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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/07/2018

20 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (49)

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20 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (49)

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13/04/2018 00:00 - Atualizado em 16/04/2018 08:14

Livros do Antigo Testamento (49) 0

13/04/2018 00:00 - Atualizado em 16/04/2018 08:14

Neste livro iniciamos um caminho de conhecimento e reflexões bíblicas sobre o terceiro livro do Pentateuco. Trata-se do livro Levítico. Uma introdução geral pode nos ajudar a ver melhor o conjunto desta obra, que, de certa maneira, nos recoloca na questão fundamental do Êxodo: Como servir a Deus, neste templo provisório e itinerante? O livro parece projetar no passado de Israel ‘aquele zelo’ pela casa de Deus, sinal de sua Presença e Santidade no meio do povo de Israel (acampamento).

A Bíblia Hebraica intitulava o terceiro livro do Pentateuco: “Wayyiqra” (“E chamou”). No entanto, a tradução grega do hebraico (Setenta) chamou-lhe Levítico, certamente pela importância da função litúrgica nele atribuída aos levitas1.

Levi era um dos filhos de Jacob (Ex 1,2), cuja tribo deveria situar-se no sul da Palestina e foi escolhida para o serviço religioso e sacerdotal do templo (Dt 10,8-9). Este seria o livro do culto do povo da aliança.

1. CONTEÚDO E DIVISÃO

Os acontecimentos narrados pelo Levítico situam-se durante a grande viagem do Egito até a terra de Israel, no ambiente geográfico e, sobretudo, teológico da aliança do Sinai e em estreita ligação com o Êxodo e os Números:

Os últimos capítulos do Êxodo (25-40) são litúrgicos e fazem uma ligação perfeita com o Levítico, que é totalmente litúrgico, e a numerosa legislação deste relaciona-se intimamente com o Êxodo (Ex 25,1-29; 31; 35-40).

Apenas algumas tradições antigas devem pertencer ao tempo histórico da travessia do Sinai, pois toda a estrutura do culto aqui regulamentada supõe um povo sedentarizado e o culto do templo bem organizado. Trata-se, talvez, de uma recolha feita pelos sacerdotes de Jerusalém, já depois do Exílio (séc.VI)2.

O trágico acontecimento do Exílio diz bem da importância que o culto tinha para este povo.

Sem as seguranças que lhe vinham do rei, a Israel restava a Lei (proclamada agora talvez nas primeiras sinagogas) e o sacerdócio que mantinha o culto do templo, onde o povo se reunia para as grandes festas, que faziam reviver a sua consciência de povo de Deus.

O autor, ao situar todo este enorme conjunto de leis cultuais num único local e antes da partida do Sinai, com a qual começa o livro dos Números, pretende atingir vários objetivos: primeiro, dizer que todas as leis devem ter o seu fundamento na aliança do Sinai, graciosamente oferecida por Deus ao seu povo, e que o culto deve ser uma resposta a essa aliança; depois, atribuir toda esta legislação à mediação de Moisés, que foi o primeiro organizador do povo de Deus. No entanto, quando estas leis cultuais foram codificadas aqui, já eram praticadas no culto do templo. Isso não obsta a que algumas delas sejam tão antigas que se percam no tempo3.

Mas o culto do povo da aliança não pode limitar-se apenas aos ritos litúrgicos.

Daí a inserção, neste livro, de um “Código de Santidade”, que pertencia também ao ambiente dos sacerdotes-catequistas do templo.

O conteúdo do Levítico pode alinhar-se, então, em seis grandes secções, constituindo as quatro primeiras um “Código sacerdotal”.

Teríamos, portanto, a seguinte divisão:

I. Código Sacerdotal (1,1-16,34): inclui as seguintes seções:

1. Ritual dos Sacrifícios (1,1-7,38): holocausto (1), oblações (2), sacrifício de comunhão (3), sacrifício de expiação (4,1-5,13), sacrifício de reparação (5,14-26), deveres e direitos dos sacerdotes (6-7).

2. Consagração dos sacerdotes e inauguração do culto (8,1-10,20): Ritual da consagração de Aarão e seus filhos (8), primeiros sacrifícios dos novos sacerdotes (9), irregularidades e normas sobre os sacerdotes (10).

3. Código da pureza ritual (11,1-15,33): animais puros e impuros (11), purificação da mulher que dá à luz (12), purificação da lepra (13-14), impureza sexual (15).

4. Dia da grande expiação (16,1-34).

II. Código de Santidade (17,1-26,46):

É um conjunto de leis introduzidas pela fórmula «Sede santos porque Eu sou santo», que inclui leis sobre a imolação de animais e leis do sangue (17), leis em matéria sexual (18), deveres para com o próximo (19), penas pelos pecados sexuais (20), santidade dos sacerdotes (21-22), calendário das festas (23), luzes do santuário e pães da oferenda ou da proposição (24,1-9), Ano Sabático e Jubileu (25), bênçãos e maldições (26). Como se torna evidente, neste grande conjunto de leis cultuais, quase metade do livro é constituída pelo «Código de Santidade» (17-26).

III. Apêndice (27,1-34): os votos.

 

1http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

2http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

3HTTP://WWW.PAROQUIAS.ORG/BIBLIA/INDEX.PHP?M=4&N=3

 

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Livros do Antigo Testamento (49)

13/04/2018 00:00 - Atualizado em 16/04/2018 08:14

Neste livro iniciamos um caminho de conhecimento e reflexões bíblicas sobre o terceiro livro do Pentateuco. Trata-se do livro Levítico. Uma introdução geral pode nos ajudar a ver melhor o conjunto desta obra, que, de certa maneira, nos recoloca na questão fundamental do Êxodo: Como servir a Deus, neste templo provisório e itinerante? O livro parece projetar no passado de Israel ‘aquele zelo’ pela casa de Deus, sinal de sua Presença e Santidade no meio do povo de Israel (acampamento).

A Bíblia Hebraica intitulava o terceiro livro do Pentateuco: “Wayyiqra” (“E chamou”). No entanto, a tradução grega do hebraico (Setenta) chamou-lhe Levítico, certamente pela importância da função litúrgica nele atribuída aos levitas1.

Levi era um dos filhos de Jacob (Ex 1,2), cuja tribo deveria situar-se no sul da Palestina e foi escolhida para o serviço religioso e sacerdotal do templo (Dt 10,8-9). Este seria o livro do culto do povo da aliança.

1. CONTEÚDO E DIVISÃO

Os acontecimentos narrados pelo Levítico situam-se durante a grande viagem do Egito até a terra de Israel, no ambiente geográfico e, sobretudo, teológico da aliança do Sinai e em estreita ligação com o Êxodo e os Números:

Os últimos capítulos do Êxodo (25-40) são litúrgicos e fazem uma ligação perfeita com o Levítico, que é totalmente litúrgico, e a numerosa legislação deste relaciona-se intimamente com o Êxodo (Ex 25,1-29; 31; 35-40).

Apenas algumas tradições antigas devem pertencer ao tempo histórico da travessia do Sinai, pois toda a estrutura do culto aqui regulamentada supõe um povo sedentarizado e o culto do templo bem organizado. Trata-se, talvez, de uma recolha feita pelos sacerdotes de Jerusalém, já depois do Exílio (séc.VI)2.

O trágico acontecimento do Exílio diz bem da importância que o culto tinha para este povo.

Sem as seguranças que lhe vinham do rei, a Israel restava a Lei (proclamada agora talvez nas primeiras sinagogas) e o sacerdócio que mantinha o culto do templo, onde o povo se reunia para as grandes festas, que faziam reviver a sua consciência de povo de Deus.

O autor, ao situar todo este enorme conjunto de leis cultuais num único local e antes da partida do Sinai, com a qual começa o livro dos Números, pretende atingir vários objetivos: primeiro, dizer que todas as leis devem ter o seu fundamento na aliança do Sinai, graciosamente oferecida por Deus ao seu povo, e que o culto deve ser uma resposta a essa aliança; depois, atribuir toda esta legislação à mediação de Moisés, que foi o primeiro organizador do povo de Deus. No entanto, quando estas leis cultuais foram codificadas aqui, já eram praticadas no culto do templo. Isso não obsta a que algumas delas sejam tão antigas que se percam no tempo3.

Mas o culto do povo da aliança não pode limitar-se apenas aos ritos litúrgicos.

Daí a inserção, neste livro, de um “Código de Santidade”, que pertencia também ao ambiente dos sacerdotes-catequistas do templo.

O conteúdo do Levítico pode alinhar-se, então, em seis grandes secções, constituindo as quatro primeiras um “Código sacerdotal”.

Teríamos, portanto, a seguinte divisão:

I. Código Sacerdotal (1,1-16,34): inclui as seguintes seções:

1. Ritual dos Sacrifícios (1,1-7,38): holocausto (1), oblações (2), sacrifício de comunhão (3), sacrifício de expiação (4,1-5,13), sacrifício de reparação (5,14-26), deveres e direitos dos sacerdotes (6-7).

2. Consagração dos sacerdotes e inauguração do culto (8,1-10,20): Ritual da consagração de Aarão e seus filhos (8), primeiros sacrifícios dos novos sacerdotes (9), irregularidades e normas sobre os sacerdotes (10).

3. Código da pureza ritual (11,1-15,33): animais puros e impuros (11), purificação da mulher que dá à luz (12), purificação da lepra (13-14), impureza sexual (15).

4. Dia da grande expiação (16,1-34).

II. Código de Santidade (17,1-26,46):

É um conjunto de leis introduzidas pela fórmula «Sede santos porque Eu sou santo», que inclui leis sobre a imolação de animais e leis do sangue (17), leis em matéria sexual (18), deveres para com o próximo (19), penas pelos pecados sexuais (20), santidade dos sacerdotes (21-22), calendário das festas (23), luzes do santuário e pães da oferenda ou da proposição (24,1-9), Ano Sabático e Jubileu (25), bênçãos e maldições (26). Como se torna evidente, neste grande conjunto de leis cultuais, quase metade do livro é constituída pelo «Código de Santidade» (17-26).

III. Apêndice (27,1-34): os votos.

 

1http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

2http://www.paroquias.org/biblia/index.php?m=4&n=3

3HTTP://WWW.PAROQUIAS.ORG/BIBLIA/INDEX.PHP?M=4&N=3

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica