Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/07/2018

17 de Julho de 2018

Atrairei todos a mim

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15/03/2018 00:00 - Atualizado em 16/03/2018 11:45

Atrairei todos a mim 0

15/03/2018 00:00 - Atualizado em 16/03/2018 11:45

Temos a graça de celebramos neste final de semana o Quinto domingo da Quaresma. Daqui a exatamente uma semana, celebraremos a entrada de Jesus em Jerusalém, ou seja, Domingo de Ramos e início da Semana Santa. Somos convidados nesta liturgia a enxergar o Senhor Jesus que se entrega por nós.

A primeira leitura (cf.  Jr 31,31-34) nos mostra que o povo de Deus é convocado pela profecia de Jeremias àquilo que pode verdadeiramente propiciar uma reconstrução: a aliança. No pacto entre Deus e o seu povo, a recordação do êxodo, feita por Jeremias, tem uma finalidade importante: lembrar que Deus vai fazer algo maior que fizera outrora no Egito e no deserto. O conhecimento de Deus, anuncia Jeremias, será tão disseminado, que todos, do menor ao maior, buscarão a Deus. “Imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de escrevê-la em seu coração”.

A segunda leitura (cf. Hb 5,7-9) demonstra que a carta aos Hebreus é um grande tratado sobre a situação do sacerdócio veterotestamentário, que se organizava por dinastia e tinha contornos e fundamentos exteriores e ritualistas. Em Hebreus vemos o sacerdócio de Cristo, que não igual ao sacerdócio do Antigo Testamento, mas, a ênfase em seu caráter espiritual: é pela solidariedade com a humanidade, pelo sofrimento e obediência, que Cristo é estabelecido como sacerdote. “Tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.

No Evangelho (cf. Jo 12,20-33) encontramos Jesus no interior do Templo de Jerusalém, no pátio interno, chamado Pátio de Israel. Ali, nenhum pagão podia entrar, sob pena de morte. Pois bem, alguns gregos pagãos aproximaram-se de Filipe, que certamente estava na parte mais externa, no chamado Pátio dos Gentios, até onde qualquer pessoa podia chegar. Dois gentios, que procuravam com fervor o Deus de Israel, tanto que "tinham subido a Jerusalém para adorar durante a festa". Com humildade, eles pedem: "Gostaríamos de ver Jesus!" Eles não podiam entrar no Templo, não poderiam ver Jesus, a não ser que este saísse e viesse aonde eles estavam. Filipe, então, foi a Jesus e lhe relatou o pedido dos gregos. Jesus, então, afirmou, de modo misterioso: "Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado!".

Jesus mostra aos que desejam vê-Lo: É o caminho da Cruz, o caminho da obediência a Deus, o caminho da semente lançada à terra, que não fica só, mas, morrendo, produz muito fruto. É chegada a hora de Jesus. Trata-se de sua Paixão e Ressurreição, pela qual Ele se lança totalmente no plano do Pai e realiza plenamente sua vontade. Um grupo de gregos (os estrangeiros), que estavam em Jerusalém para celebrar a Páscoa, pedem: “Queremos ver Jesus!”, isto é, conhecê-Lo em profundidade. Não se dirigem diretamente a Jesus, mas aos discípulos. Servem-se de dois mediadores: Felipe e André. Diz Jesus: “Se o grão, que cai na terra, morre, produzirá muito fruto”. A fecundidade da vida se manifesta na morte. Jesus vai morrer e nascerá a Igreja. O caminho para ver Jesus é a Cruz: “Quando Eu for elevado da terra (na Cruz), atrairei todos a Mim”. É o caminho para todo o discipulado.

Ao ser pregado na Cruz, Jesus é o sinal supremo de contradição para todos os homens! “Cristo, Senhor Nosso, foi crucificado e, do alto da Cruz, redimiu o mundo, restabelecendo a paz entre Deus e os homens. Jesus Cristo lembra a todos: “quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12,32), se vós Me puserdes no cume de todas as atividades da terra, cumprindo o dever de cada momento, sendo Meu testemunho naquilo que parece grande e naquilo que parece pequeno, tudo atrairei a Mim.

Contudo, eis o mistério: para que os pagãos vejam Jesus, isto é, para que o contemplem com os olhos da fé, para que nele creiam e nele tenham a vida, é necessário que Jesus seja glorificado pela cruz e pela ressurreição! É necessário que Jesus, grão de trigo, que se faz Eucaristia, morra de dê fruto – e este fruto é toda a humanidade, judeus e gentios que nele acreditarão e nele terão a vida eterna: "Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz fruto". Jesus entregará ao Pai a sua vida, para frutificar em salvação para nós, para que possamos vê-lo, contemplá-lo e experimentá-lo como nossa Luz e nossa Vida. Seguir Cristo: este é o segredo! Acompanhá-Lo tão de perto, que vivamos com Ele, como os primeiros Doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos: se não colocarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar que nos revestimos de Nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 13,14).

 

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15/03/2018 00:00 - Atualizado em 16/03/2018 11:45

Temos a graça de celebramos neste final de semana o Quinto domingo da Quaresma. Daqui a exatamente uma semana, celebraremos a entrada de Jesus em Jerusalém, ou seja, Domingo de Ramos e início da Semana Santa. Somos convidados nesta liturgia a enxergar o Senhor Jesus que se entrega por nós.

A primeira leitura (cf.  Jr 31,31-34) nos mostra que o povo de Deus é convocado pela profecia de Jeremias àquilo que pode verdadeiramente propiciar uma reconstrução: a aliança. No pacto entre Deus e o seu povo, a recordação do êxodo, feita por Jeremias, tem uma finalidade importante: lembrar que Deus vai fazer algo maior que fizera outrora no Egito e no deserto. O conhecimento de Deus, anuncia Jeremias, será tão disseminado, que todos, do menor ao maior, buscarão a Deus. “Imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de escrevê-la em seu coração”.

A segunda leitura (cf. Hb 5,7-9) demonstra que a carta aos Hebreus é um grande tratado sobre a situação do sacerdócio veterotestamentário, que se organizava por dinastia e tinha contornos e fundamentos exteriores e ritualistas. Em Hebreus vemos o sacerdócio de Cristo, que não igual ao sacerdócio do Antigo Testamento, mas, a ênfase em seu caráter espiritual: é pela solidariedade com a humanidade, pelo sofrimento e obediência, que Cristo é estabelecido como sacerdote. “Tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.

No Evangelho (cf. Jo 12,20-33) encontramos Jesus no interior do Templo de Jerusalém, no pátio interno, chamado Pátio de Israel. Ali, nenhum pagão podia entrar, sob pena de morte. Pois bem, alguns gregos pagãos aproximaram-se de Filipe, que certamente estava na parte mais externa, no chamado Pátio dos Gentios, até onde qualquer pessoa podia chegar. Dois gentios, que procuravam com fervor o Deus de Israel, tanto que "tinham subido a Jerusalém para adorar durante a festa". Com humildade, eles pedem: "Gostaríamos de ver Jesus!" Eles não podiam entrar no Templo, não poderiam ver Jesus, a não ser que este saísse e viesse aonde eles estavam. Filipe, então, foi a Jesus e lhe relatou o pedido dos gregos. Jesus, então, afirmou, de modo misterioso: "Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado!".

Jesus mostra aos que desejam vê-Lo: É o caminho da Cruz, o caminho da obediência a Deus, o caminho da semente lançada à terra, que não fica só, mas, morrendo, produz muito fruto. É chegada a hora de Jesus. Trata-se de sua Paixão e Ressurreição, pela qual Ele se lança totalmente no plano do Pai e realiza plenamente sua vontade. Um grupo de gregos (os estrangeiros), que estavam em Jerusalém para celebrar a Páscoa, pedem: “Queremos ver Jesus!”, isto é, conhecê-Lo em profundidade. Não se dirigem diretamente a Jesus, mas aos discípulos. Servem-se de dois mediadores: Felipe e André. Diz Jesus: “Se o grão, que cai na terra, morre, produzirá muito fruto”. A fecundidade da vida se manifesta na morte. Jesus vai morrer e nascerá a Igreja. O caminho para ver Jesus é a Cruz: “Quando Eu for elevado da terra (na Cruz), atrairei todos a Mim”. É o caminho para todo o discipulado.

Ao ser pregado na Cruz, Jesus é o sinal supremo de contradição para todos os homens! “Cristo, Senhor Nosso, foi crucificado e, do alto da Cruz, redimiu o mundo, restabelecendo a paz entre Deus e os homens. Jesus Cristo lembra a todos: “quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12,32), se vós Me puserdes no cume de todas as atividades da terra, cumprindo o dever de cada momento, sendo Meu testemunho naquilo que parece grande e naquilo que parece pequeno, tudo atrairei a Mim.

Contudo, eis o mistério: para que os pagãos vejam Jesus, isto é, para que o contemplem com os olhos da fé, para que nele creiam e nele tenham a vida, é necessário que Jesus seja glorificado pela cruz e pela ressurreição! É necessário que Jesus, grão de trigo, que se faz Eucaristia, morra de dê fruto – e este fruto é toda a humanidade, judeus e gentios que nele acreditarão e nele terão a vida eterna: "Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz fruto". Jesus entregará ao Pai a sua vida, para frutificar em salvação para nós, para que possamos vê-lo, contemplá-lo e experimentá-lo como nossa Luz e nossa Vida. Seguir Cristo: este é o segredo! Acompanhá-Lo tão de perto, que vivamos com Ele, como os primeiros Doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos: se não colocarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar que nos revestimos de Nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 13,14).

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro