Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/04/2018

25 de Abril de 2018

São Sebastião, Discípulo do Amor

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25 de Abril de 2018

São Sebastião, Discípulo do Amor

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17/01/2018 00:00

São Sebastião, Discípulo do Amor 0

17/01/2018 00:00

“O dom de si como expressão máxima do amor”

Primeiramente, quero louvar e bendizer a Deus pela graça de mais uma vez, no início de um novo ano, celebrarmos a festa da Solenidade do nosso Padroeiro São Sebastião, o discípulo do amor.

De forma plena e verdadeira, São Sebastião deu tudo de si. Atuou como um soldado movido pelo amor ao Senhor e, pela força advinda desse amor, conseguiu resistir às flechas lançadas contra ele para levá-lo à morte.

São Sebastião, mesmo depois desse fato, continuou seguindo sua missão, testemunhando a sua fé com palavras e atos. Defendeu a verdade e lutou até a morte contra as injustiças e os falsos deuses. Como um verdadeiro discípulo do amor, ele aceitou dar a sua vida pelos outros e por Cristo.

Diante do testemunho de vida de nosso padroeiro, é impossível não  levantarmos as seguintes indagações: como podemos também ser discípulos do amor? Como manifestarmos esse dom dado por Deus se ainda hoje, mesmo depois de tanto tempo, as flechas da falsidade do mundo continuam sendo lançadas sobre nós na tentativa de nos matar para a compreensão do amor Divino?

É notório que estamos diante de um mundo fortemente marcado por uma cultura hedonista e utilitarista, ou seja, um mundo no qual as pessoas vivem por si e para si mesmas em detrimento do próximo.  Buscam a imagem de um “deus” que realiza desejos, ao tempo e da maneira que se quer.

A promessa divina, muitas vezes presente na Sagrada Escritura como uma forma própria de Deus conduzir e formar seu povo de acordo com os seus desígnios de salvação e de paz, é confundida como o cumprimento de nossa própria vontade e não como uma pedagogia divina de transformação naquilo que Deus quer de cada um de nós.

Ainda assim, apesar de todas essas situações presentes em nossa sociedade, a resposta para nossas indagações está no fato de que Deus continua a nos chamar a agir como Jesus agiu; chama-nos a dar vida pelo outro e a anunciar o Seu amor por todos.

Sua Palavra é que nos direciona para o caminho a ser seguido: “Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu”  (1Jo 3, 23 e 24).

A Palavra ensina que crendo no amor de Deus, que nos enviou o seu Filho, somos também chamados a anunciar esse amor e a fazermos a opção de deixar que ele conduza nossas ações.

Dessa forma, para termos um melhor entendimento acerca dessa verdade de que Deus continua chamando e colocando no coração de tantos a vontade de abandonar tudo para segui-Lo e servi-Lo e também de dar a vida pelo outro em detrimento de sua própria vida, podemos observar, além do exemplo de nosso padroeiro, os exemplos de vida dos Santos e Santas de nosso tempo.

Dentre esses, destaco São João Paulo II, que teve uma vida inteiramente dedicada a Deus e que, desde o início de seu pontificado, demonstrou a sua disponibilidade de servir e de exortar a todos a também o fazê-lo, como se demonstra no trecho de sua homília datada de outubro de 1978:

 “Irmãos e Irmãs: não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder! E ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir a Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira! Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador abri os confins dos Estados, os sistemas econômicos assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que é que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!

Outro exemplo que destaco é o de Santa Teresa de Calcutá que teve uma vida de abandono ao Senhor e de doação e amor ao próximo. Ela expressou e viveu plenamente o chamado do Pai e nos ensinou que “qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz”.

Além dos Santos, menciono também, com grande alegria, os exemplos das ordenações que tivemos no ano que se passou. Assim o faço, pois dou testemunho de que foi por amor e obediência ao chamado que esses novos sacerdotes e diáconos ordenados deixaram tudo para seguir a Cristo e para cumprir os mandamentos do Pai. 

Por fim, cito também os exemplos de todos os que dedicam suas vidas a formar novos sacerdotes e, assim, auxiliam na concretização dos planos de Deus, e ainda, os novos Seminaristas de nosso Seminário que sentem em seus corações o chamado do Pai e, como resposta, decidiram se preparar ao Sacerdócio.

Como se pode observar, pela graça de Deus, são muitos os exemplos de que mesmo entre tantas situações de mentiras e de destruição de valores presentes em nossa sociedade, ainda é uma realidade entre nós que muitos façam a escolha de dar a vida pelo outro, de se sacrificar por amor, de se abandonar aos desígnios do Pai, de oferecer o dom de si como expressão máxima do amor.

Sendo assim, após toda essa reflexão, pode-se concluir que o que realmente se espera de um discípulo do amor é que ele atenda ao chamado do Pai e seja dom de si mesmo para servir ao próximo, amando-o com amor autêntico que leva a dar a vida pelo outro, tal como Jesus fez e que sempre nos recorda em cada Eucaristia: “Isso é o meu corpo, que será entregue por vós. Este é o cálice do meu sangue, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”.

Além disso, espera-se ainda que o discípulo do amor disponha-se ao outro e se deixe transformar por Ele, Deus; que esteja aberto a se deixar formar na escola da alteridade, em que a principal lição é a do aprender a realizar-se na vida servindo e que compreenda o altruísmo como sinal de uma vida cuja felicidade está em servir.

Peçamos, então, a Deus, o dom de sermos discípulos do amor e supliquemos que Ele nos dê a força para, a exemplo de São Sebastião e de tantos que dão a sua vida para servir ao próximo, continuar seguindo a missão de testemunhar a fé com palavras e atos, pois “eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos.” E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? ”, 1Jo 5, 3- 4.

Que tenhamos a coragem de São Sebastião de nos abandonar a Deus e vencer as coisas do mundo, para nos entregar às coisas que são Dele e sermos expressão máxima de Seu amor.

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São Sebastião, Discípulo do Amor

17/01/2018 00:00

“O dom de si como expressão máxima do amor”

Primeiramente, quero louvar e bendizer a Deus pela graça de mais uma vez, no início de um novo ano, celebrarmos a festa da Solenidade do nosso Padroeiro São Sebastião, o discípulo do amor.

De forma plena e verdadeira, São Sebastião deu tudo de si. Atuou como um soldado movido pelo amor ao Senhor e, pela força advinda desse amor, conseguiu resistir às flechas lançadas contra ele para levá-lo à morte.

São Sebastião, mesmo depois desse fato, continuou seguindo sua missão, testemunhando a sua fé com palavras e atos. Defendeu a verdade e lutou até a morte contra as injustiças e os falsos deuses. Como um verdadeiro discípulo do amor, ele aceitou dar a sua vida pelos outros e por Cristo.

Diante do testemunho de vida de nosso padroeiro, é impossível não  levantarmos as seguintes indagações: como podemos também ser discípulos do amor? Como manifestarmos esse dom dado por Deus se ainda hoje, mesmo depois de tanto tempo, as flechas da falsidade do mundo continuam sendo lançadas sobre nós na tentativa de nos matar para a compreensão do amor Divino?

É notório que estamos diante de um mundo fortemente marcado por uma cultura hedonista e utilitarista, ou seja, um mundo no qual as pessoas vivem por si e para si mesmas em detrimento do próximo.  Buscam a imagem de um “deus” que realiza desejos, ao tempo e da maneira que se quer.

A promessa divina, muitas vezes presente na Sagrada Escritura como uma forma própria de Deus conduzir e formar seu povo de acordo com os seus desígnios de salvação e de paz, é confundida como o cumprimento de nossa própria vontade e não como uma pedagogia divina de transformação naquilo que Deus quer de cada um de nós.

Ainda assim, apesar de todas essas situações presentes em nossa sociedade, a resposta para nossas indagações está no fato de que Deus continua a nos chamar a agir como Jesus agiu; chama-nos a dar vida pelo outro e a anunciar o Seu amor por todos.

Sua Palavra é que nos direciona para o caminho a ser seguido: “Eis o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu”  (1Jo 3, 23 e 24).

A Palavra ensina que crendo no amor de Deus, que nos enviou o seu Filho, somos também chamados a anunciar esse amor e a fazermos a opção de deixar que ele conduza nossas ações.

Dessa forma, para termos um melhor entendimento acerca dessa verdade de que Deus continua chamando e colocando no coração de tantos a vontade de abandonar tudo para segui-Lo e servi-Lo e também de dar a vida pelo outro em detrimento de sua própria vida, podemos observar, além do exemplo de nosso padroeiro, os exemplos de vida dos Santos e Santas de nosso tempo.

Dentre esses, destaco São João Paulo II, que teve uma vida inteiramente dedicada a Deus e que, desde o início de seu pontificado, demonstrou a sua disponibilidade de servir e de exortar a todos a também o fazê-lo, como se demonstra no trecho de sua homília datada de outubro de 1978:

 “Irmãos e Irmãs: não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder! E ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir a Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira! Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo! Ao Seu poder salvador abri os confins dos Estados, os sistemas econômicos assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que é que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!

Outro exemplo que destaco é o de Santa Teresa de Calcutá que teve uma vida de abandono ao Senhor e de doação e amor ao próximo. Ela expressou e viveu plenamente o chamado do Pai e nos ensinou que “qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz”.

Além dos Santos, menciono também, com grande alegria, os exemplos das ordenações que tivemos no ano que se passou. Assim o faço, pois dou testemunho de que foi por amor e obediência ao chamado que esses novos sacerdotes e diáconos ordenados deixaram tudo para seguir a Cristo e para cumprir os mandamentos do Pai. 

Por fim, cito também os exemplos de todos os que dedicam suas vidas a formar novos sacerdotes e, assim, auxiliam na concretização dos planos de Deus, e ainda, os novos Seminaristas de nosso Seminário que sentem em seus corações o chamado do Pai e, como resposta, decidiram se preparar ao Sacerdócio.

Como se pode observar, pela graça de Deus, são muitos os exemplos de que mesmo entre tantas situações de mentiras e de destruição de valores presentes em nossa sociedade, ainda é uma realidade entre nós que muitos façam a escolha de dar a vida pelo outro, de se sacrificar por amor, de se abandonar aos desígnios do Pai, de oferecer o dom de si como expressão máxima do amor.

Sendo assim, após toda essa reflexão, pode-se concluir que o que realmente se espera de um discípulo do amor é que ele atenda ao chamado do Pai e seja dom de si mesmo para servir ao próximo, amando-o com amor autêntico que leva a dar a vida pelo outro, tal como Jesus fez e que sempre nos recorda em cada Eucaristia: “Isso é o meu corpo, que será entregue por vós. Este é o cálice do meu sangue, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”.

Além disso, espera-se ainda que o discípulo do amor disponha-se ao outro e se deixe transformar por Ele, Deus; que esteja aberto a se deixar formar na escola da alteridade, em que a principal lição é a do aprender a realizar-se na vida servindo e que compreenda o altruísmo como sinal de uma vida cuja felicidade está em servir.

Peçamos, então, a Deus, o dom de sermos discípulos do amor e supliquemos que Ele nos dê a força para, a exemplo de São Sebastião e de tantos que dão a sua vida para servir ao próximo, continuar seguindo a missão de testemunhar a fé com palavras e atos, pois “eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos.” E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? ”, 1Jo 5, 3- 4.

Que tenhamos a coragem de São Sebastião de nos abandonar a Deus e vencer as coisas do mundo, para nos entregar às coisas que são Dele e sermos expressão máxima de Seu amor.

Cônego Leandro de Souza Câmara
Autor

Cônego Leandro de Souza Câmara

Reitor do Seminário Arquidiocesano de São José