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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

Toda vida vale a pena

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21 de Outubro de 2018

Toda vida vale a pena

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22/03/2018 13:51 - Atualizado em 22/03/2018 13:52

Toda vida vale a pena 0

22/03/2018 13:51 - Atualizado em 22/03/2018 13:52

O ladrão vem só pra roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”

(Jo 10,9)

Por ocasião da Solenidade da Anunciação do Senhor, no ano de 1995, São João Paulo II, promulgou a Encíclica Evangelium Vitae ou Evangelho da Vida, que tinha como objetivo principal ressaltar o valor da vida humana, desde a concepção até a morte natural, alertando todos, à época, sobre os avanços de novas ameaças contra a vida e a dignidade da pessoa em sua integralidade.

Em apenas vinte e três anos do anúncio papal, a realidade mundana confirma as profecias discorridas no documento, com um oceano de agravantes.

Hoje, além de todas as ameaças à vida e a dignidade de homens, mulheres, nascituros ou idosos, de qualquer etnia, nacionalidade, pobres ou ricos se confirmam e, o valor da vida humana se esvai por entre os dedos dos próprios humanos, que ditam as regras de quem pode ou não viver, de quem merece ou não ser tratado com a dignidade inerente a sua natureza e como se isso não fosse suficiente, determinam a quem são destinadas a justiça e a misericórdia divina e em qual proporção, segundo os seus próprios critérios.

São João Paulo II foi muito preciso ao afirmar que todo homem, independente de credo, religião ou filosofia pode, pela luz da razão e com o influxo da graça, reconhecer o valor da vida humana e afirmar o direito que todo ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário, fundamento da convivência entre os homens e da sociedade como um todo.i

Assim, quando não se reconhece ou se reduz o valor da vida humana, ou melhor, de qualquer vida humana, dada a unicidade e importância de cada uma, estar-se-á a colocar em risco toda estrutura social, e com isso, a própria humanidade.

Por isso, São João Paulo II, conclamou a toda comunidade de fiéis cristãos, não só a defender, mas também a proclamar em alta voz o valor incomparável da vida, de cada pessoa, dada a sua sacralidade, cristalizada pelo mistério da Redenção.

O chamado, como nunca, precisa ser reforçado nos últimos tempos.

Infelizmente é estarrecedor o crescente o número de ações que se opõem à vida em sua plenitude, que renegam ao indivíduo sua condição de filho de Deus, em Cristo, afastam dos pecadores o acesso à misericórdia e à salvação, em nome de ideologias, e, infelizmente, em nome da própria fé, quando vivida de forma no mínimo equivocada, promovendo no seio da sociedade o tumor da divisão, da perseguição e da morte.

As modalidades de violência social vitimizam toda a civilização, do ocidente ao oriente, mas também deixam nela a marca da criminalidade, na medida em que os homens lavam as mãos diante das ameaças àquilo que se entende por bem comum, dignidade da pessoa humana e direito à vida em plenitude.

Os critérios para se estabelecer o direito à liberdade individual e os próprios direitos humanos foram, no decorrer dos anos, deturpados; não mais prefiguram um sinal de progresso, e são causa de um grande colapso nos princípios basilares da convivência humana, relativizando o próprio conceito de ser humano, do bem e do mal, e por conseguinte afastaram definitivamente o indivíduo do real sentido da vida, dom de Deus.

No mesmo sentido, o conceito de justiça, reduzido diante dos interesses individualistas e projetos de poder, despenca em direção ao patamar que se encontra o abismo existencial do homem contemporâneo; a verdade, constantemente acuada sem qualquer constrangimento, não mais socorre o seu real sentido. Vivemos dias em que o ódio, a segregação, e toda sorte de violência atenta contra sociedade, e principalmente, contra o Criador.

Definitivamente, se agravou, não só numa dimensão numérica, mas também em variedade de fatos, o quadro citado por São João Paulo II, nos idos de 1995: “existe uma crise profunda da cultura, que gera cepticismo sobre os próprios fundamentos do conhecimento e da ética e torna cada vez mais difícil compreender claramente o sentido do homem, dos seus direitos e dos seus deveres.”ii

Quase todas as iniciativas que afirmam reconhecer o valor e a dignidade do ser humano se contradizem, na medida em que vergonhosamente não correspondem ao que de fato se realiza: um verdadeiro atentado aos direitos do homem, fomenta a passos largos uma sociedade de excluídos, em escala mundial.

Mas é nesse estado de precariedade do valor da vida que somos chamados a atuar. Tal qual o Filho de Deus, somos exortados a anunciar que a vida é um bem de inestimável valor e que, portanto, exige de todos, proteção e respeito.

A Missão profética de cada batizado para anunciar o Evangelho, não caminha afastada da mensagem da salvação, e, portanto, da mensagem em favor da vida de cada ser humano, independente de cor, raça, posição política, fé, nacionalidade, condição social ou sexo.

Por isso, o sentido da vida, que ultrapassa o conceito biológico, deve ser considerado, também em virtude deste, segundo as suas dimensões morais e espirituais, tanto para os agentes passivos, quanto ativos das relações humanas. Em resumo, somos chamados à corresponsabilidade humana.

Como nos ensina São João Paulo II: se a vida física e espiritual do homem, mesmo na sua fase terrena, adquire plenitude de valor e significado, em Cristo, uma vez que o homem é orientado para a vida eterna, cabe a cada um de nós acolhê-la e conduzi-la a sua plena realização.

Somente a partir do testemunho ativo dessa verdade, a vida humana se configurará à imagem divina, desígnio de Deus para nós iii e no esplendor dessa imagem se instaurará a verdadeira liberdade e fraternidade social.

 

i Evangelium Vitae, 2

ii Evangelium Vitae, 11

iii Romanos 8,29

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Toda vida vale a pena

22/03/2018 13:51 - Atualizado em 22/03/2018 13:52

O ladrão vem só pra roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”

(Jo 10,9)

Por ocasião da Solenidade da Anunciação do Senhor, no ano de 1995, São João Paulo II, promulgou a Encíclica Evangelium Vitae ou Evangelho da Vida, que tinha como objetivo principal ressaltar o valor da vida humana, desde a concepção até a morte natural, alertando todos, à época, sobre os avanços de novas ameaças contra a vida e a dignidade da pessoa em sua integralidade.

Em apenas vinte e três anos do anúncio papal, a realidade mundana confirma as profecias discorridas no documento, com um oceano de agravantes.

Hoje, além de todas as ameaças à vida e a dignidade de homens, mulheres, nascituros ou idosos, de qualquer etnia, nacionalidade, pobres ou ricos se confirmam e, o valor da vida humana se esvai por entre os dedos dos próprios humanos, que ditam as regras de quem pode ou não viver, de quem merece ou não ser tratado com a dignidade inerente a sua natureza e como se isso não fosse suficiente, determinam a quem são destinadas a justiça e a misericórdia divina e em qual proporção, segundo os seus próprios critérios.

São João Paulo II foi muito preciso ao afirmar que todo homem, independente de credo, religião ou filosofia pode, pela luz da razão e com o influxo da graça, reconhecer o valor da vida humana e afirmar o direito que todo ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário, fundamento da convivência entre os homens e da sociedade como um todo.i

Assim, quando não se reconhece ou se reduz o valor da vida humana, ou melhor, de qualquer vida humana, dada a unicidade e importância de cada uma, estar-se-á a colocar em risco toda estrutura social, e com isso, a própria humanidade.

Por isso, São João Paulo II, conclamou a toda comunidade de fiéis cristãos, não só a defender, mas também a proclamar em alta voz o valor incomparável da vida, de cada pessoa, dada a sua sacralidade, cristalizada pelo mistério da Redenção.

O chamado, como nunca, precisa ser reforçado nos últimos tempos.

Infelizmente é estarrecedor o crescente o número de ações que se opõem à vida em sua plenitude, que renegam ao indivíduo sua condição de filho de Deus, em Cristo, afastam dos pecadores o acesso à misericórdia e à salvação, em nome de ideologias, e, infelizmente, em nome da própria fé, quando vivida de forma no mínimo equivocada, promovendo no seio da sociedade o tumor da divisão, da perseguição e da morte.

As modalidades de violência social vitimizam toda a civilização, do ocidente ao oriente, mas também deixam nela a marca da criminalidade, na medida em que os homens lavam as mãos diante das ameaças àquilo que se entende por bem comum, dignidade da pessoa humana e direito à vida em plenitude.

Os critérios para se estabelecer o direito à liberdade individual e os próprios direitos humanos foram, no decorrer dos anos, deturpados; não mais prefiguram um sinal de progresso, e são causa de um grande colapso nos princípios basilares da convivência humana, relativizando o próprio conceito de ser humano, do bem e do mal, e por conseguinte afastaram definitivamente o indivíduo do real sentido da vida, dom de Deus.

No mesmo sentido, o conceito de justiça, reduzido diante dos interesses individualistas e projetos de poder, despenca em direção ao patamar que se encontra o abismo existencial do homem contemporâneo; a verdade, constantemente acuada sem qualquer constrangimento, não mais socorre o seu real sentido. Vivemos dias em que o ódio, a segregação, e toda sorte de violência atenta contra sociedade, e principalmente, contra o Criador.

Definitivamente, se agravou, não só numa dimensão numérica, mas também em variedade de fatos, o quadro citado por São João Paulo II, nos idos de 1995: “existe uma crise profunda da cultura, que gera cepticismo sobre os próprios fundamentos do conhecimento e da ética e torna cada vez mais difícil compreender claramente o sentido do homem, dos seus direitos e dos seus deveres.”ii

Quase todas as iniciativas que afirmam reconhecer o valor e a dignidade do ser humano se contradizem, na medida em que vergonhosamente não correspondem ao que de fato se realiza: um verdadeiro atentado aos direitos do homem, fomenta a passos largos uma sociedade de excluídos, em escala mundial.

Mas é nesse estado de precariedade do valor da vida que somos chamados a atuar. Tal qual o Filho de Deus, somos exortados a anunciar que a vida é um bem de inestimável valor e que, portanto, exige de todos, proteção e respeito.

A Missão profética de cada batizado para anunciar o Evangelho, não caminha afastada da mensagem da salvação, e, portanto, da mensagem em favor da vida de cada ser humano, independente de cor, raça, posição política, fé, nacionalidade, condição social ou sexo.

Por isso, o sentido da vida, que ultrapassa o conceito biológico, deve ser considerado, também em virtude deste, segundo as suas dimensões morais e espirituais, tanto para os agentes passivos, quanto ativos das relações humanas. Em resumo, somos chamados à corresponsabilidade humana.

Como nos ensina São João Paulo II: se a vida física e espiritual do homem, mesmo na sua fase terrena, adquire plenitude de valor e significado, em Cristo, uma vez que o homem é orientado para a vida eterna, cabe a cada um de nós acolhê-la e conduzi-la a sua plena realização.

Somente a partir do testemunho ativo dessa verdade, a vida humana se configurará à imagem divina, desígnio de Deus para nós iii e no esplendor dessa imagem se instaurará a verdadeira liberdade e fraternidade social.

 

i Evangelium Vitae, 2

ii Evangelium Vitae, 11

iii Romanos 8,29

Michelle Figueiredo Neves
Autor

Michelle Figueiredo Neves

Ministra do Acolhimento