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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/09/2018

21 de Setembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (53)

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21 de Setembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (53)

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11/05/2018 13:36 - Atualizado em 11/05/2018 13:37

Livros do Antigo Testamento (53) 0

11/05/2018 13:36 - Atualizado em 11/05/2018 13:37

Neste artigo exploramos ainda alguns aspectos deste livro tão especializado. Um verdadeiro ‘manual’ divino da liturgia e do culto, mas que também expõe alguns elementos relacionados à moral (comportamento) religiosa, em função do verdadeiro culto, em Israel.

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão: Dize aos israelitas o seguinte. 2. entre todos os animais da terra, eis o que podereis comer. 47. Essa lei vos fará discernir o que é puro do que é impuro, o animal que pode ser comido do que não pode (Lv 11, 1-2.47)

1. Código da pureza ritual (11,1-15,33):

Essa lei vos fará discernir o que é puro do que é impuro’ (11, 47).

Esta seção do Levítico expressa, de forma bem clara, que não se trata somente ou principalmente de especificações alimentares.

É bem verdade que há por parte de Moisés, expert em deserto, (viveu como pastor nos desertos, cuidando dos rebanhos de seu sogro Jetro – Ex 3), uma preocupação pela saúde do povo em meio ao caminho do deserto. Há proibições que constituem um verdadeiro plano de ‘vida saudável’ no meio da peregrinação pelo deserto.

No entanto, o v.47 indica, com clareza, que as relações com o ‘menu’ diário deverão submeter-se ao centro da vida de Israel: o verdadeiro culto a Deus.

A dignidade do culto está acima de tudo, pois depois da amarga dieta do pecado, em que o homem se perdia em meio à natureza e se afastava ainda mais de Deus, era inaugurado um tempo de ‘discernir o que é puro do que é impuro’.

Discernimento, que significava uma forma de entender como equacionar o caminho da vida, as opções, o ‘modus vivendi’ com o mais essencial, o retorno do relacionamento com Deus, a Aliança.

No artigo em que iniciamos nossas análises sobre o livro do Levítico, indicávamos a releitura dos tempos da origem, o deserto, no momento em que Israel retornava do exílio na Babilônia.

As condições desfavoráveis vividas pela comunidade judaica do pós-exílio impunham a necessidade da adoção de leis rígidas de controle higiênico e sanitário, capazes de permitir a sobrevivência daquele grupo.

a) animais puros e impuros (11)

Esta questão de pureza estará intimamente ligada, não só a fatores de repúdio a tudo que fosse de outros povos, mas para diferenciar os que pertencem a Deus como um ser perfeito e possuidor de uma categoria bem definida; a pureza e a santidade significam manter uma distinção bem definida das categorias de criação.

Ou seja, cada classe de animais deve possuir de forma plena todas as características de sua espécie. Isto definirá o quão correta, perfeita e ordenada é a criação divina.

Os seres humanos nas regiões circunvizinhas a Israel utilizaram os animais para glorificar deuses ou para submeterem-se a eles. Suas qualidades, dos animais, uma vinculação direta com a força e o poder das divindades; animais de estimação, protetores do lar, encarnação dos deuses, mensageiros divinos.

Mas, para a afirmação de um Deus único, esses animais deveriam perder a aura mística e serem colocados no seu devido lugar: serem simples animais, colaboradores dos homens. A Bíblia fará isso. Mas, como dissemos, ela dá autoridade ao homem sobre os animais para explorá-los de forma ilimitada? Uma sujeição e submissão sem limites?

A questão do uso dos animais era na verdade uma posologia da Criação em sua perspectiva correta, isto é, a superação da idolatria.

b) purificação da lepra (13-14)

O Senhor disse a Moisés e a Aarão: 2.“Quando um homem tiver um tumor, uma inflamação ou uma mancha branca na pele de seu corpo, e esta se tornar em sua pele uma chaga de lepra, ele será levado a Aarão, o sacerdote, ou a um dos seus filhos sacerdotes. 3.O sacerdote examinará o mal que houver na pele do corpo: se o cabelo se tornou branco naquele lugar, e a chaga parecer mais funda que a pele, será uma chaga de lepra. O sacerdote verificará o fato e declarará impuro o homem. 4.Se houver na pele de seu corpo uma mancha branca que não parecer mais funda que a pele sã, e o cabelo não se tiver tornado branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias (Lev 13. 1-4).

O livro do Levítico, em seus capítulos 13 e 14, constituía-se num verdadeiro tratado de medicina preventiva, e o seguimento das normas ali contidas envolviam questões profundas referentes a um conjunto de doenças de pele, conhecidas pelo termo hebraico tsara’at.

Conforme o entendimento daquelas pessoas, tal doença provinha da transgressão das leis mosaicas, e era capaz de afetar tanto os seres humanos como também suas vestes e habitações.

Da quebra deste estado de pureza, responsável pelo acometimento por alguma forma de tsara’at, decorria a imposição de um isolamento do indivíduo afetado, configurando-se tal medida como excludente social.

No entanto, tal exclusão não se revestia de uma intencionalidade, sobretudo porque eram tentados, ao máximo, todos os meios capazes de permitir a restauração daquele estado inicial de pureza.

Por outro lado, mesmo na atualidade, com o advento das mais modernas técnicas de terapia médica, ainda se faz inevitável o isolamento ocasional dos portadores de algumas doenças infectocontagiosas, sem o qual, inúmeras vítimas inocentes poderiam sofrer com a disseminação destas patologias.

A confusão decorrente da leitura dos textos do Lv 13 e 14, através das diversas traduções nas quais o termo grego ‘lepra’ é usado em lugar de tsara’at, provém da manutenção deste primeiro, cuja origem denota igualmente ao segundo um conjunto de moléstias cutâneas inespecíficas, para denominar outra doença que na atualidade se conhece pelo nome de Mal de Hansen ou hanseníase, cuja etiologia é bastante conhecida e cujo caráter, altamente transmissível e deformante, em alguns casos, e quando não devidamente tratada, configura-se como estigmatizante e, portanto, impositora de uma exclusão social, devido ao preconceito que gera entre as pessoas menos esclarecidas.

No próximo artigo trataremos dos temas da moral sexual, e estará incluída neste âmbito a questão da purificação da mulher.

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Livros do Antigo Testamento (53)

11/05/2018 13:36 - Atualizado em 11/05/2018 13:37

Neste artigo exploramos ainda alguns aspectos deste livro tão especializado. Um verdadeiro ‘manual’ divino da liturgia e do culto, mas que também expõe alguns elementos relacionados à moral (comportamento) religiosa, em função do verdadeiro culto, em Israel.

1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão: Dize aos israelitas o seguinte. 2. entre todos os animais da terra, eis o que podereis comer. 47. Essa lei vos fará discernir o que é puro do que é impuro, o animal que pode ser comido do que não pode (Lv 11, 1-2.47)

1. Código da pureza ritual (11,1-15,33):

Essa lei vos fará discernir o que é puro do que é impuro’ (11, 47).

Esta seção do Levítico expressa, de forma bem clara, que não se trata somente ou principalmente de especificações alimentares.

É bem verdade que há por parte de Moisés, expert em deserto, (viveu como pastor nos desertos, cuidando dos rebanhos de seu sogro Jetro – Ex 3), uma preocupação pela saúde do povo em meio ao caminho do deserto. Há proibições que constituem um verdadeiro plano de ‘vida saudável’ no meio da peregrinação pelo deserto.

No entanto, o v.47 indica, com clareza, que as relações com o ‘menu’ diário deverão submeter-se ao centro da vida de Israel: o verdadeiro culto a Deus.

A dignidade do culto está acima de tudo, pois depois da amarga dieta do pecado, em que o homem se perdia em meio à natureza e se afastava ainda mais de Deus, era inaugurado um tempo de ‘discernir o que é puro do que é impuro’.

Discernimento, que significava uma forma de entender como equacionar o caminho da vida, as opções, o ‘modus vivendi’ com o mais essencial, o retorno do relacionamento com Deus, a Aliança.

No artigo em que iniciamos nossas análises sobre o livro do Levítico, indicávamos a releitura dos tempos da origem, o deserto, no momento em que Israel retornava do exílio na Babilônia.

As condições desfavoráveis vividas pela comunidade judaica do pós-exílio impunham a necessidade da adoção de leis rígidas de controle higiênico e sanitário, capazes de permitir a sobrevivência daquele grupo.

a) animais puros e impuros (11)

Esta questão de pureza estará intimamente ligada, não só a fatores de repúdio a tudo que fosse de outros povos, mas para diferenciar os que pertencem a Deus como um ser perfeito e possuidor de uma categoria bem definida; a pureza e a santidade significam manter uma distinção bem definida das categorias de criação.

Ou seja, cada classe de animais deve possuir de forma plena todas as características de sua espécie. Isto definirá o quão correta, perfeita e ordenada é a criação divina.

Os seres humanos nas regiões circunvizinhas a Israel utilizaram os animais para glorificar deuses ou para submeterem-se a eles. Suas qualidades, dos animais, uma vinculação direta com a força e o poder das divindades; animais de estimação, protetores do lar, encarnação dos deuses, mensageiros divinos.

Mas, para a afirmação de um Deus único, esses animais deveriam perder a aura mística e serem colocados no seu devido lugar: serem simples animais, colaboradores dos homens. A Bíblia fará isso. Mas, como dissemos, ela dá autoridade ao homem sobre os animais para explorá-los de forma ilimitada? Uma sujeição e submissão sem limites?

A questão do uso dos animais era na verdade uma posologia da Criação em sua perspectiva correta, isto é, a superação da idolatria.

b) purificação da lepra (13-14)

O Senhor disse a Moisés e a Aarão: 2.“Quando um homem tiver um tumor, uma inflamação ou uma mancha branca na pele de seu corpo, e esta se tornar em sua pele uma chaga de lepra, ele será levado a Aarão, o sacerdote, ou a um dos seus filhos sacerdotes. 3.O sacerdote examinará o mal que houver na pele do corpo: se o cabelo se tornou branco naquele lugar, e a chaga parecer mais funda que a pele, será uma chaga de lepra. O sacerdote verificará o fato e declarará impuro o homem. 4.Se houver na pele de seu corpo uma mancha branca que não parecer mais funda que a pele sã, e o cabelo não se tiver tornado branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias (Lev 13. 1-4).

O livro do Levítico, em seus capítulos 13 e 14, constituía-se num verdadeiro tratado de medicina preventiva, e o seguimento das normas ali contidas envolviam questões profundas referentes a um conjunto de doenças de pele, conhecidas pelo termo hebraico tsara’at.

Conforme o entendimento daquelas pessoas, tal doença provinha da transgressão das leis mosaicas, e era capaz de afetar tanto os seres humanos como também suas vestes e habitações.

Da quebra deste estado de pureza, responsável pelo acometimento por alguma forma de tsara’at, decorria a imposição de um isolamento do indivíduo afetado, configurando-se tal medida como excludente social.

No entanto, tal exclusão não se revestia de uma intencionalidade, sobretudo porque eram tentados, ao máximo, todos os meios capazes de permitir a restauração daquele estado inicial de pureza.

Por outro lado, mesmo na atualidade, com o advento das mais modernas técnicas de terapia médica, ainda se faz inevitável o isolamento ocasional dos portadores de algumas doenças infectocontagiosas, sem o qual, inúmeras vítimas inocentes poderiam sofrer com a disseminação destas patologias.

A confusão decorrente da leitura dos textos do Lv 13 e 14, através das diversas traduções nas quais o termo grego ‘lepra’ é usado em lugar de tsara’at, provém da manutenção deste primeiro, cuja origem denota igualmente ao segundo um conjunto de moléstias cutâneas inespecíficas, para denominar outra doença que na atualidade se conhece pelo nome de Mal de Hansen ou hanseníase, cuja etiologia é bastante conhecida e cujo caráter, altamente transmissível e deformante, em alguns casos, e quando não devidamente tratada, configura-se como estigmatizante e, portanto, impositora de uma exclusão social, devido ao preconceito que gera entre as pessoas menos esclarecidas.

No próximo artigo trataremos dos temas da moral sexual, e estará incluída neste âmbito a questão da purificação da mulher.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica