Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/04/2018

24 de Abril de 2018

Agora é tempo de conversão

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21/03/2018 14:39 - Atualizado em 21/03/2018 14:39

Agora é tempo de conversão 0

21/03/2018 14:39 - Atualizado em 21/03/2018 14:39

Ensina os mandamentos da Mãe Igreja que todo fiel batizado deve-se confessar pelo menos uma vez por ano. Porém é evidente que esse mandamento fala do mínimo exigido. O comum é a confissão frequente. Em especial temos durante o Advento e Quaresma oportunidade de confessores extraordinários nos “mutirões” de confissões quando um grupo de sacerdotes da região se unem para atender os fiéis de uma paróquia da área. Além disso, temos todos os anos, por incentivo do Papa Francisco, as 24 horas para o Senhor, quando, além da oração e adoração as igrejas abertas ou as celebrações nas ruas e praças proporcionam o atendimento de confissões. O Papa Francisco tem incentivado muito esse sacramento, seja levando o povo de Deus a se aproximar com o coração contrito do sacramento da penitência, seja orientando os padres a distribuírem a misericórdia de Deus aos irmãos e irmãs que procuram esse sacramento.

O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para experimentar o perdão dos pecados, para curar a minha alma, o meu coração e o mal que cometi. Encontramos nas Sagradas Escrituras o fundamento deste sacramento, que é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo, dos corpos (cf. Mc 2, 1-12; Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26).

Jesus enviou a Igreja para ir evangelizar e perdoar os pecados. O Papa Francisco ensina que: “O Sacramento da Penitência e da Reconciliação brota diretamente do mistério pascal. Com efeito, na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, fechados no cenáculo e, depois de lhes dirigir a saudação: «A paz esteja convosco!», soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo! A quantos perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 21-23). Este trecho revela a dinâmica mais profunda contida neste Sacramento. Antes de tudo, a constatação de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar-nos a nós mesmos. Não posso dizer: perdoo-me a mim mesmo dos meus pecados. O perdão é pedido a outra pessoa, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos cumula de misericórdia e de graça que brota incessantemente do Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que só se nos deixarmos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos, conseguiremos verdadeiramente alcançar a paz. E todos nós sentimos isto no coração, quando nos confessamos com um peso na alma, com um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus, alcançamos a paz, aquela paz da alma tão boa que somente Jesus nos pode dar, só Ele!” (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140219_udienza-generale.html, último acesso em 10 de março de 2018)

No início da quaresma nós ouvimos o apelo da Igreja pelas palavras da escritura: “deixai-vos reconciliar com Deus”. Recordemos das palavras do Senhor à Igreja: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais não perdoardes não serão perdoados” (Cf. Jo 20,23ss).

Depois da alegria da Ressurreição os discípulos ainda estavam sem entender bem o que se passava e Jesus lhes aparece e dá esse poder aos discípulos: perdoar os pecados.

Num mundo em constante e rápida transformação este sacramento, instituído e desejado por Nosso Senhor Jesus Cristo tem ficado meio esquecido.  Procura-se substitui-lo por terapias, catarses e até mesmo dentro em alguns ambientes com a “absolvição comunitária” (que é uma exceção excepcionalíssima que necessita de autorização especial do Bispo Diocesano).

São João Paulo II nos convida insistentemente a não nos privarmos do grande remédio que é a confissão individual e auricular. Nascem da confissão vidas novas. Por isso se faz sempre aquela pergunta clássica: O que é pecado? Como fazer uma boa confissão?

Muitos manuais católicos tentam nos ajudar. A Palavra de Deus é a maior e mais capaz de fazê-la. O Salmo 50 diz: “Pequei Senhor, misericórdia....”.        O primeiro passo é reconhecer-se pecador. Saber que desobedeci ao Senhor. O Salmo 50 continua: “foi contra vós, só contra vós que eu pequei...” Ao mesmo tempo em que se percebe pecador existe, imediatamente, a confiança em Deus: “Misericórdia...”.

Reconhecer-se pecador e confiar na misericórdia de Deus é o primeiro e decisivo passo para uma boa confissão. Acompanha este gesto o arrependimento, o desejo sincero de não voltar a cometer tal ato.

Com o coração contrito, na confissão somos chamados a expor ao ministro ordenado, ao sacerdote, tudo aquilo que incomoda o coração, que pesa na consciência bem formada, aquilo que ofende a Deus, a Igreja e à comunidade.

Depois somos chamados a ouvir atentamente as orientações do confessor e, ainda, cumprir o que é pedido como penitência e para experimentar a alegria do perdão. Ao se receber a absolvição, saber que a está recebendo do próprio Cristo e assim está perdoado de suas faltas e pecados.

Papa Francisco adverte: “Alguém poderá dizer: ‘Eu me confesso diretamente a Deus’. Sim, tu podes dizer a Deus: ‘Perdoa-me’, e dizer a ele teus pecados. Mas nossos pecados são também contra os nossos irmãos, contra a Igreja, e por isso é necessário pedir o perdão à Igreja e aos irmãos, na pessoa do sacerdote’. ‘Mas, padre, tenho vergonha!’ Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha”(http://ocatequista.com.br/blog/item/12287-confissao-diretamente-a-deus-papa-francisco-nao-curtiu, último acesso em 10 de março de 2018).

Vamos nos preparar dignamente para a Páscoa fazendo a nossa confissão auricular e procurando a amizade com Deus e com a Igreja com a graça que provém da absolvição sacramental.  Boa celebração penitencial e nos encaminhemos para, através da conversão no caminho da santidade!

 

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21/03/2018 14:39 - Atualizado em 21/03/2018 14:39

Ensina os mandamentos da Mãe Igreja que todo fiel batizado deve-se confessar pelo menos uma vez por ano. Porém é evidente que esse mandamento fala do mínimo exigido. O comum é a confissão frequente. Em especial temos durante o Advento e Quaresma oportunidade de confessores extraordinários nos “mutirões” de confissões quando um grupo de sacerdotes da região se unem para atender os fiéis de uma paróquia da área. Além disso, temos todos os anos, por incentivo do Papa Francisco, as 24 horas para o Senhor, quando, além da oração e adoração as igrejas abertas ou as celebrações nas ruas e praças proporcionam o atendimento de confissões. O Papa Francisco tem incentivado muito esse sacramento, seja levando o povo de Deus a se aproximar com o coração contrito do sacramento da penitência, seja orientando os padres a distribuírem a misericórdia de Deus aos irmãos e irmãs que procuram esse sacramento.

O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para experimentar o perdão dos pecados, para curar a minha alma, o meu coração e o mal que cometi. Encontramos nas Sagradas Escrituras o fundamento deste sacramento, que é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo, dos corpos (cf. Mc 2, 1-12; Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26).

Jesus enviou a Igreja para ir evangelizar e perdoar os pecados. O Papa Francisco ensina que: “O Sacramento da Penitência e da Reconciliação brota diretamente do mistério pascal. Com efeito, na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, fechados no cenáculo e, depois de lhes dirigir a saudação: «A paz esteja convosco!», soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo! A quantos perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 21-23). Este trecho revela a dinâmica mais profunda contida neste Sacramento. Antes de tudo, a constatação de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar-nos a nós mesmos. Não posso dizer: perdoo-me a mim mesmo dos meus pecados. O perdão é pedido a outra pessoa, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos cumula de misericórdia e de graça que brota incessantemente do Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que só se nos deixarmos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos, conseguiremos verdadeiramente alcançar a paz. E todos nós sentimos isto no coração, quando nos confessamos com um peso na alma, com um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus, alcançamos a paz, aquela paz da alma tão boa que somente Jesus nos pode dar, só Ele!” (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140219_udienza-generale.html, último acesso em 10 de março de 2018)

No início da quaresma nós ouvimos o apelo da Igreja pelas palavras da escritura: “deixai-vos reconciliar com Deus”. Recordemos das palavras do Senhor à Igreja: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais não perdoardes não serão perdoados” (Cf. Jo 20,23ss).

Depois da alegria da Ressurreição os discípulos ainda estavam sem entender bem o que se passava e Jesus lhes aparece e dá esse poder aos discípulos: perdoar os pecados.

Num mundo em constante e rápida transformação este sacramento, instituído e desejado por Nosso Senhor Jesus Cristo tem ficado meio esquecido.  Procura-se substitui-lo por terapias, catarses e até mesmo dentro em alguns ambientes com a “absolvição comunitária” (que é uma exceção excepcionalíssima que necessita de autorização especial do Bispo Diocesano).

São João Paulo II nos convida insistentemente a não nos privarmos do grande remédio que é a confissão individual e auricular. Nascem da confissão vidas novas. Por isso se faz sempre aquela pergunta clássica: O que é pecado? Como fazer uma boa confissão?

Muitos manuais católicos tentam nos ajudar. A Palavra de Deus é a maior e mais capaz de fazê-la. O Salmo 50 diz: “Pequei Senhor, misericórdia....”.        O primeiro passo é reconhecer-se pecador. Saber que desobedeci ao Senhor. O Salmo 50 continua: “foi contra vós, só contra vós que eu pequei...” Ao mesmo tempo em que se percebe pecador existe, imediatamente, a confiança em Deus: “Misericórdia...”.

Reconhecer-se pecador e confiar na misericórdia de Deus é o primeiro e decisivo passo para uma boa confissão. Acompanha este gesto o arrependimento, o desejo sincero de não voltar a cometer tal ato.

Com o coração contrito, na confissão somos chamados a expor ao ministro ordenado, ao sacerdote, tudo aquilo que incomoda o coração, que pesa na consciência bem formada, aquilo que ofende a Deus, a Igreja e à comunidade.

Depois somos chamados a ouvir atentamente as orientações do confessor e, ainda, cumprir o que é pedido como penitência e para experimentar a alegria do perdão. Ao se receber a absolvição, saber que a está recebendo do próprio Cristo e assim está perdoado de suas faltas e pecados.

Papa Francisco adverte: “Alguém poderá dizer: ‘Eu me confesso diretamente a Deus’. Sim, tu podes dizer a Deus: ‘Perdoa-me’, e dizer a ele teus pecados. Mas nossos pecados são também contra os nossos irmãos, contra a Igreja, e por isso é necessário pedir o perdão à Igreja e aos irmãos, na pessoa do sacerdote’. ‘Mas, padre, tenho vergonha!’ Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha”(http://ocatequista.com.br/blog/item/12287-confissao-diretamente-a-deus-papa-francisco-nao-curtiu, último acesso em 10 de março de 2018).

Vamos nos preparar dignamente para a Páscoa fazendo a nossa confissão auricular e procurando a amizade com Deus e com a Igreja com a graça que provém da absolvição sacramental.  Boa celebração penitencial e nos encaminhemos para, através da conversão no caminho da santidade!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro