Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2018

18 de Novembro de 2018

As dores de Maria

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18 de Novembro de 2018

As dores de Maria

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28/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 14:04

As dores de Maria 0

28/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 14:04

Primeira Dor de Maria: a profecia de Simeão

“Ao apresentar o Menino Jesus no Templo, Maria encontrou Simeão que proferiu a seguinte profecia: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 34-35)

Meditação: Este anúncio de Simeão vem completar o anúncio do Anjo que disse a Maria; Este menino será grande, será chamado filho do Altíssimo...Nossa Senhora certamente ouviu este anúncio de Simeão com uma profunda dor e ao mesmo tempo sentiu confirmada a Palavra do Anjo, de que seu filho terá uma grande e difícil missão. Contemplemos Nossa Senhora na sua escuta, na sua atenção, na interiorização deste novo anúncio de dor e sofrimento. Como dizem os Evangelho em outros acontecimentos, Maria confrontava todas as coisas no seu coração. Maria guardava, meditava, refletia e rezava.


Segunda Dor de Nossa Senhora: A fuga para o Egito

Após o nascimento de Jesus, o Rei Herodes quis matá-lo e, por causa disso, um anjo do Senhor apareceu a São José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise”. Obediente, “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. ” (Mt 2, 13-14).

Meditação: Nossa Senhora havia recebido o anúncio do velho Simeão de que uma espada de dor ia transpassar a sua alma. Agora com o novo anúncio feito a José, a chaga abriu-se ainda mais profundamente. Ela nem tem o tempo necessário para pensar na viagem e preparar o que deve levar. O mais importante é proteger seu filho. Rapidamente partem para o Egito a fim de escapar da perseguição de Herodes.

Contemplemos a preocupação de Maria e José: Corações unidos, obedientes, silenciosos, cuidadores do filho de Deus, vivem por Jesus, sofrem por Jesus e toda sua atenção é para o Menino que está nas suas mãos, e que será o sinal de contradição e salvação, conforme lhe havia anunciado Simeão. Ter que fugir com a criança para uma terra distante! Maria, José e Jesus refugiados, como tantos irmãos nossos, hoje se refugiando, arriscando a própria vida para escapar dos Herodes perseguidores.

Terceira Dor de Nossa Senhora: A perda do Menino Jesus no Templo

Terminada a festa da Páscoa, o Menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o percebessem. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Maria perguntou a Jesus: Filho, porque fizeste isto conosco? Jesus lhe disse: -Não sabiam que devo estar na casa do meu Pai? A Mãe conservava todas estas coisas nos eu coração. (Lc 2, 43-50)

Meditação: Contemplemos Maria e José, três dias procurando o filho. Nem precisamos falar o que teria passado no coração daqueles pais. Os anúncios que Maria e José haviam recebidos estavam muito presentes nos seus corações. Certamente pensavam que já havia chegado a hora de serem transpassados com a espada mais profunda. Quanta Angústia, medo, arrependimento! “Três dias” de solidão, de dúvidas e cansaço no caminho de volta. Este número é muito significativo. Poderíamos dizer até que era o anuncio dos três dias da morte de Jesus. Era costume os pais virem com os pais, as mães com o grupo das mulheres e os meninos virem juntos. Nem precisava se preocupar com isso e Jesus já estava na idade de tomar decisões. Certamente já teria tomado outras iniciativas, mas desta vez surpreendeu seus pais, pela sua consciência de estar a serviço do Pai do Céu. Pensemos em tantas mães que perdem seus filhos nas drogas, na violência...e que apesar de procurá-los nunca mais os encontram. Que bom seria se essas mães tivessem a alegria de Maria encontrando seu Filho no templo.

Quarta Dor de Nossa Senhora: O encontro com Jesus no Caminho do Calvário

Um dos momentos mais pungentes da Paixão é o encontro de Jesus com Sua Mãe no caminho do Calvário. As lágrimas que Maria derramou na ocasião, a troca de olhar com o Filho, a constatação das crueldades que Ele estava sofrendo, tudo causava imensa dor no Seu Coração de Mãe.

Meditação: Nossa Senhora acompanhou Jesus desde sua prisão até o Calvário. Pensemos na prisão, julgamento, na flagelação do seu Filho, coroação de espinhos, no anúncio da condenação morte da Cruz. Maria enchia-se de angústia e dor. Acompanhando Jesus no caminho, Maria vê suas quedas, o vê cambaleando por causa da sua fraqueza e dores; vê e sente o seu cansaço, escuta os seus gemidos, vê as bofetadas, os gritos dos soldados. Em um dado momento rompe a barreira que cerca seu filho e o olha. Olhar no seu olhar. Mãe e Filho se entendem. Jesus para de andar e olha a Mãe. Quanta dor Jesus sentiu ao ver sua mãe passando por esta humilhação de acompanhar seu filho condenado à morte por ser considerado um subversivo. Um filho condenado!  Por um momento embora tão curto, Ele pode sentir que a Mãe estava ali para o confortar, fortificar, aprovar, e dar lhe força para ir até o fim. Era preciso que Mãe e filhos sofressem à mesma dor do caminho do Calvário. Pensemos também em tantas mães que nos nossos dias encontram seus filhos com pesadas cruzes, seguindo seu caminho, e elas sem nada poder fazer para aliviar a sua dor.

Quinta dor de Nossa Senhora: Maria fica de pé junto à Cruz de Jesus

Maria acompanhou de perto todo o sofrimento de Jesus na Cruz e assistiu de pé à sua morte: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas, e Maria Madalena”. (Jo 19, 25)

Meditação: No alto do Calvário Maria assiste a cena dos soldados obrigando Jesus a tirar o resto de roupa que ainda sobrava no seu corpo. Maria vê seu Filho humilhado ao ser despido diante da multidão e ao obrigarem-no a deitar-se sobre a cruz. Vê seu Filho sendo pregado. Nem faz bem imaginar a brutalidade dos soldados ao segurarem Jesus deitado sobre a cruz sendo pregado. Maria  vê erguerem a pesada cruz e Jesus sofrendo as mais atrozes dores. Contemplemos a Mãe junto com outras mulheres e João a seu lado. Ela, de olhos fixos na direção da Cruz. Cada gemido, cada suspiro, cada palavra era como uma nova espada ferindo seu coração. A Mãe nada pode fazer. Ela sabia a causa desta Cruz. Ela sabia que tudo aconteceu porque o Plano do Pai de fazer deste mundo não foi acolhido: “Ele veio para os seus e os seus não O receberam”.  Maria sofreu ao ver o Projeto de Deus, que ela carregou no coração desde a Anunciação, sendo sacrificado no seu Filho. Não é só uma dor humana como Mãe, é uma dor moral, é uma dor religiosa, é a dor da rejeição do Amor misericordioso de Deus.

Sexta Dor de Nossa Senhora: Maria recebe o corpo de Jesus morto em seus braços

Nossa Senhora da Piedade, é assim que o povo católico invoca Maria nesse momento da Paixão. Depois “tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. ” (Jo 19, 40)

Meditação: José de Arimateia e Nicodemos tiraram Jesus da Cruz e o colocaram nos braços da Mãe. Maria contempla seu Filho tão ferido. Sem vida. Cuida das suas chagas, limpa seu sangue vê todas as marcas das bofetadas, da flagelação, da coroa de espinhos, da chaga dos seus ombros pelo peso da cruz, as chagas das mãos e dos pés. Como disse o profeta Isaías: “Muitos ficaram pasmados ao vê-lo. Tão desfigurado ele estava, que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano. A verdade é que ele tomou sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores. Ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes. ” Enquanto a Mãe o preparava para o sepultamento, certamente se recordava dele em cada etapa de sua curta vida, lembrava o primeiro olhar quando nasceu na gruta de Belém, dos anjos que cantavam enquanto estava ainda deitado na manjedoura, e se lembrou também de cada dia que se sucedeu a esse, dos insultos, das calúnias que sofreu. Mas lembrava também das suas pregações, das curas, da multiplicação dos pães da última Ceia das suas últimas palavras dirigida com tanto amor aos seus discípulos. Quanta dor desta Mãe e quanto amor!

Sétima Dor de Nossa Senhora: Maria deposita Jesus no Sepulcro

O sepultamento de Seu Divino Filho foi a última dor que Maria sentiu durante a Paixão. “No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus. ” (Jo 19, 41-42)

Meditação: Como é triste para uma mãe sepultar o seu próprio filho. Não foi diferente com Maria. Ela era a mãe daquele ser todo chagado. E tinha que sepultar às pressas, pois já era tarde e não poderiam esperar o dia seguinte. Ajudada por Nicodemos e José de Arimateia e certamente João e as mulheres, colocaram Jesus num sepulcro novo. Maria volta com João para casa. Silenciosa, orante, cheia de fé aguarda a manifestação de Deus que lhe disse através do anjo Gabriel: “Ele será grande, será chamado filho do Altíssimo, e reinará para sempre na casa de Jacó, e seu Reino não terá fim”. Maria teve fé. Não esmoreceu. Ficou em pé diante da Cruz, recebeu o filho nos braços, e o acompanhou até o sepulcro. Ela não perdeu a esperança. Mãe das dores, Mãe da Fé da Esperança e do Amor.

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Primeira Dor de Maria: a profecia de Simeão

“Ao apresentar o Menino Jesus no Templo, Maria encontrou Simeão que proferiu a seguinte profecia: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 34-35)

Meditação: Este anúncio de Simeão vem completar o anúncio do Anjo que disse a Maria; Este menino será grande, será chamado filho do Altíssimo...Nossa Senhora certamente ouviu este anúncio de Simeão com uma profunda dor e ao mesmo tempo sentiu confirmada a Palavra do Anjo, de que seu filho terá uma grande e difícil missão. Contemplemos Nossa Senhora na sua escuta, na sua atenção, na interiorização deste novo anúncio de dor e sofrimento. Como dizem os Evangelho em outros acontecimentos, Maria confrontava todas as coisas no seu coração. Maria guardava, meditava, refletia e rezava.


Segunda Dor de Nossa Senhora: A fuga para o Egito

Após o nascimento de Jesus, o Rei Herodes quis matá-lo e, por causa disso, um anjo do Senhor apareceu a São José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise”. Obediente, “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. ” (Mt 2, 13-14).

Meditação: Nossa Senhora havia recebido o anúncio do velho Simeão de que uma espada de dor ia transpassar a sua alma. Agora com o novo anúncio feito a José, a chaga abriu-se ainda mais profundamente. Ela nem tem o tempo necessário para pensar na viagem e preparar o que deve levar. O mais importante é proteger seu filho. Rapidamente partem para o Egito a fim de escapar da perseguição de Herodes.

Contemplemos a preocupação de Maria e José: Corações unidos, obedientes, silenciosos, cuidadores do filho de Deus, vivem por Jesus, sofrem por Jesus e toda sua atenção é para o Menino que está nas suas mãos, e que será o sinal de contradição e salvação, conforme lhe havia anunciado Simeão. Ter que fugir com a criança para uma terra distante! Maria, José e Jesus refugiados, como tantos irmãos nossos, hoje se refugiando, arriscando a própria vida para escapar dos Herodes perseguidores.

Terceira Dor de Nossa Senhora: A perda do Menino Jesus no Templo

Terminada a festa da Páscoa, o Menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o percebessem. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Maria perguntou a Jesus: Filho, porque fizeste isto conosco? Jesus lhe disse: -Não sabiam que devo estar na casa do meu Pai? A Mãe conservava todas estas coisas nos eu coração. (Lc 2, 43-50)

Meditação: Contemplemos Maria e José, três dias procurando o filho. Nem precisamos falar o que teria passado no coração daqueles pais. Os anúncios que Maria e José haviam recebidos estavam muito presentes nos seus corações. Certamente pensavam que já havia chegado a hora de serem transpassados com a espada mais profunda. Quanta Angústia, medo, arrependimento! “Três dias” de solidão, de dúvidas e cansaço no caminho de volta. Este número é muito significativo. Poderíamos dizer até que era o anuncio dos três dias da morte de Jesus. Era costume os pais virem com os pais, as mães com o grupo das mulheres e os meninos virem juntos. Nem precisava se preocupar com isso e Jesus já estava na idade de tomar decisões. Certamente já teria tomado outras iniciativas, mas desta vez surpreendeu seus pais, pela sua consciência de estar a serviço do Pai do Céu. Pensemos em tantas mães que perdem seus filhos nas drogas, na violência...e que apesar de procurá-los nunca mais os encontram. Que bom seria se essas mães tivessem a alegria de Maria encontrando seu Filho no templo.

Quarta Dor de Nossa Senhora: O encontro com Jesus no Caminho do Calvário

Um dos momentos mais pungentes da Paixão é o encontro de Jesus com Sua Mãe no caminho do Calvário. As lágrimas que Maria derramou na ocasião, a troca de olhar com o Filho, a constatação das crueldades que Ele estava sofrendo, tudo causava imensa dor no Seu Coração de Mãe.

Meditação: Nossa Senhora acompanhou Jesus desde sua prisão até o Calvário. Pensemos na prisão, julgamento, na flagelação do seu Filho, coroação de espinhos, no anúncio da condenação morte da Cruz. Maria enchia-se de angústia e dor. Acompanhando Jesus no caminho, Maria vê suas quedas, o vê cambaleando por causa da sua fraqueza e dores; vê e sente o seu cansaço, escuta os seus gemidos, vê as bofetadas, os gritos dos soldados. Em um dado momento rompe a barreira que cerca seu filho e o olha. Olhar no seu olhar. Mãe e Filho se entendem. Jesus para de andar e olha a Mãe. Quanta dor Jesus sentiu ao ver sua mãe passando por esta humilhação de acompanhar seu filho condenado à morte por ser considerado um subversivo. Um filho condenado!  Por um momento embora tão curto, Ele pode sentir que a Mãe estava ali para o confortar, fortificar, aprovar, e dar lhe força para ir até o fim. Era preciso que Mãe e filhos sofressem à mesma dor do caminho do Calvário. Pensemos também em tantas mães que nos nossos dias encontram seus filhos com pesadas cruzes, seguindo seu caminho, e elas sem nada poder fazer para aliviar a sua dor.

Quinta dor de Nossa Senhora: Maria fica de pé junto à Cruz de Jesus

Maria acompanhou de perto todo o sofrimento de Jesus na Cruz e assistiu de pé à sua morte: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas, e Maria Madalena”. (Jo 19, 25)

Meditação: No alto do Calvário Maria assiste a cena dos soldados obrigando Jesus a tirar o resto de roupa que ainda sobrava no seu corpo. Maria vê seu Filho humilhado ao ser despido diante da multidão e ao obrigarem-no a deitar-se sobre a cruz. Vê seu Filho sendo pregado. Nem faz bem imaginar a brutalidade dos soldados ao segurarem Jesus deitado sobre a cruz sendo pregado. Maria  vê erguerem a pesada cruz e Jesus sofrendo as mais atrozes dores. Contemplemos a Mãe junto com outras mulheres e João a seu lado. Ela, de olhos fixos na direção da Cruz. Cada gemido, cada suspiro, cada palavra era como uma nova espada ferindo seu coração. A Mãe nada pode fazer. Ela sabia a causa desta Cruz. Ela sabia que tudo aconteceu porque o Plano do Pai de fazer deste mundo não foi acolhido: “Ele veio para os seus e os seus não O receberam”.  Maria sofreu ao ver o Projeto de Deus, que ela carregou no coração desde a Anunciação, sendo sacrificado no seu Filho. Não é só uma dor humana como Mãe, é uma dor moral, é uma dor religiosa, é a dor da rejeição do Amor misericordioso de Deus.

Sexta Dor de Nossa Senhora: Maria recebe o corpo de Jesus morto em seus braços

Nossa Senhora da Piedade, é assim que o povo católico invoca Maria nesse momento da Paixão. Depois “tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. ” (Jo 19, 40)

Meditação: José de Arimateia e Nicodemos tiraram Jesus da Cruz e o colocaram nos braços da Mãe. Maria contempla seu Filho tão ferido. Sem vida. Cuida das suas chagas, limpa seu sangue vê todas as marcas das bofetadas, da flagelação, da coroa de espinhos, da chaga dos seus ombros pelo peso da cruz, as chagas das mãos e dos pés. Como disse o profeta Isaías: “Muitos ficaram pasmados ao vê-lo. Tão desfigurado ele estava, que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano. A verdade é que ele tomou sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores. Ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes. ” Enquanto a Mãe o preparava para o sepultamento, certamente se recordava dele em cada etapa de sua curta vida, lembrava o primeiro olhar quando nasceu na gruta de Belém, dos anjos que cantavam enquanto estava ainda deitado na manjedoura, e se lembrou também de cada dia que se sucedeu a esse, dos insultos, das calúnias que sofreu. Mas lembrava também das suas pregações, das curas, da multiplicação dos pães da última Ceia das suas últimas palavras dirigida com tanto amor aos seus discípulos. Quanta dor desta Mãe e quanto amor!

Sétima Dor de Nossa Senhora: Maria deposita Jesus no Sepulcro

O sepultamento de Seu Divino Filho foi a última dor que Maria sentiu durante a Paixão. “No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus. ” (Jo 19, 41-42)

Meditação: Como é triste para uma mãe sepultar o seu próprio filho. Não foi diferente com Maria. Ela era a mãe daquele ser todo chagado. E tinha que sepultar às pressas, pois já era tarde e não poderiam esperar o dia seguinte. Ajudada por Nicodemos e José de Arimateia e certamente João e as mulheres, colocaram Jesus num sepulcro novo. Maria volta com João para casa. Silenciosa, orante, cheia de fé aguarda a manifestação de Deus que lhe disse através do anjo Gabriel: “Ele será grande, será chamado filho do Altíssimo, e reinará para sempre na casa de Jacó, e seu Reino não terá fim”. Maria teve fé. Não esmoreceu. Ficou em pé diante da Cruz, recebeu o filho nos braços, e o acompanhou até o sepulcro. Ela não perdeu a esperança. Mãe das dores, Mãe da Fé da Esperança e do Amor.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro