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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Maria: a sincera devoção

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Maria: a sincera devoção

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Maria: a sincera devoção 0

06/05/2018 00:00

A cada ano, no mês de maio, celebramos com veneração o nome da Santíssima Virgem Maria. De modo especial neste mês recordamos a nossa devoção e o nosso amor por aqu’Ela que nos acompanha sempre nesta vida. O que celebramos ao longo do ano nas festas, solenidades e memórias litúrgicas de Nossa Senhora, reforçamos mais vivamente neste mês dedicado exclusivamente a Ela. Procissões, orações do Santo Rosário, coroações feitas por crianças, jovens e famílias, missas devocionais, enfim, tudo para homenagear e confiar-se sempre mais àqu’Ela que primeiro viveu a alegria das Bem-Aventuranças e expressou no Magnificat o reconhecimento da sua pequenez e da grandeza e poder de Deus.

Porém, como o mês de maio se tornou o mês dedicado a Virgem Maria? Antes do século XII entrou em vigor a tradição de “Tricesimum” ou “A devoção de 30 dias a Maria”. Estas celebrações aconteciam de 15 de agosto a 14 de setembro – em alguns lugares ainda comemora-se desta forma. A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o Mês de Maria incluía 30 exercícios espirituais diários em homenagem a Mãe de Deus. Foi neste período que se encontraram o mês de maio e de Maria, fazendo com que esta celebração contasse com devoções especiais organizadas a cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.

As celebrações marianas, sejam na liturgia da missa ou na piedade popular dos devocionários em todo o mundo, como dissemos anteriormente, se realizam sempre mediante e em vista do Mistério de Cristo. Podemos dizer que a devoção a Virgem Maria, está inserida plenamente no único culto que, com total razão, é chamado “cristão”, pois de Cristo tudo se origina e para Ele tudo se dirige, e por meio d’Ele, pelo Espírito Santo, tudo é levado ao Pai. Maria, a Virgem, esposa de José, a quem Deus escolheu desde o primeiro momento da sua existência para ser a Mãe do seu Filho feito homem, foi a primeira a ser preenchida por esta bênção. Ela, como a saúda Santa Isabel, é a "bendita entre as mulheres" (Lc1,42). Toda a sua vida está na luz do Senhor, no âmbito do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, “o fruto bendito do seu ventre” (Bento XVI). E é desta forma que se entende o plano redentor de Deus para o mundo. De forma especial, dentro deste plano redentor, que cabe de especial modo um lugar para a Virgem Maria, o culto e veneração singular para com a Mãe do Senhor.

A Igreja refletindo sobre os mistérios de Cristo, sobre a sua natureza, foi levada a reafirmar esta imagem de Maria como figura de mulher, precisamente enquanto Mãe de Cristo e Mãe da Igreja. Ao mesmo tempo que também é o modelo de Igreja, plena de virtudes e sem mancha alguma. É Mãe que acolhe e é Mestra que ensina. Maria é Mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a Palavra divina e se oferece a Deus como "terra fecunda", onde Ele pode continuar a cumprir o Seu mistério de salvação. A Igreja, através da pregação, que espalha pelo mundo a semente do Evangelho, e através dos sacramentos, que transmitem aos homens graça e vida divina, também participa do mistério da maternidade divina. A Igreja vive esta maternidade, de modo particular, no Sacramento do Batismo, ao gerar os filhos de Deus da água e do Espírito Santo, que em cada um deles exclama: "Abba! Pai"! (Gal 4.6). Como Maria, a Igreja é mediadora da bênção de Deus para o mundo: acolhendo Jesus recebe a bênção e a transmite levando Jesus aos demais. (Bento XVI)

No culto a Maria, expressado de modo especial no mês de maio, devemos recordar que a verdadeira piedade do devoto está em reconhecer que Maria sempre nos leva ao seu Filho para que nossas vidas sejam transformadas pela sua Graça. Recordar que no sapiente desejo de Deus pôs na sua família – a Igreja – como em todos os lares domésticos (como dizia São João Paulo II: Igreja doméstica) a imagem da mulher, que discretamente em seus serviços intercede pelo seu bem e, como Mãe que protege na caminhada rumo à pátria, ao dia glorioso com o Senhor.

O Beato Paulo XVI, que brevemente estará canonicamente no livro dos santos e que sempre demonstrou grande amor e veneração a Virgem Maria, em sua Exortação Apostólica “Marialis Cultus” relembra ao homem contemporâneo: “Não raro atormentado entre a angústia e a esperança, prostrado mesmo pela sensação das próprias limitações e assaltado por aspirações sem limites, perturbado na mente e dividido em seu coração, com o espírito suspenso perante o enigma da morte, oprimido pela solidão e, simultaneamente, a tender para a comunhão, presa da náusea e do tédio, a bem-aventurada Virgem Maria contemplada no enquadramento das vicissitudes evangélicas em que interveio e na realidade que já alcançou na Cidade de Deus, proporciona-lhe uma visão serena e uma palavra tranquilizante: a da vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação da alegria e da beleza sobre o tédio e a náusea, das perspectivas eternas sobre as temporais e, enfim, da vida sobre a morte.

Repitamos em todo este mês de maio a cena feita pelos pastores no Natal, que estavam diante do ícone do Menino Jesus nos braços de sua Mãe, contemplando todo o mistério da Encarnação, de Deus que veio ao mundo para salvar a Humanidade. E assim desta forma deixar crescer nos corações o verdadeiro sentido de reconhecimento por aqu’Ela que deu ao mundo o Salvador. A sincera devoção a Nossa Senhora está exatamente em reconhecer que temos uma Mãe que ao mesmo tempo que cuida de nós seus filhos, nos leva também ao único que nos pode dar a verdadeira paz. E deixar ressonar em nossas vidas as maternas e confiantes palavras ditas aos servos nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

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Maria: a sincera devoção

06/05/2018 00:00

A cada ano, no mês de maio, celebramos com veneração o nome da Santíssima Virgem Maria. De modo especial neste mês recordamos a nossa devoção e o nosso amor por aqu’Ela que nos acompanha sempre nesta vida. O que celebramos ao longo do ano nas festas, solenidades e memórias litúrgicas de Nossa Senhora, reforçamos mais vivamente neste mês dedicado exclusivamente a Ela. Procissões, orações do Santo Rosário, coroações feitas por crianças, jovens e famílias, missas devocionais, enfim, tudo para homenagear e confiar-se sempre mais àqu’Ela que primeiro viveu a alegria das Bem-Aventuranças e expressou no Magnificat o reconhecimento da sua pequenez e da grandeza e poder de Deus.

Porém, como o mês de maio se tornou o mês dedicado a Virgem Maria? Antes do século XII entrou em vigor a tradição de “Tricesimum” ou “A devoção de 30 dias a Maria”. Estas celebrações aconteciam de 15 de agosto a 14 de setembro – em alguns lugares ainda comemora-se desta forma. A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o Mês de Maria incluía 30 exercícios espirituais diários em homenagem a Mãe de Deus. Foi neste período que se encontraram o mês de maio e de Maria, fazendo com que esta celebração contasse com devoções especiais organizadas a cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.

As celebrações marianas, sejam na liturgia da missa ou na piedade popular dos devocionários em todo o mundo, como dissemos anteriormente, se realizam sempre mediante e em vista do Mistério de Cristo. Podemos dizer que a devoção a Virgem Maria, está inserida plenamente no único culto que, com total razão, é chamado “cristão”, pois de Cristo tudo se origina e para Ele tudo se dirige, e por meio d’Ele, pelo Espírito Santo, tudo é levado ao Pai. Maria, a Virgem, esposa de José, a quem Deus escolheu desde o primeiro momento da sua existência para ser a Mãe do seu Filho feito homem, foi a primeira a ser preenchida por esta bênção. Ela, como a saúda Santa Isabel, é a "bendita entre as mulheres" (Lc1,42). Toda a sua vida está na luz do Senhor, no âmbito do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, “o fruto bendito do seu ventre” (Bento XVI). E é desta forma que se entende o plano redentor de Deus para o mundo. De forma especial, dentro deste plano redentor, que cabe de especial modo um lugar para a Virgem Maria, o culto e veneração singular para com a Mãe do Senhor.

A Igreja refletindo sobre os mistérios de Cristo, sobre a sua natureza, foi levada a reafirmar esta imagem de Maria como figura de mulher, precisamente enquanto Mãe de Cristo e Mãe da Igreja. Ao mesmo tempo que também é o modelo de Igreja, plena de virtudes e sem mancha alguma. É Mãe que acolhe e é Mestra que ensina. Maria é Mãe e modelo da Igreja, que acolhe na fé a Palavra divina e se oferece a Deus como "terra fecunda", onde Ele pode continuar a cumprir o Seu mistério de salvação. A Igreja, através da pregação, que espalha pelo mundo a semente do Evangelho, e através dos sacramentos, que transmitem aos homens graça e vida divina, também participa do mistério da maternidade divina. A Igreja vive esta maternidade, de modo particular, no Sacramento do Batismo, ao gerar os filhos de Deus da água e do Espírito Santo, que em cada um deles exclama: "Abba! Pai"! (Gal 4.6). Como Maria, a Igreja é mediadora da bênção de Deus para o mundo: acolhendo Jesus recebe a bênção e a transmite levando Jesus aos demais. (Bento XVI)

No culto a Maria, expressado de modo especial no mês de maio, devemos recordar que a verdadeira piedade do devoto está em reconhecer que Maria sempre nos leva ao seu Filho para que nossas vidas sejam transformadas pela sua Graça. Recordar que no sapiente desejo de Deus pôs na sua família – a Igreja – como em todos os lares domésticos (como dizia São João Paulo II: Igreja doméstica) a imagem da mulher, que discretamente em seus serviços intercede pelo seu bem e, como Mãe que protege na caminhada rumo à pátria, ao dia glorioso com o Senhor.

O Beato Paulo XVI, que brevemente estará canonicamente no livro dos santos e que sempre demonstrou grande amor e veneração a Virgem Maria, em sua Exortação Apostólica “Marialis Cultus” relembra ao homem contemporâneo: “Não raro atormentado entre a angústia e a esperança, prostrado mesmo pela sensação das próprias limitações e assaltado por aspirações sem limites, perturbado na mente e dividido em seu coração, com o espírito suspenso perante o enigma da morte, oprimido pela solidão e, simultaneamente, a tender para a comunhão, presa da náusea e do tédio, a bem-aventurada Virgem Maria contemplada no enquadramento das vicissitudes evangélicas em que interveio e na realidade que já alcançou na Cidade de Deus, proporciona-lhe uma visão serena e uma palavra tranquilizante: a da vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação da alegria e da beleza sobre o tédio e a náusea, das perspectivas eternas sobre as temporais e, enfim, da vida sobre a morte.

Repitamos em todo este mês de maio a cena feita pelos pastores no Natal, que estavam diante do ícone do Menino Jesus nos braços de sua Mãe, contemplando todo o mistério da Encarnação, de Deus que veio ao mundo para salvar a Humanidade. E assim desta forma deixar crescer nos corações o verdadeiro sentido de reconhecimento por aqu’Ela que deu ao mundo o Salvador. A sincera devoção a Nossa Senhora está exatamente em reconhecer que temos uma Mãe que ao mesmo tempo que cuida de nós seus filhos, nos leva também ao único que nos pode dar a verdadeira paz. E deixar ressonar em nossas vidas as maternas e confiantes palavras ditas aos servos nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé