de Deus em seu Preâmbulo, de reivindicações como o ensino religioso nas escolas públicas, a assistência religiosa às Forças Armadas e os efeitos civis para o casamento religioso. Foram eleitos pela Liga Eleitoral Católica, LEC, e distinguiram-se entre os maiores constituintes de 1934” (D. Amaury Castanho, Presença da Igreja no Brasil. 1900-2000. Jundiaí: Ed. do Autor, 1998, p. 63).

Como já tive oportunidade de dizer também sou testemunha em meus tempos de coroinha, quando acompanhei o trabalho missionário dos marianos nas capelas rurais da paróquia e a alegria com que trabalhavam nessa missão. Depois mais tarde pelas dioceses por onde passei pude constar a presença, participação e espiritualidade marianas dessas pessoas que se tornaram sinais de “Jesus, o centro da história”, seguindo a escola da “Virgem soberana”. Também agora nesta missão carioca constato a luta, o ânimo, a coragem desses irmãos e irmãs que levam adiante com “entusiasmo e alegria a fidelidade por toda a vida”.

Colocado isso, de modo bastante recortado ante o grande trabalho dos marianos, resta-me voltar aos fundamentos da profunda devoção à Nossa Senhora entre nós Povo de Deus, peregrino neste mundo, em demanda da Jerusalém do alto. Sim, o lema ou a divisa é “As Congregações Marianas buscam levar seus membros a uma doação solene e irrevogável à Santíssima Virgem”. Como entender isso se o Senhor Jesus é o centro de nossa vida de fé? – Não é difícil se levarmos em conta que doar-se a Maria é estar com Jesus, uma vez que Ela não é fim, mas é meio ou caminho seguro para se chegar ao Seu Filho e nosso único e verdadeiro Salvador.

No documento sobre a Igreja, a Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II (1962-1965), n. 65, que nos fala da importância de Nossa Senhora na condução de cada um de nós a Nosso Senhor: “ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria (cf. Ef 5,27), os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo. Pois Maria, que entrou intimamente na história da salvação, e, por assim dizer, reúne em si e reflete os imperativos mais altos da nossa fé, ao ser exaltada e venerada, atrai os fiéis ao Filho, ao Seu sacrifício e ao amor do Pai. Por sua parte, a Igreja, procurando a glória de Cristo, torna-se mais semelhante àquela que é seu tipo e sublime figura, progredindo continuamente na fé, na esperança e na caridade, e buscando e fazendo em tudo a vontade divina. Daqui vem igualmente que, na sua ação apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a Cristo, o qual foi concebido por ação do Espírito Santo e nasceu da Virgem precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens”.

No mesmo Documento conciliar, n. 61, diz: “A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça”.

Comenta a propósito D. Estevão Bettencourt, OSB, grande teólogo brasileiro, o que segue: “Toda a cooperação de Maria é subordinada a Cristo. Maria só tem valor no plano do Pai por causa de Cristo. Nunca a veneraríamos se não fosse em vista de Cristo; só conhecemos Maria através de Cristo. Por isso, pode-se formular a autêntica piedade mariana nos seguintes termos: ‘O cristão deve procurar ser, para Maria, um outro Jesus’. Isto quer dizer: o objetivo primeiro do cristão é configurar-se a Cristo, o primogênito entre muitos irmãos, como diz S. Paulo em Rm 8,29. Todavia, quanto mais o cristão se configura a Cristo, tanto mais ele se deve saber filho de Maria, devotado a Maria como filho, à semelhança do irmão mais velho, que era todo filho do Pai (como Deus) e Filho de Maria (como homem). Com outras palavras: o cristão chega a Maria através de Jesus e em função de Jesus; para o cristão nada é anterior a Cristo. Estes dizeres, se de um lado, relegam a devoção a Maria para um plano subordinado a Cristo, de outro lado, mostram que é, de certo modo, obrigatória; não é uma devoção entre outras, a critério do fiel, mas é a grande Devoção, que decorre necessariamente do ser configurado a Cristo, que é o ser de todo cristão” (Curso de Mariologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1997, p. 92).

Possam os Congregados Mariano se imbuírem cada vez mais desta verdade e se fazerem seu arauto pelo Brasil afora. Hoje, além do Santo Terço que rezamos pela paz e pelas vocações de maneira especial, a espiritualidade mariana com seus aprofundamentos teológicos deve nortear nossa ação evangelizadora anunciando Aquele que é o centro da história: Jesus Cristo.

Deus seja louvado por tantos filhos e filhas que reencontram o caminho do Céu por meio de Nossa Senhora, via segura até seu Filho e nosso Salvador Jesus Cristo. “Olhai para a estrela, invocai Maria” (São Bernardo)! A Cristo por Maria! A Igreja eterna no tempo avança Congregados Marianos, cerremos as fileiras, leigos e leigas anunciando o Reino nessa Igreja em saída, não deixem arrefecer o vigor!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro