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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/06/2018

19 de Junho de 2018

Uma via de mão dupla

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11/03/2018 00:00

Uma via de mão dupla 0

11/03/2018 00:00

É muito visível o desenvolvimento dos meios de comunicação. Ferramentas que talvez só se pensasse nos filmes de ficção científica. Não estamos falando de uma evolução de 200 ou 100 anos, mas de uma evolução contínua que possui menos de 30 anos.

Uma época em que poucos tinham telefone fixo em suas casas; telefone celular era algo muito distante. Um fato curioso e ao mesmo tempo impensado por esta nova geração: recordo a primeira vez em que abri um celular; fiquei esperando que desse linha para discar. Parece algo completamente absurdo, mas era assim. Uma criança de 4 anos pega o telefone de seus pais, desbloqueia e faz chamada de vídeo. Os tempos mudaram, e continuam nesta dinâmica a cada dia.

Vivemos em uma cultura conectada quase que o tempo todo. Estamos vivendo em um momento de convergência. A mídia tradicional (jornal, TV e rádio) está se chocando com a mídia mais moderna, e o resultado é uma mudança veloz em que todos estão se adaptando. É uma mudança de hábitos, de linguagem, de relacionar-se etc. E ela não vai parar. Como diz o autor da teoria da convergência das mídias: Lembre-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. (...) A convergência não é algo que vai acontecer um dia, quando tivermos banda larga suficiente ou quando descobrirmos a configuração correta dos aparelhos. Prontos ou não, já estamos vivendo numa cultura da convergência”.1

Quantas pessoas possuem um smartfhone? Recentemente, em uma pesquisa do IBGE revelou-se que, até o início de 2017, 102,1 milhões de brasileiros usam a internet, mais de 50% de toda a população. Dentre esses, quase 80% usam por meio do celular. É um número significativo que não para de crescer.

Essa evolução é positiva. Trouxe muitas possibilidades no campo da medicina, ampliação de conhecimento na aproximação com culturas distantes, na utilização de pesquisas cientificas e até mesmo um bom entretenimento. Porém, ela - a evolução - nos trouxe também um grande benefício: voz. Muitos são os momentos que nos expressamos livremente pelas redes sociais; nos tornamos interlocutores totalmente ativos diante de uma mensagem dada por alguém.

Um autor americano chamado Denis McQuail apresentou um esquema de comunicação por meio de perguntas. É um esquema muito útil para usarmos no dia a dia: Quem comunica com quem? Por que se comunica? Como acontece a comunicação? Sobre quais temas? Quais são as consequências desta comunicação?

Este pequeno esquema pode parecer muito científico e elaborado, mas é muito fácil de entender e útil para a nossa comunicação diária, principalmente sobre a última pergunta em relação às consequências. O fato de hoje termos mais possibilidades em interagir na internet nos dá, ao mesmo tempo, mais liberdade e alcance de expressão, mas também nos cobra uma responsabilidade e generosidade diante da pessoa com quem nos comunicamos. Todos podemos interagir, aliás nascemos para isso, para nos relacionarmos por meio da comunicação, seja pela fala, pelas imagens ou pelos sinais.

É um tempo que as duas vias devem se encontrar – de quem lança a mensagem e de quem a responde. É impossível hoje pensarmos que o receptor de nossas mensagens é totalmente passivo, pelo contrário. Com a potencialização do poder da voz pelos meios de comunicação modernos, as pessoas se tornaram receptivos-ativos. Argumentam e interpelam quase no mesmo momento da mensagem apresentada.

Este cenário nos levaria a estudos importantes e profundos, mas pelo espaço e tempo não conseguiríamos desenvolvê-los completamente. Porém, deixo a seguinte reflexão: as consequências do meu modo de comunicar tem ajudado na construção de uma cultura do conhecimento mútuo? A verdade é o meu objetivo final na minha emissão da mensagem e no recebimento das respostas? É uma via de mão dupla? E principalmente como disse o Papa Bento XVI a Peter Seewald no livro “Luz do Mundo”: “o que é, portanto, deveras essencial?”

1 Henry Jenkins, Cultura da Convergência (Aleph, 2015), 43.

 

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11/03/2018 00:00

É muito visível o desenvolvimento dos meios de comunicação. Ferramentas que talvez só se pensasse nos filmes de ficção científica. Não estamos falando de uma evolução de 200 ou 100 anos, mas de uma evolução contínua que possui menos de 30 anos.

Uma época em que poucos tinham telefone fixo em suas casas; telefone celular era algo muito distante. Um fato curioso e ao mesmo tempo impensado por esta nova geração: recordo a primeira vez em que abri um celular; fiquei esperando que desse linha para discar. Parece algo completamente absurdo, mas era assim. Uma criança de 4 anos pega o telefone de seus pais, desbloqueia e faz chamada de vídeo. Os tempos mudaram, e continuam nesta dinâmica a cada dia.

Vivemos em uma cultura conectada quase que o tempo todo. Estamos vivendo em um momento de convergência. A mídia tradicional (jornal, TV e rádio) está se chocando com a mídia mais moderna, e o resultado é uma mudança veloz em que todos estão se adaptando. É uma mudança de hábitos, de linguagem, de relacionar-se etc. E ela não vai parar. Como diz o autor da teoria da convergência das mídias: Lembre-se disto: a convergência refere-se a um processo, não a um ponto final. (...) A convergência não é algo que vai acontecer um dia, quando tivermos banda larga suficiente ou quando descobrirmos a configuração correta dos aparelhos. Prontos ou não, já estamos vivendo numa cultura da convergência”.1

Quantas pessoas possuem um smartfhone? Recentemente, em uma pesquisa do IBGE revelou-se que, até o início de 2017, 102,1 milhões de brasileiros usam a internet, mais de 50% de toda a população. Dentre esses, quase 80% usam por meio do celular. É um número significativo que não para de crescer.

Essa evolução é positiva. Trouxe muitas possibilidades no campo da medicina, ampliação de conhecimento na aproximação com culturas distantes, na utilização de pesquisas cientificas e até mesmo um bom entretenimento. Porém, ela - a evolução - nos trouxe também um grande benefício: voz. Muitos são os momentos que nos expressamos livremente pelas redes sociais; nos tornamos interlocutores totalmente ativos diante de uma mensagem dada por alguém.

Um autor americano chamado Denis McQuail apresentou um esquema de comunicação por meio de perguntas. É um esquema muito útil para usarmos no dia a dia: Quem comunica com quem? Por que se comunica? Como acontece a comunicação? Sobre quais temas? Quais são as consequências desta comunicação?

Este pequeno esquema pode parecer muito científico e elaborado, mas é muito fácil de entender e útil para a nossa comunicação diária, principalmente sobre a última pergunta em relação às consequências. O fato de hoje termos mais possibilidades em interagir na internet nos dá, ao mesmo tempo, mais liberdade e alcance de expressão, mas também nos cobra uma responsabilidade e generosidade diante da pessoa com quem nos comunicamos. Todos podemos interagir, aliás nascemos para isso, para nos relacionarmos por meio da comunicação, seja pela fala, pelas imagens ou pelos sinais.

É um tempo que as duas vias devem se encontrar – de quem lança a mensagem e de quem a responde. É impossível hoje pensarmos que o receptor de nossas mensagens é totalmente passivo, pelo contrário. Com a potencialização do poder da voz pelos meios de comunicação modernos, as pessoas se tornaram receptivos-ativos. Argumentam e interpelam quase no mesmo momento da mensagem apresentada.

Este cenário nos levaria a estudos importantes e profundos, mas pelo espaço e tempo não conseguiríamos desenvolvê-los completamente. Porém, deixo a seguinte reflexão: as consequências do meu modo de comunicar tem ajudado na construção de uma cultura do conhecimento mútuo? A verdade é o meu objetivo final na minha emissão da mensagem e no recebimento das respostas? É uma via de mão dupla? E principalmente como disse o Papa Bento XVI a Peter Seewald no livro “Luz do Mundo”: “o que é, portanto, deveras essencial?”

1 Henry Jenkins, Cultura da Convergência (Aleph, 2015), 43.

 

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé