Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/12/2018

16 de Dezembro de 2018

Uma cidade de fé

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16 de Dezembro de 2018

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Uma cidade de fé 0

20/01/2018 00:00

Neste dia 20 do primeiro mês de 2018, quando a Igreja Católica celebra São Sebastião, é oportuna uma reflexão sobre a fé em Deus, que jamais abandona seus filhos, amparando-os sempre em sua infinita misericórdia e amor. Pois bem, a fé inabalável é o maior exemplo do santo Padroeiro da cidade do Rio de Janeiro aos cristãos e a todos aqueles em busca de esperança e redenção.

Assim como o padroeiro de sua Cidade Maravilhosa, os cariocas, apesar de todos os problemas que os afligem, principalmente a violência e a criminalidade, professam sua imensa fé em Nosso Senhor, sob as bênçãos de Cristo, o grande Redentor da humanidade, cuja imagem do alto do Corcovado abençoa esta cidade nascida sob a proteção do Santo Guerreiro. Como São Sebastião, é um povo corajoso na defesa e preservação de seus princípios e valores espirituais. Os cariocas jamais se esqueceram que nas aflições contra a peste, a fome e a guerra eles podem acorrer ao seu padroeiro: “Dai-nos, ó Deus, o espírito de fortaleza para que, sustentados, pelo exemplo de São Sebastião, vosso glorioso mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a vós do que aos homens”(oração da coleta da Missa da festa).

Os cariocas terão sempre a força de sua fé para vencer as adversidades. O Rio de Janeiro, que comemorará seu 453º aniversário em 1º de março próximo, seguirá, resiliente como sempre, o curso de sua bela história como um dos municípios brasileiros mais importantes e uma das cidades mais conhecidas do Planeta, “embaixadora” do Brasil na beleza de suas paisagens, nos encantos de sua cultura, na alma alegre e terna de sua gente e no ritmo de sua musicalidade.

Maximiano ao tomar conhecimento de cristãos infiltrados no exército romano empreendeu uma caçada impiedosa a esses cristãos, expulsando-os do exército. Só os filhos de soldados ficaram para servir o exército. E este era o caso do Capitão Sebastião. Denunciado como cristão por um soldado, o imperador se sentiu traído e mandou que Sebastião renunciasse à sua fé em Jesus Cristo. Resoluto, Sebastião se negou a fazer esta renúncia. Por isso, Maximiano mandou que ele fosse morto com requinte de crueldade para servir de exemplo e desestímulo a outros. Maximiano ordenou que Sebastião tivesse uma morte dolorosa diante de todos. Assim, os arqueiros receberam ordens para matarem-no a flechadas. Eles tiraram suas roupas, o amarraram num poste no estádio de Palatino (algumas versões falam que foi em uma árvore na floresta) e lançaram flechas sobre ele. Ferido em pontos não vitais, deixaram que ele sangrasse até morrer.

Uma cristã devota, chamada Irene, e um grupo de amigos, foram ao local e, surpresos, viram que Sebastião continuava vivo. Levaram-no dali e o esconderam na casa de Irene que cuidou de seus ferimentos.

Sebastião, depois de curado, continuou evangelizando e se apresentou ao imperador Maximiano, anunciando a conversão e a liberdade para os cristãos, que não atendeu ao seu pedido. Sebastião insistia para que ele parasse de perseguir e matar os cristãos. Desta vez, porém, o imperador mandou que o açoitassem (algumas versões falam de decapitação) até morrer e depois fosse jogado numa fossa (esgoto de Roma), para que nenhum cristão o encontrasse. Porém, após sua morte, Luciana, uma cristã, comenta que foi inspirada a buscar o corpo de São Sebastião e no sonho foi anunciado que ela encontraria o corpo dele num poço. Também no sonho ele pediu para ser sepultado nas catacumbas junto dos apóstolos. São Sebastião está sepultado na Via Ápia, aonde se edificou uma Igreja em sua honra, depois constituída em Basílica Menor. Eu mesmo, quando tenho compromissos pastorais em Roma, quase sempre celebro todas as vezes nesta Basílica pedindo a proteção de nosso Padroeiro pela nossa Cidade e pela nossa Arquidiocese.

Estamos celebrando o nosso padroeiro e neste ano, desde novembro passado, a Igreja no Brasil celebra o ano do laicato. São Sebastião foi exatamente um fiel batizado, um leigo que enfrentou destemidamente o Imperador e não renunciou a sua fé em Jesus Cristo. O exemplo de São Sebastião diante das muitas adversidades que a grande maioria do povo carioca vive, nestes tempos de crise e de insegurança, nos leva a seguir o exemplo de nosso padroeiro e não renunciar, por motivo nenhum a nossa fé. Ao contrário que possamos testemunhar a fé em Jesus Cristo e na sua Santa Igreja Católica, apostólica e romana, como uma das características fundamentais do nosso Batismo. Ser sujeito eclesial significa ser maduro na fé, testemunhar o amor à Igreja, servir os irmãos e irmãos, permanecer no seguimento de Jesus, na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia, para dar testemunho de Cristo.

Percorrendo nos últimos treze dias toda a cidade, levando a réplica da imagem histórica trazida por Estácio de Sá de nosso padroeiro, podemos refletir “São Sebastião superou tudo com amor”. É com esta certeza de que, um leigo, soldado romano, que preferiu a morte do que renunciar a sua fé, que devemos superar todas as dificuldades porque passa a nossa cidade, a amada gente carioca, e em tudo vamos superar com o amor de Cristo, por Cristo e em Cristo.

Na celebração do Dia de São Sebastião — São Sebastião do Rio de Janeiro! —, data tão significativa para os cariocas, abraçamos todos eles e nos somamos às suas orações. Em sua profissão de fé, à semelhança de seu Santo Padroeiro, terão sempre a luz de Deus iluminando seus caminhos, semeando esperança e abençoando o presente e o futuro da cidade!

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Uma cidade de fé

20/01/2018 00:00

Neste dia 20 do primeiro mês de 2018, quando a Igreja Católica celebra São Sebastião, é oportuna uma reflexão sobre a fé em Deus, que jamais abandona seus filhos, amparando-os sempre em sua infinita misericórdia e amor. Pois bem, a fé inabalável é o maior exemplo do santo Padroeiro da cidade do Rio de Janeiro aos cristãos e a todos aqueles em busca de esperança e redenção.

Assim como o padroeiro de sua Cidade Maravilhosa, os cariocas, apesar de todos os problemas que os afligem, principalmente a violência e a criminalidade, professam sua imensa fé em Nosso Senhor, sob as bênçãos de Cristo, o grande Redentor da humanidade, cuja imagem do alto do Corcovado abençoa esta cidade nascida sob a proteção do Santo Guerreiro. Como São Sebastião, é um povo corajoso na defesa e preservação de seus princípios e valores espirituais. Os cariocas jamais se esqueceram que nas aflições contra a peste, a fome e a guerra eles podem acorrer ao seu padroeiro: “Dai-nos, ó Deus, o espírito de fortaleza para que, sustentados, pelo exemplo de São Sebastião, vosso glorioso mártir, possamos aprender com ele a obedecer mais a vós do que aos homens”(oração da coleta da Missa da festa).

Os cariocas terão sempre a força de sua fé para vencer as adversidades. O Rio de Janeiro, que comemorará seu 453º aniversário em 1º de março próximo, seguirá, resiliente como sempre, o curso de sua bela história como um dos municípios brasileiros mais importantes e uma das cidades mais conhecidas do Planeta, “embaixadora” do Brasil na beleza de suas paisagens, nos encantos de sua cultura, na alma alegre e terna de sua gente e no ritmo de sua musicalidade.

Maximiano ao tomar conhecimento de cristãos infiltrados no exército romano empreendeu uma caçada impiedosa a esses cristãos, expulsando-os do exército. Só os filhos de soldados ficaram para servir o exército. E este era o caso do Capitão Sebastião. Denunciado como cristão por um soldado, o imperador se sentiu traído e mandou que Sebastião renunciasse à sua fé em Jesus Cristo. Resoluto, Sebastião se negou a fazer esta renúncia. Por isso, Maximiano mandou que ele fosse morto com requinte de crueldade para servir de exemplo e desestímulo a outros. Maximiano ordenou que Sebastião tivesse uma morte dolorosa diante de todos. Assim, os arqueiros receberam ordens para matarem-no a flechadas. Eles tiraram suas roupas, o amarraram num poste no estádio de Palatino (algumas versões falam que foi em uma árvore na floresta) e lançaram flechas sobre ele. Ferido em pontos não vitais, deixaram que ele sangrasse até morrer.

Uma cristã devota, chamada Irene, e um grupo de amigos, foram ao local e, surpresos, viram que Sebastião continuava vivo. Levaram-no dali e o esconderam na casa de Irene que cuidou de seus ferimentos.

Sebastião, depois de curado, continuou evangelizando e se apresentou ao imperador Maximiano, anunciando a conversão e a liberdade para os cristãos, que não atendeu ao seu pedido. Sebastião insistia para que ele parasse de perseguir e matar os cristãos. Desta vez, porém, o imperador mandou que o açoitassem (algumas versões falam de decapitação) até morrer e depois fosse jogado numa fossa (esgoto de Roma), para que nenhum cristão o encontrasse. Porém, após sua morte, Luciana, uma cristã, comenta que foi inspirada a buscar o corpo de São Sebastião e no sonho foi anunciado que ela encontraria o corpo dele num poço. Também no sonho ele pediu para ser sepultado nas catacumbas junto dos apóstolos. São Sebastião está sepultado na Via Ápia, aonde se edificou uma Igreja em sua honra, depois constituída em Basílica Menor. Eu mesmo, quando tenho compromissos pastorais em Roma, quase sempre celebro todas as vezes nesta Basílica pedindo a proteção de nosso Padroeiro pela nossa Cidade e pela nossa Arquidiocese.

Estamos celebrando o nosso padroeiro e neste ano, desde novembro passado, a Igreja no Brasil celebra o ano do laicato. São Sebastião foi exatamente um fiel batizado, um leigo que enfrentou destemidamente o Imperador e não renunciou a sua fé em Jesus Cristo. O exemplo de São Sebastião diante das muitas adversidades que a grande maioria do povo carioca vive, nestes tempos de crise e de insegurança, nos leva a seguir o exemplo de nosso padroeiro e não renunciar, por motivo nenhum a nossa fé. Ao contrário que possamos testemunhar a fé em Jesus Cristo e na sua Santa Igreja Católica, apostólica e romana, como uma das características fundamentais do nosso Batismo. Ser sujeito eclesial significa ser maduro na fé, testemunhar o amor à Igreja, servir os irmãos e irmãos, permanecer no seguimento de Jesus, na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia, para dar testemunho de Cristo.

Percorrendo nos últimos treze dias toda a cidade, levando a réplica da imagem histórica trazida por Estácio de Sá de nosso padroeiro, podemos refletir “São Sebastião superou tudo com amor”. É com esta certeza de que, um leigo, soldado romano, que preferiu a morte do que renunciar a sua fé, que devemos superar todas as dificuldades porque passa a nossa cidade, a amada gente carioca, e em tudo vamos superar com o amor de Cristo, por Cristo e em Cristo.

Na celebração do Dia de São Sebastião — São Sebastião do Rio de Janeiro! —, data tão significativa para os cariocas, abraçamos todos eles e nos somamos às suas orações. Em sua profissão de fé, à semelhança de seu Santo Padroeiro, terão sempre a luz de Deus iluminando seus caminhos, semeando esperança e abençoando o presente e o futuro da cidade!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro