Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/05/2018

24 de Maio de 2018

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É muito bom celebrar a trezena de São Sebastião e caminhar pela nossa amada Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro levando o nosso padroeiro em todas as Paróquias, Capelas e Comunidades dedicadas ao padroeiro do Rio de Janeiro. Também visitamos instituições, hospitais, casas de repouso, casas de saúde, os poderes constituídos, a Polícia Militar (que o tem como patrono) e o Corpo dos Bombeiros e todas as forças vivas de nossa cidade. Deus seja louvado por este tempo que podemos dar a honra, a glória e o poder a Jesus Cristo que teve no fiel soldado Sebastião, cristão leigo batizado, que testemunhou com a sua própria vida a sua fé, o que devemos imitá-lo em tempos de mudança de época e de desorientação.

Começamos um novo tempo litúrgico na Igreja. Estamos no segundo domingo do tempo comum. Este ano é o B, temos como grande meditação o Evangelista São Marcos. A tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos se reuniam para orar (At 12,12). Com Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem missionária (At 13,5-13; 15,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (Cl 4,10). Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por “meu filho” na saudação final da sua Primeira Carta (1 Pe 5,13). Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70.

Na primeira parte deste Evangelho (1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,36) volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu (3,13-19): com sábia pedagogia vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).

A liturgia deste domingo nos apresenta como primeira leitura,1Sm 3,3b-10.19 – que nos narra como o menino Samuel, por três vezes, ouve a voz que o chama e, pensando que é a voz de Eli, se apresenta a este. Na terceira vez, Eli desconfia que a voz seja muito especial e lhe ensina a pôr-se a serviço de Deus que o chama. Então Deus confia a Samuel a missão profética que tem efeito, porque é a palavra de Deus (3, 19; cf. Is 55, 9-10). O profeta Samuel fora dedicado ao serviço de Deus no santuário de Silo, em agradecimento pelo favor que Deus demonstrara a Ana, sua mãe estéril (cf. 1Sm 1,21-28). Mas o serviço no santuário não esgotou sua missão. Antes que Samuel fosse capaz de o entender, Deus o chamou para a missão de profeta. A vocação de Deus, porém, vai sendo revelado aos poucos. Três vezes Samuel ouve a voz, pensando ser a voz do sacerdote Eli. Este faz Samuel entender que é a voz do Senhor; então, quando ouve novamente o chamado, o jovem responde: “Fala, teu servo escuta”. Escutar é a primeira tarefa do porta-voz de Deus. 

A segunda leitura1Cor 6,13c-15a.17-20, não é estabelecida em função das duas outras leituras. São Paulo trata da mentalidade da comunidade de Corinto, influenciada por uma certa libertinagem. Liberdade, sim, libertinagem, não, é o teor de sua reação. “Tudo é permitido”, dizem certos cristãos de Corinto, e Paulo responde: “Mas nem tudo faz bem” (6,12). Quem se torna escravo de uma criatura comete idolatria: assim se dá com quem se vicia nos prazeres do corpo. O ser humano não é feito para o corpo, mas o corpo para o ser humano, e este para Deus: seu corpo é habitação, templo de Deus, e serve para glorificá-lo. A segunda leitura ressalta que o nosso corpo é templo do Espirito Santo, ou seja, devemos zelar pelo nosso corpo assim como zelamos pela nossa alma.

O Evangelho Jo 1,35-42 é tomado de João, no episódio do testemunho do Batista: a vocação dos primeiros discípulos. João Batista encaminha seus discípulos a se tornarem discípulos de Jesus (o tema volta em Jo 3,22-30). À busca desses discípulos corresponde um convite de Jesus para que venham ver e permaneçam com ele (Jo 1,35-39). E a partir daí segue uma reação em cadeia (1,41.45). Pelo testemunho do Batista, os que buscavam o Deus da salvação o vislumbraram no Cordeiro de Deus, o Homem das Dores. Querem saber onde é sua morada (o leitor já sabe que sua morada é no Pai; cf. Jo 14,1-6). Jesus convida a “vir e ver”. “Vir” significa o passo da fé (cf. 6,35.37.44.45.65; também 3,20-21 etc.). “Ver” é termo polivalente, que, no seu sentido mais tipicamente joanino, significa a visão da fé (cf. sobretudo Jo 9). Finalmente, os discípulos “permanecem/demoram-se” com ele (“permanecer” ou “morar” expressa, muitas vezes, a união vital permanente com Jesus; cf. Jo 15,1ss). Os que foram à procura do mistério do Salvador e Revelador acabaram sendo convidados e iniciados por ele.

Vemos no Evangelho tal qual a primeira leitura a realidade do chamado. Na primeira leitura Samuel é chamado, já no Evangelho, no episódio dos discípulos de Jesus, trata-se da vocação de discípulos para integrar a comunidade dos seguidores. São chamados, antes de tudo, a “vir” até Jesus para “ver” e a “permanecer/morar” com ele. Daí se inicia um processo de “vocação em cadeia”. Os que foram encaminhados pelo Batista até Jesus chamam outros (“André… foi encontrar seu irmão…”). Nessa dinâmica global da vocação cristã se situam as vocações específicas, como a de Simão, que, ao aderir a Cristo, é transformado em pedra de arrimo da comunidade cristã.

Somos convidados a estar atentos ao chamado que Deus nos faz a cada dia. Sabemos que Deus nos chama em primeiro lugar a viver neste mundo o nosso Batismo, isto é, a santidade. Que possamos olhar o exemplo do Batista, pois, ele conduziu as pessoas até Jesus. Que possamos nós, conduzir os outros a Cristo.


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É muito bom celebrar a trezena de São Sebastião e caminhar pela nossa amada Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro levando o nosso padroeiro em todas as Paróquias, Capelas e Comunidades dedicadas ao padroeiro do Rio de Janeiro. Também visitamos instituições, hospitais, casas de repouso, casas de saúde, os poderes constituídos, a Polícia Militar (que o tem como patrono) e o Corpo dos Bombeiros e todas as forças vivas de nossa cidade. Deus seja louvado por este tempo que podemos dar a honra, a glória e o poder a Jesus Cristo que teve no fiel soldado Sebastião, cristão leigo batizado, que testemunhou com a sua própria vida a sua fé, o que devemos imitá-lo em tempos de mudança de época e de desorientação.

Começamos um novo tempo litúrgico na Igreja. Estamos no segundo domingo do tempo comum. Este ano é o B, temos como grande meditação o Evangelista São Marcos. A tradição antiga, que remonta ao séc. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com João Marcos, filho de Maria, em cuja casa os cristãos se reuniam para orar (At 12,12). Com Barnabé, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem missionária (At 13,5-13; 15,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (Cl 4,10). Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por “meu filho” na saudação final da sua Primeira Carta (1 Pe 5,13). Marcos terá escrito o Evangelho pouco antes da destruição de Jerusalém, que aconteceu no ano 70.

Na primeira parte deste Evangelho (1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende às suas necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,36) volta-se especialmente para os Apóstolos que escolheu (3,13-19): com sábia pedagogia vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salvação (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).

A liturgia deste domingo nos apresenta como primeira leitura,1Sm 3,3b-10.19 – que nos narra como o menino Samuel, por três vezes, ouve a voz que o chama e, pensando que é a voz de Eli, se apresenta a este. Na terceira vez, Eli desconfia que a voz seja muito especial e lhe ensina a pôr-se a serviço de Deus que o chama. Então Deus confia a Samuel a missão profética que tem efeito, porque é a palavra de Deus (3, 19; cf. Is 55, 9-10). O profeta Samuel fora dedicado ao serviço de Deus no santuário de Silo, em agradecimento pelo favor que Deus demonstrara a Ana, sua mãe estéril (cf. 1Sm 1,21-28). Mas o serviço no santuário não esgotou sua missão. Antes que Samuel fosse capaz de o entender, Deus o chamou para a missão de profeta. A vocação de Deus, porém, vai sendo revelado aos poucos. Três vezes Samuel ouve a voz, pensando ser a voz do sacerdote Eli. Este faz Samuel entender que é a voz do Senhor; então, quando ouve novamente o chamado, o jovem responde: “Fala, teu servo escuta”. Escutar é a primeira tarefa do porta-voz de Deus. 

A segunda leitura1Cor 6,13c-15a.17-20, não é estabelecida em função das duas outras leituras. São Paulo trata da mentalidade da comunidade de Corinto, influenciada por uma certa libertinagem. Liberdade, sim, libertinagem, não, é o teor de sua reação. “Tudo é permitido”, dizem certos cristãos de Corinto, e Paulo responde: “Mas nem tudo faz bem” (6,12). Quem se torna escravo de uma criatura comete idolatria: assim se dá com quem se vicia nos prazeres do corpo. O ser humano não é feito para o corpo, mas o corpo para o ser humano, e este para Deus: seu corpo é habitação, templo de Deus, e serve para glorificá-lo. A segunda leitura ressalta que o nosso corpo é templo do Espirito Santo, ou seja, devemos zelar pelo nosso corpo assim como zelamos pela nossa alma.

O Evangelho Jo 1,35-42 é tomado de João, no episódio do testemunho do Batista: a vocação dos primeiros discípulos. João Batista encaminha seus discípulos a se tornarem discípulos de Jesus (o tema volta em Jo 3,22-30). À busca desses discípulos corresponde um convite de Jesus para que venham ver e permaneçam com ele (Jo 1,35-39). E a partir daí segue uma reação em cadeia (1,41.45). Pelo testemunho do Batista, os que buscavam o Deus da salvação o vislumbraram no Cordeiro de Deus, o Homem das Dores. Querem saber onde é sua morada (o leitor já sabe que sua morada é no Pai; cf. Jo 14,1-6). Jesus convida a “vir e ver”. “Vir” significa o passo da fé (cf. 6,35.37.44.45.65; também 3,20-21 etc.). “Ver” é termo polivalente, que, no seu sentido mais tipicamente joanino, significa a visão da fé (cf. sobretudo Jo 9). Finalmente, os discípulos “permanecem/demoram-se” com ele (“permanecer” ou “morar” expressa, muitas vezes, a união vital permanente com Jesus; cf. Jo 15,1ss). Os que foram à procura do mistério do Salvador e Revelador acabaram sendo convidados e iniciados por ele.

Vemos no Evangelho tal qual a primeira leitura a realidade do chamado. Na primeira leitura Samuel é chamado, já no Evangelho, no episódio dos discípulos de Jesus, trata-se da vocação de discípulos para integrar a comunidade dos seguidores. São chamados, antes de tudo, a “vir” até Jesus para “ver” e a “permanecer/morar” com ele. Daí se inicia um processo de “vocação em cadeia”. Os que foram encaminhados pelo Batista até Jesus chamam outros (“André… foi encontrar seu irmão…”). Nessa dinâmica global da vocação cristã se situam as vocações específicas, como a de Simão, que, ao aderir a Cristo, é transformado em pedra de arrimo da comunidade cristã.

Somos convidados a estar atentos ao chamado que Deus nos faz a cada dia. Sabemos que Deus nos chama em primeiro lugar a viver neste mundo o nosso Batismo, isto é, a santidade. Que possamos olhar o exemplo do Batista, pois, ele conduziu as pessoas até Jesus. Que possamos nós, conduzir os outros a Cristo.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro