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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/12/2018

15 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (43)

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15 de Dezembro de 2018

Livros do Antigo Testamento (43)

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02/03/2018 14:13 - Atualizado em 02/03/2018 14:13

Livros do Antigo Testamento (43) 0

02/03/2018 14:13 - Atualizado em 02/03/2018 14:13

Neste artigo, focalizaremos a questão central do caminho de Israel pelo deserto: o Encontro com Deus, numa intensa Teofania que marcará para sempre a experiência de liderança de Moisés. A entrega do Decálogo, modo por excelência pelo qual Israel começa a reescrever a história do pecado (desobediência) pela história da salvação (obediência).

1. Ex 19: O Monte Sinai: Lugar do Encontro e da Aliança com Deus!

Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao deserto de Sinai, porque partiram de Refidim e entraram no deserto de Sinai, onde se acamparam. Israel, pois, ali se acampou em frente ao monte. E subiu Moisés a Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel (Ex 19, 1-3).

O caminho pelo deserto não tem seu significado no simples percorrê-lo. Não basta atravessar o espaço de areia e dificuldade e chegar à terra prometida. Aquela aventura a que Deus incita Moisés é, na verdade, a reconstrução da Humanidade, perdida de Deus desde o pecado original (Gn 3). Até então tudo era descaminho!

Nas areias do deserto Deus vai mudando a sorte da Humanidade representada por Moisés e pelo povo de Israel. Chegar ao Sinai significava receber verdadeiras ‘coordenadas’ para a terra prometida: o Decálogo. O Sinai será para sempre o epicentro daquela difícil e obscura peregrinação.

Aqui se destacam não somente o desempenho de Israel, como Povo de Deus, baseado na Aliança, mas, sobretudo, a qualificação de um líder religioso da envergadura de Moisés. Mais adiante, o autor do livro do Êxodo afirmará sobre as relações de Deus e Moisés, que eram ‘amigos’, pois se falavam ‘face a face’. Se a sarça inaugura o diálogo entre o líder Moisés e Deus (Ex 4), aqui, tudo se torna mais abissal e definitivo.

2. Sinai: lugar da Consagração da Aliança de Deus com Israel

Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim; Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel. (Ex 19,4-6).

No epicentro desta experiência do Deserto está uma Mensagem Divina a Israel: A Fidelidade de Deus, como Deus único e verdadeiro (Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim).

A teologia profética que está por trás destes textos, projetando no passado mais antigo de Israel toda a evolução da espiritualidade monoteísta judaica, irá insistir firmemente nisso: Nunca houve outras divindades! A História da Salvação (de Israel) é o testemunho fidedigno da exclusiva Salvação do Deus de Israel!

Israel deverá evoluir do ‘Henoteísmo1, a crença em Deus, como principal ou exclusivo, mas considerando a existência de outros, para o Monoteísmo2, fé e adesão a Deus como único no Universo. Apartando-se também, obviamente do Politeísmo3, a crença na existência de muitos deuses.

Dois elementos fundamentais da religião de Israel são apresentados como característicos da Religião da Aliança:

Ouvir a voz de Deus, sinônimo de obediência, de oração sincera, de disposição em seguir e cumprir a Vontade expressa de Deus. Este será o leitmotiv, isto é, o tema que se repete e se renova na consciência religiosa de Israel, escuta a Deus, segue seus mandamentos e preceitos!

Guardar a minha Aliança significa viver e pautar-se (pessoal e socialmente) pelas determinações do Decálogo. Não se deixar seduzir pelos ídolos e práticas dos pagãos.

Tudo isso não é sem consequências: viver sob a luz das promessas e exigências de Deus muda a vida humana. Purifica e liberta o verdadeiro significa da Vida Humana! Assim, corresponde à adesão da Aliança viver plenamente sob o Amor Divino, com os privilégios da eleição:

Então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo (Ex 19, 5-6).

No livro do Deuteronômio encontraremos este tema da vocação de Israel, como ‘propriedade’ de Deus’, e por isso, defendido por Deus, como tesouro. Isto é, pelo amor à Aliança Israel usufrui da proteção e da Graça divinas.

‘E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo’

Além disso, Israel é elevado de simples cumpridor de leis para a obtenção de benefícios, às alturas de uma sociedade sacral, uma forma comunitária que exprime em sua estrutura social os efeitos da Graça e da redenção que vem pela Aliança de Deus.

1 ‘Henoteísmo (do grego hen theos, “um deus”) é o culto de um único deus sem se negar a existência de outras divindades’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Henote%C3%ADsmo.

2 ‘O Monoteísmo (do grego: µόνος, transl. mónos, “único”, e θεός, transl. théos, “deus”: único deus) é a crença na existência de apenas um deus.[1] Diferencia-se do henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Monote%C3%ADsmo.

3 ‘O Politeísmo (do grego: polis, muitos, Théos, deus: muitos deuses) no crivo bíblico consiste na crença e subsequente adoração a mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas. Ainda em relação às suas esferas de influência, de notar que nem sempre estas se encontram claramente diferenciadas, podendo naturalmente haver uma sobreposição de funções de várias divindades’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Polite%C3%ADsmo.

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Livros do Antigo Testamento (43)

02/03/2018 14:13 - Atualizado em 02/03/2018 14:13

Neste artigo, focalizaremos a questão central do caminho de Israel pelo deserto: o Encontro com Deus, numa intensa Teofania que marcará para sempre a experiência de liderança de Moisés. A entrega do Decálogo, modo por excelência pelo qual Israel começa a reescrever a história do pecado (desobediência) pela história da salvação (obediência).

1. Ex 19: O Monte Sinai: Lugar do Encontro e da Aliança com Deus!

Ao terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao deserto de Sinai, porque partiram de Refidim e entraram no deserto de Sinai, onde se acamparam. Israel, pois, ali se acampou em frente ao monte. E subiu Moisés a Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel (Ex 19, 1-3).

O caminho pelo deserto não tem seu significado no simples percorrê-lo. Não basta atravessar o espaço de areia e dificuldade e chegar à terra prometida. Aquela aventura a que Deus incita Moisés é, na verdade, a reconstrução da Humanidade, perdida de Deus desde o pecado original (Gn 3). Até então tudo era descaminho!

Nas areias do deserto Deus vai mudando a sorte da Humanidade representada por Moisés e pelo povo de Israel. Chegar ao Sinai significava receber verdadeiras ‘coordenadas’ para a terra prometida: o Decálogo. O Sinai será para sempre o epicentro daquela difícil e obscura peregrinação.

Aqui se destacam não somente o desempenho de Israel, como Povo de Deus, baseado na Aliança, mas, sobretudo, a qualificação de um líder religioso da envergadura de Moisés. Mais adiante, o autor do livro do Êxodo afirmará sobre as relações de Deus e Moisés, que eram ‘amigos’, pois se falavam ‘face a face’. Se a sarça inaugura o diálogo entre o líder Moisés e Deus (Ex 4), aqui, tudo se torna mais abissal e definitivo.

2. Sinai: lugar da Consagração da Aliança de Deus com Israel

Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim; Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel. (Ex 19,4-6).

No epicentro desta experiência do Deserto está uma Mensagem Divina a Israel: A Fidelidade de Deus, como Deus único e verdadeiro (Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim).

A teologia profética que está por trás destes textos, projetando no passado mais antigo de Israel toda a evolução da espiritualidade monoteísta judaica, irá insistir firmemente nisso: Nunca houve outras divindades! A História da Salvação (de Israel) é o testemunho fidedigno da exclusiva Salvação do Deus de Israel!

Israel deverá evoluir do ‘Henoteísmo1, a crença em Deus, como principal ou exclusivo, mas considerando a existência de outros, para o Monoteísmo2, fé e adesão a Deus como único no Universo. Apartando-se também, obviamente do Politeísmo3, a crença na existência de muitos deuses.

Dois elementos fundamentais da religião de Israel são apresentados como característicos da Religião da Aliança:

Ouvir a voz de Deus, sinônimo de obediência, de oração sincera, de disposição em seguir e cumprir a Vontade expressa de Deus. Este será o leitmotiv, isto é, o tema que se repete e se renova na consciência religiosa de Israel, escuta a Deus, segue seus mandamentos e preceitos!

Guardar a minha Aliança significa viver e pautar-se (pessoal e socialmente) pelas determinações do Decálogo. Não se deixar seduzir pelos ídolos e práticas dos pagãos.

Tudo isso não é sem consequências: viver sob a luz das promessas e exigências de Deus muda a vida humana. Purifica e liberta o verdadeiro significa da Vida Humana! Assim, corresponde à adesão da Aliança viver plenamente sob o Amor Divino, com os privilégios da eleição:

Então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo (Ex 19, 5-6).

No livro do Deuteronômio encontraremos este tema da vocação de Israel, como ‘propriedade’ de Deus’, e por isso, defendido por Deus, como tesouro. Isto é, pelo amor à Aliança Israel usufrui da proteção e da Graça divinas.

‘E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo’

Além disso, Israel é elevado de simples cumpridor de leis para a obtenção de benefícios, às alturas de uma sociedade sacral, uma forma comunitária que exprime em sua estrutura social os efeitos da Graça e da redenção que vem pela Aliança de Deus.

1 ‘Henoteísmo (do grego hen theos, “um deus”) é o culto de um único deus sem se negar a existência de outras divindades’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Henote%C3%ADsmo.

2 ‘O Monoteísmo (do grego: µόνος, transl. mónos, “único”, e θεός, transl. théos, “deus”: único deus) é a crença na existência de apenas um deus.[1] Diferencia-se do henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Monote%C3%ADsmo.

3 ‘O Politeísmo (do grego: polis, muitos, Théos, deus: muitos deuses) no crivo bíblico consiste na crença e subsequente adoração a mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas atividades, áreas, objetos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas. Ainda em relação às suas esferas de influência, de notar que nem sempre estas se encontram claramente diferenciadas, podendo naturalmente haver uma sobreposição de funções de várias divindades’. Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Polite%C3%ADsmo.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica