Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2018

17 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (48)

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17 de Julho de 2018

Livros do Antigo Testamento (48)

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06/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:08

Livros do Antigo Testamento (48) 0

06/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:08

Neste artigo concluímos a nossa leitura do Livro do Êxodo. Uma narrativa que nutrirá toda a Sagrada Escritura. O Antigo Testamento, desde os livros proféticos aos salmos, irá repercutir estas narrativas pascais como modelos proféticos da intervenção libertadora de Deus, não somente sobre Israel, o Povo Amado e Escolhido por Deus, mas toda a Humanidade.

1. Moisés: Ex 33. A tenda da Reunião e a Aliança com Deus.

Moisés foi levantar a tenda a alguma distância fora do acampamento. (E chamou-a tenda de reunião.) Quem queria consultar o Senhor dirigia-se à tenda de reunião, fora do acampamento (Ex 33, 7-8).

A situação desastrosa da idolatria, na cena do bezerro de ouro, que pudemos ver na seção passada, em nada abala a relação entre Moisés e Deus. Ao contrário, Moisés intensifica sua atuação de mediador de Deus, no meio do acampamento. 

A situação inaugura uma constante na história de Israel. Pecado-conversão-penitência. Um tripé que se desloca por toda a história de Israel. O que se vê ao longo da trajetória da caminhada deste Povo e de certa maneira representa a história da Humanidade.

A tenda (de reunião) representa o primordial sinal de Presença de Deus, que havia desaparecido do horizonte dos pecadores. Expulsos do paraíso eram incapazes de apreender tão próxima, uma presença que até era ameaçadora. Era possível ‘consultar’ o Senhor, isto é, oração e orientação divina estavam de novo, mesmo de modo provisório, à altura das mãos dos pecadores, em pleno deserto.

2. Moisés: Ex 33, 11. O Amigo de Deus!

O Senhor se entretinha com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo. Voltava depois Moisés ao acampamento, mas seu ajudante, o jovem Josué, filho de Nun, não se apartava do interior da tenda. Moisés disse ao Senhor: “Vós dizeis-me que faça subir o povo, mas não me fazeis saber quem haveis designado para acompanhar-me. E, entretanto, dissestes-me: ‘Conheço-te pelo teu nome’ e: ‘Tens todo o meu favor.’ Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.” O Senhor respondeu: “Minha face irá contigo, e serei o teu guia.” “Se vossa face não vier conosco, disse Moisés, não nos façais partir deste lugar. Por onde se saberá que temos todo o vosso favor, eu e o vosso povo? Porventura, não é necessário para isso justamente que marcheis conosco? É o que nos distinguirá, eu e o vosso povo, de todas as outras nações da Terra.” .“O que pedes, replicou o Senhor, fá-lo-ei, porque tens todo o meu favor, e te conheço pelo teu nome.” (Ex 33, 11-17).

Aqui atingimos o auge da relações de Deus com o Povo que Deus elegeu por sua propriedade. Não somente, o v. 11 indica a condição de Moisés: ele fala com Deus face a face:

“O Senhor se entretinha com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo”

A vocação de Israel condizia com esta imagem. Finalmente recomeçava o projeto de recuperar ‘intimidade’ com Deus. 

Aquilo que liamos no desgraçado contexto do pecado original, em Gn 3,8. Os passos de Deus ouvidos no jardim, que causaram medo e escondimento aos pais no pecado, agora são sinais estimulantes de uma nova situação: ‘como um homem fala com seu amigo’.

Outro aspecto importante nesta exigência da Face de Deus, junto aos passos que Moisés estava por empreender, implica a todo momento na ativa presença de todo o Povo, com seus representantes. Moisés não estabelece uma religião da intimidade individual com Deus, ele representa a unidade do Povo de Deus.

Moisés caminha com Deus, trazendo consigo seu Povo, refazendo seu caminho de pecado, através do perdão divino.

Para Moisés, o perdão de Deus se reflete na intensificação da paternidade de Deus em relação a Israel. Ele é figura do mediador de Israel em suas fragilidades com a Santidade divina:

“Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.”

3. O destino de Israel: Ver a Glória de Deus!

Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória.” E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, e pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Dou a minha graça a quem quero, e uso de misericórdia com quem me apraz. Mas, ajuntou o Senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver. Eis um lugar perto de mim, disse o Senhor; tu estarás sobre a rocha. Quando minha glória passar, te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão, até que eu tenha passado. Retirarei depois a mão, e me verás por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista” (Ex 33, 18-23).

O v. 18 marca um salto absoluto de qualidade nas relações entre Moises e Deus, e como vimos anteriormente, nas relações entre Deus e seu Povo. Tratava-se da visão da Gloria de Deus. Era o sinônimo de perdão e salvação. 

Ver a Deus, sua glória indicava, evidentemente uma dimensão escatológica, uma lógica do futuro, ao mesmo tempo, que qualificava a história da Salvação: O Mistério de Deus, adentrando a vida humana, como sal e luz da vida.

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Livros do Antigo Testamento (48)

06/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:08

Neste artigo concluímos a nossa leitura do Livro do Êxodo. Uma narrativa que nutrirá toda a Sagrada Escritura. O Antigo Testamento, desde os livros proféticos aos salmos, irá repercutir estas narrativas pascais como modelos proféticos da intervenção libertadora de Deus, não somente sobre Israel, o Povo Amado e Escolhido por Deus, mas toda a Humanidade.

1. Moisés: Ex 33. A tenda da Reunião e a Aliança com Deus.

Moisés foi levantar a tenda a alguma distância fora do acampamento. (E chamou-a tenda de reunião.) Quem queria consultar o Senhor dirigia-se à tenda de reunião, fora do acampamento (Ex 33, 7-8).

A situação desastrosa da idolatria, na cena do bezerro de ouro, que pudemos ver na seção passada, em nada abala a relação entre Moisés e Deus. Ao contrário, Moisés intensifica sua atuação de mediador de Deus, no meio do acampamento. 

A situação inaugura uma constante na história de Israel. Pecado-conversão-penitência. Um tripé que se desloca por toda a história de Israel. O que se vê ao longo da trajetória da caminhada deste Povo e de certa maneira representa a história da Humanidade.

A tenda (de reunião) representa o primordial sinal de Presença de Deus, que havia desaparecido do horizonte dos pecadores. Expulsos do paraíso eram incapazes de apreender tão próxima, uma presença que até era ameaçadora. Era possível ‘consultar’ o Senhor, isto é, oração e orientação divina estavam de novo, mesmo de modo provisório, à altura das mãos dos pecadores, em pleno deserto.

2. Moisés: Ex 33, 11. O Amigo de Deus!

O Senhor se entretinha com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo. Voltava depois Moisés ao acampamento, mas seu ajudante, o jovem Josué, filho de Nun, não se apartava do interior da tenda. Moisés disse ao Senhor: “Vós dizeis-me que faça subir o povo, mas não me fazeis saber quem haveis designado para acompanhar-me. E, entretanto, dissestes-me: ‘Conheço-te pelo teu nome’ e: ‘Tens todo o meu favor.’ Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.” O Senhor respondeu: “Minha face irá contigo, e serei o teu guia.” “Se vossa face não vier conosco, disse Moisés, não nos façais partir deste lugar. Por onde se saberá que temos todo o vosso favor, eu e o vosso povo? Porventura, não é necessário para isso justamente que marcheis conosco? É o que nos distinguirá, eu e o vosso povo, de todas as outras nações da Terra.” .“O que pedes, replicou o Senhor, fá-lo-ei, porque tens todo o meu favor, e te conheço pelo teu nome.” (Ex 33, 11-17).

Aqui atingimos o auge da relações de Deus com o Povo que Deus elegeu por sua propriedade. Não somente, o v. 11 indica a condição de Moisés: ele fala com Deus face a face:

“O Senhor se entretinha com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo”

A vocação de Israel condizia com esta imagem. Finalmente recomeçava o projeto de recuperar ‘intimidade’ com Deus. 

Aquilo que liamos no desgraçado contexto do pecado original, em Gn 3,8. Os passos de Deus ouvidos no jardim, que causaram medo e escondimento aos pais no pecado, agora são sinais estimulantes de uma nova situação: ‘como um homem fala com seu amigo’.

Outro aspecto importante nesta exigência da Face de Deus, junto aos passos que Moisés estava por empreender, implica a todo momento na ativa presença de todo o Povo, com seus representantes. Moisés não estabelece uma religião da intimidade individual com Deus, ele representa a unidade do Povo de Deus.

Moisés caminha com Deus, trazendo consigo seu Povo, refazendo seu caminho de pecado, através do perdão divino.

Para Moisés, o perdão de Deus se reflete na intensificação da paternidade de Deus em relação a Israel. Ele é figura do mediador de Israel em suas fragilidades com a Santidade divina:

“Se é verdade que tenho todo o vosso favor, dai-me a conhecer os vossos desígnios, para que eu saiba que tenho todo o vosso favor; e considerai que esta nação é o vosso povo.”

3. O destino de Israel: Ver a Glória de Deus!

Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória.” E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor, e pronunciarei diante de ti o nome de Javé. Dou a minha graça a quem quero, e uso de misericórdia com quem me apraz. Mas, ajuntou o Senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver. Eis um lugar perto de mim, disse o Senhor; tu estarás sobre a rocha. Quando minha glória passar, te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão, até que eu tenha passado. Retirarei depois a mão, e me verás por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista” (Ex 33, 18-23).

O v. 18 marca um salto absoluto de qualidade nas relações entre Moises e Deus, e como vimos anteriormente, nas relações entre Deus e seu Povo. Tratava-se da visão da Gloria de Deus. Era o sinônimo de perdão e salvação. 

Ver a Deus, sua glória indicava, evidentemente uma dimensão escatológica, uma lógica do futuro, ao mesmo tempo, que qualificava a história da Salvação: O Mistério de Deus, adentrando a vida humana, como sal e luz da vida.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica