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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/12/2018

14 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (51)

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14 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (51)

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27/04/2018 14:33 - Atualizado em 27/04/2018 14:34

Livros do Antigo Testamento (51) 0

27/04/2018 14:33 - Atualizado em 27/04/2018 14:34

No prosseguimento de uma introdução geral ao livro do Levítico, o terceiro livro do Pentateuco, concluiremos as questões prévias à compreensão deste livro acerca dos diversos aspectos das principais expressões cúltico-litúrgicas do povo de Israel, projetadas no período pós-exílico na aurora da sua história: os sacrifícios oferecidos a Deus em expiação dos pecados do povo!

III. Apêndice (27,1-34): os votos1.

1) Holocausto:

Vem do hebraico olah, que significa ‘subir’, e indica o fumo da vítima que sobe para Deus. A sua característica essencial era a vítima ser totalmente queimada, não ficando para o sacerdote mais do que a pele.

Antes do sacrifício, o oferente colocava as mãos sobre a vítima, em sinal de que lhe pertencia, reclamando, assim, os benefícios do seu sacrifício. Depois, ele próprio degolava a vítima, e o sacerdote queimava-a sobre o altar. Este sacrifício pretendia reconhecer o direito absoluto de Deus sobre todas as coisas (1,1-17; 6,1-6).

2) Sacrifício de comunhão (ou pacífico: zebah shelamîm):

Este procurava a comunhão com Deus, dando-lhe graças. Como o Holocausto, incluía a imposição das mãos, a imolação da vítima e o derramamento do seu sangue no altar (3,1-17).

A parte mais gorda, considerada a melhor, pertencia a Deus e era queimada; as outras duas partes eram distribuídas entre o sacerdote e o oferente; este comia-a num banquete sagrado, para significar a comunhão com a divindade.

3) Oferta vegetal (minhah, ‘oferta’):

Era a oferta de produtos do campo, sobretudo de farinha misturada com azeite. Este sacrifício estava ligado à oferta da primeira farinha na Festa do Pentecostes, mas tornou-se muito corrente, sendo feito juntamente com os sacrifícios de imolação de animais (ver 2,1-17).

Sacrifício pelo pecado (hata’t): consistia em oferecer uma vítima por qualquer pecado. Variava conforme a gravidade do pecado e a importância da pessoa que pecava; para os pobres, podia comutar-se pelos animais mais baratos: um par de rolas ou de pombas (5,7; 12,6-8; Lc 2,24).

Este sacrifício distinguia-se dos demais pela aspersão do sangue, “pois o sangue é que faz expiação porque é vida” (17,10-11). Assumia especial importância na festa da Expiação.

Sacrifício de reparação da ofensa (asham): era um sacrifício semelhante ao anterior (5,14-26; 7,7).

4) Pães da oferenda (ou da proposição, lit., “pães da face”):

Eram 12 pães colocados sobre uma mesa que estava diante do Santo dos Santos. Simbolizavam a presença das 12 tribos, cada semana, diante do Deus da aliança. Eram renovados em cada sábado, e só os sacerdotes os podiam comer (24,5-9).

Ofertas de incenso: o incenso era considerado o perfume mais excelente e, por isso, oferecia-se a Deus como sinal de adoração e da oração que sobe até Ele.

No chamado altar do incenso, que estava diante do Santo dos Santos, o incenso ardia todos os dias, de manhã e de tarde, em honra do Senhor (2,1.15; 6,8; Ex 30,34-38; Mt 2,11; Lc 1,9).

Diante desta exposição da estrutura do Livro do Levítico, cabe-nos uma breve exposição de sua leitura, e em particular o interesse do cristianismo neste livro, dadas as suas características voltadas para o centro da vida de fé: o culto devido a Deus.

5. TEOLOGIA E LEITURA CRISTÃ

O LEVÍTICO

Representa a resposta cultual do povo de Israel ao Deus da aliança.

Os ritos descritos neste livro são a forma humana cultual possível, nesse tempo, do povo a Deus.

Jesus Cristo não destruiu este culto (Mt 5,17-20); Ele mesmo seguiu várias normas cultuais presentes no Levítico.

No entanto, fez uma interpretação mais espiritual, apontando para um culto que nasça do coração do crente e esteja sempre comprometido com a sua vida concreta e a do mundo que o rodeia (Mt 5,21-48; Mc 7,1-23; Jo 4,20-21; Rm 12,1).

Hoje, continuamos a ler este livro para encontrar as raízes do culto cristão e para nos alimentarmos com os seus temas teológicos, presentes em muitos textos do Novo Testamento.

A Carta aos Hebreus é o livro do Novo Testamento que mais explicitamente faz uma leitura cristã do Levítico.

 

1 http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

 

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Livros do Antigo Testamento (51)

27/04/2018 14:33 - Atualizado em 27/04/2018 14:34

No prosseguimento de uma introdução geral ao livro do Levítico, o terceiro livro do Pentateuco, concluiremos as questões prévias à compreensão deste livro acerca dos diversos aspectos das principais expressões cúltico-litúrgicas do povo de Israel, projetadas no período pós-exílico na aurora da sua história: os sacrifícios oferecidos a Deus em expiação dos pecados do povo!

III. Apêndice (27,1-34): os votos1.

1) Holocausto:

Vem do hebraico olah, que significa ‘subir’, e indica o fumo da vítima que sobe para Deus. A sua característica essencial era a vítima ser totalmente queimada, não ficando para o sacerdote mais do que a pele.

Antes do sacrifício, o oferente colocava as mãos sobre a vítima, em sinal de que lhe pertencia, reclamando, assim, os benefícios do seu sacrifício. Depois, ele próprio degolava a vítima, e o sacerdote queimava-a sobre o altar. Este sacrifício pretendia reconhecer o direito absoluto de Deus sobre todas as coisas (1,1-17; 6,1-6).

2) Sacrifício de comunhão (ou pacífico: zebah shelamîm):

Este procurava a comunhão com Deus, dando-lhe graças. Como o Holocausto, incluía a imposição das mãos, a imolação da vítima e o derramamento do seu sangue no altar (3,1-17).

A parte mais gorda, considerada a melhor, pertencia a Deus e era queimada; as outras duas partes eram distribuídas entre o sacerdote e o oferente; este comia-a num banquete sagrado, para significar a comunhão com a divindade.

3) Oferta vegetal (minhah, ‘oferta’):

Era a oferta de produtos do campo, sobretudo de farinha misturada com azeite. Este sacrifício estava ligado à oferta da primeira farinha na Festa do Pentecostes, mas tornou-se muito corrente, sendo feito juntamente com os sacrifícios de imolação de animais (ver 2,1-17).

Sacrifício pelo pecado (hata’t): consistia em oferecer uma vítima por qualquer pecado. Variava conforme a gravidade do pecado e a importância da pessoa que pecava; para os pobres, podia comutar-se pelos animais mais baratos: um par de rolas ou de pombas (5,7; 12,6-8; Lc 2,24).

Este sacrifício distinguia-se dos demais pela aspersão do sangue, “pois o sangue é que faz expiação porque é vida” (17,10-11). Assumia especial importância na festa da Expiação.

Sacrifício de reparação da ofensa (asham): era um sacrifício semelhante ao anterior (5,14-26; 7,7).

4) Pães da oferenda (ou da proposição, lit., “pães da face”):

Eram 12 pães colocados sobre uma mesa que estava diante do Santo dos Santos. Simbolizavam a presença das 12 tribos, cada semana, diante do Deus da aliança. Eram renovados em cada sábado, e só os sacerdotes os podiam comer (24,5-9).

Ofertas de incenso: o incenso era considerado o perfume mais excelente e, por isso, oferecia-se a Deus como sinal de adoração e da oração que sobe até Ele.

No chamado altar do incenso, que estava diante do Santo dos Santos, o incenso ardia todos os dias, de manhã e de tarde, em honra do Senhor (2,1.15; 6,8; Ex 30,34-38; Mt 2,11; Lc 1,9).

Diante desta exposição da estrutura do Livro do Levítico, cabe-nos uma breve exposição de sua leitura, e em particular o interesse do cristianismo neste livro, dadas as suas características voltadas para o centro da vida de fé: o culto devido a Deus.

5. TEOLOGIA E LEITURA CRISTÃ

O LEVÍTICO

Representa a resposta cultual do povo de Israel ao Deus da aliança.

Os ritos descritos neste livro são a forma humana cultual possível, nesse tempo, do povo a Deus.

Jesus Cristo não destruiu este culto (Mt 5,17-20); Ele mesmo seguiu várias normas cultuais presentes no Levítico.

No entanto, fez uma interpretação mais espiritual, apontando para um culto que nasça do coração do crente e esteja sempre comprometido com a sua vida concreta e a do mundo que o rodeia (Mt 5,21-48; Mc 7,1-23; Jo 4,20-21; Rm 12,1).

Hoje, continuamos a ler este livro para encontrar as raízes do culto cristão e para nos alimentarmos com os seus temas teológicos, presentes em muitos textos do Novo Testamento.

A Carta aos Hebreus é o livro do Novo Testamento que mais explicitamente faz uma leitura cristã do Levítico.

 

1 http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica