Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 14º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/08/2018

14 de Agosto de 2018

Placuit Deo: Carta sobre alguns aspectos da Salvação Cristã

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14 de Agosto de 2018

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01/03/2018 10:05 - Atualizado em 01/03/2018 10:08

Placuit Deo: Carta sobre alguns aspectos da Salvação Cristã 0

01/03/2018 10:05 - Atualizado em 01/03/2018 10:08

Uma breve carta dirigida aos bispos, aprovada pelo Papa Francisco aos 16 de fevereiro de 2018, oriunda da Sessão Plenária da Congregação da Doutrina da Fé no dia 24 de janeiro de 2018, e, assinada na Sede da Congregação aos 22 de fevereiro de 2018, publicada nesta quinta-feira, dia 1º de março de 2018, contendo sete laudas que subdividida em seis tópicos, com 15 parágrafos numéricos, incluindo a Introdução; O impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã; O desejo humano de salvação; Cristo, Salvador e Salvação; a salvação na Igreja, corpo de Cristo e concluindo com o Comunicar a fé, esperando o Salvador.

A Carta retoma o início da Dei Verbum ratificando o caminho da salvação em Cristo que deve ser sempre aprofundado e que na realidade hodierna torna-se de difícil compreensão diante das transformações culturais.

No segundo tópico, com três parágrafos, a realidade se apresenta por meio do «individualismo centrado no sujeito autônomo»[1], cuja a figura de Cristo corresponde a um modelo para prática da generosidade em gestos e palavras, mas não da transformação da condição humana, configurada na Trindade. Também apresenta uma salvação apenas interior e não de relações com os demais e com o mundo criado. Assim a Encarnação do Verbo se torna algo cada vez menos compreensível, distanciando-se da família humana e da história.

No Magistério Ordinário do Papa Francisco menciona duas tendências ou desvios, semelhando-se, em linhas gerais comuns, a heresias antigas: pelagianismo[2] e gnosticismo[3]. Espelhando um neo-pelagianismo o homem atual, autônomo, salva-se sozinho, independente de Deus e dos demais, tudo depende de suas forças individuais e cegando « novidade do Espírito de Deus»[4]. Já o neo-gnosticismo oferece uma salvação subjetiva, «com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida».[5] Libertando, pois, a pessoa do corpo e do mundo material. Esses erros antigos têm algo de familiar com os atuais movimentos, apesar das diferenças do contexto histórico. As duas tendências — o individualismo neo-pelagiano e o desprezo neo-gnóstico do corpo — desconfiguram a fé em Cristo[6]. A salvação é a nossa união com Cristo Encarnado, Irmão Maior, que viveu, sofreu, morreu e ressuscitou, proporcionando nova ordem relacional com o Pai e entre os homens e mulheres, levando-nos ao dom de seu Espírito.

O homem, na ânsia de saber quem é, pois existe, busca a felicidade utilizando-se de meios diversos para alcança-la. No entanto, a felicidade se mescla com a esperança da saúde física, com o bem-estar financeiro, de uma paz interior e convivência pacífica com o outro. A par disso, o desejo de salvação torna-se um compromisso frente um bem maior, marcado pela resistência e superação da dor, levando-nos a lutar pelo bem, defendendo-nos do mal[7]. «A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina».[8] A plenitude da Salvação é o rejeitar a autossuficiência humana, pensando que coisas e bens materiais lhe proporcionaram a autorrealização[9]. A revelação é algo mais, pois «Se a redenção, ao contrário, devesse ser julgada ou medida pela necessidade existencial dos seres humanos, como poderíamos evitar a suspeita de termos simplesmente criado um Deus-Redentor à imagem de nossas próprias necessidades?» .[10] O mundo todo é bom, biblicamente falando! O mal nasce no coração do homem que se fecha em si mesmo, separando-se da fonte de comunhão e vida que é Deus[11]. A fé nos leva a uma salvação do homem todo, da pessoa humana inteira que é chamada a ter vida e vida plena[12].

Deus nunca desiste do homem e na história da salvação vemos desde Adão esta fidelidade e o insistir terno de uma aliança que nós rompemos constantemente. O homem cai, Deus vem e o ajuda a levantar uma, duas, três e quantas vezes, for necessário. Deus não desistindo de nós, na plenitude dos tempos, nos envia Jesus que anuncia o Reino e ao acolhê-l’O, acolhemos a Salvação[13]. Tradicionalmente a Salvação sempre se dá por iniciativa e dom de Deus, ou seja, de forma descendente. Com Jesus, dar-se-á numa dinâmica inversa, de forma ascendente. O agir não será de uma maneira individualista, mas sempre em comunhão, uma vez que agir humano e agir divino se coadunam para um único fim: a salvação. Assemelhando-nos a Cristo, impulsionados pelo Espírito Santo, realizamos as obras do Criador[14]. Em Jesus Encarnado, O Filho nos faz filhos e irmãos uns dos outros, tornando-nos uma só família humana numa nova relação com Deus. Porquanto, Jesus Encarnado possibilita a mediação concreta da salvação de Deus com os filhos de Adão[15]. Enfim, nem reducionismo individualista da tendência pelagiana e nem reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior[16], respondem a salvação, uma vez que Jesus é Salvador e Salvação, e «em certo modo, o princípio de toda graça segundo a humanidade».[17]

Igreja é o local da salvação trazida por Jesus. A Igreja é mediadora da salvação, «sacramento universal de salvação»,[18] garantindo que a realização se dá na comunhão de pessoas em comunhão com a Trindade[19]. Através do Batismo entramos na vereda da Salvação. Podendo crescer sempre mais com a Eucaristia, fonte e cume do amor. E mesmo caindo podemos ser regenerados e reconciliados com o Pai e os irmãos, por meio do sacramento da Penitência[20]. Esta economia soteriológica dos sacramentos compreende o corpo humano, que longe de ser peso, torna-se linguagem sacramental. Na encanação de Jesus e no mistério pascal perpetua-se a obra de misericórdia do Pai para com os filhos[21], compadecendo dos sofrimentos destes.

«A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens»[22]. Conscientes da vida plena somos impulsionados e nos comprometemos a proclamar a todos com alegria e luz a Boa-Nova: o Evangelho! Para tanto é mister uma relação dialógica, construtiva com as demais religiões, pois Deus opera em todos, de boa vontade, mesmo que veladamente. O último inimigo a ser vencido é a morte. Com as virtudes teologais – fé, esperança e caridade – e o exemplo de Maria e das Testemunhas cremos que somos cidadãos dos céus e gozaremos da glória eterna[23].

Vamos aprofundar o texto, deixar que ele ilumine a nossa realidade de hoje e consequentemente colocar em prática esta importante carta da Congregação para a Doutrina da Fé e que, mesmo diante das mudanças sociais, a salvação seja sempre anunciada e oferecida para que muitas pessoas continuem enamoradas pelo Divino Redentor.



[1] Placuit Deo, 2.

[2] Exalta a suficiência humano, o poder livre arbítrio, considerado o grande e único dom de Deus, interior ao homem.

[3] A Gnose é uma corrente sincretista que funde em si elementos das religiões orientais, da mística grega e da revelação judeu-cristã. Tentou envolver o cristianismo no processo de fusão, colocando em cheque a pureza da mensagem evangélica que Paulo, já na sua carta a Timóteo, faz uma advertência pedindo que “evite as contradições de uma falsa gnose (conhecimento)” 1Tm 6, 20. O gnosticismo atraía os homens prometendo-lhes um acontecimento superior ao da simples fé cristã, reservado aos iniciados. Esse conhecimento (a gnosis) forneceria a solução cabal dos problemas fundamentais da filosofia que eram: a origem do mal, a gênese do mundo, a redenção e a felicidade definitiva do homem.

[4] Placuit Deo, 3.

[5] Francisco, Carta enc. Lumen fidei, n. 47: AAS 105 (2013) 586-587.

[6] Cf. Placuit Deo, 4.

[7] Cf. Placuit Deo, 5.

[8] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[9] Cf. Placuit Deo, 6.

[10] Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da redenção, 1995, n. 2.

[11] Cf. Placuit Deo, 7.

[12] Cf. Jo, 10,10b.

[13] Cf. Placuit Deo, 8.

[14] Cf. Placuit Deo, 9.

[15] Cf. Placuit Deo, 10.

[16] Cf. Placuit Deo, 11.

[17] Tomás, Quaestio de veritate, q. 29, a. 5, co.

[18] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.

[19] Cf. Placuit Deo, 12.

[20] Cf. Placuit Deo, 13.

[21] Cf. Placuit Deo, 14.

[22] Placuit Deo, 15.

[23] Cf. Placuit Deo, 15.

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01/03/2018 10:05 - Atualizado em 01/03/2018 10:08

Uma breve carta dirigida aos bispos, aprovada pelo Papa Francisco aos 16 de fevereiro de 2018, oriunda da Sessão Plenária da Congregação da Doutrina da Fé no dia 24 de janeiro de 2018, e, assinada na Sede da Congregação aos 22 de fevereiro de 2018, publicada nesta quinta-feira, dia 1º de março de 2018, contendo sete laudas que subdividida em seis tópicos, com 15 parágrafos numéricos, incluindo a Introdução; O impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã; O desejo humano de salvação; Cristo, Salvador e Salvação; a salvação na Igreja, corpo de Cristo e concluindo com o Comunicar a fé, esperando o Salvador.

A Carta retoma o início da Dei Verbum ratificando o caminho da salvação em Cristo que deve ser sempre aprofundado e que na realidade hodierna torna-se de difícil compreensão diante das transformações culturais.

No segundo tópico, com três parágrafos, a realidade se apresenta por meio do «individualismo centrado no sujeito autônomo»[1], cuja a figura de Cristo corresponde a um modelo para prática da generosidade em gestos e palavras, mas não da transformação da condição humana, configurada na Trindade. Também apresenta uma salvação apenas interior e não de relações com os demais e com o mundo criado. Assim a Encarnação do Verbo se torna algo cada vez menos compreensível, distanciando-se da família humana e da história.

No Magistério Ordinário do Papa Francisco menciona duas tendências ou desvios, semelhando-se, em linhas gerais comuns, a heresias antigas: pelagianismo[2] e gnosticismo[3]. Espelhando um neo-pelagianismo o homem atual, autônomo, salva-se sozinho, independente de Deus e dos demais, tudo depende de suas forças individuais e cegando « novidade do Espírito de Deus»[4]. Já o neo-gnosticismo oferece uma salvação subjetiva, «com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida».[5] Libertando, pois, a pessoa do corpo e do mundo material. Esses erros antigos têm algo de familiar com os atuais movimentos, apesar das diferenças do contexto histórico. As duas tendências — o individualismo neo-pelagiano e o desprezo neo-gnóstico do corpo — desconfiguram a fé em Cristo[6]. A salvação é a nossa união com Cristo Encarnado, Irmão Maior, que viveu, sofreu, morreu e ressuscitou, proporcionando nova ordem relacional com o Pai e entre os homens e mulheres, levando-nos ao dom de seu Espírito.

O homem, na ânsia de saber quem é, pois existe, busca a felicidade utilizando-se de meios diversos para alcança-la. No entanto, a felicidade se mescla com a esperança da saúde física, com o bem-estar financeiro, de uma paz interior e convivência pacífica com o outro. A par disso, o desejo de salvação torna-se um compromisso frente um bem maior, marcado pela resistência e superação da dor, levando-nos a lutar pelo bem, defendendo-nos do mal[7]. «A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina».[8] A plenitude da Salvação é o rejeitar a autossuficiência humana, pensando que coisas e bens materiais lhe proporcionaram a autorrealização[9]. A revelação é algo mais, pois «Se a redenção, ao contrário, devesse ser julgada ou medida pela necessidade existencial dos seres humanos, como poderíamos evitar a suspeita de termos simplesmente criado um Deus-Redentor à imagem de nossas próprias necessidades?» .[10] O mundo todo é bom, biblicamente falando! O mal nasce no coração do homem que se fecha em si mesmo, separando-se da fonte de comunhão e vida que é Deus[11]. A fé nos leva a uma salvação do homem todo, da pessoa humana inteira que é chamada a ter vida e vida plena[12].

Deus nunca desiste do homem e na história da salvação vemos desde Adão esta fidelidade e o insistir terno de uma aliança que nós rompemos constantemente. O homem cai, Deus vem e o ajuda a levantar uma, duas, três e quantas vezes, for necessário. Deus não desistindo de nós, na plenitude dos tempos, nos envia Jesus que anuncia o Reino e ao acolhê-l’O, acolhemos a Salvação[13]. Tradicionalmente a Salvação sempre se dá por iniciativa e dom de Deus, ou seja, de forma descendente. Com Jesus, dar-se-á numa dinâmica inversa, de forma ascendente. O agir não será de uma maneira individualista, mas sempre em comunhão, uma vez que agir humano e agir divino se coadunam para um único fim: a salvação. Assemelhando-nos a Cristo, impulsionados pelo Espírito Santo, realizamos as obras do Criador[14]. Em Jesus Encarnado, O Filho nos faz filhos e irmãos uns dos outros, tornando-nos uma só família humana numa nova relação com Deus. Porquanto, Jesus Encarnado possibilita a mediação concreta da salvação de Deus com os filhos de Adão[15]. Enfim, nem reducionismo individualista da tendência pelagiana e nem reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior[16], respondem a salvação, uma vez que Jesus é Salvador e Salvação, e «em certo modo, o princípio de toda graça segundo a humanidade».[17]

Igreja é o local da salvação trazida por Jesus. A Igreja é mediadora da salvação, «sacramento universal de salvação»,[18] garantindo que a realização se dá na comunhão de pessoas em comunhão com a Trindade[19]. Através do Batismo entramos na vereda da Salvação. Podendo crescer sempre mais com a Eucaristia, fonte e cume do amor. E mesmo caindo podemos ser regenerados e reconciliados com o Pai e os irmãos, por meio do sacramento da Penitência[20]. Esta economia soteriológica dos sacramentos compreende o corpo humano, que longe de ser peso, torna-se linguagem sacramental. Na encanação de Jesus e no mistério pascal perpetua-se a obra de misericórdia do Pai para com os filhos[21], compadecendo dos sofrimentos destes.

«A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens»[22]. Conscientes da vida plena somos impulsionados e nos comprometemos a proclamar a todos com alegria e luz a Boa-Nova: o Evangelho! Para tanto é mister uma relação dialógica, construtiva com as demais religiões, pois Deus opera em todos, de boa vontade, mesmo que veladamente. O último inimigo a ser vencido é a morte. Com as virtudes teologais – fé, esperança e caridade – e o exemplo de Maria e das Testemunhas cremos que somos cidadãos dos céus e gozaremos da glória eterna[23].

Vamos aprofundar o texto, deixar que ele ilumine a nossa realidade de hoje e consequentemente colocar em prática esta importante carta da Congregação para a Doutrina da Fé e que, mesmo diante das mudanças sociais, a salvação seja sempre anunciada e oferecida para que muitas pessoas continuem enamoradas pelo Divino Redentor.



[1] Placuit Deo, 2.

[2] Exalta a suficiência humano, o poder livre arbítrio, considerado o grande e único dom de Deus, interior ao homem.

[3] A Gnose é uma corrente sincretista que funde em si elementos das religiões orientais, da mística grega e da revelação judeu-cristã. Tentou envolver o cristianismo no processo de fusão, colocando em cheque a pureza da mensagem evangélica que Paulo, já na sua carta a Timóteo, faz uma advertência pedindo que “evite as contradições de uma falsa gnose (conhecimento)” 1Tm 6, 20. O gnosticismo atraía os homens prometendo-lhes um acontecimento superior ao da simples fé cristã, reservado aos iniciados. Esse conhecimento (a gnosis) forneceria a solução cabal dos problemas fundamentais da filosofia que eram: a origem do mal, a gênese do mundo, a redenção e a felicidade definitiva do homem.

[4] Placuit Deo, 3.

[5] Francisco, Carta enc. Lumen fidei, n. 47: AAS 105 (2013) 586-587.

[6] Cf. Placuit Deo, 4.

[7] Cf. Placuit Deo, 5.

[8] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[9] Cf. Placuit Deo, 6.

[10] Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da redenção, 1995, n. 2.

[11] Cf. Placuit Deo, 7.

[12] Cf. Jo, 10,10b.

[13] Cf. Placuit Deo, 8.

[14] Cf. Placuit Deo, 9.

[15] Cf. Placuit Deo, 10.

[16] Cf. Placuit Deo, 11.

[17] Tomás, Quaestio de veritate, q. 29, a. 5, co.

[18] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.

[19] Cf. Placuit Deo, 12.

[20] Cf. Placuit Deo, 13.

[21] Cf. Placuit Deo, 14.

[22] Placuit Deo, 15.

[23] Cf. Placuit Deo, 15.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro