Arquidiocese do Rio de Janeiro

37º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/12/2018

16 de Dezembro de 2018

Pastoral na unidade

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26/01/2018 00:00 - Atualizado em 29/01/2018 11:20

Pastoral na unidade 0

26/01/2018 00:00 - Atualizado em 29/01/2018 11:20

Concluímos nesta sexta feira, no Centro de Estudos Superiores do Sumaré, do 27º. Curso anual para os Bispos. Agradeço a Deus pela oportunidade de proporcionar esse evento e por aqueles que participaram. É uma feliz iniciativa iniciada pelo meu amado predecessor, o Cardeal Eugenio Araújo Sales, que intuiu e constituiu este encontro como um momento anual de encontro, estudos, confraternização e atualização dos Bispos, sob a responsabilidade de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Neste ano refletimos sobre o tema do ateísmo e as suas consequências na sociedade atual. Professores doutores no assunto vieram partilhar um pouco dessa reflexão conosco a quem agradeço pela riqueza e participação.

O grande destaque é a nossa fraternidade episcopal e por isso gostaria de compartilhar a atualidade do discurso do Papa Francisco, em sua Viagem Apostólica ao Peru, ao Episcopado daquele país. Aproveito para uma reflexão pessoal junto com as palavras do Papa dias atrás que,  citando São Toríbio de Mogrovejo, disse que ele foi um “exemplo de construtor de unidade eclesial”, e “deixou terreno seguro para penetrar num universo totalmente novo, desconhecido e cheio de desafios”.

O Papa falando da necessidade de se atravessar um rio caudaloso acentuou que São Toríbio: "Quis chegar à outra margem em busca dos afastados e dispersos. Para isso, teve que deixar as comodidades do paço episcopal para percorrer o território, que lhe estava confiado, em contínuas visitas pastorais, procurando chegar e estar onde necessitavam dele e quanto necessitavam dele! Ia ao encontro de todos por caminhos que, nas palavras do secretário, eram mais para cabras do que para pessoas. Tinha que enfrentar os mais variados climas e ambientes; «de vinte e dois anos de episcopado, dezoito passou-os fora da sua cidade, percorrendo por três vezes o seu território”.”... Hoje chamá-lo-íamos um bispo «de estrada». Um bispo com as solas consumadas pelo muito andar, por se mover, por sair ao encontro dos outros para «anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo.” (http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

A palavra central do ministério episcopal, que é serviço e não honra, segundo o Papa Francisco é “a alegria do Evangelho que não pode excluir ninguém”. São Toríbio, em seu tempo, “quis chegar à outra margem não só geográfica mas cultural. Por isso promoveu, de muitos modos, uma evangelização na língua nativa. Com o III Concílio Limense, procurou que os catecismos fossem feitos e traduzidos em quechua e aymara. Incentivou o clero a estudar e conhecer a língua dos seus fiéis, para poderem administrar-lhes os Sacramentos de forma compreensível. Visitando e vivendo com o seu povo, deu-se conta de que não bastava alcançá-lo apenas fisicamente, mas era necessário aprender a falar a língua dos outros: só assim é que o Evangelho poderia ser compreendido e penetrar nos corações.” .”( http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

Refletindo sobre as atuais formas de ateísmo e seus desafios pastorais vejo que, com essa homilia, o Papa está nos pedindo que nos dias de hoje saibamos anunciar o Evangelho na língua dos nossos dias, tornando os Sacramentos mais compreensíveis nesta sociedade líquida, saindo do conforto do Paço e ir penetrar no coração dos nossos fiéis, particularmente dos doentes, dos marginalizados, dos pecadores e dos que precisam de conversão. Com ouvimos durante o curso: evangelizar personalizadamente.

Para falar e ser ouvido nos dias de hoje, o Papa nos dá a receita: “temos de aprender uma linguagem completamente nova, como é a digital! (o tema do Dia Mundial da Comunicações é sobre as notícias falsas). Conhecer a linguagem atual dos nossos jovens, das nossas famílias, das crianças... Como justamente viu São Toríbio, não é suficiente chegar a um lugar e ocupar um território, é necessário poder suscitar processos na vida das pessoas, para que a fé ganhe raízes e seja significativa. E, para isso, devemos falar a língua delas.” .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Papa deseja profetas:Profecia episcopal que não tem medo de denunciar os abusos e excessos cometidos contra o seu povo. E assim consegue lembrar no seio da sociedade e das comunidades que a caridade deve ser sempre acompanhada pela justiça, e não há autêntica evangelização que não anuncie e denuncie toda a falta contra a vida dos nossos irmãos, especialmente dos mais vulneráveis”. ( http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Seminário foi o centro da ação pastoral de São Toríbio, quando ele fundou o primeiro Seminário depois do Concílio de Trento, naquelas terras. Ressalta o Papa Francisco que: “defendeu a Ordenação de padres mestiços, procurando favorecer e estimular a santidade dos seus pastores, pois se o clero se devesse diferenciar em algo, que fosse pela santidade de vida e não pela origem étnica. E esta formação não se limitava apenas aos estudos no Seminário, mas prosseguia nas visitas contínuas que lhes fazia. Assim podia, em primeira mão, dar-se conta do «estado dos seus padres», cuidando deles” .” Ou sejua, como refletimos: tendo a paternidade cristã com todos. (cfr. http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Bispo, a exemplo de São Toríbio, deve ser desapegado. A primeira missão do bispo é amar os seus padres. Não um amor legalista, punitivo, mas um amor oblativo e de compaixão, corrigindo com paternidade responsável e doçura materna, por isso o bispo “é o pastor que conhece os seus sacerdotes. Procura ir ter com eles, acompanhá-los, encorajá-los, admoestá-los: lembrava aos seus padres que eram pastores e não comerciantes e, por conseguinte, deveriam cuidar e defender os indígenas como se fossem filhos.[7] Mas não o fazia «sentado à escrivaninha», e assim pôde conhecer as suas ovelhas e estas reconhecerem, na voz dele, a voz do Bom Pastor”. .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Bispo é aquele que constrói a unidade, como São Toríbio: “Promoveu de maneira admirável e profética a formação e integração de espaços de comunhão e participação entre as várias componentes do povo de Deus. Assim o realçou São João Paulo II quando nestas terras, dirigindo-se aos bispos, lhes disse: «O III Concílio Limense é o resultado desse esforço presidido, encorajado e dirigido por São Toríbio, e que frutificou num precioso tesouro de unidade na fé, de normas pastorais e de organização, ao mesmo tempo que em válidas inspirações para a desejada integração latino-americana”. .” (http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

“Para São Toríbio chegou o momento de partir para a margem definitiva, para aquela terra que o esperava e que ele ia saboreando no seu contínuo deixar a margem. Esta nova partida, não a fez sozinho. Como no quadro de que vos falei ao início, ia ao encontro dos Santos, seguido por uma grande multidão atrás dele. É o pastor que soube encher «a sua mala» de rostos e nomes. Estes eram o passaporte dele para o céu. Por isso não quero omitir a nota final, o momento em que o pastor entregava a sua alma a Deus. Fê-lo unido ao seu povo, enquanto um aborígene tocava para ele a flauta para que a alma do seu pastor se sentisse em paz. Quem dera, irmãos, que pudéssemos viver estas coisas, quando tivermos que realizar a última viagem. Peçamos ao Senhor que no-lo conceda”. .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

Dentro da Diocese o bispo é o ponto de unidade de todos para que resplandeça a beleza divina da Santíssima Trindade. No Bispo deve brilhar a santidade divina. Realmente a unidade de todos os homens e mulheres renovados em Cristo Ressuscitado deve ser o ânimo do ministério episcopal.

 

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Concluímos nesta sexta feira, no Centro de Estudos Superiores do Sumaré, do 27º. Curso anual para os Bispos. Agradeço a Deus pela oportunidade de proporcionar esse evento e por aqueles que participaram. É uma feliz iniciativa iniciada pelo meu amado predecessor, o Cardeal Eugenio Araújo Sales, que intuiu e constituiu este encontro como um momento anual de encontro, estudos, confraternização e atualização dos Bispos, sob a responsabilidade de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Neste ano refletimos sobre o tema do ateísmo e as suas consequências na sociedade atual. Professores doutores no assunto vieram partilhar um pouco dessa reflexão conosco a quem agradeço pela riqueza e participação.

O grande destaque é a nossa fraternidade episcopal e por isso gostaria de compartilhar a atualidade do discurso do Papa Francisco, em sua Viagem Apostólica ao Peru, ao Episcopado daquele país. Aproveito para uma reflexão pessoal junto com as palavras do Papa dias atrás que,  citando São Toríbio de Mogrovejo, disse que ele foi um “exemplo de construtor de unidade eclesial”, e “deixou terreno seguro para penetrar num universo totalmente novo, desconhecido e cheio de desafios”.

O Papa falando da necessidade de se atravessar um rio caudaloso acentuou que São Toríbio: "Quis chegar à outra margem em busca dos afastados e dispersos. Para isso, teve que deixar as comodidades do paço episcopal para percorrer o território, que lhe estava confiado, em contínuas visitas pastorais, procurando chegar e estar onde necessitavam dele e quanto necessitavam dele! Ia ao encontro de todos por caminhos que, nas palavras do secretário, eram mais para cabras do que para pessoas. Tinha que enfrentar os mais variados climas e ambientes; «de vinte e dois anos de episcopado, dezoito passou-os fora da sua cidade, percorrendo por três vezes o seu território”.”... Hoje chamá-lo-íamos um bispo «de estrada». Um bispo com as solas consumadas pelo muito andar, por se mover, por sair ao encontro dos outros para «anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo.” (http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

A palavra central do ministério episcopal, que é serviço e não honra, segundo o Papa Francisco é “a alegria do Evangelho que não pode excluir ninguém”. São Toríbio, em seu tempo, “quis chegar à outra margem não só geográfica mas cultural. Por isso promoveu, de muitos modos, uma evangelização na língua nativa. Com o III Concílio Limense, procurou que os catecismos fossem feitos e traduzidos em quechua e aymara. Incentivou o clero a estudar e conhecer a língua dos seus fiéis, para poderem administrar-lhes os Sacramentos de forma compreensível. Visitando e vivendo com o seu povo, deu-se conta de que não bastava alcançá-lo apenas fisicamente, mas era necessário aprender a falar a língua dos outros: só assim é que o Evangelho poderia ser compreendido e penetrar nos corações.” .”( http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

Refletindo sobre as atuais formas de ateísmo e seus desafios pastorais vejo que, com essa homilia, o Papa está nos pedindo que nos dias de hoje saibamos anunciar o Evangelho na língua dos nossos dias, tornando os Sacramentos mais compreensíveis nesta sociedade líquida, saindo do conforto do Paço e ir penetrar no coração dos nossos fiéis, particularmente dos doentes, dos marginalizados, dos pecadores e dos que precisam de conversão. Com ouvimos durante o curso: evangelizar personalizadamente.

Para falar e ser ouvido nos dias de hoje, o Papa nos dá a receita: “temos de aprender uma linguagem completamente nova, como é a digital! (o tema do Dia Mundial da Comunicações é sobre as notícias falsas). Conhecer a linguagem atual dos nossos jovens, das nossas famílias, das crianças... Como justamente viu São Toríbio, não é suficiente chegar a um lugar e ocupar um território, é necessário poder suscitar processos na vida das pessoas, para que a fé ganhe raízes e seja significativa. E, para isso, devemos falar a língua delas.” .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Papa deseja profetas:Profecia episcopal que não tem medo de denunciar os abusos e excessos cometidos contra o seu povo. E assim consegue lembrar no seio da sociedade e das comunidades que a caridade deve ser sempre acompanhada pela justiça, e não há autêntica evangelização que não anuncie e denuncie toda a falta contra a vida dos nossos irmãos, especialmente dos mais vulneráveis”. ( http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Seminário foi o centro da ação pastoral de São Toríbio, quando ele fundou o primeiro Seminário depois do Concílio de Trento, naquelas terras. Ressalta o Papa Francisco que: “defendeu a Ordenação de padres mestiços, procurando favorecer e estimular a santidade dos seus pastores, pois se o clero se devesse diferenciar em algo, que fosse pela santidade de vida e não pela origem étnica. E esta formação não se limitava apenas aos estudos no Seminário, mas prosseguia nas visitas contínuas que lhes fazia. Assim podia, em primeira mão, dar-se conta do «estado dos seus padres», cuidando deles” .” Ou sejua, como refletimos: tendo a paternidade cristã com todos. (cfr. http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Bispo, a exemplo de São Toríbio, deve ser desapegado. A primeira missão do bispo é amar os seus padres. Não um amor legalista, punitivo, mas um amor oblativo e de compaixão, corrigindo com paternidade responsável e doçura materna, por isso o bispo “é o pastor que conhece os seus sacerdotes. Procura ir ter com eles, acompanhá-los, encorajá-los, admoestá-los: lembrava aos seus padres que eram pastores e não comerciantes e, por conseguinte, deveriam cuidar e defender os indígenas como se fossem filhos.[7] Mas não o fazia «sentado à escrivaninha», e assim pôde conhecer as suas ovelhas e estas reconhecerem, na voz dele, a voz do Bom Pastor”. .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

O Bispo é aquele que constrói a unidade, como São Toríbio: “Promoveu de maneira admirável e profética a formação e integração de espaços de comunhão e participação entre as várias componentes do povo de Deus. Assim o realçou São João Paulo II quando nestas terras, dirigindo-se aos bispos, lhes disse: «O III Concílio Limense é o resultado desse esforço presidido, encorajado e dirigido por São Toríbio, e que frutificou num precioso tesouro de unidade na fé, de normas pastorais e de organização, ao mesmo tempo que em válidas inspirações para a desejada integração latino-americana”. .” (http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

“Para São Toríbio chegou o momento de partir para a margem definitiva, para aquela terra que o esperava e que ele ia saboreando no seu contínuo deixar a margem. Esta nova partida, não a fez sozinho. Como no quadro de que vos falei ao início, ia ao encontro dos Santos, seguido por uma grande multidão atrás dele. É o pastor que soube encher «a sua mala» de rostos e nomes. Estes eram o passaporte dele para o céu. Por isso não quero omitir a nota final, o momento em que o pastor entregava a sua alma a Deus. Fê-lo unido ao seu povo, enquanto um aborígene tocava para ele a flauta para que a alma do seu pastor se sentisse em paz. Quem dera, irmãos, que pudéssemos viver estas coisas, quando tivermos que realizar a última viagem. Peçamos ao Senhor que no-lo conceda”. .”(http://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-01/viagem-peru-encontro-bispos.html, último acesso em 21 de janeiro de 2018).

Dentro da Diocese o bispo é o ponto de unidade de todos para que resplandeça a beleza divina da Santíssima Trindade. No Bispo deve brilhar a santidade divina. Realmente a unidade de todos os homens e mulheres renovados em Cristo Ressuscitado deve ser o ânimo do ministério episcopal.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro