Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (45)

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19 de Novembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (45)

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16/03/2018 11:38 - Atualizado em 16/03/2018 11:38

Livros do Antigo Testamento (45) 0

16/03/2018 11:38 - Atualizado em 16/03/2018 11:38

Neste artigo avançaremos, entre os capítulos Ex 20-24, na direção da conclusão da unidade sobre os Mandamentos, que além do Decálogo (Dez Mandamentos) se estende ao conjunto da vida pessoal e social do povo de Deus.

1. Êxodo 20-24: A lei de Deus invade todas as dimensões da vida

Moisés veio referir ao povo todas as Palavras do Senhor, e todas as suas leis; e o povo inteiro respondeu a uma voz: “Faremos tudo o que o Senhor disse.” (Ex 24, 3)

Como havíamos analisado no Capítulo 20, o caminho do deserto atingiu seu ápice: Ver e Ouvir a Deus.

Essa etapa de adoração e escuta implica no estabelecimento da Lei, como forma de compromisso com a Aliança Divina.

No deserto, no Sinai, Israel deve aprender que a obediência a Deus não se exprime somente na verticalidade, um olhar para o alto. Os mandamentos, como já afirmamos, reestrutura a fé a Deus, através da adesão plena à Vontade Divina. Amo, obedeço a Deus e, assim, me salvo.

Além disso, os mandamentos permitem a Israel viver na justiça e na fraternidade. O conjunto dos mandamentos constitui uma rede de proteção aos mais fracos.

Pela vivência, cumprimento e observância das Leis divinas, a convivência social do povo de Deus reitera um binômio fundamental da fé de Israel: mística e ética.

De um lado, Israel tem o privilégio de ‘ver’ a Deus, a graça de ter sido, desde os Pais (Patriarcas), um Povo escolhido para as ‘teofanias’ divinas ao longo de sua história.

A contemplação de Deus implicava, por isso, em dois elementos que se opunham ao pecado: a proximidade em vez da distância de Deus expressa na expulsão do paraíso e a experiência do amor de Deus ao invés da desobediência, já que Israel não tinha os predicados para se aproximar de Deus, Israel sabe que é Deus que se tornara próximo, isto é, é Deus, o Santo, que amara Israel.

A identidade de Israel, o povo de Deus, passa por isso, pela experiência mística. O culto prestado ao Deus Único e Verdadeiro representa o cume desta experiência de Deus. Venerar a Deus reside no pleito da obediência e da observância da Lei!

Do outro lado, a recepção do Decálogo e do conjunto dos mandamentos (Ex 21-23) expressa a Vontade Divina na recuperação e salvação não somente do indivíduo, mas da pessoa.

E com isto queremos dizer que a Salvação, ao atingir a pessoa em sua integralidade, redime o homem em suas circunstâncias. O homem inteiro é salvo! E isto implica que a Graça de Deus penetre as suas relações familiares e sociais.

Assim, o cumprimento dos mandamentos não somente forma uma criatura agradável a Deus em sua consciência individual, mas simultaneamente forma um todo social apto ao testemunho da existência de Deus pela qualidade fraterna de suas relações sociais.

2. Ex 24: Moisés é preparado para ser mediador.

E, subindo Moisés ao monte, a nuvem cobriu o monte. E a glória do Senhor repousou sobre o Monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia chamou a Moisés do meio da nuvem. E o parecer da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel. E Moisés entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte 40 dias e 40 noites (Ex 24, 15-18)

Esta unidade conclusiva do Capítulo 24 desenha o perfil de mediador da parte de Moisés. Ele não assumiu no conjunto das narrativas do Pentateuco apenas a complicada tarefa de condutor do povo pelo deserto à terra prometida. Por decisão de Deus, é Moisés quem deve estar na ‘presença de Deus’ e escrever (perpetuar) as Palavras Divinas!

Moisés ‘entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte 40 dias e 40 noites’ (v. 18).

Este convite de Deus para que Moisés entrasse na ‘glória’ de Deus é a profecia que veremos realizada na transfiguração de Jesus:

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte. 2 Ali ele foi transfigurado diante deles. Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz. 3 Naquele mesmo momento apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus. Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!” (Mt 17, 1-3. 5).

Moisés em meio à nuvem (shekinah)1 é o quadro permanente da autoridade do líder espiritual.

Ele foi eleito por Deus para experimentar a intimidade de Deus. Falará Palavras de Deus a Israel.

Shekinah é uma palavra hebraica que significa ‘habitação’ ou ‘presença de Deus’. Para os teólogos, a tradução que mais se aproxima dessa palavra é ‘a glória de Deus se manifesta’. A palavra shekinah tem várias grafias, entre elas, shekiná, shechina e shekina. De acordo com o Dicionário Hebraico-Português, o verbo hebraico shachan se traduz por habitar ou morar, como também, a palavra shikan se traduz por ‘alojar’ ou ‘instalar’. As duas palavras possuem a mesma raiz da palavra shekinah, que significa ‘Divina Presença’ ou ‘em quem Jeová habita’. Shekinah é uma palavra que aparece com frequência na Bíblia hebraica, indicando a presença de Deus. Muitos cristãos também consideram que a palavra Shekinah é referenciada também no Novo Testamento, em diversos textos, com representação simbólica da presença divina habitando no meio do povo. Muitas vezes Shekinah é representada pela nuvem, como é possível verificar na passagem Êxodo 40:35: “Moisés não pôde entrar na tenda da reunião, porque a nuvem tinha pousado sobre ela e a glória de Javé enchia o santuário”. Muitas vezes é representada pela “Glória Divina que habitava a terra”, como no Salmo 85: 8,9: “Vou escutar o que diz Javé: Deus anuncia a paz ao seu povo, a seus fiéis e aos que se convertem de coração. A salvação está próxima dos que O temem, e a glória habitará em nossa terra”

Como todos os servos de Deus, Moisés não é usado por Deus, não é mera ferramenta, mas amado, santificado e colocado em contato com o ‘Rosto’ de Deus, será profeta experimentado naquilo que diz e expressa diante do povo.

1https://www.significados.com.br/shekinah/

 

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1. Êxodo 20-24: A lei de Deus invade todas as dimensões da vida

Moisés veio referir ao povo todas as Palavras do Senhor, e todas as suas leis; e o povo inteiro respondeu a uma voz: “Faremos tudo o que o Senhor disse.” (Ex 24, 3)

Como havíamos analisado no Capítulo 20, o caminho do deserto atingiu seu ápice: Ver e Ouvir a Deus.

Essa etapa de adoração e escuta implica no estabelecimento da Lei, como forma de compromisso com a Aliança Divina.

No deserto, no Sinai, Israel deve aprender que a obediência a Deus não se exprime somente na verticalidade, um olhar para o alto. Os mandamentos, como já afirmamos, reestrutura a fé a Deus, através da adesão plena à Vontade Divina. Amo, obedeço a Deus e, assim, me salvo.

Além disso, os mandamentos permitem a Israel viver na justiça e na fraternidade. O conjunto dos mandamentos constitui uma rede de proteção aos mais fracos.

Pela vivência, cumprimento e observância das Leis divinas, a convivência social do povo de Deus reitera um binômio fundamental da fé de Israel: mística e ética.

De um lado, Israel tem o privilégio de ‘ver’ a Deus, a graça de ter sido, desde os Pais (Patriarcas), um Povo escolhido para as ‘teofanias’ divinas ao longo de sua história.

A contemplação de Deus implicava, por isso, em dois elementos que se opunham ao pecado: a proximidade em vez da distância de Deus expressa na expulsão do paraíso e a experiência do amor de Deus ao invés da desobediência, já que Israel não tinha os predicados para se aproximar de Deus, Israel sabe que é Deus que se tornara próximo, isto é, é Deus, o Santo, que amara Israel.

A identidade de Israel, o povo de Deus, passa por isso, pela experiência mística. O culto prestado ao Deus Único e Verdadeiro representa o cume desta experiência de Deus. Venerar a Deus reside no pleito da obediência e da observância da Lei!

Do outro lado, a recepção do Decálogo e do conjunto dos mandamentos (Ex 21-23) expressa a Vontade Divina na recuperação e salvação não somente do indivíduo, mas da pessoa.

E com isto queremos dizer que a Salvação, ao atingir a pessoa em sua integralidade, redime o homem em suas circunstâncias. O homem inteiro é salvo! E isto implica que a Graça de Deus penetre as suas relações familiares e sociais.

Assim, o cumprimento dos mandamentos não somente forma uma criatura agradável a Deus em sua consciência individual, mas simultaneamente forma um todo social apto ao testemunho da existência de Deus pela qualidade fraterna de suas relações sociais.

2. Ex 24: Moisés é preparado para ser mediador.

E, subindo Moisés ao monte, a nuvem cobriu o monte. E a glória do Senhor repousou sobre o Monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia chamou a Moisés do meio da nuvem. E o parecer da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel. E Moisés entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte 40 dias e 40 noites (Ex 24, 15-18)

Esta unidade conclusiva do Capítulo 24 desenha o perfil de mediador da parte de Moisés. Ele não assumiu no conjunto das narrativas do Pentateuco apenas a complicada tarefa de condutor do povo pelo deserto à terra prometida. Por decisão de Deus, é Moisés quem deve estar na ‘presença de Deus’ e escrever (perpetuar) as Palavras Divinas!

Moisés ‘entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte 40 dias e 40 noites’ (v. 18).

Este convite de Deus para que Moisés entrasse na ‘glória’ de Deus é a profecia que veremos realizada na transfiguração de Jesus:

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte. 2 Ali ele foi transfigurado diante deles. Sua face brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz. 3 Naquele mesmo momento apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus. Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: “Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!” (Mt 17, 1-3. 5).

Moisés em meio à nuvem (shekinah)1 é o quadro permanente da autoridade do líder espiritual.

Ele foi eleito por Deus para experimentar a intimidade de Deus. Falará Palavras de Deus a Israel.

Shekinah é uma palavra hebraica que significa ‘habitação’ ou ‘presença de Deus’. Para os teólogos, a tradução que mais se aproxima dessa palavra é ‘a glória de Deus se manifesta’. A palavra shekinah tem várias grafias, entre elas, shekiná, shechina e shekina. De acordo com o Dicionário Hebraico-Português, o verbo hebraico shachan se traduz por habitar ou morar, como também, a palavra shikan se traduz por ‘alojar’ ou ‘instalar’. As duas palavras possuem a mesma raiz da palavra shekinah, que significa ‘Divina Presença’ ou ‘em quem Jeová habita’. Shekinah é uma palavra que aparece com frequência na Bíblia hebraica, indicando a presença de Deus. Muitos cristãos também consideram que a palavra Shekinah é referenciada também no Novo Testamento, em diversos textos, com representação simbólica da presença divina habitando no meio do povo. Muitas vezes Shekinah é representada pela nuvem, como é possível verificar na passagem Êxodo 40:35: “Moisés não pôde entrar na tenda da reunião, porque a nuvem tinha pousado sobre ela e a glória de Javé enchia o santuário”. Muitas vezes é representada pela “Glória Divina que habitava a terra”, como no Salmo 85: 8,9: “Vou escutar o que diz Javé: Deus anuncia a paz ao seu povo, a seus fiéis e aos que se convertem de coração. A salvação está próxima dos que O temem, e a glória habitará em nossa terra”

Como todos os servos de Deus, Moisés não é usado por Deus, não é mera ferramenta, mas amado, santificado e colocado em contato com o ‘Rosto’ de Deus, será profeta experimentado naquilo que diz e expressa diante do povo.

1https://www.significados.com.br/shekinah/

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica