Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/07/2018

22 de Julho de 2018

A paz, você a tem?

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22 de Julho de 2018

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25/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 10:46

A paz, você a tem? 0

25/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 10:46

Há muito que estamos ouvindo os clamores de pedidos pela paz. São vozes que ecoam constantemente nas orações, nos clamores, nos choros, nas rodas de conversas, nas tentativas políticas. O Papa pede pela paz do mundo. Os bispos de nosso país pedem pela paz no Brasil, e assim cada igreja local pede por sua nação, dioceses e paróquias.

Nossas cidades pedem paz para ir e vir com tranquilidade. Nossas famílias pedem paz para que as crianças possam crescer em um mundo saudável e seguro. Enfim, é um pedido que está dentro do coração de cada pessoa. É um pedido singular que ecoa junto a um clamor mundial. É uma necessidade do homem.

Porém, a pergunta mais correta que devemos nos fazer: o que é a paz, e como vivê-la?

Na primeira mensagem para a Celebração do Dia Mundial da Paz, em 1968, oBeato Paulo VI diz que “não se pode, pois, falar de paz; legitimamente, quando não são reconhecidos e respeitados os seus sólidos fundamentos: a sinceridade, ou seja, a justiça e o amor, tanto nas relações entre os estados, como no âmbito de cada nação; entre os cidadãos e entre esses e os governantes. Depois, a liberdade dos indivíduos e dos povos, em todas as suas expressões, cívicas, culturais, morais e religiosas; caso contrário, não se terá paz; ainda mesmo que, porventura, a opressão seja capaz de criar um aspecto exterior de ordem e de legalidade, no fundo haverá um germinar contínuo e insufocável de revoltas e guerras”.

A Igreja Católica é muito clara nos seus ensinamentos, ao dizer que o ser humano para se desenvolver bem precisa necessariamente ter paz. Não podemos limitar a paz como somente uma “ausência de guerra” ou um equilíbrio das forças adversárias. Para se ter paz é necessário, acima de tudo, o respeito à “dignidade das pessoas e dos povos, a prática assídua da fraternidade. E a tranquilidade da ordem, obra da justiça e efeito da caridade”.

Embora estejamos vivendo tempos de guerra - físicas, religiosas, ideológicas e/ou políticas -, não podemos nunca deixar de recordar que a pior guerra é a ausência de paz interior. Ela pode ser uma das grandes colaboradoras para a violência deste mundo, nossa “casa comum” (cf. Papa Francisco).

Em muitas vezes, por muito pouco, despertamos dentro de nós uma fúria incontrolável. Seja em nossa casa, em nosso trabalho ou com as pessoas que encontramos pelo caminho. Basta uma simples palavra ‘mau’ dita, ou como dizem normalmente ‘atravessada’, para estourar uma “bomba de Hiroshima” dentro de nós. É muito compreensível a preocupação e o medo diante das realidades adversas da nossa jornada cotidiana em nossa cidade, mas isso não pode roubar a nossa paz, como dizia Santa Teresa de Ávila.

Quando olhamos a violência nos meios de comunicação, recordemos que o mal tem uma propaganda muito maior que o bem, e consegue esconder e abafar centenas de milhares de pessoas que se empenham cada dia para trazer harmonia, dignidade e paz ao meio em que vivem. O mundo, caro leitor, se mostra aparentemente sem solução, mas isso não é verdade. E não é uma visão romântica da realidade, mas uma crença de que o ser humano é capaz ainda de ser solidário e generoso em suas escolhas. É preciso sempre voltar para dentro de si mesmo, e lembrar-se de que devemos aprender a olhar o “caos” não de forma negativa, mas como uma possibilidade em nossas vidas, e consequentemente ao nosso redor.

E quando se é cristão, o dever se torna ainda maior, pois somos chamados a recordar que um dia recebemos os dons do Espírito Santo, como nos ensina a Palavra de Deus e a Igreja Católica: “Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera 12: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Cf. Catecismo da Igreja Católica 1832 - Gl 5,22-23).

O Papa Francisco nos convocou para o dia 23 de fevereiro passado a um dia de oração e jejum pela paz. Repitamos esse momento para pedir a Deus a paz em nossas famílias, em nossos bairros, em nossa cidade, em nosso país, em nossa Igreja, no mundo, mas acima de tudo, por uma paz interior que possa refletir concretamente em nossa vida e em nossas atitudes.

E termino com as palavras de nosso Cardeal, Dom Orani João Tempesta, quando relembra o tema deste ano da Campanha da Fraternidade, que nos convida a “tirar as guerras dos corações das pessoas para que elas possam viver e ser instrumentos de paz, como diz São Francisco de Assis”.

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25/02/2018 00:00 - Atualizado em 02/03/2018 10:46

Há muito que estamos ouvindo os clamores de pedidos pela paz. São vozes que ecoam constantemente nas orações, nos clamores, nos choros, nas rodas de conversas, nas tentativas políticas. O Papa pede pela paz do mundo. Os bispos de nosso país pedem pela paz no Brasil, e assim cada igreja local pede por sua nação, dioceses e paróquias.

Nossas cidades pedem paz para ir e vir com tranquilidade. Nossas famílias pedem paz para que as crianças possam crescer em um mundo saudável e seguro. Enfim, é um pedido que está dentro do coração de cada pessoa. É um pedido singular que ecoa junto a um clamor mundial. É uma necessidade do homem.

Porém, a pergunta mais correta que devemos nos fazer: o que é a paz, e como vivê-la?

Na primeira mensagem para a Celebração do Dia Mundial da Paz, em 1968, oBeato Paulo VI diz que “não se pode, pois, falar de paz; legitimamente, quando não são reconhecidos e respeitados os seus sólidos fundamentos: a sinceridade, ou seja, a justiça e o amor, tanto nas relações entre os estados, como no âmbito de cada nação; entre os cidadãos e entre esses e os governantes. Depois, a liberdade dos indivíduos e dos povos, em todas as suas expressões, cívicas, culturais, morais e religiosas; caso contrário, não se terá paz; ainda mesmo que, porventura, a opressão seja capaz de criar um aspecto exterior de ordem e de legalidade, no fundo haverá um germinar contínuo e insufocável de revoltas e guerras”.

A Igreja Católica é muito clara nos seus ensinamentos, ao dizer que o ser humano para se desenvolver bem precisa necessariamente ter paz. Não podemos limitar a paz como somente uma “ausência de guerra” ou um equilíbrio das forças adversárias. Para se ter paz é necessário, acima de tudo, o respeito à “dignidade das pessoas e dos povos, a prática assídua da fraternidade. E a tranquilidade da ordem, obra da justiça e efeito da caridade”.

Embora estejamos vivendo tempos de guerra - físicas, religiosas, ideológicas e/ou políticas -, não podemos nunca deixar de recordar que a pior guerra é a ausência de paz interior. Ela pode ser uma das grandes colaboradoras para a violência deste mundo, nossa “casa comum” (cf. Papa Francisco).

Em muitas vezes, por muito pouco, despertamos dentro de nós uma fúria incontrolável. Seja em nossa casa, em nosso trabalho ou com as pessoas que encontramos pelo caminho. Basta uma simples palavra ‘mau’ dita, ou como dizem normalmente ‘atravessada’, para estourar uma “bomba de Hiroshima” dentro de nós. É muito compreensível a preocupação e o medo diante das realidades adversas da nossa jornada cotidiana em nossa cidade, mas isso não pode roubar a nossa paz, como dizia Santa Teresa de Ávila.

Quando olhamos a violência nos meios de comunicação, recordemos que o mal tem uma propaganda muito maior que o bem, e consegue esconder e abafar centenas de milhares de pessoas que se empenham cada dia para trazer harmonia, dignidade e paz ao meio em que vivem. O mundo, caro leitor, se mostra aparentemente sem solução, mas isso não é verdade. E não é uma visão romântica da realidade, mas uma crença de que o ser humano é capaz ainda de ser solidário e generoso em suas escolhas. É preciso sempre voltar para dentro de si mesmo, e lembrar-se de que devemos aprender a olhar o “caos” não de forma negativa, mas como uma possibilidade em nossas vidas, e consequentemente ao nosso redor.

E quando se é cristão, o dever se torna ainda maior, pois somos chamados a recordar que um dia recebemos os dons do Espírito Santo, como nos ensina a Palavra de Deus e a Igreja Católica: “Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera 12: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Cf. Catecismo da Igreja Católica 1832 - Gl 5,22-23).

O Papa Francisco nos convocou para o dia 23 de fevereiro passado a um dia de oração e jejum pela paz. Repitamos esse momento para pedir a Deus a paz em nossas famílias, em nossos bairros, em nossa cidade, em nosso país, em nossa Igreja, no mundo, mas acima de tudo, por uma paz interior que possa refletir concretamente em nossa vida e em nossas atitudes.

E termino com as palavras de nosso Cardeal, Dom Orani João Tempesta, quando relembra o tema deste ano da Campanha da Fraternidade, que nos convida a “tirar as guerras dos corações das pessoas para que elas possam viver e ser instrumentos de paz, como diz São Francisco de Assis”.

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé