Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/05/2018

21 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (50)

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21 de Maio de 2018

Livros do Antigo Testamento (50)

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20/04/2018 13:51 - Atualizado em 20/04/2018 13:52

Livros do Antigo Testamento (50) 0

20/04/2018 13:51 - Atualizado em 20/04/2018 13:52

Neste artigo damos prosseguimento à introdução ao terceiro livro do Pentateuco: o livro do Levítico. Um passado fundado no presente da vida litúrgica e cúltica do povo de Israel, que busca na aurora de sua existência, no deserto, as fontes do zelo pela casa e pelas coisas do Senhor.

1. O Senhor chamou Moisés e falou-lhe da tenda de reunião: 2.“Fala, disse-lhe ele, aos israelitas. Dize-lhes: Quando um de vós fizer uma oferta ao Senhor, será dentre o gado maior ou menor que oferecereis. 3.Se a oferta for um holocausto tirado do gado maior, oferecerá um macho sem defeito; e o oferecerá à entrada da tenda de reunião para obter o favor do Senhor. 4.Porá a mão sobre a cabeça da vítima, que será aceita em seu favor para lhe servir de expiação. 5.Imolar-se-á o novilho diante do Senhor, e os sacerdotes, filhos de Aarão, oferecerão o sangue e o derramarão ao redor sobre o altar que está à entrada da tenda de reunião. 6.Tirar-se-á a pele da vítima, e esta será cortada em pedaços (Lv 1, 1-6).

1. Liturgia de Israel: Revelação de Deus!

Trata-se de um livro da memória litúrgica de Israel. Isto é, da experiência de conhecer a Deus e, por isso, venerá-Lo!

Não se conhece a Deus sem o intento de referendar a fé, como adoração e plena ação de graças.

Esta experiência não foi um ato individual, que depois será transmitido aos outros. Desde sempre, o deserto, em particular o Sinai, é o lugar/tempo do culto devido a Deus realizado, sob a instrução de Deus, realizado por todo o povo de Deus.

Liturgia como ação coletiva de serviço sacro à Santidade de Deus, revelada sobre a Montanha do Sinai, em meio à peregrinação pelo deserto.

No centro deste interessante livro estão as regras dos sacrifícios.

Israel desde Caim, a quem Deus não aceitara os sacrifícios, retoma esta atividade fundamental da vida humana: aprender a agradar a Deus, isto é, santificar-se! No sacrifício se implora o perdão dos pecados e se experimenta a centralidade da Salvação.

Além disso, o sacrifício de Israel é um bom ensaio, isto é, uma atividade profética do único e verdadeiro sacrifício, já que as vítimas animais eram passagem de um rito menor, aquele imenso e único do próprio Filho, como bem nos recorda a grande Carta aos Hebreus, em sua esplêndida teologia do sacrifício de Cristo:

1. Em verdade, todo Pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. 3. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados quanto pelos pecados do povo. 4. Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão. 5. Assim, também Cristo não Se atribuiu a Si mesmo a glória de ser Pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que Lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7), 6. como também diz em outra passagem: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 109,4). 7. Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. 8.Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. 9. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, 10. Porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hbr 5, 1-10).

O livro do Levítico demonstra-se assim, como memória de um aspecto não menos essencial da história de Israel: um povo a quem Deus ensinou a adorá-Lo, de verdade e retamente.

A Liturgia e a ascética1 experimentadas no seio da comunidade judaica são originárias de determinações divinas e implicam, se obedecidas fielmente, na real santificação da comunidade e na execução do louvor adequado a Deus.

Além disso, o culto público de Israel constitui seu primeiro Testemunho da Grandeza de Deus e da gratidão incomensurável de Israel por seu Deus e Salvador a todos os povos.

2. Espécies de Sacrifícios

Para uma boa compreensão do Levítico, é necessário conhecer o essencial acerca das diferentes espécies de sacrifícios:

Holocausto: vem do hebraico olah, que significa ‘subir’ e indica o fumo da vítima que sobe para Deus.

A sua característica essencial era a vítima ser totalmente queimada, não ficando para o sacerdote mais do que a pele. Antes do sacrifício, o oferente colocava as mãos sobre a vítima, em sinal de que lhe pertencia, reclamando, assim, os benefícios do seu sacrifício.

Depois, ele próprio degolava a vítima, e o sacerdote queimava-a sobre o altar. Este sacrifício pretendia reconhecer o direito absoluto de Deus sobre todas as coisas (1,1-17; 6,1-6).

 

1 ‘Para a teologia cristã há uma ascética, com um sentido amplo, e uma ascese, com sentido mais restrito.A Ascética consiste no esforço metódico e continuado, com a ajuda da graça, para favorecer o pleno desenvolvimento da vida espiritual, aplicando meios e superando obstáculos. Aqui atuam e organizam-se os grandes meios e práticas da vida espiritual: oração, penitência, retiro, exame de consciência, direção espiritual, sacramentos. Como também uso de métodos, projetos, disciplina interior, para um maior aproveitamento da graça e dos meios. Este sentido amplo é o que normalmente tem a palavra, quando se encontra em títulos de manuais, ou se contrapõe a mística. Ascese, em sentido mais restrito, é o conjunto dos exercícios mortificantes, aplicados diretamente a eliminar vícios, dominar e reorientar tendências desordenadas, robustecer a liberdade. É o que normalmente se expressa em termos como abnegação, mortificação, penitência, renúncia’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Asc%C3%A9tica.

 

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Livros do Antigo Testamento (50)

20/04/2018 13:51 - Atualizado em 20/04/2018 13:52

Neste artigo damos prosseguimento à introdução ao terceiro livro do Pentateuco: o livro do Levítico. Um passado fundado no presente da vida litúrgica e cúltica do povo de Israel, que busca na aurora de sua existência, no deserto, as fontes do zelo pela casa e pelas coisas do Senhor.

1. O Senhor chamou Moisés e falou-lhe da tenda de reunião: 2.“Fala, disse-lhe ele, aos israelitas. Dize-lhes: Quando um de vós fizer uma oferta ao Senhor, será dentre o gado maior ou menor que oferecereis. 3.Se a oferta for um holocausto tirado do gado maior, oferecerá um macho sem defeito; e o oferecerá à entrada da tenda de reunião para obter o favor do Senhor. 4.Porá a mão sobre a cabeça da vítima, que será aceita em seu favor para lhe servir de expiação. 5.Imolar-se-á o novilho diante do Senhor, e os sacerdotes, filhos de Aarão, oferecerão o sangue e o derramarão ao redor sobre o altar que está à entrada da tenda de reunião. 6.Tirar-se-á a pele da vítima, e esta será cortada em pedaços (Lv 1, 1-6).

1. Liturgia de Israel: Revelação de Deus!

Trata-se de um livro da memória litúrgica de Israel. Isto é, da experiência de conhecer a Deus e, por isso, venerá-Lo!

Não se conhece a Deus sem o intento de referendar a fé, como adoração e plena ação de graças.

Esta experiência não foi um ato individual, que depois será transmitido aos outros. Desde sempre, o deserto, em particular o Sinai, é o lugar/tempo do culto devido a Deus realizado, sob a instrução de Deus, realizado por todo o povo de Deus.

Liturgia como ação coletiva de serviço sacro à Santidade de Deus, revelada sobre a Montanha do Sinai, em meio à peregrinação pelo deserto.

No centro deste interessante livro estão as regras dos sacrifícios.

Israel desde Caim, a quem Deus não aceitara os sacrifícios, retoma esta atividade fundamental da vida humana: aprender a agradar a Deus, isto é, santificar-se! No sacrifício se implora o perdão dos pecados e se experimenta a centralidade da Salvação.

Além disso, o sacrifício de Israel é um bom ensaio, isto é, uma atividade profética do único e verdadeiro sacrifício, já que as vítimas animais eram passagem de um rito menor, aquele imenso e único do próprio Filho, como bem nos recorda a grande Carta aos Hebreus, em sua esplêndida teologia do sacrifício de Cristo:

1. Em verdade, todo Pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. 3. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados quanto pelos pecados do povo. 4. Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão. 5. Assim, também Cristo não Se atribuiu a Si mesmo a glória de ser Pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que Lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7), 6. como também diz em outra passagem: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 109,4). 7. Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. 8.Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. 9. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, 10. Porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hbr 5, 1-10).

O livro do Levítico demonstra-se assim, como memória de um aspecto não menos essencial da história de Israel: um povo a quem Deus ensinou a adorá-Lo, de verdade e retamente.

A Liturgia e a ascética1 experimentadas no seio da comunidade judaica são originárias de determinações divinas e implicam, se obedecidas fielmente, na real santificação da comunidade e na execução do louvor adequado a Deus.

Além disso, o culto público de Israel constitui seu primeiro Testemunho da Grandeza de Deus e da gratidão incomensurável de Israel por seu Deus e Salvador a todos os povos.

2. Espécies de Sacrifícios

Para uma boa compreensão do Levítico, é necessário conhecer o essencial acerca das diferentes espécies de sacrifícios:

Holocausto: vem do hebraico olah, que significa ‘subir’ e indica o fumo da vítima que sobe para Deus.

A sua característica essencial era a vítima ser totalmente queimada, não ficando para o sacerdote mais do que a pele. Antes do sacrifício, o oferente colocava as mãos sobre a vítima, em sinal de que lhe pertencia, reclamando, assim, os benefícios do seu sacrifício.

Depois, ele próprio degolava a vítima, e o sacerdote queimava-a sobre o altar. Este sacrifício pretendia reconhecer o direito absoluto de Deus sobre todas as coisas (1,1-17; 6,1-6).

 

1 ‘Para a teologia cristã há uma ascética, com um sentido amplo, e uma ascese, com sentido mais restrito.A Ascética consiste no esforço metódico e continuado, com a ajuda da graça, para favorecer o pleno desenvolvimento da vida espiritual, aplicando meios e superando obstáculos. Aqui atuam e organizam-se os grandes meios e práticas da vida espiritual: oração, penitência, retiro, exame de consciência, direção espiritual, sacramentos. Como também uso de métodos, projetos, disciplina interior, para um maior aproveitamento da graça e dos meios. Este sentido amplo é o que normalmente tem a palavra, quando se encontra em títulos de manuais, ou se contrapõe a mística. Ascese, em sentido mais restrito, é o conjunto dos exercícios mortificantes, aplicados diretamente a eliminar vícios, dominar e reorientar tendências desordenadas, robustecer a liberdade. É o que normalmente se expressa em termos como abnegação, mortificação, penitência, renúncia’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Asc%C3%A9tica.

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica