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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/02/2018

23 de Fevereiro de 2018

Ao pó retornaremos...

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11/02/2018 00:00

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11/02/2018 00:00

Estamos na metade do Carnaval, quando, de modo especial, a cidade do Rio de Janeiro se enche de cores e de alegria. Para alguns é tempo de diversão, para outros é tempo de descansar, afastando-se totalmente de qualquer ambiente de agitação. Independentemente das opções feitas nestes dias, igualmente para todos os cristãos é o período que se encaminha para os momentos mais fortes de nossa fé: a Quaresma. Porém, para iniciar este tempo de recolhimento e penitência, devemos passar primeiro pela Quarta-Feira de Cinzas.

Para os antigos judeus, sentar-se sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e retorno para Deus. Esta tradição da Quarta-Feira de Cinzas nos leva até as Igrejas primitivas. Normalmente a Quaresma começava seis semanas antes da Páscoa. Tirando os domingos, dia do Senhor (no qual não se observa o jejum pleno), dava um resultado de 36 dias de penitência. No século VII somou-se quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma, chegando assim ao número de 40 dias de jejum e penitência, relembrando o tempo de Jesus no deserto.

No início em Roma era uma prática comum que os fiéis começassem publicamente a sua penitência no primeiro dia de Quaresma. Todos eram salpicados com cinzas, e obrigados a manter-se longe até que se reconciliassem com a Igreja na Quinta-Feira Santa. Ao longo do tempo (século VIII ao X) esta prática começou a cair em desuso, e para marcar o início da Quaresma até hoje se faz o sinal da cruz na testa dos fiéis, usando as cinzas obtidas das palmas queimadas do Domingo de Ramos do ano anterior.

A Quarta-Feira de Cinzas é mais do que um ritual, ou um preceito a ser cumprido. É um tempo de retorno, no qual as cinzas postas em nossa cabeça nos serve para lembrar que um dia também nós seremos cinzas. Somos do pó e ao pó retornaremos. Um dia retornaremos ao pó da terra, para que na ressurreição nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa, nunca mais perecendo.

Na Basílica de São Pedro existe a famosa “Porta da Oração”, ou em italiano como é conhecida “Porta della Preghiera” feita por Gian Lorenzo Bernini para servir de sepultura do Papa Alessandro VII. Mais do que uma sepultura papal, é também uma escultura que nos prepara a este tempo de recolhimento e revisão de vida. Sobre a porta da oração está uma grande caveira alada de aproximadamente três metros com uma ampulheta na mão, onde cada grão de areia conta o tempo das nossas vidas que se esvai velozmente, nos aproximando da morte. Porém, a caveira tem o rosto coberto por um grande manto púrpura de mais de dez metros quadrados, impedindo-a de ver. Este grande manto, que mesmo sendo de mármore parece estar voando com a força do vento, é a Graça de Deus que vence a morte e nos abre as portas do paraíso.

É preciso entrar neste tempo de penitência, preparar-se bem, pois o nosso tempo está passando como aquela areia que cai velozmente na ampulheta nas mãos da morte. Porém, este tempo não pode ser jamais um tempo de falta de esperança, mas de uma alegria modesta por saber que o manto da Graça de Deus está sobre nós, o Senhor nunca cansa de ter misericórdia de nós, e quer nos oferecer mais uma vez o seu perdão; todos precisamos disso, convidando-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lágrimas, para tomar parte da sua alegria (cf. Papa Francisco). Receber o sinal da cruz, feita de cinzas na cabeça, é uma resposta nossa a este convite de Deus a caminhar em direção à reconciliação e à conversão. É a certeza de que com a sua ajuda podemos vencer até mesmo a morte.

Daqui a poucos dias estaremos todos sendo marcados mais uma vez com o gesto da imposição das cinzas sobre a cabeça. O Celebrante pronuncia estas palavras: “Recorda-te que és pó e ao pó retornarás (cf. Gn 3,19), o repete a exortação de Jesus: convertei-vos e credes no Evangelho (cf. Mc 1,15). Ambas as fórmulas constituem um chamado à verdade da existência humana: somos criaturas limitadas, pecadores sempre necessitados de penitência e conversão. Quanto é importante escutar e acolher tal chamado neste nosso tempo! O convite à conversão é então um empurrão a voltar, como fez o filho da parábola (filho pródigo), aos braços de Deus, Pai terno e misericordioso, a chorar naqueles braços, a confiar n’Ele e se confiar a Ele. (Cf. O Carnaval está terminando, a efusão da alegria se abafará, as cores se tornarão sóbrias e o nosso silêncio deverá nos conduzir a dias reflexivos e austeros. Porém, a todo aquele que realmente desejar viver este momento de “pausa restauradora” será dado ainda mais a alegria da Páscoa que não tem mais fim. Assim como o Batismo, marquemos a nossa cabeça e a nossa alma com a cruz de Cristo, onde as cinzas se transformarão em passagem do pó à vida.

Bom início de Quaresma!

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11/02/2018 00:00

Estamos na metade do Carnaval, quando, de modo especial, a cidade do Rio de Janeiro se enche de cores e de alegria. Para alguns é tempo de diversão, para outros é tempo de descansar, afastando-se totalmente de qualquer ambiente de agitação. Independentemente das opções feitas nestes dias, igualmente para todos os cristãos é o período que se encaminha para os momentos mais fortes de nossa fé: a Quaresma. Porém, para iniciar este tempo de recolhimento e penitência, devemos passar primeiro pela Quarta-Feira de Cinzas.

Para os antigos judeus, sentar-se sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e retorno para Deus. Esta tradição da Quarta-Feira de Cinzas nos leva até as Igrejas primitivas. Normalmente a Quaresma começava seis semanas antes da Páscoa. Tirando os domingos, dia do Senhor (no qual não se observa o jejum pleno), dava um resultado de 36 dias de penitência. No século VII somou-se quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma, chegando assim ao número de 40 dias de jejum e penitência, relembrando o tempo de Jesus no deserto.

No início em Roma era uma prática comum que os fiéis começassem publicamente a sua penitência no primeiro dia de Quaresma. Todos eram salpicados com cinzas, e obrigados a manter-se longe até que se reconciliassem com a Igreja na Quinta-Feira Santa. Ao longo do tempo (século VIII ao X) esta prática começou a cair em desuso, e para marcar o início da Quaresma até hoje se faz o sinal da cruz na testa dos fiéis, usando as cinzas obtidas das palmas queimadas do Domingo de Ramos do ano anterior.

A Quarta-Feira de Cinzas é mais do que um ritual, ou um preceito a ser cumprido. É um tempo de retorno, no qual as cinzas postas em nossa cabeça nos serve para lembrar que um dia também nós seremos cinzas. Somos do pó e ao pó retornaremos. Um dia retornaremos ao pó da terra, para que na ressurreição nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa, nunca mais perecendo.

Na Basílica de São Pedro existe a famosa “Porta da Oração”, ou em italiano como é conhecida “Porta della Preghiera” feita por Gian Lorenzo Bernini para servir de sepultura do Papa Alessandro VII. Mais do que uma sepultura papal, é também uma escultura que nos prepara a este tempo de recolhimento e revisão de vida. Sobre a porta da oração está uma grande caveira alada de aproximadamente três metros com uma ampulheta na mão, onde cada grão de areia conta o tempo das nossas vidas que se esvai velozmente, nos aproximando da morte. Porém, a caveira tem o rosto coberto por um grande manto púrpura de mais de dez metros quadrados, impedindo-a de ver. Este grande manto, que mesmo sendo de mármore parece estar voando com a força do vento, é a Graça de Deus que vence a morte e nos abre as portas do paraíso.

É preciso entrar neste tempo de penitência, preparar-se bem, pois o nosso tempo está passando como aquela areia que cai velozmente na ampulheta nas mãos da morte. Porém, este tempo não pode ser jamais um tempo de falta de esperança, mas de uma alegria modesta por saber que o manto da Graça de Deus está sobre nós, o Senhor nunca cansa de ter misericórdia de nós, e quer nos oferecer mais uma vez o seu perdão; todos precisamos disso, convidando-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lágrimas, para tomar parte da sua alegria (cf. Papa Francisco). Receber o sinal da cruz, feita de cinzas na cabeça, é uma resposta nossa a este convite de Deus a caminhar em direção à reconciliação e à conversão. É a certeza de que com a sua ajuda podemos vencer até mesmo a morte.

Daqui a poucos dias estaremos todos sendo marcados mais uma vez com o gesto da imposição das cinzas sobre a cabeça. O Celebrante pronuncia estas palavras: “Recorda-te que és pó e ao pó retornarás (cf. Gn 3,19), o repete a exortação de Jesus: convertei-vos e credes no Evangelho (cf. Mc 1,15). Ambas as fórmulas constituem um chamado à verdade da existência humana: somos criaturas limitadas, pecadores sempre necessitados de penitência e conversão. Quanto é importante escutar e acolher tal chamado neste nosso tempo! O convite à conversão é então um empurrão a voltar, como fez o filho da parábola (filho pródigo), aos braços de Deus, Pai terno e misericordioso, a chorar naqueles braços, a confiar n’Ele e se confiar a Ele. (Cf. O Carnaval está terminando, a efusão da alegria se abafará, as cores se tornarão sóbrias e o nosso silêncio deverá nos conduzir a dias reflexivos e austeros. Porém, a todo aquele que realmente desejar viver este momento de “pausa restauradora” será dado ainda mais a alegria da Páscoa que não tem mais fim. Assim como o Batismo, marquemos a nossa cabeça e a nossa alma com a cruz de Cristo, onde as cinzas se transformarão em passagem do pó à vida.

Bom início de Quaresma!

Padre Arnaldo Rodrigues
Autor

Padre Arnaldo Rodrigues

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé