Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2018

21 de Outubro de 2018

Paz: dom de Deus

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Paz: dom de Deus 0

12/03/2018 10:53 - Atualizado em 12/03/2018 10:54

A quaresma é um tempo forte do ano litúrgico que nos chama a uma verdadeira conversão, a renovar nossa vida batismal. Temos muitos passos a dar e a celebração penitencial quando nos confessamos é um dos momentos desta época que se reveste de uma unção toda especial. Dentro de nossa caminhada de conversão a Igreja nos aponta alguns gestos concretos: a economia que fazemos com o jejum e abstinência que é colocada para o trabalho social da igreja, e a mudança de mentalidade que necessitamos nestes tempos que é o tema da Campanha da Fraternidade. Ali somos questionados cada ano a ver como a nossa vida de conversão realmente ajuda na presença cristã diante de um mundo que perde valores. Por isso a Campanha da Fraternidade é um esforço coletivo de todas as Comunidades refletirem e introduzirem o Evangelho de Jesus Cristo na vivência do povo cristão, focalizando cada ano um aspecto diferente. A Igreja, povo de Deus peregrino na História, continua e prolonga no tempo a missão de Jesus Cristo, sendo luz, sal e fermento no mundo[1]. Ao mesmo tempo o assunto que ela nos remete, além de questionar os cristãos, também é um tema que chama a atenção de toda a sociedade pois se refere a assuntos que tocamos com nossas vidas a cada dia.

Neste ano o tema da Campanha «Fraternidade e superação da Violência» e o lema evangélico «Vós sois todos irmãos» (Mt 213,8) foi tão importante caro que os Bispos do Leste 1 —Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Arquidiocese de Niterói, Diocese de Petrópolis, Diocese de Nova Friburgo, Diocese de Campos, Diocese de Duque de Caxias, Diocese de Valença, Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, Diocese de Itaguaí, Diocese de Nova Iguaçú e da Administração Apostólica São João Maria Vianey — fizeram no sábado depois das Cinzas, em nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião, no dia 17 de fevereiro, a abertura e lançamento oficial em nível estadual, com o intuito de realmente construirmos a paz para a superar a violência[2]. Nós que vivemos nesta região sabemos quanto é importante essa nossa unidade para ser um sinal de esperança cristã para nosso povo.

Mais do que nunca precisamos, como Povo de Deus, tomar consciência mais clara de nossa missão profética que anuncia o Senhor e seu Reino de Justiça, denunciando tudo quanto avilta o homem e a mulher, filho e filha de Deus, desfigurando sua imagem. Igualmente toma consciência do papel que lhe cabe de contribuir para a transformação dessa sociedade[3]. «A Igreja está sempre a apontar o “caminho da real fraternidade. A Igreja continua a ser a testemunha desta grande segurança»[4].

Nesta perspectiva da realização histórica do Reino, que se dá desde aqui e agora, também por meio dos esforços humanos em vista de uma sociedade verdadeiramente justa, solidária e livre, é necessário aprofundarmos o que afirma o Texto-base da CF/2018, isto é: a «violência não será superada com medidas que ignorem a complexidade do problema». Por isso, aponta 13 formas de violências e as maneiras de combate-las, demonstrando que é possível mudar esta cultura da violência, entendendo como tal se sistematizou na pessoa, na comunidade e na sociedade[5], possibilitando o construir da cultura de paz que nos levará a uma civilização do Amor[6]. Em 20 de janeiro do corrente ano, em nossa Carta Pastoral, “Bem-aventurados os que constroem a Paz”, indicamos também 12 caminhos de superação de qualquer tipo de violência.

Na nossa Carta Pastoral sobre a superação da violência, promulgada em 20 de janeiro passado escrevi: “Estas são algumas das minhas reflexões a respeito da superação da violência e da construção de uma cultura da paz. Ao longo de minha vida como religioso, sacerdote e bispo, tenho visto inúmeras formas de agressão ao ser humano e ao meio-ambiente. Como homem de Fé, não posso deixar de ver em cada uma a presença do pecado, às vezes por demais gritante. Mesmo numa sociedade secularizada, é preciso repetir que o pecado existe e que todos precisamos trabalhar contra ele. Esta, com bem sabemos, é a proposta da Quaresma, tempo em que vivemos a Campanha da Fraternidade, um presente de Deus à Igreja e ao povo brasileiro. Dentro do espírito quaresmal, ela quer sempre interpelar toda a sociedade para um aspecto de intensa gravidade. Louvo a Deus, portanto, pela Campanha da Fraternidade, em cujas origens encontra-se um dos meus predecessores na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Cardeal Eugenio de Araujo Sales [7]. Falecido já há alguns anos [8], D. Eugenio deixou muitas sementes na Igreja do Brasil e do Rio de Janeiro. Algumas ele viu crescer e até experimentou de seus frutos. O importante, lembra-nos a Sagrada Escritura, é semear (cf. Jo. 4,37; 1 Cor 3,7-9). Semeemos, portanto, a paz! (cf. Carta Pastoral n. 66)”

A violência silenciada, escondida, não explícita é que mais chama atenção, afinal sempre há um rosto de uma pessoa que perde a liberdade e vontade quando a violência acontece. Seja nas violências domésticas, na exploração sexual, no tráfico humano, nas violências dos trabalhadores – no campo ou na cidade –, no trânsito e em muitas outras situações de violência, vemos a pessoa humana sendo desfigurada, massacrada e coisificada. “Hoje temos a violência pelos meios digitais que muitas vezes disseminam “fakes” e outras vezes intolerâncias não cristãs. A escalada do ódio e da vingança permeia muitas facetas de nossa sociedade atual nesta mudança de época. Não éramos assim em nosso país. Será importante pesquisar o que nos levou a ficarmos uns contra os outros de maneira violenta”. A violência tira a paz, tenta destruir a esperança, o querer levantar. A Igreja como especialista em humanidade propõe a superação da violência pelo amor oblativo e concreto do dia a dia[9]. Por isso, não esconde seus erros, mas já, na Gaudium et Spes, nn. 24-32[10], afirmava que a convivência pacífica e o progresso da paz, são questões que estão na interdependência da pessoa humana e da sociedade, procurando o bem comum, respeitando a pessoa humana, inclusive perante aos adversários, no real respeito das diferenças, mas observando a igualdade essencial da pessoa humana. Assim a cada subtítulo observamos a riqueza da mãe em humanidade demonstrar os passos a serem dados. Os Papas também falam de Paz, rezam pela Paz, sempre e São João Paulo II disse claramente em 2002 que «não há paz sem justiça, nem justiça sem perdão»[11].

Já foi dito em 2009 na Campanha da Fraternidade daquele ano «Fraternidade e Segurança Pública» que todos desejam segurança e esta é dever do Estado e também direito e responsabilidade de todos, a fim de que uma vez exercida, haja a preservação da ordem pública e da integridade das pessoas e de seus bens[12]. Vivemos uma situação difícil, onde aas vítimas aparecem diariamente. A população amedrontada, sai cada dia ao trabalho temendo nas áreas de risco e já se «acostumaram» com os constantes tiroteios e balas “perdidas” que “encontram” suas vítimas. A convivência civilizada em nosso país deteriora-se, apontando para um quadro de caos, como aquele que temos visto no mundo. Tenho afirmado muitas vezes que nossa sociedade “está enferma” e isso contagia a todo o tecido social.

O que mais precisamos para perceber que as mudanças a serem feitas em nosso país não podem se limitar a simples remendos, devendo evoluir para uma mudança radical em toda a estrutura econômica e social. A segurança é e deve ser total com a presença da igualdade social e possibilidades sociais também. Em suma, a superação da violência necessariamente passa pela mudança da cultura da violência pela cultura da paz, uma vez que numa sociedade de comunhão e de solidariedade o critério da produção não é determinante para uma reta e justa apreciação da dignidade da pessoa humana, que não é mercadoria e nem coisa. Sem dúvida que para nós cristãos tudo isso não será possível sem uma séria conversão, mudança de vida e um coração que cultive a cultura da paz. E, depois, como “sujeitos de uma igreja em saída” contagiemos a sociedade sendo “sal da terra e luz do mundo”

Devemos reconhecer que há avanços na área da segurança pública, principalmente na conscientização do respeito da dignidade humana e de seus direitos, porém devem vir também com transformações sociais, iniciativas solidárias, pois assim haverá também uma prevenção da violência, o diminuir dos seus efeitos e da solidariedade às vítimas. Para tanto, não podemos esquecer de ações sociotransformadoras tornando-se assim um sinal de esperança.

Vamos buscar corresponder à graça de Deus na caminhada de conversão quaresmal e, como consequência, construir a paz e pontes de diálogo para uma convivência evangélica. Assim viveremos a quaresma renovando nossa vida batismal e sendo presença missionária no mundo.

 



[1] Cf. Mt 5,13-14; 13,33.

[2] Cf. Nathalia Cardoso e Rafphael Freire, Construir a paz para superar a violência in Testemunho de Fé,11 a 17 de fevereiro de 2018, Ano XXVII (XVIII), n. 1044, edição semanal, n. 886, fls. 4-5. 

[3] Cf. Medellín, 03: “… Denunciar energicamente os abusos e as injustiças consequências das desigualdades excessivas entre ricos e pobres, entre poderosos e fracos, favorecendo a integração…”

[4] Cf. Oscar de Oliveira, Dia Mundial da Paz in O Arquidiocesano, Ano XXIV, 23 de janeiro de 1983, n.1219, fl. 01.

[5] Cf. Luís Fernando da Silva, Fraternidade e superação da Violência in Revista Vida Pastoral, janeiro-fevereiro de 2018, Ano 59, n. 319, fls.4-5.

[6]

[7] O texto-base deste ano apresenta, em seu final um histórico da Campanha da Fraternidade, pp. 100ss.

[8] D. Eugenio faleceu no dia 9 de julho de 2012.

[9] Cf. Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist. Superar com amor in  Testemunho de Fé, 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2018, Ano XXVII (XVIII), n. 1042, Edição semanal, n. 884, fl. 04.

[10] Tem como subtítulos: Índole comunitária da vocação humana; Interdependência da pessoa humana e da sociedade humana; Promoção do bem comum; Respeito da pessoa humana; Respeito e amor aos adversários; Igualdade essencial entre todos os homens; Superação ética individualista; Responsabilidade e participação social; O Verbo encarnado e a solidariedade humana.

[11] Cf. Mensagem de sua Santidade João Paulo II para a celebração do XXV Dia Mundial da Paz 1º de janeiro de 2002, in http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_20011211_xxxv-world-day-for-peace.html

[12] Cf. A Paz é fruto da Justiça CF 2009 – CNBB, in Revista O Recado: São Paulo, n. 220 (2009) p. 7.

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12/03/2018 10:53 - Atualizado em 12/03/2018 10:54

A quaresma é um tempo forte do ano litúrgico que nos chama a uma verdadeira conversão, a renovar nossa vida batismal. Temos muitos passos a dar e a celebração penitencial quando nos confessamos é um dos momentos desta época que se reveste de uma unção toda especial. Dentro de nossa caminhada de conversão a Igreja nos aponta alguns gestos concretos: a economia que fazemos com o jejum e abstinência que é colocada para o trabalho social da igreja, e a mudança de mentalidade que necessitamos nestes tempos que é o tema da Campanha da Fraternidade. Ali somos questionados cada ano a ver como a nossa vida de conversão realmente ajuda na presença cristã diante de um mundo que perde valores. Por isso a Campanha da Fraternidade é um esforço coletivo de todas as Comunidades refletirem e introduzirem o Evangelho de Jesus Cristo na vivência do povo cristão, focalizando cada ano um aspecto diferente. A Igreja, povo de Deus peregrino na História, continua e prolonga no tempo a missão de Jesus Cristo, sendo luz, sal e fermento no mundo[1]. Ao mesmo tempo o assunto que ela nos remete, além de questionar os cristãos, também é um tema que chama a atenção de toda a sociedade pois se refere a assuntos que tocamos com nossas vidas a cada dia.

Neste ano o tema da Campanha «Fraternidade e superação da Violência» e o lema evangélico «Vós sois todos irmãos» (Mt 213,8) foi tão importante caro que os Bispos do Leste 1 —Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Arquidiocese de Niterói, Diocese de Petrópolis, Diocese de Nova Friburgo, Diocese de Campos, Diocese de Duque de Caxias, Diocese de Valença, Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda, Diocese de Itaguaí, Diocese de Nova Iguaçú e da Administração Apostólica São João Maria Vianey — fizeram no sábado depois das Cinzas, em nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião, no dia 17 de fevereiro, a abertura e lançamento oficial em nível estadual, com o intuito de realmente construirmos a paz para a superar a violência[2]. Nós que vivemos nesta região sabemos quanto é importante essa nossa unidade para ser um sinal de esperança cristã para nosso povo.

Mais do que nunca precisamos, como Povo de Deus, tomar consciência mais clara de nossa missão profética que anuncia o Senhor e seu Reino de Justiça, denunciando tudo quanto avilta o homem e a mulher, filho e filha de Deus, desfigurando sua imagem. Igualmente toma consciência do papel que lhe cabe de contribuir para a transformação dessa sociedade[3]. «A Igreja está sempre a apontar o “caminho da real fraternidade. A Igreja continua a ser a testemunha desta grande segurança»[4].

Nesta perspectiva da realização histórica do Reino, que se dá desde aqui e agora, também por meio dos esforços humanos em vista de uma sociedade verdadeiramente justa, solidária e livre, é necessário aprofundarmos o que afirma o Texto-base da CF/2018, isto é: a «violência não será superada com medidas que ignorem a complexidade do problema». Por isso, aponta 13 formas de violências e as maneiras de combate-las, demonstrando que é possível mudar esta cultura da violência, entendendo como tal se sistematizou na pessoa, na comunidade e na sociedade[5], possibilitando o construir da cultura de paz que nos levará a uma civilização do Amor[6]. Em 20 de janeiro do corrente ano, em nossa Carta Pastoral, “Bem-aventurados os que constroem a Paz”, indicamos também 12 caminhos de superação de qualquer tipo de violência.

Na nossa Carta Pastoral sobre a superação da violência, promulgada em 20 de janeiro passado escrevi: “Estas são algumas das minhas reflexões a respeito da superação da violência e da construção de uma cultura da paz. Ao longo de minha vida como religioso, sacerdote e bispo, tenho visto inúmeras formas de agressão ao ser humano e ao meio-ambiente. Como homem de Fé, não posso deixar de ver em cada uma a presença do pecado, às vezes por demais gritante. Mesmo numa sociedade secularizada, é preciso repetir que o pecado existe e que todos precisamos trabalhar contra ele. Esta, com bem sabemos, é a proposta da Quaresma, tempo em que vivemos a Campanha da Fraternidade, um presente de Deus à Igreja e ao povo brasileiro. Dentro do espírito quaresmal, ela quer sempre interpelar toda a sociedade para um aspecto de intensa gravidade. Louvo a Deus, portanto, pela Campanha da Fraternidade, em cujas origens encontra-se um dos meus predecessores na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o Cardeal Eugenio de Araujo Sales [7]. Falecido já há alguns anos [8], D. Eugenio deixou muitas sementes na Igreja do Brasil e do Rio de Janeiro. Algumas ele viu crescer e até experimentou de seus frutos. O importante, lembra-nos a Sagrada Escritura, é semear (cf. Jo. 4,37; 1 Cor 3,7-9). Semeemos, portanto, a paz! (cf. Carta Pastoral n. 66)”

A violência silenciada, escondida, não explícita é que mais chama atenção, afinal sempre há um rosto de uma pessoa que perde a liberdade e vontade quando a violência acontece. Seja nas violências domésticas, na exploração sexual, no tráfico humano, nas violências dos trabalhadores – no campo ou na cidade –, no trânsito e em muitas outras situações de violência, vemos a pessoa humana sendo desfigurada, massacrada e coisificada. “Hoje temos a violência pelos meios digitais que muitas vezes disseminam “fakes” e outras vezes intolerâncias não cristãs. A escalada do ódio e da vingança permeia muitas facetas de nossa sociedade atual nesta mudança de época. Não éramos assim em nosso país. Será importante pesquisar o que nos levou a ficarmos uns contra os outros de maneira violenta”. A violência tira a paz, tenta destruir a esperança, o querer levantar. A Igreja como especialista em humanidade propõe a superação da violência pelo amor oblativo e concreto do dia a dia[9]. Por isso, não esconde seus erros, mas já, na Gaudium et Spes, nn. 24-32[10], afirmava que a convivência pacífica e o progresso da paz, são questões que estão na interdependência da pessoa humana e da sociedade, procurando o bem comum, respeitando a pessoa humana, inclusive perante aos adversários, no real respeito das diferenças, mas observando a igualdade essencial da pessoa humana. Assim a cada subtítulo observamos a riqueza da mãe em humanidade demonstrar os passos a serem dados. Os Papas também falam de Paz, rezam pela Paz, sempre e São João Paulo II disse claramente em 2002 que «não há paz sem justiça, nem justiça sem perdão»[11].

Já foi dito em 2009 na Campanha da Fraternidade daquele ano «Fraternidade e Segurança Pública» que todos desejam segurança e esta é dever do Estado e também direito e responsabilidade de todos, a fim de que uma vez exercida, haja a preservação da ordem pública e da integridade das pessoas e de seus bens[12]. Vivemos uma situação difícil, onde aas vítimas aparecem diariamente. A população amedrontada, sai cada dia ao trabalho temendo nas áreas de risco e já se «acostumaram» com os constantes tiroteios e balas “perdidas” que “encontram” suas vítimas. A convivência civilizada em nosso país deteriora-se, apontando para um quadro de caos, como aquele que temos visto no mundo. Tenho afirmado muitas vezes que nossa sociedade “está enferma” e isso contagia a todo o tecido social.

O que mais precisamos para perceber que as mudanças a serem feitas em nosso país não podem se limitar a simples remendos, devendo evoluir para uma mudança radical em toda a estrutura econômica e social. A segurança é e deve ser total com a presença da igualdade social e possibilidades sociais também. Em suma, a superação da violência necessariamente passa pela mudança da cultura da violência pela cultura da paz, uma vez que numa sociedade de comunhão e de solidariedade o critério da produção não é determinante para uma reta e justa apreciação da dignidade da pessoa humana, que não é mercadoria e nem coisa. Sem dúvida que para nós cristãos tudo isso não será possível sem uma séria conversão, mudança de vida e um coração que cultive a cultura da paz. E, depois, como “sujeitos de uma igreja em saída” contagiemos a sociedade sendo “sal da terra e luz do mundo”

Devemos reconhecer que há avanços na área da segurança pública, principalmente na conscientização do respeito da dignidade humana e de seus direitos, porém devem vir também com transformações sociais, iniciativas solidárias, pois assim haverá também uma prevenção da violência, o diminuir dos seus efeitos e da solidariedade às vítimas. Para tanto, não podemos esquecer de ações sociotransformadoras tornando-se assim um sinal de esperança.

Vamos buscar corresponder à graça de Deus na caminhada de conversão quaresmal e, como consequência, construir a paz e pontes de diálogo para uma convivência evangélica. Assim viveremos a quaresma renovando nossa vida batismal e sendo presença missionária no mundo.

 



[1] Cf. Mt 5,13-14; 13,33.

[2] Cf. Nathalia Cardoso e Rafphael Freire, Construir a paz para superar a violência in Testemunho de Fé,11 a 17 de fevereiro de 2018, Ano XXVII (XVIII), n. 1044, edição semanal, n. 886, fls. 4-5. 

[3] Cf. Medellín, 03: “… Denunciar energicamente os abusos e as injustiças consequências das desigualdades excessivas entre ricos e pobres, entre poderosos e fracos, favorecendo a integração…”

[4] Cf. Oscar de Oliveira, Dia Mundial da Paz in O Arquidiocesano, Ano XXIV, 23 de janeiro de 1983, n.1219, fl. 01.

[5] Cf. Luís Fernando da Silva, Fraternidade e superação da Violência in Revista Vida Pastoral, janeiro-fevereiro de 2018, Ano 59, n. 319, fls.4-5.

[6]

[7] O texto-base deste ano apresenta, em seu final um histórico da Campanha da Fraternidade, pp. 100ss.

[8] D. Eugenio faleceu no dia 9 de julho de 2012.

[9] Cf. Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist. Superar com amor in  Testemunho de Fé, 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2018, Ano XXVII (XVIII), n. 1042, Edição semanal, n. 884, fl. 04.

[10] Tem como subtítulos: Índole comunitária da vocação humana; Interdependência da pessoa humana e da sociedade humana; Promoção do bem comum; Respeito da pessoa humana; Respeito e amor aos adversários; Igualdade essencial entre todos os homens; Superação ética individualista; Responsabilidade e participação social; O Verbo encarnado e a solidariedade humana.

[11] Cf. Mensagem de sua Santidade João Paulo II para a celebração do XXV Dia Mundial da Paz 1º de janeiro de 2002, in http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/messages/peace/documents/hf_jp-ii_mes_20011211_xxxv-world-day-for-peace.html

[12] Cf. A Paz é fruto da Justiça CF 2009 – CNBB, in Revista O Recado: São Paulo, n. 220 (2009) p. 7.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro