Arquidiocese do Rio de Janeiro

28º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/04/2018

24 de Abril de 2018

Presbíteros, chamados a edificar a Igreja

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24 de Abril de 2018

Presbíteros, chamados a edificar a Igreja

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18/03/2018 00:00 - Atualizado em 19/03/2018 10:53

Presbíteros, chamados a edificar a Igreja 0

18/03/2018 00:00 - Atualizado em 19/03/2018 10:53

Nestes dias de oração pelos presbíteros, o nosso terceiro tema é a missão de Francisco de Assis: edificar a Igreja. A Sagrada Escritura, fonte inspiradora da Palavra de Deus, nos impele sempre a observar, refletir e seguir o que o Senhor espera de cada um de nós.

Chamada a edificar a Igreja é um chamado que começa com Jesus a um dos seus seguidores. São Mateus, no seu Evangelho 16,18 Jesus é claro ao fazer o chamado. “Pedro tu és pedra e sobre esta pedra edificará a minha Igreja”. Pedro negou Jesus. Pedro não sabia o que dizer (na transfiguração). Pedro e os outros discípulos abandonaram Jesus na Cruz. Mas o Senhor insiste em chamar, em acreditar na pessoa humana, apesar de nossas dificuldades.

Já sabemos, como diz o adágio popular, que o Senhor não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Assim, confiou a Pedro a missão de edificar a Igreja e de confirmar seus irmãos na fé.

“Cristo, santificado e enviado ao mundo pelo Pai (Jo 10,36), através dos apóstolos, fez participar da sua consagração e da sua missão os seus sucessores, isto é, os bispos os quais legitimamente confiaram, em graus diversos, o cargo do seu ministério a várias pessoas na Igreja. Assim, o ministério eclesiástico, de instituição divina, é exercido em ordens diversas por aqueles que já antigamente eram chamados bispos, presbíteros e diáconos. Ainda que não tenham a plenitude do sacerdócio e dependam dos bispos no exercício dos seus poderes, os presbíteros estão unidos a eles na dignidade sacerdotal comum e, pelo sacramento da ordem, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, à imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote (“ad imaginem Christi, summi atque aeterni Sacerdotis”) (Hb 5,1-10; 7, 24; 9, 11-28)” (LG,28).

Ensina a Constituição Lumen Gentium: “Pela imposição das mãos e pelas palavras consecratórias, se confere a graça do Espírito Santo e se imprime o caráter sagrado, de tal modo que os bispos, de maneira eminente e visível, fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor e Pontífice, e agem em sua pessoa (“ipsius Christi Magistri, Pastoris et Pontificis partes sustineant et in Eius persona agant”)” (LG, 21). Por sua vez, os bispos conferem este seu ministério, mediante o sacramento da ordem, mas em grau subordinado, aos presbíteros para que estes sejam os cooperadores da Ordem Episcopal (cfr. PO, 2).

São João, em seu Evangelho, no capítulo 21, nos traz este testemunho: “Pedro, tu me amas?”. “Cuide os meus cordeiros.... Pastoreie as minhas ovelhas, cuide do meu rebanho...”.

Destas e de outras formas, Jesus continua acreditando nos homens, apesar dos nossos pecados. Não precisaria de nós, mas quer contar conosco sempre. Jesus é o Emanuel, o Deus conosco.

Assim, estando sempre conosco nos quer ao seu lado para prestarmos esta inestimável ajuda na edificação do Reino.

Nesta certeza, Deus ainda se mostra preocupado com os seus colaboradores: “Pedro, eis que Satanás me pediu permissão para te peneirar como trigo. Ele quer te separar de mim como a palha se separa do trigo na peneira”(cf. Lc 22,32).

Vale a pena lembrar as palavras sábias do Papa Bento XVI:  “ O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia. «Para rezar bem – explicava-lhes o Cura -, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração». E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele». «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!». Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (…) Contemplava a Hóstia amorosamente». Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus». Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!». E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».” (http://www.presbiteros.org.br/carta-do-santo-padre-bento-xvi-aos-sacerdotes/, último acesso em 09 de março de 2018).

O Papa Francisco, ao falar para os sacerdotes brasileiros, ensinou que: “Queridos sacerdotes, o povo de Deus gosta e precisa ver que seus padres se amam e vivem como irmãos, ainda mais pensando no Brasil e nos desafios tanto de âmbito religioso quanto social que lhes esperam ao retorno. De fato, neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os sacerdotes enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação.” (http://br.radiovaticana.va/news/2017/10/21/papa_brasil_precisa_que_os_seus_padres_sejam_sinal_de_esper/1344367, último acesso em 09 de março de 2018).

Não podemos perder tempo com coisas assessórias mas dedicarmo-nos, com afinco, ao atendimento do Povo de Deus, pela celebração dos sacramentos e dos sacramentais, e que sejamos testemunhas credíveis do Evangelho. Sempre atender o penitente. Não se cansar de visitar os hospitais e os doentes. Levar a Palavra de Deus aos presídios. Compartilhar a solidariedade da Igreja aos que sofrem e aos que passam pelo sofrimento do luto. Sejamos ministros dispensadores da graça divina.

Agradecendo a todas as comunidades que rezam nesses dias 16, 17 e 18 pelos sacerdotes lembro que Jesus rezou por Pedro, por isso reza pela sua Igreja e reza por nós. No dia de São José confiemo-nos à sua intercessão para termos o dom da paternidade espiritual com o nosso povo.

Que essa bênção e essa oração comunitária pela santificação do clero nos inspire a rezar uns pelos outros. Rezemos pelos padres. Estejamos unidos e rezemos pela santificação de toda a Igreja.


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Presbíteros, chamados a edificar a Igreja

18/03/2018 00:00 - Atualizado em 19/03/2018 10:53

Nestes dias de oração pelos presbíteros, o nosso terceiro tema é a missão de Francisco de Assis: edificar a Igreja. A Sagrada Escritura, fonte inspiradora da Palavra de Deus, nos impele sempre a observar, refletir e seguir o que o Senhor espera de cada um de nós.

Chamada a edificar a Igreja é um chamado que começa com Jesus a um dos seus seguidores. São Mateus, no seu Evangelho 16,18 Jesus é claro ao fazer o chamado. “Pedro tu és pedra e sobre esta pedra edificará a minha Igreja”. Pedro negou Jesus. Pedro não sabia o que dizer (na transfiguração). Pedro e os outros discípulos abandonaram Jesus na Cruz. Mas o Senhor insiste em chamar, em acreditar na pessoa humana, apesar de nossas dificuldades.

Já sabemos, como diz o adágio popular, que o Senhor não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Assim, confiou a Pedro a missão de edificar a Igreja e de confirmar seus irmãos na fé.

“Cristo, santificado e enviado ao mundo pelo Pai (Jo 10,36), através dos apóstolos, fez participar da sua consagração e da sua missão os seus sucessores, isto é, os bispos os quais legitimamente confiaram, em graus diversos, o cargo do seu ministério a várias pessoas na Igreja. Assim, o ministério eclesiástico, de instituição divina, é exercido em ordens diversas por aqueles que já antigamente eram chamados bispos, presbíteros e diáconos. Ainda que não tenham a plenitude do sacerdócio e dependam dos bispos no exercício dos seus poderes, os presbíteros estão unidos a eles na dignidade sacerdotal comum e, pelo sacramento da ordem, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, à imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote (“ad imaginem Christi, summi atque aeterni Sacerdotis”) (Hb 5,1-10; 7, 24; 9, 11-28)” (LG,28).

Ensina a Constituição Lumen Gentium: “Pela imposição das mãos e pelas palavras consecratórias, se confere a graça do Espírito Santo e se imprime o caráter sagrado, de tal modo que os bispos, de maneira eminente e visível, fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor e Pontífice, e agem em sua pessoa (“ipsius Christi Magistri, Pastoris et Pontificis partes sustineant et in Eius persona agant”)” (LG, 21). Por sua vez, os bispos conferem este seu ministério, mediante o sacramento da ordem, mas em grau subordinado, aos presbíteros para que estes sejam os cooperadores da Ordem Episcopal (cfr. PO, 2).

São João, em seu Evangelho, no capítulo 21, nos traz este testemunho: “Pedro, tu me amas?”. “Cuide os meus cordeiros.... Pastoreie as minhas ovelhas, cuide do meu rebanho...”.

Destas e de outras formas, Jesus continua acreditando nos homens, apesar dos nossos pecados. Não precisaria de nós, mas quer contar conosco sempre. Jesus é o Emanuel, o Deus conosco.

Assim, estando sempre conosco nos quer ao seu lado para prestarmos esta inestimável ajuda na edificação do Reino.

Nesta certeza, Deus ainda se mostra preocupado com os seus colaboradores: “Pedro, eis que Satanás me pediu permissão para te peneirar como trigo. Ele quer te separar de mim como a palha se separa do trigo na peneira”(cf. Lc 22,32).

Vale a pena lembrar as palavras sábias do Papa Bento XVI:  “ O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia. «Para rezar bem – explicava-lhes o Cura -, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração». E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele». «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!». Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria uma eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (…) Contemplava a Hóstia amorosamente». Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus». Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!». E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».” (http://www.presbiteros.org.br/carta-do-santo-padre-bento-xvi-aos-sacerdotes/, último acesso em 09 de março de 2018).

O Papa Francisco, ao falar para os sacerdotes brasileiros, ensinou que: “Queridos sacerdotes, o povo de Deus gosta e precisa ver que seus padres se amam e vivem como irmãos, ainda mais pensando no Brasil e nos desafios tanto de âmbito religioso quanto social que lhes esperam ao retorno. De fato, neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os sacerdotes enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação.” (http://br.radiovaticana.va/news/2017/10/21/papa_brasil_precisa_que_os_seus_padres_sejam_sinal_de_esper/1344367, último acesso em 09 de março de 2018).

Não podemos perder tempo com coisas assessórias mas dedicarmo-nos, com afinco, ao atendimento do Povo de Deus, pela celebração dos sacramentos e dos sacramentais, e que sejamos testemunhas credíveis do Evangelho. Sempre atender o penitente. Não se cansar de visitar os hospitais e os doentes. Levar a Palavra de Deus aos presídios. Compartilhar a solidariedade da Igreja aos que sofrem e aos que passam pelo sofrimento do luto. Sejamos ministros dispensadores da graça divina.

Agradecendo a todas as comunidades que rezam nesses dias 16, 17 e 18 pelos sacerdotes lembro que Jesus rezou por Pedro, por isso reza pela sua Igreja e reza por nós. No dia de São José confiemo-nos à sua intercessão para termos o dom da paternidade espiritual com o nosso povo.

Que essa bênção e essa oração comunitária pela santificação do clero nos inspire a rezar uns pelos outros. Rezemos pelos padres. Estejamos unidos e rezemos pela santificação de toda a Igreja.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro