Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 19º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/04/2018

24 de Abril de 2018

Bem-aventurados os que não viram, mas acreditaram

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24 de Abril de 2018

Bem-aventurados os que não viram, mas acreditaram

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08/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:04

Bem-aventurados os que não viram, mas acreditaram 0

08/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:04

Este “Segundo Domingo da Páscoa” ou “Domingo na Oitava Pascal” era chamado na Igreja Antiga de Dominica in Albis. Nesse dia, os neófitos iam à Igreja portando, ainda, a veste branca batismal, sinal da vida nova recebida no Batismo. Depois disso, os neófitos depunham as mesmas vestes e procuravam viver este sacramento da vida nova integrando-se na comunidade dos fiéis. 

A coleta deste Segundo Domingo da Páscoa guarda em si esse sentido batismal e faz memória da Iniciação Cristã, outrora ministrada, sobretudo, na Vigília Pascal: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o Batismo que nos lavou, o espírito que nos deu vida nova, e o sangue que nos redimiu.” Os três sacramentos da Iniciação Cristã estão, aqui, claramente expressos: o “Batismo”, que nos lavou; o “Espírito”, que nos deu vida nova (Crisma); o “Sangue”, que nos redimiu (Eucaristia).

Também a segunda leitura nos aponta para o mistério do Batismo. São João proclama: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus...” O Batismo é esse “novo nascimento”, fruto da “fé”. Alguém se aproxima da Igreja, conhece o Cristo, adere a Ele pela fé e, então, entra em comunhão com Ele por meio do Batismo para viver a vida nova dos filhos de Deus.

Todos os batizados têm a grata oportunidade de renovar as suas promessas batismais na noite de Grande Vigília Pascal. Depois da renovação das promessas batismais, todos são aspergidos, a fim de que se recordem daquele dia em que foram mergulhados na morte com Cristo e ressurgiram com Ele para uma vida nova. A solenidade anual da Páscoa, como já nos recordou a coleta deste dia, transcrita acima, é o grande momento em que a nossa fé é “reacesa”. Resta-nos, agora, viver como “luz no Senhor”. Teremos provações, mas essas são vencidas graças à fé, como nos recorda, ainda, a primeira leitura: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (cf. 1Jo 5,4).

Neste Tempo da Páscoa, a primeira leitura que nos acompanhará aos domingos será sempre um trecho do livro dos Atos dos Apóstolos. Assim, poderemos ouvir na liturgia como a comunidade cristã da primeira hora, impulsionada pela força da Ressurreição e de Pentecostes, anunciou com destemor a Palavra Divina e procurou viver segundo os ensinamentos do Senhor, agora recordados e plenamente compreendidos à luz do seu mistério Pascal. 

Na primeira leitura de hoje ouvimos um trecho de At 4: a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma (cf. At 4,32). Não somente estavam os fiéis unidos a Cristo, o Senhor, mas haviam compreendido que, estando unidos a Cristo eles estavam, também, necessariamente, unidos uns aos outros. 

No núcleo do testemunho apostólico estava o anúncio da Ressurreição do Senhor (cf. At 4,33), centro da nossa fé. Entre eles não havia necessitados, pois tudo era distribuído conforme as necessidades de cada um (cf. At 4,35). Olhando para esta comunidade cristã da primeira hora, devemos sentir-nos inspirados a, pelo menos, tentar reproduzir um pouco do que era aquele clima inicial. A força da celebração pascal deve reacender em nós o desejo de viver um clima semelhante em nossas comunidades, a fim de que elas sejam realmente “comunidades cristãs”.

O coração de toda a Liturgia da Palavra é o Evangelho. Proclamado solenemente pelo sacerdote ou pelo diácono, incensado, lido algumas vezes do Evangeliário, ele é cercado de especial reverência na liturgia. Isso tudo acontece para que, através dos sinais litúrgicos, possamos perceber que é o Evangelho que lança luz sobre todas as Escrituras. É à luz do Mistério de Cristo que podemos entender as Divinas Letras, pois a história da salvação só pode ser plenamente compreendida a partir da sua plenitude, que se deu em Cristo.

Durante toda a semana da Oitava Pascal ouvimos trechos dos evangelhos que nos relataram as aparições do Ressuscitado: a Maria Madalena, aos discípulos de Emaús, aos discípulos em geral, aos 12 etc. Agora estamos no grande Domingo da Oitava Pascal, e ouvimos o relato de um outro domingo, o primeiro da comunidade cristã. Eles estão com as portas fechadas, tomados pelo medo. O Ressuscitado, então, se coloca no meio deles. O seu dom pascal é a paz: A paz esteja convosco, lhes diz o Senhor. Mais que uma saudação, Cristo dá aos discípulos o dom efetivo da paz. Essa paz nasce naturalmente do seu Mistério Pascal, pois, se Ele “venceu a morte”, o que mais pode afligir o discípulo ou roubar-lhe a paz? O Ressuscitado mostra aos discípulos as mãos e o lado, assim eles podem perceber que Ele não é um fantasma, mas, sim, o Senhor, ressuscitado, com seu corpo glorificado, sinal de esperança para todo aquele que nele crê, pois se Ele ressuscitou, Ele também nos ressuscitará para a vida que Ele nos preparou.

Naquele domingo, contudo, não estava entre os discípulos o apóstolo São Tomé. Tomé recusa-se a crer, a menos que Ele também possa ver o Senhor. Assim, no domingo seguinte, o Senhor aparece novamente aos seus, comunica-lhes o dom da sua paz e convida Tomé a toda suas mãos e seu lado. Bendita incredulidade de Tomé! Graças à sua incredulidade nós nos tornamos bem-aventurados, pois o Senhor disse a Tomé: Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto! (cf. Jo 20,29)

O Evangelho nos faz perceber que a comunidade é o lugar privilegiado de encontro com o Ressuscitado. Nela encontramos o Senhor que renova a nossa fé e nos alimenta com sua Palavra e com os sacramentos. Possamos nós manter acesa em nosso coração, durante todo o tempo pascal e durante toda a nossa vida, a chama da fé. Que essa luz nos guie, sobretudo nos momentos obscuros da nossa existência, a fim de nos deixarmos conduzir pelo Cristo, luz da luz, que nos introduzirá um dia na vida eterna que Ele nos preparou.

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Bem-aventurados os que não viram, mas acreditaram

08/04/2018 00:00 - Atualizado em 11/04/2018 14:04

Este “Segundo Domingo da Páscoa” ou “Domingo na Oitava Pascal” era chamado na Igreja Antiga de Dominica in Albis. Nesse dia, os neófitos iam à Igreja portando, ainda, a veste branca batismal, sinal da vida nova recebida no Batismo. Depois disso, os neófitos depunham as mesmas vestes e procuravam viver este sacramento da vida nova integrando-se na comunidade dos fiéis. 

A coleta deste Segundo Domingo da Páscoa guarda em si esse sentido batismal e faz memória da Iniciação Cristã, outrora ministrada, sobretudo, na Vigília Pascal: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o Batismo que nos lavou, o espírito que nos deu vida nova, e o sangue que nos redimiu.” Os três sacramentos da Iniciação Cristã estão, aqui, claramente expressos: o “Batismo”, que nos lavou; o “Espírito”, que nos deu vida nova (Crisma); o “Sangue”, que nos redimiu (Eucaristia).

Também a segunda leitura nos aponta para o mistério do Batismo. São João proclama: “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus...” O Batismo é esse “novo nascimento”, fruto da “fé”. Alguém se aproxima da Igreja, conhece o Cristo, adere a Ele pela fé e, então, entra em comunhão com Ele por meio do Batismo para viver a vida nova dos filhos de Deus.

Todos os batizados têm a grata oportunidade de renovar as suas promessas batismais na noite de Grande Vigília Pascal. Depois da renovação das promessas batismais, todos são aspergidos, a fim de que se recordem daquele dia em que foram mergulhados na morte com Cristo e ressurgiram com Ele para uma vida nova. A solenidade anual da Páscoa, como já nos recordou a coleta deste dia, transcrita acima, é o grande momento em que a nossa fé é “reacesa”. Resta-nos, agora, viver como “luz no Senhor”. Teremos provações, mas essas são vencidas graças à fé, como nos recorda, ainda, a primeira leitura: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (cf. 1Jo 5,4).

Neste Tempo da Páscoa, a primeira leitura que nos acompanhará aos domingos será sempre um trecho do livro dos Atos dos Apóstolos. Assim, poderemos ouvir na liturgia como a comunidade cristã da primeira hora, impulsionada pela força da Ressurreição e de Pentecostes, anunciou com destemor a Palavra Divina e procurou viver segundo os ensinamentos do Senhor, agora recordados e plenamente compreendidos à luz do seu mistério Pascal. 

Na primeira leitura de hoje ouvimos um trecho de At 4: a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma (cf. At 4,32). Não somente estavam os fiéis unidos a Cristo, o Senhor, mas haviam compreendido que, estando unidos a Cristo eles estavam, também, necessariamente, unidos uns aos outros. 

No núcleo do testemunho apostólico estava o anúncio da Ressurreição do Senhor (cf. At 4,33), centro da nossa fé. Entre eles não havia necessitados, pois tudo era distribuído conforme as necessidades de cada um (cf. At 4,35). Olhando para esta comunidade cristã da primeira hora, devemos sentir-nos inspirados a, pelo menos, tentar reproduzir um pouco do que era aquele clima inicial. A força da celebração pascal deve reacender em nós o desejo de viver um clima semelhante em nossas comunidades, a fim de que elas sejam realmente “comunidades cristãs”.

O coração de toda a Liturgia da Palavra é o Evangelho. Proclamado solenemente pelo sacerdote ou pelo diácono, incensado, lido algumas vezes do Evangeliário, ele é cercado de especial reverência na liturgia. Isso tudo acontece para que, através dos sinais litúrgicos, possamos perceber que é o Evangelho que lança luz sobre todas as Escrituras. É à luz do Mistério de Cristo que podemos entender as Divinas Letras, pois a história da salvação só pode ser plenamente compreendida a partir da sua plenitude, que se deu em Cristo.

Durante toda a semana da Oitava Pascal ouvimos trechos dos evangelhos que nos relataram as aparições do Ressuscitado: a Maria Madalena, aos discípulos de Emaús, aos discípulos em geral, aos 12 etc. Agora estamos no grande Domingo da Oitava Pascal, e ouvimos o relato de um outro domingo, o primeiro da comunidade cristã. Eles estão com as portas fechadas, tomados pelo medo. O Ressuscitado, então, se coloca no meio deles. O seu dom pascal é a paz: A paz esteja convosco, lhes diz o Senhor. Mais que uma saudação, Cristo dá aos discípulos o dom efetivo da paz. Essa paz nasce naturalmente do seu Mistério Pascal, pois, se Ele “venceu a morte”, o que mais pode afligir o discípulo ou roubar-lhe a paz? O Ressuscitado mostra aos discípulos as mãos e o lado, assim eles podem perceber que Ele não é um fantasma, mas, sim, o Senhor, ressuscitado, com seu corpo glorificado, sinal de esperança para todo aquele que nele crê, pois se Ele ressuscitou, Ele também nos ressuscitará para a vida que Ele nos preparou.

Naquele domingo, contudo, não estava entre os discípulos o apóstolo São Tomé. Tomé recusa-se a crer, a menos que Ele também possa ver o Senhor. Assim, no domingo seguinte, o Senhor aparece novamente aos seus, comunica-lhes o dom da sua paz e convida Tomé a toda suas mãos e seu lado. Bendita incredulidade de Tomé! Graças à sua incredulidade nós nos tornamos bem-aventurados, pois o Senhor disse a Tomé: Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto! (cf. Jo 20,29)

O Evangelho nos faz perceber que a comunidade é o lugar privilegiado de encontro com o Ressuscitado. Nela encontramos o Senhor que renova a nossa fé e nos alimenta com sua Palavra e com os sacramentos. Possamos nós manter acesa em nosso coração, durante todo o tempo pascal e durante toda a nossa vida, a chama da fé. Que essa luz nos guie, sobretudo nos momentos obscuros da nossa existência, a fim de nos deixarmos conduzir pelo Cristo, luz da luz, que nos introduzirá um dia na vida eterna que Ele nos preparou.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida