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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2018

19 de Novembro de 2018

Verdade ou fake?

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18/02/2018 00:00 - Atualizado em 21/02/2018 14:04

Verdade ou fake? 0

18/02/2018 00:00 - Atualizado em 21/02/2018 14:04

Na semana passada um, hacker causou um pouco de agitação nas redes sociais dizendo ter invadido o site oficial do Vaticano – vatican.news. Segundo ele (hacker), teria feito uma invasão no site, para mostrar uma debilidade, colocando uma mensagem de que Deus seria uma “cebola”, atribuindo esta fala ao Papa Francisco. Minutos depois, a vice-diretora da sala de imprensa da Santa Sé, Paloma Garcia Ovejero, informou que era fake (falso), e que ele não teria invadido o site, mas criado um semelhante, gerando confusão nos meios de comunicação.

Confusões como estas acontecem no mundo inteiro. Várias são as instituições que têm a sua imagem inserida em noticias não verdadeiras. Quando digo instituições, falo também de pessoas que representam instituições, de modo especial para nós cristãos: o Papa, bispos, padres etc.

E quantas vezes nos deixamos levar pela emoção das frases prontas da mídia, sem nos preocuparmos se realmente é verdade o que foi dito? Quantas palavras do Papa foram usadas fora de um contexto, gerando confusão e divisões? O fake não é somente uma mentira, mas também uma ausência plena da verdade. É um desserviço à construção da credibilidade de uma instituição.

Quando vemos uma noticia, percebemos que infelizmente não são poucas as pessoas que se isentam de verificar a veracidade das informações. Isso é um grande risco, pois uma verdade parcial, ou ideológica, ou não totalmente verdadeira, e com um poder de impacto emocional forte, pode levar a uma comoção coletiva nas comunidades virtuais, e desencadear um movimento muito agressivo e contrário ao que propõe a Verdade.

Na Mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Papa Francisco abordou este tema de grande importância, não só para os que estão ligados diretamente ao mundo da comunicação, mas a todas as pessoas de bem, pois a verdade é um direito de todos.

Como disse o Papa, “é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a lógica da serpente”. Se nos recordamos bem no livro do Gênesis, foi a primeira a seduzir e enganar o homem, levando a uma consequência de tragédias contra Deus, contra o próximo e contra o mundo. Assim como a serpente (pai da mentira), o fake  entra rastejando dentro do coração do homem com falsas e sedutoras verdades. Instigando quase sempre uma atitude fundamentalista e agressiva, e de consequência como uma incredulidade nas instituições e nas pessoas. “Nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.” (Cf. Papa Francisco)

Não podemos ser ingênuos. Recordo a passagem do Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículo 16b: “Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”. Sem malícia no sentido de estarmos totalmente diante de Deus e do próximo com um coração simples e de reta intenção, agindo sempre na verdade.

E usando uma outra interpretação para a serpente, diferente do que fala o Papa na mensagem acima, neste caso, prudentes como a serpente, refere-se ao sentido de estarmos atentos com um olhar crítico e não ingênuo. Saber ler uma notícia e identificar o verdadeiro do duvidoso. Não se deixar levar pelas emoções das imagens. E recordar que a mídia pode ser um perigo para quem se deixa levar somente pelo seu feed de notícias do Facebook.

E como lutar contra a mentira? Como identificar aquilo que destrói? Para responder a isso, deixo a responsabilidade da resposta ao próprio Papa Francisco:

Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal, mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca.

Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De fato, uma argumentação impecável pode basear-se em fatos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polêmica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.

Por isso caros amigos, estejamos atentos e não sejamos ingênuos, antes de começar a espalhar a noticia ou irritar-se com ela, certifique-se de que ela é verdadeira, de que ela tem o propósito de informar e transmitir a verdade, e de que não é apenas uma visão parcial e pessoal dos fatos. Leia, busque, informe-se e construa um conhecimento partilhando e perguntando informações.

No mundo virtual existem muitas pessoas que colaboram positivamente para a verdade, e caberá a você identificá-las seguindo os parâmetros já ditos acima pelo Papa. Ouvimos muito falar da construção de uma sociedade fraterna, verdadeira e digna para todos, e isso é muito lícito e justo. Porém, lembremo-nos de que esta construção passa por mim e por você, na responsabilidade de uma edificação da Verdade em nossas práticas diárias, e em todos os nossos relacionamentos.

Coragem! Como cristãos e guiados à luz do Espírito Santo, somos capazes.

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Verdade ou fake?

18/02/2018 00:00 - Atualizado em 21/02/2018 14:04

Na semana passada um, hacker causou um pouco de agitação nas redes sociais dizendo ter invadido o site oficial do Vaticano – vatican.news. Segundo ele (hacker), teria feito uma invasão no site, para mostrar uma debilidade, colocando uma mensagem de que Deus seria uma “cebola”, atribuindo esta fala ao Papa Francisco. Minutos depois, a vice-diretora da sala de imprensa da Santa Sé, Paloma Garcia Ovejero, informou que era fake (falso), e que ele não teria invadido o site, mas criado um semelhante, gerando confusão nos meios de comunicação.

Confusões como estas acontecem no mundo inteiro. Várias são as instituições que têm a sua imagem inserida em noticias não verdadeiras. Quando digo instituições, falo também de pessoas que representam instituições, de modo especial para nós cristãos: o Papa, bispos, padres etc.

E quantas vezes nos deixamos levar pela emoção das frases prontas da mídia, sem nos preocuparmos se realmente é verdade o que foi dito? Quantas palavras do Papa foram usadas fora de um contexto, gerando confusão e divisões? O fake não é somente uma mentira, mas também uma ausência plena da verdade. É um desserviço à construção da credibilidade de uma instituição.

Quando vemos uma noticia, percebemos que infelizmente não são poucas as pessoas que se isentam de verificar a veracidade das informações. Isso é um grande risco, pois uma verdade parcial, ou ideológica, ou não totalmente verdadeira, e com um poder de impacto emocional forte, pode levar a uma comoção coletiva nas comunidades virtuais, e desencadear um movimento muito agressivo e contrário ao que propõe a Verdade.

Na Mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Papa Francisco abordou este tema de grande importância, não só para os que estão ligados diretamente ao mundo da comunicação, mas a todas as pessoas de bem, pois a verdade é um direito de todos.

Como disse o Papa, “é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a lógica da serpente”. Se nos recordamos bem no livro do Gênesis, foi a primeira a seduzir e enganar o homem, levando a uma consequência de tragédias contra Deus, contra o próximo e contra o mundo. Assim como a serpente (pai da mentira), o fake  entra rastejando dentro do coração do homem com falsas e sedutoras verdades. Instigando quase sempre uma atitude fundamentalista e agressiva, e de consequência como uma incredulidade nas instituições e nas pessoas. “Nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.” (Cf. Papa Francisco)

Não podemos ser ingênuos. Recordo a passagem do Evangelho de Mateus, capítulo 10, versículo 16b: “Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas”. Sem malícia no sentido de estarmos totalmente diante de Deus e do próximo com um coração simples e de reta intenção, agindo sempre na verdade.

E usando uma outra interpretação para a serpente, diferente do que fala o Papa na mensagem acima, neste caso, prudentes como a serpente, refere-se ao sentido de estarmos atentos com um olhar crítico e não ingênuo. Saber ler uma notícia e identificar o verdadeiro do duvidoso. Não se deixar levar pelas emoções das imagens. E recordar que a mídia pode ser um perigo para quem se deixa levar somente pelo seu feed de notícias do Facebook.

E como lutar contra a mentira? Como identificar aquilo que destrói? Para responder a isso, deixo a responsabilidade da resposta ao próprio Papa Francisco:

Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal, mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca.

Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De fato, uma argumentação impecável pode basear-se em fatos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polêmica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.

Por isso caros amigos, estejamos atentos e não sejamos ingênuos, antes de começar a espalhar a noticia ou irritar-se com ela, certifique-se de que ela é verdadeira, de que ela tem o propósito de informar e transmitir a verdade, e de que não é apenas uma visão parcial e pessoal dos fatos. Leia, busque, informe-se e construa um conhecimento partilhando e perguntando informações.

No mundo virtual existem muitas pessoas que colaboram positivamente para a verdade, e caberá a você identificá-las seguindo os parâmetros já ditos acima pelo Papa. Ouvimos muito falar da construção de uma sociedade fraterna, verdadeira e digna para todos, e isso é muito lícito e justo. Porém, lembremo-nos de que esta construção passa por mim e por você, na responsabilidade de uma edificação da Verdade em nossas práticas diárias, e em todos os nossos relacionamentos.

Coragem! Como cristãos e guiados à luz do Espírito Santo, somos capazes.

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé