Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (47a)

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19 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (47a)

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30/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 13:33

Livros do Antigo Testamento (47a) 0

30/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 13:33

No artigo passado com o comentário de Ex 24, adentrávamos no epicentro da experiência do deserto, a Teofania Divina do Sinai. Ali se destacava a formação espiritual e teológica intensa de Moisés. Ele não era simplesmente um guia pelo deserto, mas, ‘amigo’ de Deus, com quem conversava diariamente!

1. Ex 24- 31: Experiência da ‘Teonomia’ de Israel

E a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem. Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte. Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali 40 dias e 40 noites (Ex 24, 16-18)

No contexto da longa unidade da recitação divina do corpo legal (Ex 24-31) a Moisés no interior da nuvem (Shekinah), entende-se a relevância dos mandamentos que estruturarão a vida social de Israel.

Sabemos que a vida social de Israel, em sua configuração, faz parte do Projeto da Revelação e da Salvação da Humanidade. A Revelação não é um belo conteúdo descontextualizado da vida do povo de Israel. 

Com os exílios, no período profético ficará claro que a expatriação permitiu a Deus exibir aos povos e culturas pagãos a consciência social e teológica de Israel. Deus exibiu a Lei e a Ordenação Social resultante ao conhecimento dos povos, que aparentemente dominavam e oprimiam o povo de Deus. Estratégias do Mistério e da Sabedoria Divina:

Outro aspecto reside no fato que Israel possui a mais perfeita Constituição da terra, uma Teonomia:

A palavra Teonomia é composta pelas partículas ‘teo’ e ‘nomia’. ‘Teo’ aponta para o termo grego ‘theos’, que significa, literalmente, ‘Deus’. E a partícula ‘Nomia’ remete ao grego ‘nomos’ que, literalmente, significa ‘Lei’. Logo, o termo Teonomia deve ser entendido como ‘Lei de Deus’. Ao contrário da Autonomia, que supõe que moral, política, filosofia, bioética e outras áreas do conhecimento são estabelecidas a partir do indivíduo, a Teonomia coloca Deus no centro e propõe glorificá-lo em todo campo de estudo humano1.

A Teonomia é uma visão ética cristã que afirma que a Lei de Deus revelada na Escritura, tanto no Novo quanto Antigo Testamento, é o único padrão de autoridade, verdade e justiça.

Teonomia, de ‘theos’ (Deus) e ‘nomos’ (lei), é uma forma de governo em que a sociedade seria governada pela “lei divina”, um tipo de teocracia cristã. Os teonomistas afirmam que a Palavra de Deus, incluindo as leis judiciais do Antigo Testamento, devem ser cumpridas pelas sociedades modernas2.

Israel se regulava socialmente pela ‘legislação’ divina dada por Deus diretamente a Moisés dentro da Nuvem. Não se autogovernavam. Deus era a mente e a causa da harmonia, da ordem e da identidade sociais de Israel.

Claro que temos muitas reservas e atenção com esta visão religiosa da vida social, pois, muitas manipulações políticas da visão religiosa da sociedade produziram monstruosidades, como o Absolutismo3 na França, com o Rei Sol, os talibãs,

Trata-se dos fundamentalismos de todos os tempos e religiões que argumentam acerca de leis humanas como se tivessem o valor absoluto das leis divinas:

Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar (Mt 23, 2-3. 13).

2. Ex 25-31: A ordem do Culto

Far-me-ão um santuário e habitarei no meio deles (Ex 25, 8)

No epicentro da Lei dada por Deus, está o cuidado correto com o Culto. Diversas são as orientações de Deus acerca do trato com a Presença Divina no meio de Israel. 

O Culto é a prática e a consciência da Fé: estar ligado a Deus, colocando-O no seu devido lugar, isto, no centro e no ápice de tudo que há de mais importante e imprescindível na vida social de Israel.

Cuida para que se execute esse trabalho segundo o modelo que te mostrei no monte (Ex 25, 40).

Evidentemente estes textos remetem ao passado do deserto as exigências que nascerão muitos séculos depois, com os Reinos de Davi e Salomão. A centralidade do Templo como fonte de unidade de Israel. 

Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. Saberão então que eu, o Senhor, sou o seu Deus que os tirou do Egito para habitar entre eles, eu, o Senhor seu Deus (Ex 29, 45-46).

 

https://www.internautascristaos.com/textos/artigos/cinco-questoes-sobre-teonomia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teonomia

3 Absolutismo é uma teoria política que defende que alguém (em geral, um monarca) deve ter o poder absoluto, isto é, independente de outro órgão. É uma organização política na qual o soberano concentrava todos os poderes do estado em suas mãos. Os teóricos de relevo associados ao absolutismo incluem autores como Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra, Jacques-Bénigne Bossuet e Thomas Hobbes. Esta ideia tem sido algumas vezes confundida com a doutrina do Direito Divino dos Reis, que defende que a autoridade do governante emana diretamente de Deus, e que não podem ser depostos a não ser por Deus, defendido por alguns absolutistas como Jean Bodin, Jaime I e Jacques Bossuet. A monarquia absolutista nasce com Luís XIV de França, conhecido como “Rei-Sol”, logo após a morte do seu primeiro-ministro, em 9 de março de 1661, o cardeal Jules Mazarin. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Absolutismo

 

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Livros do Antigo Testamento (47a)

30/03/2018 00:00 - Atualizado em 02/04/2018 13:33

No artigo passado com o comentário de Ex 24, adentrávamos no epicentro da experiência do deserto, a Teofania Divina do Sinai. Ali se destacava a formação espiritual e teológica intensa de Moisés. Ele não era simplesmente um guia pelo deserto, mas, ‘amigo’ de Deus, com quem conversava diariamente!

1. Ex 24- 31: Experiência da ‘Teonomia’ de Israel

E a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem. Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte. Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali 40 dias e 40 noites (Ex 24, 16-18)

No contexto da longa unidade da recitação divina do corpo legal (Ex 24-31) a Moisés no interior da nuvem (Shekinah), entende-se a relevância dos mandamentos que estruturarão a vida social de Israel.

Sabemos que a vida social de Israel, em sua configuração, faz parte do Projeto da Revelação e da Salvação da Humanidade. A Revelação não é um belo conteúdo descontextualizado da vida do povo de Israel. 

Com os exílios, no período profético ficará claro que a expatriação permitiu a Deus exibir aos povos e culturas pagãos a consciência social e teológica de Israel. Deus exibiu a Lei e a Ordenação Social resultante ao conhecimento dos povos, que aparentemente dominavam e oprimiam o povo de Deus. Estratégias do Mistério e da Sabedoria Divina:

Outro aspecto reside no fato que Israel possui a mais perfeita Constituição da terra, uma Teonomia:

A palavra Teonomia é composta pelas partículas ‘teo’ e ‘nomia’. ‘Teo’ aponta para o termo grego ‘theos’, que significa, literalmente, ‘Deus’. E a partícula ‘Nomia’ remete ao grego ‘nomos’ que, literalmente, significa ‘Lei’. Logo, o termo Teonomia deve ser entendido como ‘Lei de Deus’. Ao contrário da Autonomia, que supõe que moral, política, filosofia, bioética e outras áreas do conhecimento são estabelecidas a partir do indivíduo, a Teonomia coloca Deus no centro e propõe glorificá-lo em todo campo de estudo humano1.

A Teonomia é uma visão ética cristã que afirma que a Lei de Deus revelada na Escritura, tanto no Novo quanto Antigo Testamento, é o único padrão de autoridade, verdade e justiça.

Teonomia, de ‘theos’ (Deus) e ‘nomos’ (lei), é uma forma de governo em que a sociedade seria governada pela “lei divina”, um tipo de teocracia cristã. Os teonomistas afirmam que a Palavra de Deus, incluindo as leis judiciais do Antigo Testamento, devem ser cumpridas pelas sociedades modernas2.

Israel se regulava socialmente pela ‘legislação’ divina dada por Deus diretamente a Moisés dentro da Nuvem. Não se autogovernavam. Deus era a mente e a causa da harmonia, da ordem e da identidade sociais de Israel.

Claro que temos muitas reservas e atenção com esta visão religiosa da vida social, pois, muitas manipulações políticas da visão religiosa da sociedade produziram monstruosidades, como o Absolutismo3 na França, com o Rei Sol, os talibãs,

Trata-se dos fundamentalismos de todos os tempos e religiões que argumentam acerca de leis humanas como se tivessem o valor absoluto das leis divinas:

Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus. Vós mesmos não entrais e nem deixais que entrem os que querem entrar (Mt 23, 2-3. 13).

2. Ex 25-31: A ordem do Culto

Far-me-ão um santuário e habitarei no meio deles (Ex 25, 8)

No epicentro da Lei dada por Deus, está o cuidado correto com o Culto. Diversas são as orientações de Deus acerca do trato com a Presença Divina no meio de Israel. 

O Culto é a prática e a consciência da Fé: estar ligado a Deus, colocando-O no seu devido lugar, isto, no centro e no ápice de tudo que há de mais importante e imprescindível na vida social de Israel.

Cuida para que se execute esse trabalho segundo o modelo que te mostrei no monte (Ex 25, 40).

Evidentemente estes textos remetem ao passado do deserto as exigências que nascerão muitos séculos depois, com os Reinos de Davi e Salomão. A centralidade do Templo como fonte de unidade de Israel. 

Habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. Saberão então que eu, o Senhor, sou o seu Deus que os tirou do Egito para habitar entre eles, eu, o Senhor seu Deus (Ex 29, 45-46).

 

https://www.internautascristaos.com/textos/artigos/cinco-questoes-sobre-teonomia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teonomia

3 Absolutismo é uma teoria política que defende que alguém (em geral, um monarca) deve ter o poder absoluto, isto é, independente de outro órgão. É uma organização política na qual o soberano concentrava todos os poderes do estado em suas mãos. Os teóricos de relevo associados ao absolutismo incluem autores como Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra, Jacques-Bénigne Bossuet e Thomas Hobbes. Esta ideia tem sido algumas vezes confundida com a doutrina do Direito Divino dos Reis, que defende que a autoridade do governante emana diretamente de Deus, e que não podem ser depostos a não ser por Deus, defendido por alguns absolutistas como Jean Bodin, Jaime I e Jacques Bossuet. A monarquia absolutista nasce com Luís XIV de França, conhecido como “Rei-Sol”, logo após a morte do seu primeiro-ministro, em 9 de março de 1661, o cardeal Jules Mazarin. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Absolutismo

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica