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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/12/2017

17 de Dezembro de 2017

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04/10/2013 16:36 - Atualizado em 04/10/2013 16:48

Em desvantagem 0

04/10/2013 16:36 - Atualizado em 04/10/2013 16:48

Em desvantagem / Arqrio

Retomamos o interesse que a pesquisa da Fiocruz lançou sobre as usuárias de crack grávidas que dão à luz. A propósito, recente levantamento feito em dez hospitais e maternidades no município do Rio de Janeiro constatou que 227 gestantes dependentes de crack deram à luz. Mas serão delas os bebês, isto é, elas os têm seus? Sentem-se suas mães? As perguntas procedem, pois duas a três crianças são mensalmente abandonadas. Nascidas em tal desvantagem de amor materno, quais serão seus destinos e das outras aceitas por mães fragilizadas, física e psicologicamente, pela ação destruidora do crack? E qual será o futuro dos filhos cujos pais e mães são ambos dependentes? Quem é capaz de responder por este drama social crescente somado às outras mazelas deste pobre país, tão rico de possibilidades?

Reflitamos, dentro do possível. Seguramente, estas crianças não terão um lar de convivência saudável. Não serão acolhidas como membros bem vindos de uma família com mamãe e papai e alguns irmãozinhos, a não ser que sejam adotadas, o que não é fácil. Sendo filhos da pobreza ou da miséria, eles não viverão em um lar da própria família, exceto se tiverem uma avó ou parente generoso. Assim a desvantagem, em grande parte, será supressa pelo amor.

Se tanto o pai quanto a mãe forem dependentes, a desvantagem será maior. Pior, se tais crianças não tiverem avós ou parentes. Então, irão para os abrigos, já superlotados, da prefeitura ou da rede privada, após contato que as assistentes sociais fizerem com o Conselho Tutelar para encaminhá-las à Primeira Vara da Infância, da Juventude e do Idoso para serem conduzidas a seus destinos: um itinerário de vida em enorme desvantagem desde o início.

A juíza teria afirmado que se sente obrigada a mandar as crianças a abrigos que se tornaram “verdadeiros depósitos de crianças”. É forte o termo. Não existe lugar melhor para mandá-las.

Não há lugar, mas há solução. A solução seria a integração da criança à família. A família é a solução, ainda que seja de adoção. Na falta, é a ampliação da oferta de abrigos de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Solução, não no sentido de acabamento ou de conclusão, mas de abertura. Quando o problema é gente, gente é a solução. Gente que humanize as instituições. Gente que humanize os abrigos. Gente que goste de gente.

Difícil é responder à problemática dos pais e, sobretudo, das mães dependentes, física e psicologicamente. No entanto, a pesquisa da Fiocruz acendeu uma luz, ainda que seja no túnel escuro, ao oferecer dados reais que facilitem práticas corretas. A solução em aberto, também aqui é gente contando com gente. Tais pessoas abnegadas existem.

Segundo a literatura sapiencial, “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo: experimentam-na quantos são de seu partido!” (Sb 2, 24). Por isso, quem promove a vida é do partido de Deus, seu Criador. É seu parceiro. Os que difundem o crack e outras drogas e se locupletam com seu recurso, são praticantes da morte. Fingem amar a vida. Entretanto, também eles terão de “comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo” (2 Cr 5, 10).

Tais reflexões se integram à Semana Nacional da Vida e à Caminhada em Defesa da Vida, coordenada pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida Brasil sem Aborto com o apoio da arquidiocese. Assim, luta-se pela vida em todas as frentes de batalha com as armas da paz: fé, amor, esperança. Luta-se pelo amor à vida.

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04/10/2013 16:36 - Atualizado em 04/10/2013 16:48

Retomamos o interesse que a pesquisa da Fiocruz lançou sobre as usuárias de crack grávidas que dão à luz. A propósito, recente levantamento feito em dez hospitais e maternidades no município do Rio de Janeiro constatou que 227 gestantes dependentes de crack deram à luz. Mas serão delas os bebês, isto é, elas os têm seus? Sentem-se suas mães? As perguntas procedem, pois duas a três crianças são mensalmente abandonadas. Nascidas em tal desvantagem de amor materno, quais serão seus destinos e das outras aceitas por mães fragilizadas, física e psicologicamente, pela ação destruidora do crack? E qual será o futuro dos filhos cujos pais e mães são ambos dependentes? Quem é capaz de responder por este drama social crescente somado às outras mazelas deste pobre país, tão rico de possibilidades?

Reflitamos, dentro do possível. Seguramente, estas crianças não terão um lar de convivência saudável. Não serão acolhidas como membros bem vindos de uma família com mamãe e papai e alguns irmãozinhos, a não ser que sejam adotadas, o que não é fácil. Sendo filhos da pobreza ou da miséria, eles não viverão em um lar da própria família, exceto se tiverem uma avó ou parente generoso. Assim a desvantagem, em grande parte, será supressa pelo amor.

Se tanto o pai quanto a mãe forem dependentes, a desvantagem será maior. Pior, se tais crianças não tiverem avós ou parentes. Então, irão para os abrigos, já superlotados, da prefeitura ou da rede privada, após contato que as assistentes sociais fizerem com o Conselho Tutelar para encaminhá-las à Primeira Vara da Infância, da Juventude e do Idoso para serem conduzidas a seus destinos: um itinerário de vida em enorme desvantagem desde o início.

A juíza teria afirmado que se sente obrigada a mandar as crianças a abrigos que se tornaram “verdadeiros depósitos de crianças”. É forte o termo. Não existe lugar melhor para mandá-las.

Não há lugar, mas há solução. A solução seria a integração da criança à família. A família é a solução, ainda que seja de adoção. Na falta, é a ampliação da oferta de abrigos de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Solução, não no sentido de acabamento ou de conclusão, mas de abertura. Quando o problema é gente, gente é a solução. Gente que humanize as instituições. Gente que humanize os abrigos. Gente que goste de gente.

Difícil é responder à problemática dos pais e, sobretudo, das mães dependentes, física e psicologicamente. No entanto, a pesquisa da Fiocruz acendeu uma luz, ainda que seja no túnel escuro, ao oferecer dados reais que facilitem práticas corretas. A solução em aberto, também aqui é gente contando com gente. Tais pessoas abnegadas existem.

Segundo a literatura sapiencial, “foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo: experimentam-na quantos são de seu partido!” (Sb 2, 24). Por isso, quem promove a vida é do partido de Deus, seu Criador. É seu parceiro. Os que difundem o crack e outras drogas e se locupletam com seu recurso, são praticantes da morte. Fingem amar a vida. Entretanto, também eles terão de “comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo” (2 Cr 5, 10).

Tais reflexões se integram à Semana Nacional da Vida e à Caminhada em Defesa da Vida, coordenada pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida Brasil sem Aborto com o apoio da arquidiocese. Assim, luta-se pela vida em todas as frentes de batalha com as armas da paz: fé, amor, esperança. Luta-se pelo amor à vida.

Dom Edson de Castro Homem
Autor

Dom Edson de Castro Homem

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro