Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 14º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/08/2018

14 de Agosto de 2018

Carnaval, sim ou não?

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

14 de Agosto de 2018

Carnaval, sim ou não?

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

04/02/2018 00:00

Carnaval, sim ou não? 0

04/02/2018 00:00

O ano de 2018 chegou e, mal iniciou fevereiro, já estamos às vésperas do Carnaval, festa amada e temida por muitas pessoas. Sem dúvida, é um tempo de alegria, comemoração, diversão. Por outro lado, oferece tentações e situações avessas à prática cristã, acabando por ser entendida como “festa do mal”. Como se comportar diante do carnaval? O que pensar dele, como agir?

Primeiramente, é importante saber um pouco da sua história: sem precisar fazer uma pesquisa muito aprofundada, o nome vem do latim “carne vale”, que significa “despedida da carne”. Como é sabido, no tempo da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas, os cristãos são chamados à prática da penitência – como, por exemplo, já no primeiro dia desse tempo, são convidados a abster-se de carne. –. Em muitos lugares, segundo a tradição – e até hoje, muitos católicos o fazem –, há quem se abstenha de carne durante toda a Quaresma.

Seguindo uma antiga tradição ascética, os monges assim o faziam. Portanto, o último dia em que poderiam comer carne antes de entrar na Quaresma era justamente a terça-feira anterior ao dia de Cinzas. Assim, costumou-se chamar, este dia de “carne vale”, que, depois de passar pelos processos de transliteração, tornou-se a palavra “carnaval”. Sob este título se reuniram tradições festivas de outras culturas.

Surge então um problema: o Carnaval acabou sendo entendido como festa dos excessos, onde tudo é permitido. Por isso, a festa, que era para ser apenas um momento de celebração e alegria, tornou-se motivo de escândalo para muitos cristãos. Ele tornou-se assim um assunto controverso: uns dizem que podem comemorar e outros anatematizam a ideia. Cada um aproveita de um modo: brincando, assistindo aos desfiles, descansando, viajando, rezando nos retiros, sem, contudo, chegar a um consenso sobre o assunto. Todos os anos faz-se a pergunta: o cristão pode ou não brincar o Carnaval? Para responder, sem esgotar a questão, deve-se considerar o seguinte:

1. O objetivo ao brincar: se o desejo de quem for brincar é apenas se divertir, não há problema algum. Deve-se ter o cuidado de saber bem onde vai, primeiro porque não podemos interferir na liberdade dos outros, então podemos acabar passando por situações desconfortáveis, mesmo sem querer; depois, porque “a carne é fraca”, e expor-se a determinados ambientes pode acabar nos levando ao erro, mesmo que essa não seja nossa intenção;

2. O objetivo ao não brincar: muitos cristãos dizem que Carnaval é “coisa do inimigo”, e preferem se recolher, ou participando de retiros de carnaval ou simplesmente procurando lugares recolhidos com pouca ou nenhuma manifestação festiva. Se, por um lado, essas pessoas fogem às tentações e aos possíveis pecados do Carnaval, por outro correm o grande risco de cometer o pecado da soberba ao sentirem-se melhores ou mais justos do que os outros que brincam. A exposição ao pecado, embora de modo diverso, é da mesma natureza.

Qual pode ser, então, a regra de ouro? A consciência. Cada um pode e deve examinar o próprio coração, as intenções, o que gosta de fazer e se é conveniente. Não há nenhuma palavra oficial a respeito porque ninguém pode ter a pretensão de regular a liberdade dos outros. O cristão, sendo habitado pelo Espírito, use sua liberdade a serviço de Deus e para realizar Sua vontade, que é que todos nos amemos e, pelo Amor e pela Graça, e não pelos méritos, sejamos salvos e cheguemos ao conhecimento da verdade. A grande lei, sempre será, em tudo, conversar a caridade.


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Carnaval, sim ou não?

04/02/2018 00:00

O ano de 2018 chegou e, mal iniciou fevereiro, já estamos às vésperas do Carnaval, festa amada e temida por muitas pessoas. Sem dúvida, é um tempo de alegria, comemoração, diversão. Por outro lado, oferece tentações e situações avessas à prática cristã, acabando por ser entendida como “festa do mal”. Como se comportar diante do carnaval? O que pensar dele, como agir?

Primeiramente, é importante saber um pouco da sua história: sem precisar fazer uma pesquisa muito aprofundada, o nome vem do latim “carne vale”, que significa “despedida da carne”. Como é sabido, no tempo da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas, os cristãos são chamados à prática da penitência – como, por exemplo, já no primeiro dia desse tempo, são convidados a abster-se de carne. –. Em muitos lugares, segundo a tradição – e até hoje, muitos católicos o fazem –, há quem se abstenha de carne durante toda a Quaresma.

Seguindo uma antiga tradição ascética, os monges assim o faziam. Portanto, o último dia em que poderiam comer carne antes de entrar na Quaresma era justamente a terça-feira anterior ao dia de Cinzas. Assim, costumou-se chamar, este dia de “carne vale”, que, depois de passar pelos processos de transliteração, tornou-se a palavra “carnaval”. Sob este título se reuniram tradições festivas de outras culturas.

Surge então um problema: o Carnaval acabou sendo entendido como festa dos excessos, onde tudo é permitido. Por isso, a festa, que era para ser apenas um momento de celebração e alegria, tornou-se motivo de escândalo para muitos cristãos. Ele tornou-se assim um assunto controverso: uns dizem que podem comemorar e outros anatematizam a ideia. Cada um aproveita de um modo: brincando, assistindo aos desfiles, descansando, viajando, rezando nos retiros, sem, contudo, chegar a um consenso sobre o assunto. Todos os anos faz-se a pergunta: o cristão pode ou não brincar o Carnaval? Para responder, sem esgotar a questão, deve-se considerar o seguinte:

1. O objetivo ao brincar: se o desejo de quem for brincar é apenas se divertir, não há problema algum. Deve-se ter o cuidado de saber bem onde vai, primeiro porque não podemos interferir na liberdade dos outros, então podemos acabar passando por situações desconfortáveis, mesmo sem querer; depois, porque “a carne é fraca”, e expor-se a determinados ambientes pode acabar nos levando ao erro, mesmo que essa não seja nossa intenção;

2. O objetivo ao não brincar: muitos cristãos dizem que Carnaval é “coisa do inimigo”, e preferem se recolher, ou participando de retiros de carnaval ou simplesmente procurando lugares recolhidos com pouca ou nenhuma manifestação festiva. Se, por um lado, essas pessoas fogem às tentações e aos possíveis pecados do Carnaval, por outro correm o grande risco de cometer o pecado da soberba ao sentirem-se melhores ou mais justos do que os outros que brincam. A exposição ao pecado, embora de modo diverso, é da mesma natureza.

Qual pode ser, então, a regra de ouro? A consciência. Cada um pode e deve examinar o próprio coração, as intenções, o que gosta de fazer e se é conveniente. Não há nenhuma palavra oficial a respeito porque ninguém pode ter a pretensão de regular a liberdade dos outros. O cristão, sendo habitado pelo Espírito, use sua liberdade a serviço de Deus e para realizar Sua vontade, que é que todos nos amemos e, pelo Amor e pela Graça, e não pelos méritos, sejamos salvos e cheguemos ao conhecimento da verdade. A grande lei, sempre será, em tudo, conversar a caridade.


Autor

Cristiano Holtz Peixoto

Editorialista do Jornal Testemunho de Fé