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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/02/2018

23 de Fevereiro de 2018

Livros do Antigo Testamento (39)

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23 de Fevereiro de 2018

Livros do Antigo Testamento (39)

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02/02/2018 00:00 - Atualizado em 05/02/2018 13:14

Livros do Antigo Testamento (39) 0

02/02/2018 00:00 - Atualizado em 05/02/2018 13:14

Neste artigo atingimos o clímax da narração pascal. O povo conduzido por Moisés supera a derradeira barreira. Será a última vez que verá traços da terra da escravidão. A perseguição do Faraó e, por fim, a superação ‘a pé enxuto’ do Mar Vermelho ou dos juncos. E por epílogo, o canto de Mirian, irmã de Moisés, do outro lado margem.

1. A perseguição do Faraó (Ex 14)

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas que mudem de direção e venham acampar diante de Fiairot, entre Magdalum e o mar, defronte de Beelsefon: acampareis defronte desse lugar, perto do mar. O faraó vai pensar: os israelitas perderam-se no país, e o deserto os encerrou. Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá; mas eu triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor.” Os israelitas obedeceram (Ex 14, 1-4).

O caminho do deserto que está por iniciar-se será árduo para quem entender entrar nele sem as ‘orientações’ de Deus. Israel não tem bússola humana, mas divina, é Deus quem vai tecendo os caminhos, os tempos e as trajetórias daquele caminho longo e difícil.

Como lidar com os obstáculos, como decidir os rumos, avanços e recuos? Tudo isso será narrado nos capítulos do Êxodo.

Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá; mas eu triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor.

Por hora, trata-se de mostrar a Israel como Deus venceu definitivamente o Faraó, com todo o seu exército. Não deve haver na memória de Israel nenhum resquício de dúvidas acerca da superioridade de Deus sobre outros pretensos deuses e senhores deste mundo. Este caminho pedagógico-catequético concluir-se-á com a poderosa afirmação dos profetas do Monoteísmo Divino!

Quando se anunciou ao rei do Egito que o povo tinha fugido, o coração do faraó e de seus servos voltou-se contra o povo: “Que fizemos, disseram eles, deixando partir Israel e renunciando assim ao seu serviço!” O faraó mandou preparar seu carro e levou com ele suas tropas. Escolheu 600 carros dos melhores e todos os carros egípcios com homens de guerra em cada um deles. O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel. Eles haviam partido de cabeça erguida. Puseram-se os egípcios a persegui-los e alcançaram-nos em seu acampamento à beira do mar: todos os cavalos dos carros do faraó, seus cavaleiros e seu exército alcançaram-nos perto de Fiairot, defronte de Beelsefon (Ex 14, 5-9).

O refrão teológico se repete e soa como uma advertência ao leitor: ‘O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel’. O poderoso Faraó do Egito é controlado por Deus. Seu coração, fonte de suas decisões, de sua inteligência e afetos está nas mãos divinas do Deus de Israel.

O impacto sobre o leitor é imenso, a nação perseguida e oprimida, composta por (ex) escravos, deixa-se guiar por aqu’Ele que possui as ‘rédeas’ da História e comanda o coração do chefe do Estado do Egito.

A escuta deste texto em diversas situações da vida atribulada de Israel será remédio contra o desespero e desânimo diante de situações aparentemente perdidas. Deus sempre inverterá o jogo!

2. Ex 14, 10-31: O traspasso do Mar Vermelho

Aproximando-se o faraó, os israelitas, ao levantarem os olhos, viram os egípcios que vinham ao seu encalço. Foram tomados de espanto e invocaram o Senhor, clamando em alta voz. E disseram a Moisés: “Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito? Não te dizíamos no Egito: deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto (Ex 14,10-12).

A cena inicial mostra quão longo será o caminho para se construir uma ponte de confiança entre Deus e seu povo. Como nós, eles não veem a poderosa Mão de Deus escondida nos eventos desfavoráveis da vida. Por isso, a prece se mistura ao desespero e ao desânimo, beirando a ofensa e a blasfémia:

“Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito? Não te dizíamos no Egito: deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto”.

Durante todo o tempo do deserto encontraremos Israel que se comporta como pagão, sem confiança plena em Deus, agarrado ao passado de escravo diante dos desafios da vida na Fé, que segue a Deus.

Moisés será, junto com Aarão, porta-voz de uma palavra de confiança, de correção, de encorajamento, mas também, às vezes de revolta contra a incredulidade e a ingratidão deste povo contra seu Deus e protetor.

Moisés respondeu ao povo: “Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor. Os egípcios que hoje vedes, não os tornareis a ver jamais. O Senhor combaterá por vós; quanto a vós, nada tereis a fazer (Ex 14, 13-14)

A palavra de ordem durante todo o percurso não pode ser outra: ‘não temais’. Recorda-nos Jesus em todos os momentos da tribulação da Igreja. Não se pode seguir a Deus com medo e desconfiança! O Senhor que combate por Israel ou à sua frente como valoroso guerreiro é um tema que invadirá os salmos e o imaginário do povo de Israel, algo que ele assistiu com os próprios olhos!

O Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que se ponham a caminho. E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e fere-o, para que os israelitas possam atravessá-lo a pé enxuto. Vou endurecer o coração dos egípcios, para que se ponham ao teu encalço, e triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, seus carros e seus cavaleiros. Os egípcios saberão que eu sou o Senhor quando tiver alcançado esse glorioso triunfo sobre o faraó, seus carros e seus cavaleiros (Ex 14, 16-18).

E Deus age e transforma o Mar Vermelho em seu épico campo de batalha, diante dos olhos incrédulos de Israel.Projeto ‘Estudo Bíblico’.

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02/02/2018 00:00 - Atualizado em 05/02/2018 13:14

Neste artigo atingimos o clímax da narração pascal. O povo conduzido por Moisés supera a derradeira barreira. Será a última vez que verá traços da terra da escravidão. A perseguição do Faraó e, por fim, a superação ‘a pé enxuto’ do Mar Vermelho ou dos juncos. E por epílogo, o canto de Mirian, irmã de Moisés, do outro lado margem.

1. A perseguição do Faraó (Ex 14)

O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas que mudem de direção e venham acampar diante de Fiairot, entre Magdalum e o mar, defronte de Beelsefon: acampareis defronte desse lugar, perto do mar. O faraó vai pensar: os israelitas perderam-se no país, e o deserto os encerrou. Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá; mas eu triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor.” Os israelitas obedeceram (Ex 14, 1-4).

O caminho do deserto que está por iniciar-se será árduo para quem entender entrar nele sem as ‘orientações’ de Deus. Israel não tem bússola humana, mas divina, é Deus quem vai tecendo os caminhos, os tempos e as trajetórias daquele caminho longo e difícil.

Como lidar com os obstáculos, como decidir os rumos, avanços e recuos? Tudo isso será narrado nos capítulos do Êxodo.

Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá; mas eu triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor.

Por hora, trata-se de mostrar a Israel como Deus venceu definitivamente o Faraó, com todo o seu exército. Não deve haver na memória de Israel nenhum resquício de dúvidas acerca da superioridade de Deus sobre outros pretensos deuses e senhores deste mundo. Este caminho pedagógico-catequético concluir-se-á com a poderosa afirmação dos profetas do Monoteísmo Divino!

Quando se anunciou ao rei do Egito que o povo tinha fugido, o coração do faraó e de seus servos voltou-se contra o povo: “Que fizemos, disseram eles, deixando partir Israel e renunciando assim ao seu serviço!” O faraó mandou preparar seu carro e levou com ele suas tropas. Escolheu 600 carros dos melhores e todos os carros egípcios com homens de guerra em cada um deles. O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel. Eles haviam partido de cabeça erguida. Puseram-se os egípcios a persegui-los e alcançaram-nos em seu acampamento à beira do mar: todos os cavalos dos carros do faraó, seus cavaleiros e seu exército alcançaram-nos perto de Fiairot, defronte de Beelsefon (Ex 14, 5-9).

O refrão teológico se repete e soa como uma advertência ao leitor: ‘O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel’. O poderoso Faraó do Egito é controlado por Deus. Seu coração, fonte de suas decisões, de sua inteligência e afetos está nas mãos divinas do Deus de Israel.

O impacto sobre o leitor é imenso, a nação perseguida e oprimida, composta por (ex) escravos, deixa-se guiar por aqu’Ele que possui as ‘rédeas’ da História e comanda o coração do chefe do Estado do Egito.

A escuta deste texto em diversas situações da vida atribulada de Israel será remédio contra o desespero e desânimo diante de situações aparentemente perdidas. Deus sempre inverterá o jogo!

2. Ex 14, 10-31: O traspasso do Mar Vermelho

Aproximando-se o faraó, os israelitas, ao levantarem os olhos, viram os egípcios que vinham ao seu encalço. Foram tomados de espanto e invocaram o Senhor, clamando em alta voz. E disseram a Moisés: “Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito? Não te dizíamos no Egito: deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto (Ex 14,10-12).

A cena inicial mostra quão longo será o caminho para se construir uma ponte de confiança entre Deus e seu povo. Como nós, eles não veem a poderosa Mão de Deus escondida nos eventos desfavoráveis da vida. Por isso, a prece se mistura ao desespero e ao desânimo, beirando a ofensa e a blasfémia:

“Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito? Não te dizíamos no Egito: deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto”.

Durante todo o tempo do deserto encontraremos Israel que se comporta como pagão, sem confiança plena em Deus, agarrado ao passado de escravo diante dos desafios da vida na Fé, que segue a Deus.

Moisés será, junto com Aarão, porta-voz de uma palavra de confiança, de correção, de encorajamento, mas também, às vezes de revolta contra a incredulidade e a ingratidão deste povo contra seu Deus e protetor.

Moisés respondeu ao povo: “Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor. Os egípcios que hoje vedes, não os tornareis a ver jamais. O Senhor combaterá por vós; quanto a vós, nada tereis a fazer (Ex 14, 13-14)

A palavra de ordem durante todo o percurso não pode ser outra: ‘não temais’. Recorda-nos Jesus em todos os momentos da tribulação da Igreja. Não se pode seguir a Deus com medo e desconfiança! O Senhor que combate por Israel ou à sua frente como valoroso guerreiro é um tema que invadirá os salmos e o imaginário do povo de Israel, algo que ele assistiu com os próprios olhos!

O Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que se ponham a caminho. E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e fere-o, para que os israelitas possam atravessá-lo a pé enxuto. Vou endurecer o coração dos egípcios, para que se ponham ao teu encalço, e triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, seus carros e seus cavaleiros. Os egípcios saberão que eu sou o Senhor quando tiver alcançado esse glorioso triunfo sobre o faraó, seus carros e seus cavaleiros (Ex 14, 16-18).

E Deus age e transforma o Mar Vermelho em seu épico campo de batalha, diante dos olhos incrédulos de Israel.Projeto ‘Estudo Bíblico’.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica